— O que não se apaga

683 Palavras

POV — Arthur Eu não deveria ter ido trabalhar no dia seguinte. Não porque estivesse cansado. Mas porque meu corpo ainda estava lá. O cheiro dela ainda parecia preso à minha pele, mesmo depois do banho. Eu fechava os olhos e não via cenas completas — via fragmentos. Sensações soltas. O tipo de lembrança que não pede permissão para voltar. Passei a noite acordado tentando convencer minha mente de que aquilo tinha sido um erro isolado. Um desvio. Um momento fora da curva. Mas meu corpo não entendia linguagem racional. Ele lembrava demais. Lembrava do peso. Da pressão. Da resposta imediata, traidora, intensa demais para ser ignorada. Ela me deixou em pedaços. E o pior: eu não lutei para ficar inteiro. Quando cheguei à sala, ainda estava cedo. A luz apagada foi um alívio imediato.

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