Lorena foi em silêncio no carro do pai, com o irmão e a irmã.
- Ele pareceu satisfeito! - Eduardo diz olhando a filha da empregada pelo retrovisor. Ela apenas assente.
- O que vocês conversaram? - Isabelle pergunta baixo. O homem lhe pareceu assustador, era enorme, e até ela que se considerava alta, sentira-se pequena perto do homem.
- Ele só queria ter certeza que eu estava de acordo em salvar a pele de nosso pai. - Lorena diz olhando para os olhos do pai pelo retrovisor, e o vê fazer uma cara de desgosto.
- No fim, até que serviu para algo, não é mesmo? - Felipe diz debochado. E ninguém diz mais nada até o local do evento.
Diego dirige o carro de aluguel que usa na cidade e pensa nos olhos verdes e corajosos de Lorena. Fora uma boa conversa. Ela não o questionou nada, e aceitou de boa vontade. Devia amar muito a irmã, visto que pelo pai não tinha qualquer tipo de afeição. Gostaria de ter tido irmãos, talvez se sentisse menos sozinho, mas a vida não colaborou. Estacionou o carro e viu os quatro da família Gravetti o esperando próximo a entrada.
- Vamos entrar? - Para-se ao lado de Lorena e cede-lhe o braço, o qual ela apenas olha e então, ele tem de pegar o seu braço e colocá-lo enganchado ao dele. - Vamos? - Ela assente e assim o restante os seguem.
Lorena começa a sentir um medo estranho. Estar tão próxima a ele, ele tinha um cheiro suave, mas potente de Malbec, a mão quente segurava o seu braço frio, causando arrepios em seu interior.
- Bem vindos! - Um homem os interpele.
Ao adentrarem muitos param para os olhar. Diego sabia que não era para si, mas para a bela mulher a seu lado.
- Olá, Eduardo, resolveu aparecer! - O homem aperta a mão do político, depois de seu filho, então beija a mão de Isabelle. - Bom vê-los. E vocês, são? - O homem sorri para Lorena que se mantém séria.
- Meus amigos, é... - Eduardo se apressa, não queria que o público soubesse que tinha uma filha fora do casamento.
- Diego Pavinskost. - Diego fala e vê o homem fechar o semblante, seu nome era conhecido dentre a máfia italiana, mas seu rosto não. Então quando descobriam quem era, sempre faziam aquela cara de susto. Ele amava essa parte. - E minha noiva, Lorena.
- Ah...- O homem engole seco. - Fiquem a vontade.
- Do que é essa festa? - Lorena cochicha para Isabelle a seu lado.
- Para arrecadar fundos não sei pra quê.
- Hummm.. - Lorena faz uma cara de desgosto. Odiava aquele luxo e baboseira toda.
Diego pega um drink e oferece um a Lorena que n**a.
A festa transcorria bem, era para arrecadação de fundos para a a******a de uma nova sede de um orfanato. Mas por trás, existia um rombo, além de tráfico de armas e drogas. Era tanta sujeira, que Lorena e Isabelle nunca saberiam.
- Fiquei sabendo que está noivo, Dieguito. - Uma mulher loira de olhos azuis se aproxima passando as mãos no peito dele, e aproximando o rosto.
- Sim, Marcela. - Diego a afasta. Era filha de um mafioso que também o propôs casar com ela, mas ele não suportava o jeito mimado dela. - Essa, Lorena. - Ele aponta para a mulher a seu lado.
Lorena vê a mulher a olhando com desdém, mas esforça-se a dar o seu melhor sorriso. - Prazer, Lorena. - Ela diz logo desviando os olhos para Diego. - Hum, então Dieguito, quando teremos aquele flashback. - Lorena ergue as sobrancelhas surpresa com a audácia da mulher e vê o seu noivo ficando vermelho.
- Acho que você não entendeu... - Diego exerce a sua paciência. - Minha noiva, vou casar...
- Ah para com isso. - Ela cochicha. - Estou observando-os a um tempo, e você nem pega na mão dela, deve ter sido obrigado como meu pai tentou, mas pelo jeito foram mais espertos que ele e conseguiram te prender. - Lorena ergue ainda mais as sobrancelhas incrédula com a mulher astuciosa.
- Está enganada! - Diego se livra dos braços dela, e puxa Lorena pela cintura, assustando-a. Ele aproxima o rosto lentamente, com os olhos presos aos dela. Então a beija.
Lorena nunca tinha beijado um homem em sua vida. Ela só treinara em laranjas, mas não estava preparada para aquilo. Ele tomou seus lábios com possessividade, com força e ferocidade. A língua dele invadiu sua boca, e suas mãos a apertavam pela cintura, enquanto as dela se mantiveram paradas em seu peito.
