AIMI

4617 Palavras
Você já caiu de forma constrangedora em um lugar tão formal que parece que seu rosto queimar de vergonha e seu estômago revirar? Bom, aconteceu comigo essa manhã enquanto meus pés aproveitavam um andar no sapato Christian Louboutin, ainda ontem eu estava usando um Miu Miu presente da minha chefe.  Não que eu seja esnobe de falar a marca do meu sapato, porém não era todo dia que eu calçava um desses e isso me deixou com um peso na consciência, acho que quando se é pobre como eu já fui tudo que se gasta com algo que não seja necessário é um ''Desperdício.'' Pelo menos é o que minha avó costuma dizer. Eu caí em frente ao corredor o barulho do meu corpo se chocando com o chão quebrou um certo silêncio no primeiro andar, o chão de porcelana branca estava um pouco molhado mais eu certamente tropecei no meu próprio pé, bom eu acho…  Não sei como eu caí, só sei que pisquei e ao dar um passou estava de cara no chão frio, o que resultou numa mancha de água sobre o terno preto justo que eu usava.  Quando me levantei olhei ao redor todos olhavam para mim e aquele movimento no corredor parou, uns me encaravam prendendo o riso e outros com dó, uma senhora de cabelos brancos com sardas no rosto me perguntou se eu estava bem, eu fiz que sim com a cabeça sentindo uma dor no peito com um impacto.  Eu queria que o chão se abrisse e me engolisse. E assim que eu dei o primeiro passado, Bam! Meu pé girou no sapato, me desequilibrei para direita me inclinando para ficar ereta de volta, o que eu tinha hoje? Não era meu primeiro dia ou talvez seja o sapato … É talvez sejam muitos grandes, o que aumentou a minha culpa por ter comprado algo caro. Bufei andando devagar até a sala de reunião A1. ‘’Eu só queria um novo guarda roupa para o novo trabalho.’’ Agora que finalmente parecia real, entende? Eu sou só uma nerd sonhadora que agora trabalha como advogada em um dos melhores escritórios do Estados Unidos.  Eu sei, nada demais! Só mais uma asiática roubando os empregos dos americanos meu antigo vizinho Carl do Oregon diria, como ele já disse várias vezes sempre que minha mãe comentava algo bom meu ou do meu irmão na igreja. Mas, não é como todos aqui parecem pensar, eu cresci pobre e passamos por um sufoco quando saímos do Japão fugindo do meu pai que batia muito na minha mãe e em Hiro ou melhor Adam meu irmão mais velho não gosta do seu verdadeiro nome então adotou um nome americano. Ela veio para os EUA porque sabia um pouco de inglês, era isso ou o Brasil. Nós viemos primeiro, depois nossa avó e avô vieram. Porém, quando chegamos aqui minha mãe percebeu que não sabia de nada… De nada mesmo, minha mãe estava grávida quando veio para cá.  A língua era estranha, algumas pessoas nos olhavam estranho e mesmo tendo apenas seis anos me lembro de todo do sufoco, dos professores pegando no pé por que eu era asiática e deveria ser a primeira da turma quando se tratava de álgebra e física aplicada. Coisas que até hoje eu sou péssima, a propósito não uso bhaskara desde do ensino médio. Ok! Eu sei que essas coisas são importantes, mas quando se tem um professor que fala cuspindo fica difícil gostar de sentar no primeiro lugar da sala.  Ou então uma professora que me perguntava sempre se eu podia explicar os assuntos antes mesmo dela iniciar na sala.  Estereótipos! Como eu os odeio, pensei nisso enquanto estava na reunião e depois pensei em nachos, a voz da minha chefe soava calma entretanto firme com seu sotaque francês um pouco carregado ela explicava sobre o novo contrato que fechamos com a DOF. A empresa de eletrônicos que mais cresce no mundo, quando a reunião acaba eu me viro andando devagar meus sapatos fazem barulho sobre o chão fino é liso demais tenho medo de arrastar o salto sair andando, esse sapato foi uma péssima aquisição.   