P.O.V LUDMILA:
Era meu terceiro dia na escola nova e eu estava gostando do ambiente, era estranho ser a novata em algum lugar porque eu morei 16 anos da minha vida na mesma casa e estudei no mesmo colégio, até este ano.
Os meus pais se separaram no final do ano passado, então neste ano eu, meu pai e minha irmã caçula viemos morar aqui. Largar tudo foi um choque. Eu estava odiando quase tudo, fiquei rebelde nas primeiras semanas, mas agora estou me adaptando, com exceção do namoro a distância. Este eu definitivamente não sabia se iria conseguiria me adaptar, mas combinamos de nos ver pelo menos duas vezes ao mês. Eu conheci Lucca no começo do ano passado e em dois meses nós estávamos namorando assumidamente para todos incluindo a nossa família.
Lá no fundo eu gosto da ideia de ter me mudado, é um lugar novo onde ninguém tem noção de quem sou e eu posso ser uma versão diferente de mim mesma, posso tentar ser a mulher que sempre sonhei em ser.
- amei a resposta que deu na Sara_diz Mari quando vamos ao banheiro_você namora mesmo?
- sim_abro um sorriso ao lembrar de Lucca
- que pena_ela murcha
- por que?_pergunto sem entender
- ficar longe do namorado deve ser r**m_ela diz
- é, mas nos veremos algumas vezes_eu digo
- então não vai ser tão r**m_ela diz
Mariana é a minha primeira garota que simpatizou comigo logo de cara, normalmente costumo ser rodeada de garotos que odeiam tudo e todos.
Mas eu sinto que tudo nessa cidade é uma chance de viver uma experiência totalmente diferente. Mariana é aquelas garotas doidas que a gente vê em filme e torce para existir pessoas como ela na realidade.
As outras pessoas também são legais, com exceção de Sara e Arthur que ainda não conversei nada tão interessante com ambos.
Arthur é popular na escola, as garotas costumam suspirar quando ele aparece na porta, eu o acho bonito, óbvio. Mas é explicito que ele morre de amores pela Sara, a r*****o dela com ele é que me intriga. Há momentos que eu posso ver ela suspirando por ele e em outros ela parece ser totalmente imune ao charme dele.
Encontramos Fernando e Laura no corredor conversando tranquilamente, nós caminhamos de volta pro refeitório e eu me sento de frente para Arthur, Sara e Mari.
- desculpa pela pergunta_Sara diz e apesar de parecer sincero consigo ler nos seus olhos que aquilo não tinha sido de coração.
O meu pai é psicólogo e quando me pegou mentindo para ele me disse exatamente como perceber quando alguém não está sendo sincero, e voilá ela estava a ser desonesta. Na minha opinião as pessoas não precisam fazer algo que não querem, fazer algo sem v*****e é até pior do que fazer. Abri o meu melhor sorriso
- sem problemas_respondo
Abro a garrafinha e percebo Arthur me encarar curioso, finjo não perceber a ação, Marcos começa um assunto e minutos depois todos estamos rindo e jogando conversa fora por ali até o fim do intervalo. O meu pai me buscou na saída e dirigiu até em casa.
- a sua mãe pediu para ligar para ela_ele diz
- ela não entende que não quero falar com ela agora?_eu me irrito
- ela continua a ser sua mãe_meu pai suspira cansado
- eu só preciso de um tempo, seria legal se ela fosse mais compreensiva_eu digo
- vou falar com ela novamente_ele diz
O meu pai sobe as escadas e eu vou direto para a cozinha ver o nosso almoço. Coloco a água para ferver quando decido fazer massa.
- Anne vem me ajudar_grito a minha irmã mais nova
Anne é muito parecida comigo o que nos faz ser muito próximas, ela é apenas dois anos mais nova, estando no último ano do fundamental.
- o que tu quer jumenta?_ela pergunta
- fala direito comigo garota, corta a cebola_eu mando e ela me estica o dedo
- você é muito folgada_ela reclama
- reclama menos e corta mais_eu falo
Começo a preparar a carne e depois o molho, quanto tudo fica pronto, o meu pai desce e nós almoçamos juntos.
A separação dos meus pais não foi um choque para mim, nem de longe. Eles nunca foram de brigar muito, mas também não eram aquele tipo de casal carinhoso. Raramente os dois eram carinhosos um com outro, tornando assim eu e Anne pessoas não tão carinhosas.
A minha linguagem do amor nunca foi muito demonstrada por carinho físico, eu demonstro de um jeito estranho, eu costumo irritar as pessoas que eu gosto muito.
O fato é, quando os meus pais decidiram se separar nos deram a opção de escolher com quem ficar e eu decidi ir com o meu pai. Minha r*****o com ele é infinitamente melhor do que com a minha mãe, ela sempre quer exigir uma perfeição inalcançável e isso é tão cansativo na nossa r*****o.
Quanto mais fui crescendo, a minha r*****o foi a piorar com ela, porque as nossas opiniões foram se tornando muito divergentes. Mas eu sempre tive como apoio a minha madrinha, ex-namorada do meu pai e amiga próxima da minha mãe. Ela sempre me contava como a minha mãe era mais nova e talvez o ponto principal para tanta cobrança fosse justamente o fato de eu ser muito parecida com ela, ela quis ser muitas coisas, mas a maternidade estragou muito dos planos dela e ela não quer que o mesmo aconteça comigo.
Ela nunca me disse abertamente e com palavras tipo "ser mãe cedo fodeu minha vida", mas era escancarado que aquilo era um fato, papai conseguiu realizar tudo o que desejou e mamãe ficou para trás cuidando de nós. Honestamente? Não me machuca saber que estraguei muito dos planos dela, engravidar cedo não é sempre uma bênção, mas eu sei que ela me ama e daria o mundo por mim.
E porque diabos você foi com o seu pai Ludmila?
Está na hora dela conquistar o que quer, de viver um tempo sem se preocupar em cuidar dos outros e é a vez do papai se responsabilizar e ceder um pouco do tempo dele a nós. Eu a amo demais para vê-la viver uma vida infeliz, quando ela alcançar a felicidade sei que vamos ter uma convivência muito melhor do que já tivemos um dia.
Quando jantei com os pais da Mari observei a união e desejei dar esta realidade aos meus filhos, mas não fiquei triste ou nada do tipo. Todas as coisas na vida tem uma razão, os meus pais não darem certo não se resume a mim ou a Anne.
Apesar de enxergarmos todas as pessoas na nossa vida como coadjuvantes da nossa história deveríamos lembrar que elas são protagonistas das próprias histórias O término dos meus pais se resumem somente a eles, ao protagonismo deles.
E se eu quiser ter uma história diferente tenho que construí-la sempre lembrando que eu sou a protagonista da minha história, eu não sou os meus pais, não sou os acertos ou os erros deles. Eu sou alguém com opiniões, experiências e vivências diferentes das deles. Isso é tudo o que eu preciso para construir a minha vida.