Entrega

4278 Palavras
Enquanto permanecia quieto, sentindo o melhor amigo voltar sua atenção para seus cabelos que agora ganhavam a cor laranja nas pontas, Heyon fitava a face de SooMin, ainda jogado sobre a cama de seu melhor amigo. O Choi tinha uma mania estranha de coçar as orelhas e mexer a pontinha do nariz, mas o que chamava mesmo a atenção de Heyon, era o modo em como SooMin digitava algo em seu celular, deixando seu sorriso grande transparecer mais do que deveria. ㅡ SunHo topou. ㅡ falou, desviando a atenção do celular para Heyon. Lee SunHo era irmão de SooMin, mesmo que Heyon achasse estranho como ambos não tinha nada em comum, sequer a aparência. ㅡ Precisa mesmo ter plateia? ㅡ ele resmungou. Estava assustado desde então, imaginava como seria quando a noite caísse. ㅡ Ele é meu irmão, anda comigo sempre, e você sabe como dizem que ele é um dos mais corajosos da cidade, ele quer ver se você o ganha mesmo. — Mais corajoso para não chamar de mais encrenqueiro, não é? Vocês vivem se metendo em brigas! — Ah, a gente só não leva desaforo pra casa. — Está assustado demais? — Seok perguntou e Heyon assentiu sem sequer pensar. ㅡ Você pode desistir se quiser. ㅡ falou baixo, quase num sussurro. ㅡ Desistir nada! ㅡ SooMin falou, ouvindo aquilo com facilidade. Seok olhou-o, cerrando os olhos, mas tudo o que o Choi fez foi sorrir outra vez, dando uma leve coçadinha na orelha esquerda. ㅡ Acho que ele tem pulga, Seok. ㅡ Heyon falou, percebendo aquilo. ㅡ Eu também. ㅡ o melhor amigo riu, olhando para o outro que revirava os olhos. ㅡ você precisa esperar trinta minutos para a tinta fixar nos cabelos. ㅡ Tudo bem. ㅡ O Lim sorriu, olhando-o, ㅡ sabe qual filme tá em cartaz? ㅡ Vocês vão ao cinema? ㅡ SooMin perguntou. ㅡ Você não foi convidado! ㅡ Heyon falou, fazendo Seok rir. ㅡ Eu não gosto de cinema mesmo. Irritante! Heyon revirou os olhos, divertindo Seok com sua particular infantilidade quando estava junto a SooMin. ㅡ Qual o filme? ㅡ Perguntou, buscando o segundo picolé para entregar a Heyon. Aquilo já estava molenga, parte dele já havia descongelado, mas Heyon sempre provava o sabor doce com adoração, e não foi diferente quando bebeu aquilo com desejo, fazendo Seok criar uma leve carinha de nojo. ㅡ Aquele de terror que a mulher anda toda torta pelo chão. ㅡ Sem filmes de terror por hoje, Yonie. ㅡ Mas é especial de Halloween! ㅡ Halloween é só no dia trinta, ainda estamos no dia treze. ㅡ Então o que vamos assistir? ㅡ Lançou aquele filme dos bonequinhos que falam. Vamos ver ele. ㅡ Filme para criança. ㅡ SooMin resmungou. ㅡ Eu gosto. ㅡ Heyon respondeu. ㅡ e eu aceito assistir esse, Seok. Depois podemos ir ao parque de diversões. ㅡ Vocês fizeram a programação do dia inteiro? ㅡ o Choi perguntou, fitando-os. ㅡ ao menos para o parque eu posso ir junto? Seok olhou para o Lim, vendo-o abrir um sorriso gigante. ㅡ Mas é claro que não! ㅡ falou, animado. [...] Ansioso, enquanto Seok lavava seus cabelos na pia do banheiro, Heyon pensava porque c****e tinha aceitado ir até o túmulo do vampiro. ㅡ Seok-ah, você vai ficar comigo, não é? ㅡ Do que está falando? ㅡ Do túmulo... quando eu fizer aquilo, promete que não vai ter pegadinha de todos correrem e me deixar lá sozinho? ㅡ Eu não vou te deixar sozinho. ㅡ Promete? ㅡ ergueu o mindinho, divertindo Seok. ㅡ Prometo. ㅡ o Kim enrolou o dedo ao do outro. ㅡ agora fica quieto, preciso tirar toda tinta. Heyon esperou que o melhor amigo