André: CHEGA! – berrou, os dois o encararam. – Você Beauchamp, vai pegar mais três advertências pra aprender a respeitar. – disse sentando-se. – E você meu filho, vamos conversar muito sério assim que o Beauchamp sair. – disse assinando as advertências e encarando Josh. – Ande Beauchamp, vá e quando sair chame Juan aqui, e outra, vá à enfermaria cuidar de seus hematomas.
Joshua levantou com um sorriso irônico.
Josh: Três advertências até que saiu barato pra quebrar a cara desse encubadinho. – riu enquanto Sampaio tentava lhe dar um chute sem sucesso. – Até! – rolou os olhos e saiu.
Josh saiu e deu o recado do diretor ao inspetor e depois foi até a enfermaria, à enfermeira fez um curativo na testa e outro pescoço. Sampaio brigava igual mulherzinha, arranhava mais do que batia. Tinha saído da briga com o canto do lábio arroxeado e cortado, com alguns hematomas no estômago e vários arranhões, tinha se machucado muito, mas Sampaio estava dez vezes mais machucado que ele.
Lembrou-se de Any e viu como ela estava nervosa. Pegou o celular e mandou uma mensagem pra ela, perguntando como ela estava. Depois de alguns minutos ela respondeu, dizendo que estava bem e que depois conversavam.
A tarde passou sem mais acontecimentos sérios, tirando que Any estava cada vez mais fraca, não tinha vontade nem coragem de comer.
A noite chegou e Sabina praticamente a forçou a comer e nada, a cacheada não queria e não conseguia comer, fora o suor que escorria de seu corpo como se estivesse em uma sauna. Sentia suas mãos inchadas e doloridas, tanto as mãos quanto os pés. Estava muito assustada. As amigas foram jantar prometendo que chegariam logo e Any ficou sozinha, vendo TV.
Sentiu vontade de ir ao banheiro e se levantou preguiçosamente caminhando até lá. Sentou-se no vaso e sentiu o xixi sair rasgando, mordeu o lábio com força. Droga, o que estava acontecendo com ela? Levantou-se e se virou para dar descarga, tinha mais sangue, dessa vez uma quantidade maior.
Suspirou intrigada deu a descarga, saiu do banheiro, suas pernas doendo. Sentiu suas pernas fraquejarem, estava fraca, deitou-se na cama e se encolheu. Estava se sentindo muito m*l, começou a chorar sentindo-se tonta e fraca, sua vista estava embaçada. Melissa entrou e viu Any chorando, se assustou de imediato ao ver a situação dela.
Melissa: Any? – disse se aproximando. – Any, o que você tem? – se agachando tocando a testa da amiga e notando como estava quente.
Any: Me ajuda Melissa... – sussurrou. – Eu acho que eu estou morrendo. – chorando, sentindo sua respiração faltar.
Melissa se levantou e correu para buscar ajuda, e a primeira coisa que viu foi Joshua com seus amigos, chegando do treino.
Melissa: Graças a Deus! – ela mordeu a dobra do dedo. – Josh, a Any está muito m*l.
Josh: Como assim? O que ela tem? – arregalou os olhos, enquanto corria até o corredor feminino. Melissa corria atrás explicando.
Melissa: Eu não faço ideia, ela está muito pálida e as mãos dela estão inchando muito... – começando a chorar. – Ela está queimando em febre.
Josh: Droga! – entrou no quarto e viu Any chorando, tentando levantar. – Any! – foi até ela tirando a coberta de cima dela, para pegá-la no colo e sentiu seu ar faltar ao ver que ela sangrava. – Meu Deus!
Any: Josh... – soluçando. – Me ajuda! – ela se assustou ao ver que ainda sangrava. – Não. – sussurrou. – Josh...
Josh: Calma meu amor... – a pegando no colo. – Está tudo bem.
Any: Eu estou... – soluçou. – Sangrando. – gemeu.
Bailey e Noah apareceram.
Noah: Qual foi aí parceiro? – disse entrando. – Nossa, o que foi Any? – perguntou assustado.
Any não conseguia falar, apenas chorava. Joshua estava nervoso.