Ele se afastou, mas seus olhos brilhavam, o beijo despertou algo dentro dele, que ainda não tinha percebido. Tinha desejo por aquela mulher. Colocou uma mecha de cabelo que escapou da bela trança para trás de sua orelha. E puxou seu lábio inferior com a boca, fazendo-a estremecer.
- Já chega do showzinho. - Ouve a voz irritada de Marcela. Logo ela dá as costas e sai.
Lorena fica ofegante ao lado do homem, sem saber o que dizer.
- Isso não significou nada. - Diego diz baixo para ela, que engole seco e assente. - Foi preciso.
- Eu sei. - Ela diz baixo. - Não significou nada. - Ela repete mais para si mesmo do que para ele. Pois naquele beijo, ela viu que seria difícil se manter ao lado dele. Talvez não a matasse literalmente, mas ferisse o seu coração.
Depois de algumas conversas sem sentido, Diego já não via a hora de ir embora. Se afastou de Lorena por um momento, para cumprimentar alguns conhecidos. Observava-a sozinha do outro lado. Ela abraçava o próprio corpo com as mãos, e parecia procurar alguém com os olhos. Parecia tão inocente e perdida, que não resistiu a voltar e ficar a seu lado. Mas uma voz o interrompeu.
- Eu nunca tinha visto aquela mulher antes. - Ele vira-se para encontrar Frederico Village, o novo Capo da máfia Italiana.
- Olá para você também. - Diz sério.
- Fiquei sabendo que anda fazendo serviços para outras pessoas também.
- É dinheiro, meu amigo. Não escolho clientes.
- Pensei que tínhamos um acordo. Somente trabalhava para nós.
- Não trabalho para vocês!
- Não? - Vê os olhos escuros do homem brilharem.
- Preciso ir! - Diego responde apenas, mas ainda ouve a voz do homem.
- Gostaria de conhecê-la melhor, Diego!
Se aproximou de Lorena e viu-a sorrir ao vê-lo.
- Vamos embora!
- Não vamos esperar... - Ele a interrompe.
- Já assinei as coisas com o seu pai. É minha agora. - Lorena franze o cenho e o acompanha até o carro, depois de entrarem ela fala.
- É um acordo né?
- Sim... por quê? - Encara-a sério.
- Você disse: É minha agora! - Ela estremece e alisa os braços. - Deu medo! - Diego pisca confuso, então olha para frente.
- Até o acordo terminar, é minha! - Lorena faz uma careta. Era um objeto agora?
Lorena entra no enorme quarto de hotel e sente o homem atrás de si.
- Eu não trouxe nada! - Ela vira-se para ele.
- Não se preocupe, amanhã compramos algumas coisas e então vamos para o Brasil.
- Tá... - Vê que ele começa a despir-se e fica petrificada.
- O que está olhando? - Ele diz franzindo o cenho ao ver a mulher parada de olhos arregalados para ele.
- Ahn, desculpa. - Ela vira-se de costas. Diego revira os olhos e vai para o banheiro somente de cueca box.
Lorena senta-se na beirada da cama, ainda trêmula. Ele era ainda maior sem roupa do que de roupa. Tinha a pele morena, talvez bronzeada, pelos que cobriam o peito e desciam pelo abdômen até se perderem na beira da cueca. Levou a mão ao peito. Era muita coisa para um dia só. Ainda bem que não chegou a olhar ele "lá" naquele lugar. Ou teria desmaiado mesmo. Balançou a cabeça e olhou para a grande cama. Só tinha uma. Subiu na cama e se deitou no cantinho. Sobrara bastante espaço se ele quisesse descansar. Ela duvidava que fosse dormir, mas seu corpo ansiava por deitar. Trabalhara o dia todo limpando a casa, tomara um banho rápido, e Isabelle já estava lá para lhe arrumar. Se soubesse, teria comido mais, agora sentia a barriga roncando. Fechou os olhos, só para descansar as palpebras um pouquinho.
Diego deixava a água morna cair por seu corpo e tentava relaxar. Devia ter perdido o juízo para aceitar uma mulher como pagamento de uma dívida. Respirou fundo. No mais, tinha resolvido um de seus problemas, casaria, pegaria a herança, daria os bens para sua mãe, com o dinherio giraria o capital da empresa, faria uns investimentos e arrumaria sua reputação no meio empresarial. E se sua mãe ousasse enchê-lo o saco novamente, daí sim, ele a ameaçaria, não que fosse fazer algo contra ela, mas ela não precisava saber disso. Pegou a toalha do hotel e secou-se. Na pressa saíra sem ao menos pegar uma muda de roupa. Dormiria só de cueca. Já bastava ter de usar a mesma roupa no dia seguinte.
Saiu do banheiro e viu a pequena noiva que arrumara ressonando na cama. Deitada de lado, o vestido deixava a mostra parte de seus s***s, assim como marcava a cintura e o quadril. Era linda, pena que a conhecera dessa forma, ou tentaria levá-la para cama. Bem, ela já estava em sua cama. Riu de lado. Deitou-se no espaço que sobrava da cama, apagou a luz e virou-se de costas para ela. Ou era capaz de apertar aquela b***a arrebitada para o seu lado.