terminasse aquilo. Viu-o secar seus cabelos com cuidado e perdeu-se só um pouquinho, analisando o rosto tão bonito perto de si. "Que meu desejo se torne realidade" pediu em pensamento. Seok afastou-se, dando-lhe um belo sorriso. ㅡ Pode olhar. Heyon virou-se, curioso. Seus olhos escuros se arregalaram. As pontas de seus dedos tocaram os cabelos de pontas laranjas e seu sorriso ganhou vida. ㅡ Seok-ah! ㅡ chamou, feliz. Seok mantinha-se atrás do Lim com um sorriso contente. Amava ver Heyon feliz. ㅡ Gostou? ㅡ Muito! ㅡ falou, virando-se. ㅡ muito obrigado. ㅡ abraçou o Kim pelo pescoço, animando-o ainda mais. ㅡ Agora vamos secar. Vai ficar melhor quando estiver arrumado. Heyon assentiu, voltando para o quarto. ㅡ Até que ficou arrumadinho. ㅡ SooMin falou, olhando os cabelos do Lim. ㅡ mas laranja ainda é brega. ㅡ Deixa de ser implicante. ㅡ Seok jogou-lhe a toalha na cara, buscando o secador. ㅡ É, ou eu realmente não vou te deixar ir para o parque com a gente. ㅡ Heyon ameaçou. ㅡ senta aqui outra vez, Yonie. ㅡ Seok apontou para a cadeira. O Lim sentou-se animado, e permaneceu daquele modo enquanto Seok secava seus cabelos pretos de pontas agora laranja. ㅡ Parece fogo, Seok... que legal! ㅡ ditou, encantado com aquilo. Sequer por um segundo pensou em como seu pai reagiria, era a primeira coisa que fazia por livre e espontânea vontade, algo que fazia por si e estava bastante contente. Porém, quando Seok se despediu de SooMin, Heyon sentiu um leve medo ao perceber que teria que voltar para a casa e encarar seu pai com os cabelos daquele jeito. ㅡ Não se preocupe, eu vou estar lá com você. ㅡ o Kim assegurou-lhe. Heyon assentiu, mesmo que soubesse que cedo ou tarde, seu pai lhe castigaria por conta daquilo. Adentraram a residência em silêncio, mas HanWool estava no escritório, e bastou que ouvisse o som da porta do quarto do Lim ranger, para se aprontar a ir até Heyon. Os olhos do Lim estavam outra vez arregalados, mas agora fitavam o pai encarar seus cabelos com pavor. ㅡ Que merda você fez nos seus cabelos? ㅡ aproximou-se, tocando nos fios sem calma. ㅡ Eu pintei. ㅡ Heyon falou, afastando-se brevemente. ㅡ hoje é meu aniversário, pai... HanWool fitou-lhe com nojo. ㅡ Seu corpo ainda é a casa do senhor, pensa que pode fazer todas essas desgraças nele? Isso está ridículo! ㅡ É só um cabelo, senhor Lim. ㅡ Seok falou, encarando-o. ㅡ logo sai. ㅡ É você, não é? Fica enchendo a cabeça do meu filho puro com todas essas coisas mundanas? Seu pecador! ㅡ O senhor deseja mesmo falar de pecado? ㅡ O Kim deu um passo para frente, sentindo sua raiva aumentar. ㅡ Você não me coloca medo! ㅡ HanWool se aproximou. Os olhos do Kim ganharam um brilho sem igual. Suas íris escuras tornaram-se esverdeadas. A mão erguida de HanWool, prestes a lhe agredir, torceu para o lado. Heyon assustou-se com o som do osso dali estalando e com o grito do homem. ㅡ Seu demônio! ㅡ HanWool gritou, afastando-se com medo. ㅡ corra, Heyon, se afaste desse filho de satanás! Seok riu disfarçadamente, mas olhou para Heyon. ㅡ Não quebrou. ㅡ O que... ㅡ Heyon ainda tinha os olhos arregalados. Fitou o pai correr para longe. ㅡ Entra logo no quarto, Yonie. O Lim assentiu, assustado e correu para dentro do cômodo, afastando-se quando Seok também entrou e fechou a porta. ㅡ Seok, o que você fez? ㅡ Como assim? Eu não fiz nada. ㅡ Como a mão dele... como? ㅡ Falta de cálcio, já ouviu falar? ㅡ riu descaradamente, sentando-se na cama. ㅡ ele tirou o osso do lugar sozinho, mas ande logo, se arrume, não quero ouvir mais nada do seu pai. Heyon ainda estava assustado. Os olhos de Seok estavam normais, no tom castanho que sempre conheceu, mas sabia que não era louco, havia visto as íris mudarem de cor. ㅡ Seok... você é algum tipo de... demônio? ㅡ perguntou baixo. Seok olhou-o com tédio. ㅡ Sou. ㅡ O quê?! ㅡ Se você arregalar ainda mais os seus olhos, eles vão saltar para fora. ㅡ Vo-você é um... de-demônio mesmo? Meu Deus! ㅡ Que Deus? ㅡ riu ainda mais, vendo o Lim pálido. ㅡ Yonie, pelo amor aos Deuses, para de tremer, seu bobo, você vai desmaiar. É claro que eu não sou um demônio, só estou brincando. ㅡ Jura? ㅡ Juro. Agora se arruma logo, vou chamar o uber. ㅡ Eu acho melhor não irmos mais... ㅡ Está mesmo com medo de mim? ㅡ De você não, dele. Se eu for, ele vai me castigar severamente, Seok. É melhor evitar... ㅡ Ele não vai fazer nada. Fica tranquilo. Põe aquele seu macacão jeans, você fica fofo. Heyon fitou-o, demorando-se a ir até o guarda-roupas. Buscou o macacão que Seok falou e levou consigo para o banheiro. Trocou-se lá, fitando os cabelos cor de fogo outra vez. Estava bastante bonito. Enfim pronto, Seok ajudou-o a escolher um de seus tantos All-star coloridos e optou por um amarelo. ㅡ É engraçado, estou tão colorido. ㅡ Heyon disse, fitando a camisa azul-bebê e os sapatos. ㅡ mas você é tão... escuro... tudo seu é preto. Até a calça! ㅡ Eu gosto de preto. É básico e dá para vestir em qualquer horário. ㅡ Você chamou o uber? ㅡ Está a dois minutos. Vamos logo. Heyon assentiu, saindo na frente. Fitou seu pai na cozinha, tinha um saco de ervilhas congeladas sobre o pulso. ㅡ Pai, eu... vou sair. ㅡ Vá para o inferno! ㅡ o homem falou com ira. ㅡ não quero mais saber de você, já deve estar tão contaminado com os pecados desse aí que se tornou um demônio igual! Heyon encolheu-se ao ouvir aquilo, sentiu uma grande vontade de chorar, sua boca já fazia o bico que demonstrava aquilo, mas Seok apenas bufou, puxando-o pelo pulso para fora daquela casa. ㅡ Você não deve aceitar isso! ㅡ disse, parando na calçada. ㅡ Eu vou voltar, Seok. Ele está muito bravo. ㅡ Se você voltar, ele vai continuar bravo e vai te bater. Daí eu vou bater nele e nada disso vai prestar no final. Não é melhor irmos logo ao cinema? Vamos nos divertir. Heyon assentiu, ainda com medo, mas Seok tinha mesmo razão. Seu pai quando tinha raiva, ficava completamente descontrolado. Adentraram no carro quando o mesmo parou em frente e o Lim tentou não pensar muito em HanWool. Não valeria a pena. Quando chegaram ao shopping, Heyon já parecia outra pessoa. Estava leve, animado. Subiram as diversas escadas rolantes até o sexto andar e analisaram os horários dos filmes na tela grande que ficava no fundo do cinema. ㅡ É daqui a dez minutos, Seok, corre! ㅡ Heyon apressou-lhe. O Kim riu, caminhando até a bilheteria. ㅡ Então vai comprar pipoca, anda. ㅡ o Kim também mandou, entregando uma nota de cinquenta mil wons a ele. Heyon caminhou até a pequena fila. Estava nervoso, gostava de assistir os trailer dos filmes que iriam ser lançados posteriormente. Salivou quando o maior balde de pipoca amanteigada foi-lhe entregue e pagou por ele mais dois copos grandes de refrigerantes. ㅡ Cuidado. ㅡ Seok falou ao vê-lo com os dois copos e a pipoca. Buscou os copos e apontou com o queixo. ㅡ vamos, é na entrada dois. Adentraram a sala escura e Heyon suspirou ao