Josh: Preciso que alguém dirija pra mim! – ele sussurrou beijando a testa dela. – Any precisa ir para o hospital agora, calma meu amor, está tudo bem.
Noah: Eu dirijo. – se ofereceu e Joshua assentiu.
Josh: Melissa avisa para as meninas. – Melissa assentiu, desejando boa sorte.
Ele estava completamente aperreado, aquilo não estava acontecendo, a carregou até o seu carro, sempre dizendo no ouvido dela que tudo estava bem, mas ela sabia que nada estava bem, estava sangrando e não queria perder seu bebê, já amava demais sua filha e perdê-la seria demais pra ela, ela morreria se perdesse a criança. Sua vida não teria sentido nenhum, sua filha estava quieta! Não se mexia mais e aquilo estava deixando- a desesperada.
As pessoas olhavam a cena, espantadas e curiosas. Noah destravou o carro de Joshua e abriu a porta de trás para que ele entrasse com Any. Ele entrou junto com ela e Noah entrou no banco do motorista. Logo arrancou.
Any: Josh... – soluçando. – Eu não sinto minha filha mexer.
Ele passou a mão no rosto, completamente desesperado, quanto mais Any falava, mais medo ele sentia. E o pior é que não podia demonstrar, para não deixá-la pior.
Josh: Ela deve estar dormindo meu amor. – beijou a mão dela. – Está dormindo enquanto nos estamos aqui preocupados e nos descabelando. – acariciou a cabeça dela. – Está doendo? Sente alguma coisa?
Any: Não, não sinto dor e isso me desespera, se a minha filha estiver querendo nascer e eu não sinto?
Josh: Meu amor, não chora. – deu um selinho demorado nela. – Não está na hora de ela chegar, você está com sete meses.
Any: Mas se ela quiser chegar antes? – murmurou. – Eu não estou pronta, não agora.
Josh: Any, eu estou aqui meu amor, vai ficar tudo bem, eu não vou deixar nada acontecer com você! – ela o encarou com os olhos molhados. – Eu não vou sair do seu lado e se for pra gente virar pais essa noite, a gente vira.
Ela apenas sorriu e assentiu temerosa, tinha medo do que podia acontecer. Ela sempre teve medo de hospitais.
Josh: Você não está mais sangrando meu amor, já acabou, fica tranquila sim? – ela assentiu.
¨¨¨¨
Melissa: MENINAS! – gritou no meio de todo o restaurante/cantina, as meninas se assustaram e a gordinha notou que tinha exagerado no berro. Aproximou-se das amigas que a encaravam com uma cara de "hã". – Vocês nem acreditam o que aconteceu! – mordeu a dobra do dedo.
Sabina: O que aconteceu Melissa? – disse espantada. – Parece que você viu satã mulher!
Melissa: A Any... – ela balançava as mãos, afobada, as meninas se entreolharam preocupadas. – Ela...
Sabina: Fala logo, c*****o!
Melissa: Ela passou muito mal... – disse começando a chorar. – Estava ardendo em febre e as mãos muito inchadas, ela estava sangrando!
Sina: Eu sabia que isso ia acontecer! – atordoada enquanto levantava e pegava suas coisas. – Onde ela está? – disse passando a mão no rosto, nervosa.
Melissa: O Josh a levou... – enxugando as lágrimas. – Para o hospital, ela estava muito pálida e...
Parou de falar ao ouvir uma gargalhada escandalosa. Olharam para o lado e viram Joalin rindo abertamente enquanto tomava um milk-shake de morango.
Joalin: Continua gordinha... – piscou. – Estou adorando saber da boa nova.
Melissa a encarou enojada e Sabina se virou, olhava a loira com cara de poucos amigos.
Sabina: O que você está dizendo aí, sua loira p**a? – se aproximou de Joalin.
Joalin: Que eu estou adorando saber que a Any Gabrielly vai perder os privilégios, eu tenho certeza que ela vai perder essa menina, então não será mais a queridinha do Beauchamp. – dando outro gole no milk-shake, e dando pouco caso pra presença de Sabina.
