Wynta
Ela entregou seu crachá e número de entrevista para a moça no corredor e seguiu para os elevadores para deixar o prédio. Ela estava naquele elevador enquanto ele a levava para o térreo e suspirou internamente, enquanto marcava mentalmente mais um emprego que não tinha conseguido; embora este fosse por sua própria iniciativa. Ela tinha desistido.
Apenas mais um dia sem trabalhar, que consumiria suas economias. Ela sabia dos valores em sua conta bancária, sabia que só tinha dinheiro suficiente para alugar aquele kitnet por mais três meses, e então estaria nas ruas e em um abrigo feminino ou de volta a ser uma dançarina exótica em um clube para cavalheiros, apenas para sobreviver.
Nenhuma das opções era um pensamento agradável para ela; ela tinha ficado sem-teto por alguns meses depois de deixar sua matilha de origem, até conseguir morar no campus, mas ainda assim não tinha sido o suficiente para sobreviver, então ela teve que aceitar um emprego que trouxesse dinheiro, e ela não venderia seu corpo para homens. Então, tornar-se uma dançarina exótica tinha sido a única opção aberta para ela que não interferisse em sua grade de aulas.
Ela não tinha realmente gostado e só o fazia para ganhar dinheiro, era tudo. Ela se afastou da parede quando o elevador parou e saiu, assim como vários outros, e se viu cara a cara com quem ela pensava ser o Beta daquela Unidade Alfa.
— O Sr. Hayes gostaria de conversar mais um pouco com a senhorita, Srta. Morgan — ele afirmou com o que parecia ser um sorriso amigável.
— Não estou interessada — ela lhe disse, e tentou desviar dele, apenas para ter a mão dele se fechando em torno do seu braço e a detendo.
— Receio que terei que insistir — ele afirmou e a puxou ao lado dele em direção a uma bateria de elevadores e usou um cartão de acesso para abrir um. Ela viu que não havia marcadores de andar na parte externa ou interna dele quando foi conduzida para dentro. As portas simplesmente se fecharam e o elevador se moveu.
Ela entendeu que era um elevador express e provavelmente só ia para um andar, o andar de cima, onde o Alfa e sua Unidade tinham escritórios. Ela encostou-se na parede e apenas esperou, não disse nada para aquele homem que estava olhando para ela. Ela o encarou de volta, sem se importar se isso era ofensivo ou não.
Desgarrados não tinham mestres, a menos que escolhessem, e ela não escolhia. Foi uma viagem rápida e suave, e ele a acompanhou para fora do elevador, por um corredor, e a direcionou para se sentar em um sofá.
— Por favor, fique aqui e espere — Ele lhe disse antes de se virar para a mulher na mesa ao lado do sofá, que agora a olhava com uma leve carranca no rosto. — O Alfa receberá a Srta. Morgan quando suas entrevistas terminarem por hoje.
— Sim, Beta — Ela assentiu e ele se afastou.
Pelo menos ela tinha acertado na suposição. Ele era o Beta daquele grupo. Ela viu aquela loba franzir a testa para ela e enrugar o nariz como se estivesse ofendida pelo cheiro de Wynta. Ela estava, no entanto, limpa e, embora tivesse status de renegada, cuidava de si mesma para garantir que não cheirasse terrivelmente como outros renegadados por aí na natureza.
Embora ela honestamente não soubesse qual era o cheiro de um Desgarrado para outros lobos, mas para ela, eles cheiravam meio que sujos e precisavam de um banho. Ela não achava que cheirava assim. Ela apenas se sentou como lhe foi dito. Ela não estava ali para causar problemas para si mesma e sabia se comportar. Mesmo que não quisesse.
Depois de uma hora apenas sentada ali, ela estava entediada de morte, então se levantou, se espreguiçou e depois se afastou para dar uma olhada no andar de cima. Havia uma dúzia de escritórios ali, três salas de conferências e uma área aberta semelhante a um hub de café, onde obviamente todos comiam. Havia meia dúzia de mesas e cadeiras e algumas máquinas de venda automática. Ela viu apenas o único elevador para todo aquele andar, e ele tinha aquele acesso por cartão.
Ela não conseguiria sair se não tivesse um. Ela encontrou a escada de emergência e sorriu para si mesma, e empurrou a porta, apenas para descobrir que ela não abria, e franziu a testa. Ela também tinha uma caixa de cartão de acesso ao lado. Ela parecia estar presa ali por enquanto.
Ela voltou para o sofá e afundou-se mais uma vez. Mais uma hora se passou, e ela estava mais do que infeliz. Aquela loba em sua mesa olhou para ela e afirmou:
— Apenas seja paciente, ele está entrevistando.
— Você não pode me manter aqui assim — ela afirmou categoricamente.
— Eu estou supondo que ele pode, já que você ainda está aqui. Apenas sente-se aí — ela foi instruída.
Wynta pensou sobre isso, ela sabia que tinha que haver um jeito de contornar o cartão de acesso para tudo, e enquanto se recostava ali no sofá, seus olhos caíram sobre a caixa de emergência vermelha, que tinha as palavras “Quebre o vidro em caso de emergência”. Aquilo, ela sabia, iria destravar a escada de saída de emergência.
Um sorriso brincou em seus lábios enquanto ela se sentava agora. Ela se perderia na multidão daqueles que saíam do prédio e estaria longe antes que pudessem encontrá-la novamente.
— Não faça isso, Srta. Morgan, é uma multa muito alta — Seus pensamentos foram interrompidos pela loba.
Os olhos dela se moveram em direção à secretária, e ela a observou apontar para o teto, onde viu uma câmera. — Será pego pela câmera, e a multa virá para você. A senhorita pode pagar? Acredito que são $1600, e a senhorita também pode enfrentar acusações criminais. É um crime grave neste estado, então a senhorita provavelmente acabará com antecedentes criminais, se já não os tiver.
