Sina: Oh amiga. – abraçou. – Não fica assim, ele não merece que chore por ele.
Any: Mas eu o amo, amo muito! – soluçando. – E doeu quando ele a beijou, eu não consigo parar de pensar nele e fica cada dia mais forte.
Sina apenas a abraçou mais forte, derramando suas próprias lagrimas. Por que o amor tinha que ser tão complicado assim?
Any: Será que um dia vai passar? – perguntou soluçando.
Sina: Eu não sei. – sorriu de canto. – Mas adoraria saber.
Sabina chegou com a água.
Sabina: Todo mundo pra cima, nada de desânimo! Bebam isso. – entregando duas garrafinhas de água pra elas.
Elas sorriram de leve, apenas em ver Sabina já dava vontade de rir, às vezes tinham inveja da forma que Sabina levava a vida, sempre de bom humor, fazendo todo mundo rir com suas presepadas, sempre curtindo sua vida, com seu amor pelo rock nas veias. Era a típica a vida é minha e eu faço o que eu quiser.
Any: Obrigada. – disse pegando a água e levantando.
Sabina: Não chora mais por causa desse canalha, pimpolha. – ela suspirou. – Ele não merece suas lágrimas.
Any: E como sabe que eu estava chorando por ele? – zombou.
Sabina: E por quem mais seria? – deu um beijo nos cabelos dela. Any sorriu de canto. – Ai que shampoo cheiroso. – sentindo o cheiro dos cachos de Any. – Vou usar viu?
Any: Ok, Sabina. Pode usar meu shampoo. – sentando em sua cama, ao sentir a filha se mexer outra vez em sua barriga. – Ai... – murmurou ao sentir a criança mexendo fortemente.
Sina: Ela não para mais quieta não é? – sentou ao lado da amiga, acariciando a barriga. Any negou com os olhos fechados. – Eu tive uma ideia pra uma música do nosso trabalho.
Any: Ah teve? – Sina assentiu.
Sina: Acho que tudo isso me inspirou pra escrever. – se levantando. – Eu preciso pensar, depois conversamos. – saiu voada, precisava ir para a biblioteca, lá era calmo e ela poderia pensar muito bem, pelo menos metade da música ela já faria.
Any: Ela pirou. – sorriu.
Sabina: Agora que você veio perceber? – debochou pegando seu maço de cigarros.
Any: Vai fumar outra vez? – arqueou a sobrancelha.
Sabina: Sim, eu preciso relaxar, mas você sabe que é só um. – deu de ombros. – Tchau gata! – mandou um beijo e saiu.
Any ligou a TV baixinho, para não acordar Melissa e ficou vendo, perdida em pensamentos, pensando em Joshua como sempre. Logo o sono se fez presente, o bom da gravidez era que ela não sofria de insônia, tinha sono todas as horas, não demorou a que dormisse. Dormiu a noite inteira.
Acordou com alguns barulhos vindos do corredor, já estava claro, olhou para o relógio digital e marcavam dez e trinta e cinco, quando ia começar a ter um ataque, lembrou que era sábado e aliviou, mas não estava mais com sono. Olhou para os lados e suas amigas ainda dormiam como pedras.
Levantou-se, tomou um banho demorado e se trocou, tinha que falar com Luciana. Priscila já tinha falado com a mulher, mas ela mesma queria explicar, queria pedir desculpas pessoalmente por estar faltando praticamente todas as aulas, se sentia m*l por isso, mas o que ela podia fazer? Foi até a cama de Sina e a sacudiu de leve.
Sina: Any? – olhando a cacheada com a cara amassada. – O que foi? Que horas são?
Any: Vai dar onze, mas hoje é sábado, pode dormir, só queria que me emprestasse seu carro.
Sina: Meu carro? – confusa. – Você vai dirigir? – Any assentiu. – Milagre! Às vezes penso que você tem medo do trânsito. – riu debochada enquanto abria o bidê e procurava as chaves com as mãos.