Coisa que fez a morena fervilhar de raiva. Ficou cerca de um minuto encarando Joalin que apenas ignorava sua presença. Todos estavam olhando para ela, pra ver qual seria sua reação dessa vez.
Sabina Hidalgo era a garota mais brava de todo o campus e todos sabiam disso, mas parecia que Joalin andava meio desinformada. Sabina abriu um m*****o sorriso no canto dos lábios, não custaria nada pra ela, lembrar à Joalin que com ela não se mexia.
Em um movimento rápido deu um tapa no copo do milk-shake, fazendo o mesmo voar longe espalhando a bebida por todo o lado.
Joalin: Ei sua louca! – levantou abismada.
Sabina não disse nada, apenas virou a mão na cara dela, fazendo suas enormes unhas pintadas de preto arranharem as bochechas de Joalin, a loira voou longe.
Sabina: Escuta aqui sua p*****a! – a pegou pela tomara que caia, fazendo um pouco dos p****s de Joalin aparecer, para quem quisesse ver. – Da próxima vez que você abrir essa sua boca imunda pra falar m*l da Any, você fica sem os seus dentes e te juro por Deus, se ela perder o bebê você vai me pagar! – a encarou com um olhar mortal, fazendo a loira gelar.
Joalin: Eu não terei culpa... – sussurrou com a mão no rosto.
Sabina: EU TE PERGUNTEI? – gritou no ouvido dela. – Pois passe a noite inteira orando, fazendo novena o que for, se a Any perder essa criança, é ela saindo do hospital e você entrando em estado de coma.
Joalin: Por que está fazendo isso?
Sabina: Pra você aprender a controlar essa sua língua imunda. – disse com nojo, parecia estar possuída por alguma entidade. – E só não fica sem os dentes agora, por que a Any precisa de mim e com certeza, ela é prioridade, agradeça a ela. – disse a soltando com força, fazendo-a cair sentada na cadeira.
Joalin arrumou a blusa e encarou Sabina com ódio, se pudesse matá-la com o olhar o faria.
Sabina: Cara feia pra mim é fome! Vê se compra um sutiã, ninguém tem a obrigação de ficar olhando suas t***s de c****a. – disse se virando, voltando até sua mesa onde as amigas a encaravam com um sorriso. Sabina era louca. – Vamos meus amores, aqui está fedendo. – abanando o nariz, enquanto saia sendo aplaudida por várias pessoas.
Com Sabina Hidalgo, ninguém mexia.
¨¨¨¨
Any tinha chegado ao hospital a pouco, estava se sentindo tonta, realmente tinha parado de sangrar, a doutora Dalila, que era indicada da doutora Selena, iria atendê-la, já que o plantão era dela. Foi encaminhada para uma sala, Joshua estava acompanhando-a, enquanto Bailey e Noah cuidavam de avisar a família o que estava acontecendo.
Doutora: Sente dor querida? – perguntou colocando as luvas.
Any: Não. – ela murmurou, segurando a mão de Joshua.
Doutora: Não sentiu nada escorrendo pelas suas pernas, uma espécie de água?
Any: Não me lembro, eu fui ao banheiro e ardeu muito quando eu fiz xixi. – ela dizia temerosa. – Ai eu comecei a sangrar, foi a partir daí que fiquei m*l, senti náuseas, minhas mãos estavam muito inchadas, eu estou com muito medo doutora.
Doutora: Vamos fazer uma ultra, vamos ver como está esse bebê. – piscou e Any assentiu. Ela ligou o monitor e subiu o roupão de hospital que Any usava revelando o barrigão da moça. – Que barriga linda mamãe! – exclamou maravilhada.
Any: Obrigada. – disse com meio sorriso.
A doutora passou um gel e espalhou pela sua barriga. Começou a passar a máquina e logo a imagem do bebê surgiu em 3D, ela estava viva, ouvia o coraçãozinho dela bater. Any não segurou as lágrimas e Josh estava completamente bobo, nunca mais tinha ido a uma ultra com Any desde os quatro meses, e agora estava vendo sua filha ali, perfeita, tão nitidamente.