— Eu não tenho — Wynta afirmou, e a semissarredura da loba significava que ela provavelmente pensava que, só por ser uma desgarrada, fazia todo tipo de coisa ilegal para se virar. Ela se recostou no sofá enquanto se resignava ao fato de que estava atualmente presa ali naquele andar até que alguém a acompanhasse para fora do prédio.
Na terceira hora, ela se deitou naquele sofá e se acomodou, ignorou o comentário da loba de que não era muito elegante ou profissional fazer isso, e usou o telefone para ler um livro até cochilar no sofá. Nenhuma pessoa naquele andar lhe tinha dado a menor atenção, exceto a secretária do Alfa, e ela parecia apenas estar irritada por ter que vigiá-la.
Ela se virou em um momento em seu sono leve para tentar ficar mais confortável e caiu direto do sofá, ficou deitada ali por um momento antes de se sentar com um bufo. A secretária estava olhando para ela.
— Você é preguiçosa, pelo que vejo — ela murmurou. — Vou dizer ao Alfa que você finalmente acordou. — E seus olhos tinham ficado vidrados.
Ela se levantou do chão. Ele devia ter voltado para ali, e ela tinha dormido durante isso, e ele não a tinha acordado. Isso era um pouco estranho. Ele apareceu na porta do escritório dele.
— Dormiu bem? — ele sorriu para ela. — Entre, Srta. Morgan. — Ele a chamou para seu escritório.
Ela verificou a hora no telefone e viu que era meio da tarde. Sua entrevista tinha sido às 10h da manhã. O dia estava quase acabando. Eram quase 15h. Ela entrou no escritório do Alfa e sentou-se onde ele lhe disse.
— Por que ainda estou aqui? — ela perguntou diretamente.
— Porque não estou disposto a permitir que você continue com o status de desgarrada, é inseguro para fêmeas desgarradas por aí no mundo. Mais ainda para aquelas sem lobos, que estão indefesas contra a força lupina. —
— Outros desgarrados me deixam em paz, as sem lobo não interessam a bandos de desgarrados errantes. Não valemos nada para aqueles que querem s********r e vender fêmeas lobo, não podemos levar uma surra ou um açoite sem acabar no hospital da matilha ou morrer disso. É um desperdício de dinheiro comprar as sem lobo — ela o informou. — Então, estou perfeitamente segura sozinha por aí. Sempre estive — ela lhe disse simplesmente.
— Hum, eu vejo... mas com toda a boa consciência, não posso deixar você sair como está. Então, aqui está o que estou disposto a lhe oferecer. O emprego para o qual você se candidatou hoje, uma casa ou apartamento dentro da matilha e santuário completo, onde nenhum m*l lhe acontecerá.
— Você poderá ter acesso total a cuidados médicos lupinos adequados, sem nenhum custo. Você também poderá treinar com outras pessoas como você, para poder se proteger quando estiver fora da matilha. Participar de Bailes de Acasalamento para encontrar seu Companheiro e ter uma vida social lupina completa — Ele sorriu para ela como se essa fosse uma oferta atraente.
— Eu tenho um apartamento aqui na cidade, a apenas alguns quarteirões de distância. Eu não dirijo, então não conseguiria ir da matilha para o escritório se aceitasse essa oferta. Eu nunca sofri m*l aqui no mundo humano, e estou nele há muitos anos.
— Eu também posso me proteger se precisar, e não tenho interesse em ser iniciada ou viver dentro de uma matilha ou participar de quaisquer funções da matilha, incluindo a de Bailes de Acasalamento — Wynta o confrontou. — No entanto, eu aceitarei o emprego de que preciso. —
Ele estava franzindo a testa para ela agora. — Todos os lobos precisam do aspecto social, ou podem se tornar... — ele divagou.
— Criaturas antissociais — Ela assentiu. — Eu já sou isso, e não me importo de ser. — Ela deu de ombros, mas aproveitaria esta oportunidade para lhe dizer como trabalharia. — Eu trabalharei silenciosamente e não causarei problemas para o senhor nem para esta empresa. Eu termino meu trabalho no prazo ou fico até mais tarde, trabalhar até tarde não me incomoda muito.
— Eu posso e vou colaborar em equipe e ouvir e seguir as instruções do meu supervisor. Eu sei como ser um m****o contribuinte de uma equipe de trabalho e como ser profissional, embora eu não tenha interesse em socializar pessoalmente com aqueles na minha equipe — ela lhe disse.
Ele se recostou na cadeira e a encarou com os olhos semicerrados, e ela imitou a pose dele após um minuto de silêncio. Ela não lhe daria o que ele queria hoje. Mais um minuto se passou, e a boca dele se contraiu em um canto. Ele parecia divertido com a teimosia dela.
— O que será necessário — ela finalmente perguntou, quebrando o silêncio, — para me deixar sair deste escritório e conseguir o emprego?
Ele sorriu para ela.
— Seu acordo em ser iniciada na minha matilha. Eu permitirei que você mantenha seu apartamento na cidade, já que você já tem um e não dirige.
Ela o encarou por um longo momento e então expôs seus próprios termos para conseguir o emprego de que precisava.
— A iniciação na sua matilha será nos meus termos — Ela ofereceu um acordo.
— O que exatamente isso significa? — ele franziu a testa mais uma vez.
— Eu deixarei você me iniciar, apenas quando eu pisar voluntariamente no território oficial da sua matilha, e isso é o quê? Uma hora de distância, o senhor afirmou.
— Afirmei. — Ele assentiu. — Eu posso concordar com isso. — Ele sorriu para ela. — Vamos dar uma olhada no seu espaço de trabalho, então?