Agarro a minha agenda vermelha em frente ao meu peito pedindo licença para passar.  — Ei Aimee.  Glória vem até mim, apresso os passos ainda com medo de cair comprimindo meus lábios. É inútil, já sinto o perfume de uva que ela usa, e o jeito que fala meu nome errado.  Como minha assistente e de certa forma uma amiga ela deveria saber que meu nome é Aimi meu nome vem do japonês e significa ‘’Belo amor’’ Bom, era o que minha mãe pensava ter antes do meu pai virar um monstro, apesar disso gosto do significado dele.  — Ei gorgeous, bom dia! Você saiu mais tarde ontem a noite em eu vi! E quem foi aquele bonitão que veio te buscar de moto pela segunda vez? — Ela arregalou os olhos andando para trás, eu continuei puxando o saltinho, meus pés estavam suando que nem parei para raciocinar que ela estava com aquele olhar que ela fazia sempre que iria falar sobre caras.  — Aquele é meu irmão, Glórita. — Dou um sorriso simpático, respiro fundo para chegar até a porta de mármore grande. Agora era só subir até o quinto andar, ‘’Deus abençoe quem criou os elevadores.’’ Falei baixinho, já pronta pra sair da sala, Glória saiu primeiro quando ouço meu nome.   — Aimi preciso que vá a minha sala, está bem? — Ela me olhou com um sorriso, passou por mim mas não andava flutuava naqueles sapatos extremamente altos de pontas finas, usava um sobretudo preto com um cinto marrom clássico da Gucci envolvendo sua cintura.  Como ela fazia isso? Deveria perceber que saltos não eram para mim, mas ontem depois de vir com um sapato mule minha chefe meio que me disse que o código de vestimenta aqui também incluía o saltos finos de classe.  Eu só assenti com a cabeça, segurando o braço de Glória dando sorriso cordial para os outros colegas de trabalho que deixavam a sala, quando o último saiu a porta eu joguei o ar para fora respirando aliviada.   — Glorita, preciso que faça um favor para mim. Não consigo andar nesses sapatos, não consigo tenho medo de cair de novo... Sei que você disse que não, mas preciso que pegue no meu carro minhas sapatilhas e leve por favor para o meu escritório.  Ela me escuta com cuidado, minha voz ecoa pela sala de reunião agora vazia, abriu um sorriso largo.  — A senhora…  Lanço um olhar de reprovação, faz meses que ela me chama de senhora, fiquei até com medo de transparecer mais de vinte e seis que é a minha idade. Ela sorriu e corrigiu.  — Digo, você caiu? Aí aí aí eu disse que a senhorita não estava pronta ainda, precisa de mais prática. — Ela voltou a me olhar com pena, Glorita era ótima e tinha tido uma paciência incrível para me ensinar esses meses, porém eu pensava que estava pronta mais não estou. — E agora o que vai fazer para andar até lá se m*l consegue ficar em pé?  — Dá para perceber? — Gesticulo com as mãos tentando abrir a bolsa e pegar a chave do carro. —  Enfim, não importa por que eu não vou cair! Por que eu vou tirar esses sapatos.  — E como a senhorita vai fazer isso? Você… não tá pensando em andar descalça pelo corredor não né?  Eureca! Minha mãos finalmente acham a chave do carro, dou nas mãos de Glória que me olha assustada levantando suas sobrancelhas grossas junto com seus olhos que hoje estavam azuis, mas como assim até ontem eram verdes?… Ah! Lentes claro! Eu sorrio, em tom baixo explico: — O meu plano é tirar os meus saltos e ir de escada falar com a Katrina e voltar para o meu escritório onde eu possa estudar o caso que fui designada em minhas sapatilhas.  Ela me olhou perplexa cortando meu sorriso.  — Mas, são cinco andares? — Isso não é nada. — Dei de ombros me inclinando para tirar os saltos, quando tirei rapidamente para sentir ah! liberdade!!! Respirei aliviada sentindo o chão frio me arrepiar um pouco.  — Estou acostumada, andava de escadas até o décimo andar quando fazia faculdade, minha melhor amiga era claustrofóbica, então eu a acompanhava. Não se preocupe, vai dar tudo certo.    Coloquei os saltos novamente sentindo o dedo mindinho do pé reclamar do aperto, como não percebi isso antes? Arrastei numa pressa para fora da sala de reunião, Glória saiu em seguida segurando minha bolsa e minhas chaves.  Conseguir me dirigir até as escadas, fiquei com medo de abrir a porta. Como eu imaginava não tinha ninguém, ninguém mesmo e me fez sentir pateticamente com medo.  Respirei fundo, meu peito subia não sabia porque estava nervosa era só uma escada estéril branca acompanhado por janelas enormes nas paredes em tom pastel levando aos andares, senti minha testa suar e pedir para andar mais rápido.  Percebi que não havia tirado o sapato, oh céus! Quando esse dilema iria acabar? Me inclinei empurrando meu cabelo longo que caiu no rosto tirando os sapatos, meus pés mais uma vez me agradeceram. Segurei eles na mão direita agradece por que só havia mais dois andares quando de repente um voz dia.  — Ei, você! — Uma voz grossa já conhecida rompeu o silêncio daquele lugar estéril que eu acreditava estar sozinha, num ato impensado eu levantei minhas mãos largando o que tinha nela.  De certa forma, numa intensidade muito forte meus sapatos saíram voando pela janela, eu arregalei os meus olhos sem acreditar no que tinha visto, me virei devagar caminhando até a janela. O vento forte cortou meu rosto, olhei para baixo e lá estavam eles havia acertado uma moça ruiva que olhava para cima com a mão na cabeça.  Solucei na hora me encostando ao lado da janela, outro soluço. Quando não pensava que tudo não podia piorar,a voz me chama novamente e dessa vez eu reconheço. Sim, Deus pode me levar agora!  Fechei os olhos e imaginei contar isso para minha mãe, ela provavelmente me abraçou escondendo o riso, já Hiro… Adam riria na minha cara caçoando de mim... — O que está fazendo na escada Akiri? — Ele me olhou dos pés à cabeça segurando um copo do Starbucks na mão direita. — E descalça? Reviro meus olhos cruzando meus braços sobre o terninho.  — Você sabe muito bem meu nome é Aimi, Edgar. Não é da sua conta o que eu faço aqui! — Empinei o nariz sentindo o cheiro de café misturado com o perfume amadeirado de Edgar. — Desde de quando sobe pelas escadas também? — Também? Eu sempre subi pelas escadas, nunca vi você por aqui. Na verdade, nunca vejo ninguém... — Ele sorriu de canto, com o dedo indicativo girando a tampa do copo de café, inclinou sua cabeça para baixo. — Mas, me diga por que está descalça? Aposto que deve ser alguma situação desconfortável como o incidente do café, vamos compartilhe com um amigo! — Ironizou, levantando a cabeça seus olhos castanhos escuros se encontram com o meu, e deu um sorriso.  Ah o incidente do café me fez chorar por uma semana, eu derrubei café em minha blusa social branca em uma reunião importante minha primeira na verdade, foi h******l. Me lembro que Edgar não foi c***l comigo naquele dia, foi um dos únicos que não gargalhou do meu desastre.  Mas, eu deveria imaginar que ele riria depois que ódio, odiava aquele sorriso.  Odiava como assimétrico ele podia ser, seu sorriso com dentes perfeitamente brancos, sua pele n***a que realça seus olhos castanhos claros quase verdes a luz do sol, seu nariz que mesmo ele negando acho que é plástica.  Edgar parecia com o ator Michael Ealy, mas como ele gostava de responder sempre que notaram a semelhança, ‘’Ele era mais bonito.’’ Ele não aparentava ter vinte e oito anos, parecia ter uns vinte e dois e daria vinte quatro no máximo. Gosto de pensar que toda aquela beleza era fabricada, ninguém é tão perfeito assim naturalmente… Ok! poderia até ser mais gosto de acreditar que não.  — Não somos amigos.— Franzi minha testa irritada. Ele se aproximou mais subindo mais um degrau deixando só um degrau de distância seus olhos me olhavam curiosos como se esperassem ansioso por uma resposta, seu telefone tocou bem na hora, mordi meus lábios essa era minha deixa.  — Salva pelo gongo!  Retrucou ele, com a mão esquerda vasculhando o bolso do paletó azul marinho, eu me virei e saí correndo fui tão rápido que logo cheguei no quinto andar.  Graças a Deus, ao contrário do meu andar que era o terceiro, o quarto e quinto era raro ver pessoas exceto a assistente de Katrina que me olhou parecendo não acreditar que eu estava descalça.  — Ela já vai te atender pois está em uma ligação da Alemanha. Hum… — Ela colocou os lábios grossos desenhados por um batom nude um nos outros, me olhando. — O que aconteceu com seus sapatos? Eu respirei fundo, iria contar tudo a Katrina mesmo. Por mais que surreal aquela situação parecesse, antes que eu pudesse abrir minha boca, Edgar apareceu no andar.  — Eu tive um pequeno incidente. — Sibilei rapidamente, encolhendo meus pés, virando o rosto para o outro lado.  Edgar ajeitou a gravata, sentado no sofá azul pequeno em frente a mesa da assistente.  — Quero só ver como vai explicar que está descalça em seu ambiente de trabalho. — Sussurrou baixo para que só eu ouvisse, mas naquele andar só existia nós três sua voz acabou soando alta. — Não vai mesmo dizer o que aconteceu? Foi roubada ou coisa do tipo? — Franziu sua testa, naquele instante seu rosto parecia preocupado. Mas, eu continuei virada até Karen avisarmos que poderíamos entrar. Sim! Os dois juntos. Meus ombros caíram aceitando a derrota, ele iria saber do meu fiasco no primeiro dia andando de salto.  O elevador abriu e saíram dele Verônica e Julian, eles também eram do terceiro andar, Verônica tinha um ar de orgulho que se misturava com um chanel número cinco que ela usava e Julian era o maior fofoqueiro do mundo, todos na JD association of lawyer corriam para ele quando queria saber alguma fofoca.  Eles entraram juntos comigo e Edgar. Encarei Katrina sentada na enorme cadeira giratória vermelha que ela tinha. Juntei as mãos em frente ao corpo.  — Bonjour aos dois… — Katrina tinha um ar de mãe, não só porque recentemente ela teve gêmeos, mas nesses três meses que estou aqui todos contam coisas incríveis sobre ela. Ela pousou as duas mãos sobre a mesa de vidro em sua frente cruzando as pernas. — Bom, eu vou logo ao ponto por que meu dia como vocês sabem é cheio… O departamento contratual está com uma vaga, e como vocês dois tem feito um ótimo trabalho no terceiro andar pensei que seriam os candidatos perfeitos para irem para o quarto andar, porém como vocês ouviram é apenas duas vaga. Eu ouvi atenta cada palavra, seu sotaque francês ajudava quando a notícia era boa, achava que até suaviza as más. Trabalho aqui há três meses e já sou apaixonada pelo trabalho, demorou muito para eu conseguir algo que significasse uma mudança de vida para minha família.  Essa vaga seria perfeita, me deixaria a um passo do quinto andar.  — E oque precisamos fazer para conseguirmos a vaga? —  A voz aveludada de Julian me tirou dos meus pensamentos, ele olhou ao redor ajeitando a gravata borboleta azul marinho. Apertei os meus olhos focando no rosto enigmático de Katrina que de repente se fechou em preocupação.  — Eu não disse nada a ninguém, ainda mais que estamos tendo problemas com o DOF eles são bastantes tradicionalistas, ainda estão se estabelecendo na América apesar de terem um grande domínio na Europa e Ásia. — Katrina colocou uma mecha de cabelo para trás da orelha. — O ponto é que queremos ser o escritório que toma conta de todos os processos jurídicos deles… O empecilho é que eles insistem por mais tempo e nos conhecerem melhor. Os quatros se destacaram bastante esses meses, quero que os dois se unam para conseguir convencê-los a fechar conosco definitivamente. A dupla que conseguir fechar o acordo fica com a vaga. Katrina passou a mão pelo seu cabelo cacheado abrindo o que parecia ser um sorriso de alegria, pegou uma caneta na mesa e abriu uma agenda em sua mesa voltando os olhos para o que escrevia.  — Por enquanto é tudo! Colocarei vocês a par de todos os contratos da DOF…  Edgar abaixou a cabeça, depois olhou para mim. Meu estômago gelou na hora, era uma coisa enorme a se fazer. Ele passou a mão no rosto encostando na bochecha, eu me levantei na mesma hora que ele. Aquilo era muito para absorver, era um sonho! E eu iria tentar, mesmo que significasse trabalhar com Edgar.  — E Aimi querida da próxima vez que você for tirar seus saltos nas escadas certifique se que seja longe das janelas.  Verônica olhou meus pés segurando o riso, Julian exclamou ''Pobrezinha'' pousando a mão sobre a boca tampado o riso sarcástico, os dois saíram da sala. Eu gelei mais ainda me virando devagar ‘’Desculpe eu…’’’ Falei desenfreada mas ela levantou a mão pedindo um momento, Edgar continuou na sala, pude ver que sorria ao meu lado. Katrina passou os olhos azuis por cima da agenda depois virou até mim.  — Não precisa se explicar! Dessa vez passa, você até me divertiu com seu jeito de andar nas escadas, só entenda que aqui é um escritório sério de advocacia. Agora podem ir! Me virei andando quase de forma robótica era algo que eu fazia quando estava tão nervosa que não conseguia sentir o vento frio daquele andar branco estéril.  Entrei no elevador, Edgar apertou três me lançando um olhar estranho, parecia que estava prestes a dizer algo mas não disse nada ficando em silêncio, seus ombros largos estavam erguidos sobre o palito de forma tensa. Assim que a porta do elevador abriu, Edgar correu, será que estava apertado? Eu me permiti rir do que pensei, aposto que ele deve ser lindo até assim, pensei. Logo me enojando, que tipo de pensamento foi esse? Ele é apenas o cara irritante do trabalho. Fecho as mãos andando de uma forma que invejaria o flash para não perceberem que eu estava descalça, Glória me ver levantando o polegar em sinal positivo, sinto meu corpo relaxar, lá estão elas minhas sapatilhas chiques mas o mais importante, confortáveis... Quando finalmente sentei em minha mesa pude refletir sobre o que Katrina disse, uma oportunidade de subir de andar e em só três meses de trabalho. Esse não era meu primeiro emprego, ter sucesso demorava tempo e eu tinha sorte de aos vinte e sete anos conseguir alguma coisa desse porte.    Ouvi um bater na porta, logo agora que eu iria desatar o cinto, ‘’Pode entrar.’’ Disse, Edgar veio andando até mim, seus olhos verdes estavam sobre mim mas olhar era o mesmo do elevador, como se quisesse me dizer algo. Eu senti um tremor estranho que só piorou quando ele sorriu.   — O que você quer? — Retruquei rapidamente.  — Apenas queria lhe entregar isto. — Ele levantou as mãos que seguravam um salto, o meu salto. — O que? C-como v-você os pegou? — Gaguejei um pouco de estar tão surpresa, por que que razão ele me daria aqueles saltos? Poderia ter mandado o assistente dele trazer ou sei só não ter se importado, por isso eu não consegui acha-los. Mas por que eles se importavam ao ponto de ter vindo buscar? Franzi o cenho.  — Eu os peguei porque notei que você estava ocupada demais, não pode está descalça para encontrar com os acionistas da DOF! — O que agora? Glória ligou para eles, mas estavam ocupados com uma reunião.  — Ah, é! Veronica marcou com ele, mas está tudo bem ela teve um pequeno acidente então não vai poder encontra-los. — Ele sorriu ironicamente.  Abri a boca, me inclinando para pegar os saltos. — Ah meu Deus! Você tem alguma coisa com o acidente dela?  — Eu talvez, por acidente possa ter trocado sua água de Kiwi por água de melão que pelo o que esse ela é alérgica.  — Você é louco… Ele enfiou as mãos no bolso. — Me dá um tempo, eles estavam armando para a gente. — Ele levantou as sobrancelhas, se aproximando da minha mesa. — Saber onde eu achei seus sapatos? Na sala dela, eles estavam escondendo.  Revirei os olhos, agradeci sem graça. Calcei os sapatos levantando da cadeira, me desequilibrei ao dar o primeiro passo, meu rosto quase foi no chão se Edgar não tivesse me pegado.  De repente seu rosto estava perto do meu, meu estômago revirou nervoso, o polegar dele pousou em meu rosto tirando o cabelo solto sobre meu rosto. Já disse que odeio o quão lindo ele é?.   — Por que comprou um salto tão caro se não sabe andar? E no piscar de olhos ele se torna um chato novamente, me soltei dele, conseguindo ficar em pé. — Não precisa ser grosso.   — Eu não quis ser grosso. — Ele passou a mão sobre o terno perfeitamente passado, o ajeitando. — Você precisa tomar mais cuidado! Ser mais atenciosa sr Sakamoto. Não dá para ficar caindo por aí, afinal seu príncipe encantado só vem lhe buscar no fim do expediente. — Sua voz estava calma, parecia que realmente queria me ajudar. Se não fosse pela ironia.  Ele caminhou pela minha sala, apoiando a mão na janela. Escolhi a cabeça para trás me recusando a olhar para ele. — Primeiro, ele não é ‘’meu príncipe encantado.’’ — Fiz aspas com as mãos. — Ele é meu irmão, e ele só veio me buscar semana passada porque meu carro ficou uma semana na… Não importa. O que importa é que estou aprendendo a andar, é questão de prática, preciso está apresentável, fazer com que eles gostem de mim.  — Passei a minha mão sobre a mancha de chocolate que tinha na cafeteira sobre minha mesa.  — Não precisa impressioná-los, só apresente a nossa proposta e como nós trabalhamos aqui, eles vão adorar você. — Ele apontou para mim, e deu uma piscadinha. Cruzei meus braços.  — Por que? Por que eu sou japonesa?  Ele abriu a boca surpreso. — Primeiro eu nem sabia que você era japonesa, segundo eu acho que eles vão gostar de você por que você é uma das melhores desse andar. Me impressionei ao ouvir. — Você acha? — Cruzei meus braços olhando para o rélogio.  — Não é o que eu acho, é um fato. Conseguiu novas contas em poucos meses, ganhou sete dos dez casos que pegou na empresa, isso é incrível. — Ele olhou a janela, o vento entrou mais na medida que ele abriu mais o outro retrovisor da janela.  — É impressão minha ou seu escritório tem cheiro de café? Enfim, a reunião é em dez minutos, por favor dê uma olhada no material que te enviei e no que preparei, se quiser podemos fazer uma mudança juntos sábado para apresentarmos na segunda , o que acha? — Ele andou até a porta. — Está bem, e mais uma vez obrigada pelos sapatos!  — Não foi nada. — Ele olhou para os meus pés. — Até que eles ficam bem em você Azumi!  Meu sangue ferveu novamente.  — Meu nome é Aimi!!! E você sabe.  