A segunda-feira amanheceu cinzenta, o céu ainda carregando a ressaca da chuva da noite anterior. Helena acordou tarde, com o corpo pesado e a mente ainda turva pelo encontro no café. A imagem de Daniel diante dela, tão vulnerável, não saía de sua cabeça. As palavras ecoavam como uma canção que se repete involuntariamente: “Você sempre foi suficiente. Eu é que não fui.” Mas havia também o olhar de Ricardo, firme, acolhedor, e a presença de Clara, ainda que invisível, conduzindo os fios da situação como quem escreve um roteiro. Helena sabia que não podia deixar isso sem resposta. Precisava falar com Clara. A conversa difícil Ligou para a amiga no meio da manhã. Clara atendeu com a voz leve de sempre: — Então? Sobreviveu ao café da tarde? — Clara, a gente precisa conversar. — Helena di