Se ela soubesse que Any realmente tinha medo... Não era exatamente medo, mas não era fã de dirigir.
Sina entregou as chaves e virou a cara para dormir. Any sorriu e negou com a cabeça. Saiu do quarto e fechou a porta sem fazer barulho.
A faculdade estava uma algazarra, como todo fim de semana, alguns iam para suas casas, outros preferiam ficar curtindo o lazer que o campus oferecia. Foi até a cantina e pegou um chocolate quente, não estava com muita fome.
Chegou ao estacionamento e foi até o carro de Sina, quando ia abrir paralisou e derrubou no chão sua bebida ao ver a cena que estava a dois carros à frente... Josh e Joalin se comiam como dois animais no cio. Sentiu o coração esmagar e uma vontade de chorar gritante. Ele se virou com o barulho do copo caindo e se assustou ao vê-la ali, Joalin sorriu debochada.
Josh: Vaza! – sussurrou para a loira.
Joalin: Mas... – indignada.
Josh: Vaza daqui agora! – insistiu e a loira saiu pisando firme, passou por Any e faltou engolir a cacheada com os olhos. Ela apenas ignorou a irritação de Joalin, descendo os olhos para suas chaves. – Any. – se aproximou dela. – Olha, não é isso que você está pensando ok? – se explicou. Any o encarou com deboche.
Any: E o que eu tenho a ver com isso? – tentando encontrar a droga da chave certa. – Não tenho mais nada com você, pode ficar com quem quiser. – deu de ombros na tentativa de ser indiferente.
Josh ficou de cara pela indiferença dela. Qual é? Ela não sentia mais ciúmes dele ou o que?
Josh: Any... – tentou falar, mas ela o interrompeu.
Any: Joshua, já chega! – bufou. – Por que não vai atrás da Joalin? Ela ficou irritada por ter que ir sem você, agora me deixa em paz!
Josh: Meu amor, não fala assim, você sabe que só você me interessa. – disse como um cãozinho arrependido. – Essas vadias não me importam, eu te amo princesa. – apesar de ele estar sendo sincero em suas palavras Any jamais acreditaria.
Any: Já chega Josh, para de mentir pra mim! – disse acertando a chave, por fim. – Eu não acredito mais nas suas mentiras. – abrindo a porta e entrando. – Adeus!
Josh: Any! – ela fechou a porta do carro. – Any não me deixa plantado, eu estou falando com você! – berrou com irritação, mas ela já estava indo. – p***a! – chutando o ar, com raiva.
Any ainda pode vê-lo tendo uma crise e se sentiu satisfeita, mas depois o que sentiu foi um vazio tremendo. Porque ele mentia pra ela? Por que ele gostava de fazê-la de i****a? Sentiu as primeiras lágrimas em seu rosto ao lembrar-se de como ele beijava Joalin. Como dois animais.
Estavam quase transando ali no estacionamento, pra quem quisesse ver e aquilo a machucava demais, não queria amá-lo, não queria sentir um sentimento tão lindo por Josh, ele não a merecia. Limpou suas lágrimas e dirigiu até a casa de Luciana, que ficava na região central da cidade.
Ao chegar lá quem a recebeu foi Clara, filha de Luciana.
Clara: Oi Any! – sorriu.
Any: Oi Clarinha, sua mãe está em casa?
Clara: Está sim, ela está na cozinha. – afastou pra ela passar. – Entre, eu vou chamar ela.
Any sorriu agradecida e entrou, sentou-se no sofá de dois lugares. Não demorou a que Luciana chegasse, estava com uma aparência cansada, parecia que estava trabalhando.
Luciana: Any! – sorriu ao ver a cacheada. – Que surpresa boa! Olha só isso... – olhando a barriga dela. – É menino ou menina? – acariciando de leve.
Any: Oi Luciana. – deu um abraço forte nela, gostava muito de Luciana. – É uma menina.