Ele saiu com um risinho no rosto, eu tratei de ler o que ele me mandou só não li muito sobre a Dof tinha que me preparar para apresentar nossas demandas judiciais. A reunião foi rápida e online o que facilitou meu nervosismo, Edgar no entanto parecia nervoso, foi a primeira vez que o vi gaguejando, mas conseguimos sair na frente.   Depois de um dia e tanto, estava pronta para curtir uma sexta feira como eu gostava aconchegada debaixo das cobertas assistindo filmes e séries enquanto como besteiras. Peguei minha bolsa colocando-a sobre o ombro, Glorita veio até mim com um sorriso no rosto.  — Seu irmão tem namorada? — Ela mastigava um burrito que sempre comíamos juntas depois do almoço. — Me fala dele como ele é?  Eu entortei a boca, antes de responder. Adam é cabeça dura, não tem termo melhor para definir meu irmão mais velho, se ele achasse que algo estava errado, corria atrás até consertar, foi assim que fazia bico de mecânico na adolescência.  Sempre se acha capaz de resolver todos os defeitos do mundo e para isso não mede esforços, odiava comida quente, mas morria de preguiça de assoprar para esfriar. No começo do ensino médio ele se encontrou no Futebol americano.  Na verdade tudo que não remetia a cultura japonesa, acho que ele criou repulsa por causa do papai mesmo a minha mãe sempre dizendo que ‘’Sempre deveríamos nos lembrar de onde viemos para que possamos aproveitar onde estamos.’’ Apesar de eu ser um chato às vezes, era ele quem sempre queria me proteger de tudo, nossa como ele é protetor! Acho que é mais por causa do medo que ele tem de que eu acabei me casando com alguém como o papai, alguém que me machuque.  Não que eu pense nisso, amor romântico sempre foi algo que era minha última preocupação. Acredito que ver a mamãe sofrer pressão psicológica e apanhar nos deixou traumatizados, principalmente a Hiro, mas ele negaria se eu disse e trocaria de assunto, ele odeia esse assunto, também odiava quando alguém o chamava de Hiro só vovó poderia chamá-lo assim e ele não reclamava ou corrigia para ‘’Adam.’’ E sem perceber eu tinha recitado tudo que eu estava pensando para Glória que tinha seus olhos brilhando para mim com as mãos juntas.  — Ele parece perfeito. Me apresenta ele, por favor! — Glória parou em minha frente incisiva.  Puf, bufei descontraída andando até a porta. — Ah, Glorita ele nem é essas coisas! — Gesticulei com os braços.  Ela mastigou o burrito de forma rápida andando ao meu lado até o estacionamento.  — Tá brincando né? Aí, ele parece um sonho. — Suspirou de boca cheia. — Parece com os astros dos doramas que eu assisto. Por favor, você tem que nos apresentar!  Senti meu corpo dar adeus ao frio do ar condicionado ao passar pela porta giratória dando direto para o estacionamento, como sempre saio tarde poucos carros estão estacionados.  — Você assiste a doramas? — Perguntei surpresa, sorrindo, assistindo ela limpar o nariz  melado de molho de tomate.  — É claro que assisto! Nem todos mexicanos gostam de novelas. — Ela inclinou a cabeça para trás balançando seus brincos de argolas dourado que usava.  — Achei que fosse colombiana!  — Por parte de pai, sí! Olha preciso ir, até segunda, vê se pratica andar de salto esse final de semana, se lembra andar devagar no começo o segredo é colocar o peso pra frente do salto.  — Prometo tentar! Na verdade, preciso aprender de qualquer jeito o que aconteceu hoje foi rídiculo. — Senti minhas bochechas arderem só de lembrar.  Ela sorriu pedindo para que eu a mencionasse e mostrasse seu i********: para meu irmão, assenti respondendo que iria tentar mas que não era boa cúpido.  Andei até  meu carro, entrei colocando cinto antes de pegar a marcha, já ponho a mão no volante e a outra no spotify conectando ao meu carro, preciso relaxar esse final de semana. 
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