Capitulo28_ O Despertar da Ruína

1103 Palavras
A explosão ainda ecoava nas estruturas subterrâneas quando a poeira começou a baixar. Cinzas se espalhavam pelo chão de pedra antiga. Três membros do clã jaziam desfeitos, reduzidos a ** pela onda de energia que havia partido de Gabriel Monteiro como um sol colapsando sobre si mesmo. Helena ainda estava em seus braços. Mas ele não estava completamente ali. O dourado nos olhos não era apenas brilho. Era intensidade absoluta. Era poder sem filtro. — Gabriel… — ela sussurrou, tocando o rosto dele. Ele piscou uma vez. A respiração ainda irregular. Mas quando seus olhos encontraram os dela, algo humano tentou emergir. E falhou parcialmente. O líder do Conselho levantou-se entre os destroços. A aparência ainda impecável, mas o olhar… o olhar carregava algo novo. Medo. — Ele não pode sair daqui — murmurou a conselheira ao lado. Tarde demais. Gabriel virou-se lentamente. O espaço ao redor dele parecia ondular, como se a própria realidade estivesse sendo tensionada. — Onde está Lívia? — a voz saiu baixa, vibrando com energia comprimida. Ninguém respondeu. Foi erro. Ele não avançou fisicamente. Apenas estendeu a percepção. E encontrou. O coração dela batendo rápido em uma cela lateral. O medo. A confusão. Ele fechou a mão. A parede da cela de Lívia implodiu para dentro, não por impacto externo, mas como se tivesse sido esmagada por força invisível de dentro para fora. Ela caiu no chão, ofegante. — Gabriel…? Ele apareceu diante dela sem percorrer o espaço entre os dois. Helena sentiu o arrepio. Aquilo não era velocidade. Era dobra. Ele segurou Lívia pelo braço e a puxou para perto, protegendo-a instintivamente atrás de si. — Isso não é guerra — declarou o líder do Conselho. — Isso é m******e. Gabriel inclinou a cabeça levemente. — Vocês começaram. Dezenas de vampiros ainda ocupavam as galerias superiores do salão subterrâneo. Hesitavam. Porque agora não enfrentavam apenas um híbrido. Enfrentavam algo que não compreendiam. Adrian surgiu do lado oposto da câmara destruída. Ferido. Mas vivo. Os olhos dele fixaram-se em Gabriel. — Você não entende o que está fazendo — disse ele. Gabriel virou-se devagar. — Entendo perfeitamente. O ar comprimido começou a vibrar. Helena percebeu primeiro. — Gabriel, não. Mas a raiva dele já estava além do controle racional. Ele ergueu ambas as mãos. E o chão tremeu. Não metaforicamente. Fisicamente. As colunas de sustentação do salão começaram a rachar. Vampiros perderam o equilíbrio. Alguns tentaram fugir pelas passagens laterais. Gabriel não correu atrás. Ele apenas alterou o peso da gravidade no ambiente. Cinco vampiros foram esmagados contra o teto com força brutal. O som de ossos partindo ecoou antes que os corpos se desfizessem em cinza. Lívia cobriu a boca para conter o grito. Helena sentiu algo muito mais profundo. Ele estava perdendo o limite. — Parem! — ordenou o líder do Conselho. Mas ninguém o escutava. Porque naquele momento, não havia autoridade superior ao que emanava de Gabriel Monteiro. Adrian avançou novamente. Dessa vez não por orgulho. Mas por necessidade. Ele atacou direto, golpeando com força total. O impacto atingiu Gabriel no peito. Não o moveu. Gabriel segurou o braço de Adrian no ar. E por um segundo, os dois ficaram frente a frente. — Você poderia ter evitado isso — Adrian sussurrou. — Você tocou nela. A energia começou a drenar do braço de Adrian. Não sangue. Não força física. Essência. Os olhos do vampiro vacilaram. Helena correu até eles. — Gabriel! Não assim! A voz dela atravessou algo dentro dele. A pressão diminuiu um pouco. O suficiente para Adrian cair de joelhos, mas não morrer. Gabriel respirava pesado. As paredes vibravam. O Conselho percebeu algo crucial naquele instante. Ele não era movido por sede. Era movido por vínculo. O líder ergueu as mãos. — Recuem! Alguns vampiros obedeceram. Outros já estavam mortos. Cinzas cobriam o chão ancestral do clã. Helena aproximou-se de Gabriel devagar, tocando o rosto dele com firmeza. — Olhe para mim. Os olhos dourados tremeram. — Eles vão continuar vindo — ele disse. — Eu sei. — Então eu vou terminar. Ali estava. A decisão. Não fuga. Não negociação. Guerra. Lívia, ainda tentando entender o impossível, falou com voz fraca: — Eles vão atrás de nós… não vão? Gabriel virou-se para ela. — Não. A cidade inteira pareceu escurecer no horizonte. — Eu vou atrás deles. Silêncio. Até mesmo o Conselho percebeu que aquela frase não era bravata. Era promessa. Eles saíram das ruínas subterrâneas sob céu carregado. Helena caminhava ao lado de Gabriel. Lívia logo atrás. A energia ainda pulsava ao redor dele como campo invisível. No alto de um prédio próximo, três vampiros observavam. Gabriel ergueu o olhar. E apenas isso bastou. A estrutura metálica do terraço cedeu sob pressão invisível. Dois deles despencaram. O terceiro conseguiu escapar. Espalhar a notícia. O equilíbrio de séculos estava quebrado. No salão parcialmente destruído, o Conselho reuniu-se novamente. Cinzas ainda no chão. Silêncio pesado. — Ele matou membros do clã — disse a conselheira. — Ele executou soldados — corrigiu Adrian, ainda de joelhos. O líder encarou o vazio à frente. — Não podemos enfrentá-lo diretamente. — Então o quê? — alguém murmurou. Adrian respirou fundo. — Se ele cresce por vínculo… precisamos quebrar o vínculo. Helena. Lívia. Separação. Isolamento. O líder assentiu lentamente. — Preparem-se. Enquanto isso, no apartamento de Helena, Gabriel permanecia parado diante da janela. A cidade parecia frágil sob sua percepção expandida. Ele podia sentir. Vampiros se movendo. Recuando. Se organizando. Helena aproximou-se por trás e envolveu sua cintura. — Você matou. Ele fechou os olhos. — Eles tentaram m***r você. — Eu sobreviveria. Ele virou-se para ela. — Eu não arrisco. Lívia observava da cozinha, ainda tentando processar o que presenciara. — Isso não é mais segredo — ela disse. — Isso é guerra aberta. Gabriel assentiu. — Sim. A palavra não carregava dúvida. Helena segurou o rosto dele com ambas as mãos. — Se continuar nesse ritmo, você vai ultrapassar o ponto de retorno. Ele encostou a testa na dela. — Talvez eu já tenha ultrapassado. Silêncio. Mas ainda havia ternura. Mesmo cercados por morte. Mesmo com cinzas ainda na memória. E foi nesse instante que Gabriel sentiu. Movimentação coordenada. Múltiplos pontos da cidade. Não estavam fugindo. Estavam cercando. Ele abriu os olhos. Dourados novamente. — Eles vêm. Helena recuou levemente. Lívia segurou o batente da porta. Lá fora, a noite se movia. Sombras cruzando telhados. A guerra não tinha terminado nas ruínas. Tinha apenas começado. E agora, não era mais apenas defesa. Gabriel Monteiro havia despertado algo que o clã ancestral jamais enfrentara. E na próxima colisão… Não seriam apenas soldados que cairiam. Seriam líderes.
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