ver apenas os avisos passando. Seok guiou-o para as cadeiras que havia comprado e Heyon riu ao perceber que ficavam bem no meio da sala, seu lugar favorito. Seok sempre lembrava daqueles pequenos detalhes seu. Seus olhos sequer piscavam para os filmes de terror que passavam nos avisos, mas suas mãos sempre buscavam uma porção grande de pipoca e assim encher suas bochechas. ㅡ Esse parece assustador, não é? ㅡ falou de boca cheia e olhos arregalados, assustando-se apenas com o trailer do filme. Seok apenas assentiu, mas aqueles filmes não lhe traziam emoção alguma. Nada do mundo humano lhe trazia, na verdade. Era apenas Heyon. Quando a animação iniciou-se, Seok sorriu para o modo confortável em que Heyon sentava naquela poltrona grande. O Lim ria com coisas bobas, se surpreendia com coisas óbvias e chorava com finais melosos. Saíram da sala unidos. Heyon segurava firmemente o braço do Kim enquanto tinha a cabeça recostada em seu ombro. ㅡ Você parece triste. ㅡ Seok riu. ㅡ Não, estou feliz. O final foi tão fofinho... Seok riu, olhando-o de relance. ㅡ Está com fome? ㅡ Nós comemos um baldão de pipoca, Seok! ㅡ Nós ou você? ㅡ É, você é todo estranho, quase não comeu nada. Tem certeza que não é mesmo um demônio? Seok riu, mas seguiu para o andar debaixo. ㅡ Então vamos ao parque de diversões. ㅡ Isso! ㅡ o Lim se animou, abraçando ainda mais o braço do Kim. [...] O céu começava a ficar laranja quando chegaram ao parque de diversões. Heyon se encantava com aquilo, estava quase na cor de seus novos cabelos. Seok pagou pelas entradas, fitando SooMin e SunHo já do lado de dentro. Heyon cumprimentou SunHo, vendo-o apenas sorrir brevemente. ㅡ Para onde quer ir primeiro? ㅡ o Kim perguntou, se importando apenas com o desejo de Heyon. Afinal, era seu dia. ㅡ Para a roda-gigante, hyung. O céu está tão bonito, quero vê-lo um pouquinho mais de perto. ㅡ Você tá ligado que isso é impossível, né? ㅡ Cala a boca, SooMin. Vamos logo, Yonie. SunHo riu, vendo o irmão mexer levemente o nariz quando seguiu Seok e Heyon. ㅡ Porque mexe tanto o nariz? ㅡ perguntou. ㅡ e pare de coçar a orelha! ㅡ Foi m*l. ㅡ SooMin forçou-se a parar. ㅡ aqui tem muitos cheiros diferentes, mas o perfume que eles estão usando é forte. ㅡ Você precisa aprender a controlar seu olfato. E, por favor, corte esse cabelo. ㅡ Ah, não enche. Eu tô bonitão com o cabelo grande, pelo menos a transição tá me fazendo algo bom. ㅡ Você vai ver quando começar a crescer cabelo em outros lugares. Vai ver como é bom. ㅡ Tá brincando? SunHo riu do modo em como os olhos do irmão se arregalaram. ㅡ Claro que tô, lobinho. ㅡ Não me chama assim, p***a. ㅡ resmungou. Heyon foi para o final da fila e sorriu para Seok. ㅡ Não vem? ㅡ perguntou a SooMin e SunHo, vendo-os se debruçarem sobre a grade que cercava o brinquedo. ㅡ Deus me livre. ㅡ foi o que o Choi falou. ㅡ Não gosto de brinquedos que podem me matar. ㅡ SunHo respondeu. ㅡ Esse é o homem mais corajoso da cidade? ㅡ Heyon riu, olhando para Seok. ㅡ Vai ser só nós dois, ok? O Kim assentiu. Seguiram quando suas vezes chegaram e sentaram-se juntos. Logo o brinquedo estava levando-os para cima. Heyon tinha os olhos preenchidos pelo brilho do sol irradiando entre as nuvens e o céu. Seus cabelos de pontinhas laranjas balançaram com o vento. Seok suspirou, olhando-o outra vez tão leve. ㅡ Eu quero que seja para sempre feliz, Yonie. ㅡ ditou. ㅡ para sempre, entendeu? Heyon olhou-o, sorrindo, mas