Doutora: Olha só eu aqui! – disse fazendo voz de bebê. – É mamãe, eu estou dormindo, me deixa. – disse fazendo os dois rirem. – Ainda está dando língua pra vocês, essa danadinha. – disse brincando, pois a neném estava com a linguinha de fora.
Any sentia seu coração se encher de amor cada dia mais. Era a coisinha mais importante de sua vida. Depois de muito babarem na Luninha, a doutora desligou.
Doutora: Está tudo bem querida, eu vou precisar fazer um procedimento pra notar se a sua hora chegou ou não, por que às vezes, mesmo que aparentemente esteja tudo normal a mulher começa a entrar no trabalho de parto e nem sequer nota e nesses mesmo casos a bolsa estoura pouco antes da criança nascer. – disse pegando a ficha dela. – Você tem pré-eclâmpsia, correto? – disse analisando os exames. Any assentiu medrosa. – Os sintomas estão muito claros. – ela assentiu. – Eu vou fazer o toque, pra ver se seu útero e colo estão baixos, se estiver, vamos ficar atentos por que chegou sua hora, ok? – ela disse enquanto sentava ao lado da cama de Any. – Helena. – disse à enfermeira. – Pega o lubrificante, por favor.
Any arregalou os olhos e olhou Josh com pavor.
Josh: Eu estou aqui meu amor. – beijou a testa dela. – Fica tranquila sim?
Any apenas assentiu encarando a doutora pegar o frasco de lubrificante e passar nas luvas.
Doutora: Tudo bem querida é um procedimento muito natural. – tranquilizando-a. – Não precisa ficar envergonhada, o rapaz é seu namorado? – os dois se entreolharam sem saber o que dizer.
Josh: É, eu sou namorado dela. – acariciando os cabelos de Any que agora olhava para o teto.
Doutora: Formam um lindo casal. – sorriu. – Abre a perna Any. – pediu com carinho, sabia que era difícil pra ela. – Se doer diz, é importante sim?
A doutora colocou três dedos dentro da v****a dela e os abriu entre si, tentando ver se o colo do útero estava baixo e fino. Any pôs a mão no rosto, completamente sem graça, por que tinha que ser tudo tão difícil pra ela? Será que até pra dar a luz ela teria que passar por tanta coisa? Sentiu uma pequena dor e apertou a mão dele com força.
Any: Está doendo. – murmurou mordendo o lábio.
Doutora: Só doeu agora?
Any assentiu, sentindo as lágrimas nublarem sua vista.
Any: Doutora eu estou com medo. – disse caindo no choro. – Isso é normal? É agora?
A doutora não disse nada e apenas retirou os dedos de dentro da paciente.
Doutora: Bem Any, você ainda não entrou em trabalho de parto. Eu garanto que não.
Any suspirou aliviada. Fechou os olhos e passou a mão na testa. Sabia que teria que passar por isso de qualquer jeito, mas ela queria ao menos se preparar, estar confiante de si mesma, queria dar a luz a sua filha naturalmente, nada de cesária, nada de anestesia. Queria sentir sua filha nascendo, sentiu um selinho estalado e sorriu ao ver que ele estava tão aliviado quanto ela.
Josh: Eu disse que ficaria tudo bem, não disse?
Ela sorriu e assentiu.
Doutora: O que aconteceu, foi que você teve uma crise, pré-eclâmpsia não é brincadeira viu? – advertiu. – Você passou por alguma afobação, pânico ou nervosismo? Por que se passou provavelmente foi a causa de você estar aqui hoje mocinha. – ela cruzou os braços.
Any apenas olhou para Joshua, e o mesmo entendeu que o grande culpado de tudo novamente era ele e aquele merda do Pedro. A doutora suspirou entendendo que algo tinha acontecido.
Doutora: Tudo bem, eu não vou perguntar o que foi por que não é um assunto meu, mas eu peço, por favor, que não se repita. – disse olhando os dois, principalmente ele. – Posso contar com você?
Josh: Claro que sim, essas duas vão ficar debaixo da minha asa. – ele disse e a doutora riu.