Na manhã seguinte acordou e virou-se, assustando-se ao não ver sua noiva. - Lorena? - Gritou assim que levantou, logo ouviu-a responder através da porta do banheiro.
- Já saio!
- Ok. - Respondeu aliviado. Oras! porque se importava? Se ela fugisse ia lá e pegava a irmã. Ela não fugiria justamente por isso. E ele nem queria a irmã dela, também. Simpatizou com ela a primeira vista.
- Oi... desculpa a demora. - Ela sai do banheiro com a toalha enrolada nos cabelos. - Eu precisava de um banho. Lorena tirou o vestido com cuidado e recolocou-o após o banho.
- Vamos comprar algumas roupas para você. Conheço uma loja que tem tudo.
- Tudo bem. - Lorena responde. - Será que podemos tomar café da manhã? Estou morrendo de fome. Não jantamos ontem.
- Claro, desculpe, foram tantas coisas que acabei nem lembrando de pedir algo para comer.
Lorena sorri e senta quieta na beirada da cama. Ele lhe dissera que se ela se mantivesse quieta, não correria risco de vida, então tentaria controlar sua língua tagarela. Afinal crescer com os empregados, era isso, tagarelar para o tempo passar.
Diego pede que levem o café no quarto. Não gostava de sair e se arriscar. Na Itália muitos o conheciam, então precisava ter mais cuidado. No Brasil, era conhecido apenas como o CEO de corretoras de imóveis, não como um assassino de aluguel.
Viu a garota comer o dobro dele e se surpreendeu, como ela podia ser tão pequena e magra, comendo aquilo tudo. Desceram e de carro foram para a loja. Era uma loja shopping, onde encontrava-se de tudo um pouco. Deixou-a a vontade. Mas ela escolheu apenas 3 mudas de roupa, e ainda as mais baratas que via.
- Pode escolher mais coisas. Objetos de higiene pessoal, tudo que precisar.
- Assim está bom, podemos comprar objetos de higiene lá para onde vamos, daí não precisamos carregar muito peso. - Diego assente, mas não entende. Que mulher não aproveita um homem dizendo para ela comprar sem limites?
No avião vê-a segurando-se nos braços da poltrona, tão forte que os dedos estavam brancos.
- Nunca andou de avião? - Ela n**a. - Aquele homem não te tratava mesmo como filha...
- Eu sou filha da empregada, nasci para ser empregada também.
- Não diga isso! - Diego coloca a mão em cima da dela. - Depois do nosso acordo, você terá uma condição de vida melhor e poderá fazer muitas coisas.
- Não quero nada seu! - Diego franze o cenho e recolhe a mão.
- Você terá direito.
- Não! Não será um casamento de verdade. - Ela repete fechando os olhos sentindo o avião saindo do chão e travando os dentes.
- Entenda como um agradecimento então. - Não se sentiria bem se ela não aceitasse, afinal estava deixando a sua vida, por no mínimo uns dois anos, para ajudá-lo. Porque ela podia ter esperneado e se negado, tudo bem que ele teria matado o pai dela, ou pego a irmã... não, não teria pego a irmã dela. Só teria matado o homem mesmo!
- Não precisa. Sou um pagamento, e me deixará livre depois. Já me serve. Não me matando estarei agradecida. - Diego ri.
- Não falaram muito bem de mim, pelo que vejo.
- Minha irmã disse que Eduardo disse que você é um matador c***l e perigoso. - Ela fala cochichando enquanto se aproxima do ouvido dele.
Diego sente-se arrepiar com o hálito quente próximo a seu pescoço. Virou a cabeça de lado, fechando os olhos. - Falando assim até fica r**m mesmo.
- E tem maneira melhor de falar? - Lorena questiona, respirando um pouco melhor, com o medo do avião diminuindo.
- Sou CEO de uma empresa. Tenho corretoras espalhadas por vários estados e países, nosso atendimento é um dos melhores.
- Legal, Ceo e matador. - Ela ri.
- Está debochando de um matador c***l e perigoso? - Lorena olha para ele de olhos arregalados e ele não se aguenta e solta uma risada, que Lorena não consegue outra palavra para distinguir senão "divina". - Fica tranquila, não sou tão r**m.
- O-ok... - Ela diz ainda incerta.
- Podemos ser bons amigos.
- Não vou te ajudar a esconder nenhum corpo! - Ela diz baixo, se aproximando novamente. Então sente os olhos castanhos pararem em seus lábios e volta para a posição normal no assento.
- Não preciso de ajuda para isso. - Diz com um sorriso de lado. Estava ficando divertido ter ela por perto.