assentiu. As voltas incessantes do brinquedo findou-se quando o céu já escurecia. Seok deixou que Heyon escolhesse todos os brinquedos em que queria ir, comprando maçãs carameladas para preencher a ânsia do Lim por doces. No fim, quando já passava das onze e o parque já anunciava seu fechamento, foi o momento em que todos se reuniram e realmente tiveram a certeza do que fariam. ㅡ Você prometeu que não iria me abandonar, lembra-se? ㅡ Heyon sussurrou para Seok. Estavam dentro do um novo carro de aplicativo, seguindo para o cemitério da cidade. Seok apenas assentiu, mas parecia nervoso. Quando desceram em frente, fitaram os portões fechados do lugar. ㅡ Não tem como entrar. ㅡ Heyon falou. ㅡ vamos embora. ㅡ É, vamos. ㅡ Seok concordou, arrependido de ter levado o melhor amigo até ali. ㅡ Não dá para voltar mais, já irá dar meia noite. ㅡ SunHo ditou, olhando o relógio. Aproximou-se das correntes que fechavam os portões e forçou-as, quebrando o metal com facilidade. ㅡ Pronto, vamos. ㅡ SooMin chamou, com uma seriedade sem igual. Heyon engoliu em seco, mas seguiu os irmãos. ㅡ Não precisa ir, Yonie. ㅡ pediu, segurando a mão do Lee. ㅡ Seok, pare com isso. ㅡ SunHo pediu, irritado. ㅡ Eu consigo outro. ㅡ falou. ㅡ mas ele não. ㅡ O que há Seok? ㅡ Heyon perguntou. ㅡ vai ser rapidinho. ㅡ Não vai, Yonie. ㅡ Não dá tempo de achar outro. ㅡ SunHo falou, puxando o Lim pelo pulso. ㅡ Solte ele! ㅡ SooMin, por favor. O Choi parou em frente ao Kim, olhando dentro dos olhos que mudavam de cor com suavidade. ㅡ Eu não quero te machucar. ㅡ Seok falou, baixo. ㅡ Muito menos eu, Seok. Mas não tem como parar agora, você o escolheu, ele já o espera. ㅡ Não, eu errei. ㅡ O feitiço vai funcionar, relaxa. ㅡ Não... não vai. Eu não sei se fiz certo. ㅡ De qualquer forma, é tarde. Seok guiou seus olhos para SunHo e Heyon, que já iam por entre os túmulos. Seus olhos tornaram-se no mais puro azul, no mesmo instante, o corpo do Choi foi jogado a metros de distância. ㅡ Não faça isso! ㅡ SooMin se ergueu depressa, rosnando quando segurou os ombros de Seok. ㅡ Me largue! ㅡ o Kim travou a mandíbula, fazendo as mãos do Choi queimar. ㅡ Não! ㅡ SooMin aguentou firme. ㅡ ele vai ficar uma fera com você, sabe disso. ㅡ Ele que se f**a! Com o corpo sentindo como se centenas de facas adentrassem vagarosamente, SooMin caiu, gritando com a dor absurda que o Kim fazia-o sentir. Seok levitou, deixando sua raiva tomá-lo. Fitou SunHo já no final do cemitério e Heyon completamente assustado. ㅡ Pare já, SunHo! ㅡ ordenou, parando em frente ao lobo. SunHo rosnou, assim como SooMin, mas não conseguia colocar medo em Seok. Heyon, por outro lado, tinha os olhos arregalados, fitando o melhor amigo ainda levitar. ㅡ O q-que es-está acontecendo? ㅡ perguntou, sentindo o coração acelerar. ㅡ Você não vai levá-lo. ㅡ SunHo disse firme, vendo como Seok se assustou ao ser preso por trás. Fitou Seo NamHu, um bruxo, segurar-lhe firmemente. ㅡ Não adianta, sua magia não funciona em mim. ㅡ NamHu avisou ao Kim. ㅡ continue, SunHo. SunHo puxou o garoto assustado até o grande jazigo de pedra. Heyon debateu-se, tentando se soltar enquanto gritava, mas o Kim era forte demais. Sua boca foi calada, seus olhos continuavam arregalados. Heyon observou os desenhos marcados nas pedras e nos pequenos morcegos que começavam a ganhar a cor vermelha, como se sangue os pintasse. Sempre ouviu sobre aquele lugar, mas nunca acreditou que havia um vampiro descansando