— Saia da biblioteca. A voz de Arthur saiu baixa, contida demais para não ser perigosa. Isabela ainda estava parada diante dele quando ouviu o restante da frase, dita quase como um aviso — ou uma ameaça contra si mesmo. — Saia… antes que alguém veja algo que não deveria. Antes que eu não responda por mim. Ela não respondeu. Não porque não tivesse o que dizer — mas porque o corpo simplesmente não obedeceu. Passou por ele devagar, sentindo as pernas trêmulas, o coração acelerado demais para um gesto tão simples quanto andar. O espaço entre os dois era mínimo, e ainda assim parecia carregar um peso físico. Ela sentiu o calor dele, o perfume contido, a tensão dura como pedra. Arthur ficou parado. Não se virou. Porque sabia que, se olhasse de novo, não iria embora. Quando Isabela sai