Luciana: Que linda! Meus parabéns pelo bebê.
Any: Obrigada. – murmurou. – Estava ocupada?
Luciana: Eu e a Clara estamos fazendo uma faxininha básica. – riu. – Senão a casa vira uma bagunça.
Any: Então eu vou ser rápida, não quero atrapalhar.
Luciana: Imagina. – disse contrariada. – Mas o que te trás aqui?
Any: Você já deve saber que eu não vou mais dançar na companhia. – disse passando a mão no rosto.
Luciana: Sim, sua mãe me explicou tudo. – assentiu. – E eu achei você muito valente meu bem. – acariciando os cabelos dela. – Não seria qualquer garota que abriria mão de um futuro brilhante na dança por um filho, infelizmente hoje em dia nem todas pensam como você.
Any: Me perdoa?
Luciana a abraçou, sabia que era difícil para Any largar o ballet. Era tudo na vida dela.
Luciana: Eu não tenho nada pra perdoar. – sorriu. – Agora o que você tem que fazer é curtir sua filha, por que a gravidez e os primeiros anos de vida do bebê são os momentos mais lindos na vida de uma mulher e você não pode perder isso.
Any: Não perderei, eu vou fazer o meu melhor por ela.
Luciana: Eu sei que vai e ela vai ser uma pequena de muita sorte, por ter uma mãe tão linda e dedicada como você.
Any sorriu emocionada e a abraçou outra vez.
Luciana: E lembre-se, as portas da companhia estarão sempre abertas se um dia você resolver voltar. É uma bailarina brilhante.
Any: Muito obrigada, eu vou fazer o possível pra isso. – assentiu com a cabeça e ficou mais um tempo conversando com Luciana, depois se despediu da mulher e voltou para o campus.
Ao chegar lá, já era uma da tarde, sentiu seu estômago roncar e percebeu que não tinha comido nada, já que havia derramado o chocolate quente ao ver as presepadas de Joshua. Foi em direção à cantina e viu que as amigas estavam almoçando em uma mesa perto da piscina.
Any: Oi meninas. – se aproximou sentando em uma cadeira do lado de Sabina.
Sina: Oi Any. – sorriu. – Não bateu meu carro não né?
Any: Claro que não. – disse contrariada. – Não é porque eu não tenho hábito de dirigir que eu seja uma burra no trânsito. – Sina riu. – E a Melissa? Onde está?
Sina: Está no quarto, não quer sair de forma alguma. Nós a convidamos pra almoçar e ela disse que estava sem fome. – negando com a cabeça, penalizada.
Sabina: O negócio deve estar sério mesmo. – dando uma garfada em sua salada. – Para ela se negar a comer... – falando de boca cheia. – Todo dia come toneladas e toneladas de comida. Se ela ficar ao menos um mês nessa deprê, fica mais seca que a Sofya e Sina juntas! – riu.
As duas loiras encaram a morena, aborrecidas.
Any: Sabina, não fala de boca cheia! – repreendeu.
Sabina: Hunf... – deu de ombros. – Olhe só, seu amorzinho vindo aí.
Any se voltou para olhar achando que era Josh, mas era Pedro que vinha na direção delas.
Any: Sabina, ele não é meu amorzinho. – disse entredentes abrindo um sorriso para o moreno que se aproximava.
Sabina: Mas bem que você está querendo dar uns pegas nesse gostoso.
Any negou com a cabeça, ia responder, mas Pedro já estava em cima.
Pedro: Oi garotas. – sorriu abertamente. – Como vão?
Sina: Muito bem e você Pedro? – simpática.
Pedro: Eu estou ótimo. – sorriu. – Já almoçaram?
Sabina: Já acabamos de almoçar. – sorriu. – A única que não almoçou foi a Any. – Any fuzilou Sabina com os olhos, mas a morena nem ligou. – Porque não almoçam juntos? – sugeriu animada.