ali dentro. Porém, naquele momento, começava a acreditar, e seu medo se estendia por todo seu corpo, fazendo-o tremer sem controle. ㅡ Fique calmo. ㅡ SunHo pediu, encarando-o de frente. SooMin abriu a porta de vidro que havia no jazigo e deixou o irmão adentrar com Heyon. Fitou os olhos de Seok quando NamHu o levou consigo ainda preso para dentro, e fechou a porta, adentrando o lugar por último. Como magia, velas vermelhas se acenderam por todo o lugar e Heyon fitou o túmulo em mármore escuro no centro. ㅡ Por favor... ㅡ Seok pediu. ㅡ Eu vou te soltar, não grite! ㅡ SunHo mandou, mas do modo em como estava assustado, Heyon já não conseguia mais reagir. Tudo o que fazia era olhar firmemente para Seok, perguntando-se: por quê? ㅡ Me desculpa, Yonie. Me desculpa! Heyon tremelicou os lábios, vendo os olhos de NamHu se acenderem como esmeraldas. No mesmo instante seu corpo petrificou, ele já não comandava mais nenhum movimento. Sentiu o chão tornar-se nulo e assim seu corpo levitar. A placa de mármore que cobria o túmulo foi retirada com facilidade por SooMin, e seus olhos finalmente viram o que havia ali dentro. Descansando com serenidade, a imagem do homem tão bonito e pálido, assustou Heyon. O corpo vestido num terno bastante alinhado e repleto de teias de aranhas, estava inerte. A capa vermelha fez Heyon querer gritar quando enfim a percebeu, e quando viu as mãos do homem ㅡ que ainda parecia bastante morto ㅡ se mexerem, abrindo-se para lhe receber como em um abraço mortal, o garoto entrou em pânico. Então aquele era o vampiro? A lenda era real? Seus olhos foram outra vez para Seok, estava chorando. O Kim parecia lutar para se soltar da magia de NamHu, mas era nulo já que não conseguia se concentrar. Por fim, Heyon fitou o melhor amigo ser largado, caindo no chão, fraco. Pela primeira vez o Lim via o Kim chorar. Porém, suas lágrimas eram vermelhas como sangue. SooMin suspirou, fazendo Lim também lhe olhar. O Choi começava a deixar que lágrimas de sangue também caíssem enquanto suas mãos se abriram em pura adoração aquele vampiro. NamHu aproximou-se, sua boca balbuciava palavras sem sentido. Heyon ouviu o zumbido e em seguida o mais puro silêncio. SunHo parou ao lado de SooMin, seus olhos também deixavam o sangue se derramar e ele também parecia fazer parte daquele culto. No final, ainda sem controle sobre seu corpo, Heyon viu a adaga prata brilhar nas mãos de NamHu. ㅡ Assim como ordenastes, estamos aqui no teu milésimo aniversário de descanso. Oferecemos a ti, o sangue de um virgem. Aceito-o e retorne para nós. Heyon arregalou os olhos, sua boca forçava suas palavras, mas nada ainda era ouvido. Seok foi erguido do chão por SooMin, mas outra vez, o Choi foi jogado para longe. Com fúria, Seok se ergueu, aproximando-se de NamHu, mas outra vez, sua magia foi nula quanto a daquele bruxo. ㅡ Ele não vai sentir nada, Seok. ㅡ Seo ditou, olhando-o. ㅡ Vai funcionar? Me diz, vai funcionar? NamHu revirou os olhos, detestava bruxos iniciantes. ㅡ Você não confia na própria magia? ㅡ riu ladino, fitando a cólera do Kim se estender quando seus olhos outra vez se tornaram azuis. ㅡ vamos testar... O corpo de Heyon foi virado, ficando na mesma posição que o vampiro ainda adormecido. Seus olhos fecharam-se quando NamHu ergueu a adaga, e Seok ofegou, vendo-o passar a lâmina afiada com leveza sobre a pele do pescoço do Lim. Logo o corte levemente profundo, ainda não