Alexia se olhou no espelho, achou que talvez fosse melhor fazer um corte curtinho no cabelo, porque tinha caído na besteira de procurar relatos de ataques sofridos por funcionárias dentro de cadeia. Geralmente, os presos agarravam o cabelo das mulheres e puxavam para a beira da cela. Mas gostava tanto do cabelo longo que não teve coragem.
No fim, voltou a estudar sobre os irmãos Mavros. Eram dois homens bonitos, altos, fortes, mas eram dois monstros. Ou será que os monstros dentro deles realmente eram resultado de duas crianças assombradas por um passado c***l? Ela nunca saberia se não fosse falar com eles.
Respirou fundo, foi calçar um tênis e caminhar. Era sua atividade física diária. Caminhar a deixava mais calma. E a fazia relaxar. Geralmente caminhava por uma hora, uma hora e meia, tomava um banho e dormia. Mas fazia ao menos três dias que não conseguia dormir direito. Fechava os olhos e, quando apagava, os sonhos eram pesadelos dentro do presídio. Brigas, ataques, ela sendo atacada pelos irmãos, por outros presos, rebeliões.
A verdade é que estava aterrorizada com a ida para aquele lugar. Mas não tinha escolha. Não tinha, inclusive, o contrato de trabalho já estava assinado. E cada vez que olhava pela janela ou saía de casa, via um soldado inglês a vigiando.
Como sabia que era um soldado?
Pela postura, pela arma na cintura, pelo carro preto e pelo olhar que dirigiam a ela. Era um olhar de aviso.
Foi caminhar, encontrou o ex-namorado e fingiu que não viu. Mas ele parou na frente dela.
— Qual é, Alexia? Vamos conversar?
— Conversar, Bronie? Você me colocou nas mãos da máfia. Eu tive que aceitar trabalhar dentro de um presídio com um monte de gente louca por sua culpa.
— Mas você não estava procurando trabalho? Encontrou um.
— Ou você é idio.ta ou se finge muito bem de idio.ta, porque uma mulher trabalhar num lugar como aquele;
Bronie riu dela.
— Mas é um trabalho, não é?
Ela jogou a garrafa de água nele, só de raiva.Ele pegou a garrafa e ia jogar no rosto dela, mas foi impedido.
— Não vai devolver o ataque, porque, se fizer isso, você morre aqui.
Um dos soldados ingleses.Bronie virou o rosto.
— É minha namorada.
— Ela podia ser sua mulher, mas ainda assim você não ba.te numa mulher na minha frente.
— Você é só um soldado.
— Exatamente. Sou um soldado. E sou homem, coisa que você não é.
Bronie não teve coragem. Se afastou.
Alexia murmurou um agradecimento e voltou a caminhar. Sentiu-se ainda mais desconcertada e est.upida. Bronie não era nada daquilo que ela imaginava. No começo ele era doce, carinhoso, e agora tinha sido capaz de agredi-la se o soldado não tivesse impedido.
Na verdade, ela não tinha ninguém por ela. A mãe morava em outra cidade, junto com o pai. Não tinha como pedir socorro para eles, porque eram só dois professores aposentados e nada mais.
Ia mesmo ter que se virar sozinha.