Any: Sabina. – suspirou. – O Pedro deve ter coisas a fazer, não o comprometa. – pediu a cacheada, envergonhada.
Pedro: Imagina Any, nem tenho nada pra fazer. – riu pelo embaraço dela. – Aceita almoçar comigo? – Any sorriu sem sal.
Any: Claro.
Sabina: Meninas, vamos nadar? – sugeriu propositalmente para deixar os dois a sós.
Any arregalou os olhos. As garotas aceitaram imediatamente e Sabina sorriu satisfeita, Any iria matá-la mais tarde. Elas saíram e Pedro fez os pedidos.
Pedro: Está linda hoje. – tirando uma mecha do cabelo do rosto dela, Any sorriu.
Any: Obrigada, você também. – murmurou.
Pedro: Any, você ficaria comigo algum dia? – perguntou de cara e Any o encarou, espantada.
Any: Eu... Eu não sei Pedro. – respondeu com os nervos a flor da pele. – Talvez. – sem jeito.
Pedro: Eu acho que você já notou que eu estou muito afim de você, morena. – Any engoliu o seco ao ver ele se aproximando. – Porque não me dá uma chance? – sussurrou roçando os lábios.
Antes de Any responder ou dizer qualquer coisa, o sentiu a beijando. Não era um beijo escandaloso, era apenas um beijo simples, para sentir um o gosto do outro. O gosto do beijo dele era diferente do de Josh, tinha um leve sabor de canela, já o de Joshua tinha um gosto de hortelã.
Todos estavam abismados ao vê-la beijando o filho do diretor. Era uma cena um tanto quanto inusitada.
Joshua estava vindo com os amigos e quando viu aquela cena ele sentiu o chão sumir embaixo de seus pés, não podia ser! Any estava beijando aquele infeliz serenamente, não soube explicar o sentimento que o afligia naquele momento, era uma dor aguda no coração, um sentimento de perda absurda que ele até então desconhecia e um nó sufocante na garganta. Será que era isso que ela sentia sempre que o via com outra? Não conseguia sequer se mover, notou que ele acariciava a barriga dela de leve, apenas roçando os dedos.
Bailey: Olha só. – observando a expressão do amigo. – Parece que o Sampaio conseguiu o que queria.
Joshua não disse nada, apenas olhava os dois ali. Sabina que estava na borda da piscina, viu a cara do ex-namorado da amiga e não perderia a piada por nada.
Sabina: COMER TATU É BOM, QUE PENA QUE DÁ DOR NAS COSTAS! – cantou debochada. – Isso Any! Vocês dois formam um belo casal. – dizia toda orgulhosa. – Agarra mesmo!
Joshua a encarou com leve irritação e se virou, não queria mais ver aquilo, saiu dali se sentindo humilhado. Todos olhavam pra ele e cochichavam uns com os outros, como se ele fosse corno, pois sabiam que ele sempre fora o único para Any, saiu ouvindo risadinhas e piadas como Perdeu, Beauchamp? Assim você me envergonha, Está levando chifre, olha... Fuzilou alguns com o olhar e foi se trancar em seu dormitório, tinha perdido completamente a droga da fome.
Agora sentia um vazio em seu peito... Foi até a cômoda e jogou tudo o que tinha em cima no chão com brutalidade, estava fora de si! Any não poderia ficar com aquele cara, ela não amava Pedro, amava a ele! Sua mulher era apenas dele, de mais ninguém! Saiu de seus pensamentos ao notar algo quente escorrer por seus olhos, que ótimo, agora além de corno, era chorão. Merda!
Ele estava muito m*l mesmo, não imaginava que ver Any beijando outro homem iria lhe afetar daquela forma, ela sempre fora apenas dele. DELE. Mas não, ele não iria ficar quieto enquanto aquele veado roubava sua mulher, mas não ia mesmo! Limpou seus olhos e se levantou.