deixava o Lim com perigo de vida, mas logo seu sangue começou a se derramar, caindo sobre o corpo do vampiro. ㅡ Não aconteceu nada! ㅡ SooMin falou. Heyon abriu os olhos, sentiu seu sangue se derramar, mas não sentia dor alguma. ㅡ Porque não está acontecendo nada? ㅡ SunHo perguntou. ㅡ Calem a boca, lobos miseráveis! ㅡ o bruxo Seo ordenou. Seok não desviava os olhos de Heyon, estava com medo. ㅡ Não vai acontecer nada, Yonie. ㅡ ditou, fazendo as pupilas tão inquietas de Heyon lhe fitar. ㅡ você não vai sentir dor nenhuma. Já, já acaba. Heyon desviou os olhos para NamHu. ㅡ Porque esse infeliz não acorda? ㅡ o bruxo se perguntou, fitando a face pálida do vampiro Hwang. ㅡ Vai ver ele não quer. ㅡ SunHo falou. ㅡ Ou o sangue ainda não foi o suficiente. E se ele quiser todo o sangue do virgem? ㅡ Você está louco?! ㅡ Seok gritou, assustando-o. ㅡ Foram anos de descanso, ele deve estar faminto, Seok! ㅡ Não, vocês não vão matar ele. Não foi esse o combinado! NamHu suspirou, usando sua magia para jogar o corpo de Seok no canto e prendê-lo ali. ㅡ NamHu, não faça isso. ㅡ pediu, desesperado. O bruxo fitou Seok de soslaio, mas moveu seu corpo, erguendo a adaga na altura do peito de Heyon. ㅡ Isso vai doer. ㅡ avisou. Com força, afundou a lâmina no coração acelerado do Lim. Sequer a magia foi capaz de fazer Heyon não sentir a dor dilacerante que aquilo causou. Seu peito começou a sangrar, tudo começou a escurecer. ㅡ Não! ㅡ Seok gritou, chorando mais lágrimas de sangue. Gradualmente, o chão começou a tremer. NamHu abriu um sorriso satisfeito. ㅡ Ele está voltando. Com um brusco solavanco, o corpo do Lim foi puxado para dentro do túmulo. Seu corpo foi preso firmemente pelas mãos gélidas do vampiro e um suspirar suave bem em seu ouvido fez-lhe entender que aquele corpo já não estava mais morto. Tudo foi muito rápido. Num segundo Heyon fitava o rosto de contente de NamHu com aquela entrega, fechando o túmulo com a pedra de mármore outra vez para que o rito fosse findado e Hwang retornasse. No outro, seu sangue continuou a se derramar e nada mais parecia existir. A dor já não fazia mais parte de si e seu corpo começava a afundar. As paredes tornaram-se vermelhas, mas seus olhos não saberia explicar o que realmente acontecia ali. Sentiu seu corpo bater com força contra o chão. Não estava mais dentro daquele túmulo, muito menos sobre o corpo do homem sem vida. Sua respiração acelerou, seu corpo ainda formigava, mas parecia voltar a ter seus próprios movimentos aos poucos. Heyon olhou para a adaga ainda presa em si e quis gritar. Pensou em tirá-la, mas antes que pudesse, uma mão pálida a agarrou pelo cabo reluzente e a puxou sem permissão. Seus olhos, ainda inundados por seu medo, arrastaram-se até os pés cobertos por sapatos bonitos e aparentemente muito caros. Heyon ergueu-os com vagareza, abrindo-os ao notar a capa vermelha e o terno tão familiar. Por fim, suas pupilas dilataram ao fitar a face do vampiro. ㅡ Olá, humano. ㅡ o vampiro falou, sorrindo ladino ao abaixar-se. Seu dedo tocou o centro do peito do Lim, arrastando-se pela f***a causada pela lâmina. Observou o tom vermelho na ponta de seu dedo e arrastou a língua de forma traiçoeira pelos lábios. ㅡ ou devo te chamar de... meu jantar? E tudo o que os olhos de Heyon conseguiram focar foi nas presas branquinhas que apareceram com o sorriso ainda maior que o homem lhe deu.
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