— Não consigo me acalmar nem por um segundo! Deixo escapar no meio da minha birra. Posso estar tendo um colapso psicótico agora por causa do choque. Que dia*bos eu tenho a ver com o ex-noivo psicopata da minha melhor amiga? — Você me drogou, invadiu a minha casa. Aponto para o armário escancarado. — Você me trouxe para o outro lado do mundo contra a minha vontade!
— Fico feliz que você não seja apenas bonita, mas também inteligente. Ele comenta despreocupadamente, me deixando ainda mais furiosa.
Bravo, Leah! Você deveria estar tremendo de medo, mas, em vez disso, só consegue ficar furiosa com o cara que provavelmente quer te matar.
— Você me sequestrou. Declaro o que nós duas sabemos, silenciando de repente quando a dura realidade me atinge.
Corro até a janela e abro as cortinas para olhar para as ruas, que parecem um brinquedo em miniatura com mais de seis metros de altura. Devo estar no topo de um arranha-céu, já que os prédios do outro lado da rua são menores que este.
Levo as mãos à cabeça e passo os dedos pelos cabelos soltos.
É só um pesadelo. Convenço a mim mesma.
Não é real.
— Como você viu, escapar pela janela não é uma opção. A sua respiração agitou minhas costas, arrepiando os pelos da minha nuca.
Não vai acontecer.
Acorde, droga!
As lágrimas demoraram a vir, mas quando vieram, jorraram em torrentes e nunca mais pararam.
— Por quê? Perguntei num sussurro.
— A sua melhor amiga, o marido dela e você vão pagar por me humilhar. Ele dita. — Embora eu tema que você tenha levado a pior. Chame de destino, se quiser.
— Cassie?
Então é disso que se trata: vingança. Que di*abos eu estou fazendo aqui?
— O que eu fiz com você? Eu me viro para encará-lo.
— Você não convenceu a Cass a me deixar? Ele coloca o rosto a poucos centímetros do meu, me encarando com aqueles olhos dia*bólicos. — Você não conseguiu a bolsa de estudos e a passagem de avião para ela?
Sim, consegui... e não me arrependo. Foi uma das melhores decisões que tomei na minha vida desastrosa.
— Você não pode me manter aqui para sempre. Proclamo sem pestanejar. — Vou fugir, vou ligar...
— A polícia? Ele me interrompe antes de me entregar um celular, que reconheço como meu. — Vá em frente, não vai te ajudar em nada porque eles são meus. Você está no meu território, garota, e eu mando na lei aqui.
— Isso não é verdade. Eu respondo, procurando o nome da minha amiga na minha lista de contatos.
— Experimente, 911, são apenas três números. A confiança que ele demonstra, juntamente com a diversão na sua expressão, confirma as suas palavras. — Você também pode ligar para seus amigos e contar a eles, se quiser. Será um prazer testemunhar a angústia deles e... vê-los lamentar a morte do Magnata do Aço.
— O que você disse? O chão de repente treme sob os meus pés.
Ele puxa o meu braço para me levar até um sofá e depois me força a sentar. Permaneço numa espécie de transe enquanto ele se comunica com alguém num tablet.
— Coulson. Ele fala para quem está do outro lado da linha. — Você está de olho no alvo?
A figura de Adriano Di Lauro aparece na tela, saindo do carro, e um suspiro alto escapa dos meus lábios. Não é possível. Ele não ousará...
— Alvo à vista, senhor. Anuncia Coulson. — A vinte metros de distância.
Não quero olhar. Sinto-me perdido. De alguma forma, sei que o De*mônio do Gelo será minha ruína.
Não, não é verdade. Não está acontecendo... No entanto, a tela nas suas mãos me mostra a verdade bem na minha frente.
— Diga você, garota. Interrompe o psicopata ao meu lado. — Devo pedir a dose?
— Você está blefando. Comento, incrédula.
— Você acha? Ele questiona desafiadoramente, ainda sorrindo. Aquele sorriso, droga! Me assusta tanto quanto me cativa. — É tão fácil puxar o gatilho, Leah, e não há como voltar atrás. Ele me observa em silêncio, talvez esperando uma resposta minha. No entanto, não consigo dizer uma palavra. Isso é surreal demais. — Coulson...
— Espere! Eu o interrompo apertando os seus pulsos e imediatamente dou um passo para trás ao sentir a ardência do seu toque.
Po*rra, é impossível! Ninguém pode ter uma temperatura corporal tão alta.
— Talvez eu devesse matar o seu colega de quarto também. Ele ameaça, enviando espasmos de medo através de mim. — Ouvi dizer que o residente promíscuo tem uma carreira promissora como cirurgião. É uma pena que ele tenha sofrido um acidente trágico e o seu futuro brilhante esteja pairando no ar com a incerteza do que poderia ter sido.
— Você não pode fazer isso! Exclamo desesperadamente, sentindo como se estivesse me afogando. — Que tipo de pessoa doente você é?!
— Ou talvez eu simplesmente machucasse essas mãos prodigiosas. Ele continua, ignorando o meu ataque de ansiedade. — Certamente seria muito mais fácil.
— Por que você está fazendo isso comigo? Pergunto, tremendo violentamente e, ao mesmo tempo, queimando no fogo do seu olhar.
— Você precisa tomar uma decisão, pequena. Ele ignora a minha birra. — Você destruirá a vida daqueles que ama ou se sacrificará por eles?
Soluços altos emergem em meio a um grito. Estou perdida. Eu e o meu azar, droga! Por que eu? Ainda não estou totalmente ciente do que me espera, mas sei que será muito mais doloroso do que este momento.
O meu cérebro permanece adormecido, negando a realidade. Mesmo assim, ele ainda toma a decisão sem nem pensar.
— Eu não vou fugir. Sussurro. — Serei sua refém, Dean Frost.
— Nem você se comunicará com ninguém a menos que eu decida.
— Eles virão me procurar. Digo.
— Isso será resolvido. Ele diz, presunçosamente, enquanto se levanta. Eu me enrolo no sofá, me encolhendo o máximo possível. — Aos olhos de todos, você tirou uma folga do hospital para ir ao orfanato. Já te contei que conheci a Irmã Clarice? Uma velhinha simpática.
— Seu desgraçado! Corro para encontrá-lo, tentando desabafar a minha fúria, mas não sou rápida o suficiente para impedi-lo de atravessar a porta.
— Da próxima vez que você decidir brincar com o Dia*bo, pense duas vezes, pequena. Ele instrui antes de fechar a porta na minha cara.
Eu desabo no chão, chutando e gritando enquanto choro como nunca chorei na vida.
Sequestrada... Trancada sem saída, e o meu captor não é a fera dos livros que leio, que eventualmente se apaixona pela pobre garota. Ele é muito pior. É um verme com tendências psicopáticas que deixa apenas destruição no seu rastro.
— E agora, Leah Falco? Murmuro para o nada. — Como você vai sair dessa?
Uma refém daquele di*abo insensível, psicopata e provavelmente assassino. É nisso que me tornei.