CAPÍTULO 3

927 Palavras
Ana sentia o peso do envelope à sua frente como se fosse uma sentença. O nome de Victor Moretti era sinônimo de poder, controle e mistério. Trabalhar para ele? Isso não fazia parte do plano. Ela veio para investigá-lo, não para ser engolida pelo seu mundo. Levantou o olhar para ele, que a observava com um interesse perigoso, os dedos girando lentamente a taça de conhaque. A tensão no ar era espessa como fumaça. — E se eu recusar? — Ela desafiou, mantendo a postura firme. Victor sorriu, aquele sorriso tortuoso que fazia seu estômago se revirar. Ele se inclinou para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, as pupilas dilatadas como as de um predador estudando sua presa. — Não existe recusa, dolcezza. Você já entrou no meu jogo. Ela sentiu um arrepio na espinha, mas não cederia. Pegou o envelope com calma, deslizando os dedos sobre o papel texturizado antes de abri-lo. No interior, encontrou um contrato. Sem muitas explicações, apenas instruções claras, ela agora era parte do staff do clube, sua função descrita de forma ambígua, mas claramente controlada por Victor. — Por que eu? — Sua voz saiu firme, mas por dentro seu coração batia forte. Victor observou-a por um momento antes de se levantar. Seu movimento foi lento, calculado. Ele parou ao lado dela, tão perto que seu perfume amadeirado se misturou ao aroma doce do vinho que estava na mesa. — Porque você me intriga. E eu quero saber até onde vai sua coragem. Ana não recuou, mesmo quando sentiu o calor dele perto demais. Ela sustentou o olhar de Victor, recusando-se a ser intimidada. — Talvez eu não seja tão interessante quanto imagina. Ele riu baixo, um som rouco e profundo que fez seu ventre se contrair involuntariamente. — Isso, Ana, é algo que eu mesmo pretendo descobrir. Ela apertou os dedos contra o contrato. Se aceitasse, teria acesso ao clube de um jeito que jamais teria como jornalista. Poderia investigar de dentro, encontrar provas concretas contra ele. Mas sabia que, ao aceitar, também entraria completamente no jogo de Victor Moretti. E ele não jogava limpo. Ana respirou fundo, ignorando a tensão elétrica entre eles. — Então acho que temos um acordo, Moretti. O sorriso dele se alargou, satisfeito. — Bem-vinda ao meu mundo, Ana. Agora, veremos se consegue sobreviver a ele. O jogo havia começado. ********* O vestido de seda n***a deslizou sobre o corpo de Ana como uma segunda pele, a f***a alta revelando suas pernas conforme caminhava pelo salão do Dono da Noite. A música suave, cheia de batidas sensuais, envolvia o ambiente com uma promessa de perdição. As luzes douradas e avermelhadas criavam sombras e desejos ocultos entre os clientes. Ela sentia os olhares sobre si. Mas apenas um a queimava de verdade. Victor Moretti. Ele estava em seu camarote privado, o olhar cravado nela como se já a possuísse. A postura relaxada contrastava com a tensão em seus olhos, que a acompanhavam a cada passo. Ana sabia o que estava fazendo. Seu corpo se movia com confiança, os quadris, oscilando no ritmo da música, como se o jogo de sedução fosse algo natural para ela. Mas, na verdade, era uma batalha interna. Quanto mais ele a desejasse, mais fácil seria derrubá-lo. Pelo menos, era o que tentava convencer a si mesma. Ela parou no bar e pediu um vinho tinto, sentindo a presença dele se aproximando antes mesmo de virar. — Gosto de ver você assim, Ana. Como se soubesse que esse mundo já é seu. A voz de Victor era um roçar quente contra sua pele, mesmo sem ele tocá-la. Ela girou a taça lentamente, sem encará-lo ainda. — E se for? Talvez eu goste desse jogo mais do que imagina. Victor sorriu de canto. Um sorriso perigoso. — Veremos até onde consegue ir. E então, ele estendeu a mão. Um convite. Um desafio. Uma armadilha. Ana hesitou por um instante antes de aceitar. Seus dedos tocaram os dele, e um choque percorreu seu corpo. Victor a conduziu até o centro do salão. A música mudou, tornando-se mais lenta, mais intensa. O ambiente ao redor desapareceu quando ele a puxou contra si. O calor do corpo dele a envolveu, firme e dominante. A mão espalmada em suas costas a manteve próxima, os olhos predadores presos nos dela. — Está jogando comigo, Ana? — Ele murmurou, os lábios perto demais de seu ouvido. Ela deslizou as mãos pelos ombros dele, fingindo indiferença, mas sentindo cada músculo rígido sob o tecido fino da camisa social. — E se eu estiver? Vai fugir? Victor riu baixo, arrastando a boca perigosamente próxima à sua mandíbula. — Eu nunca fujo. Eu caço. Ana sentiu o corpo inteiro vibrar com a tensão entre eles. Ele a girou suavemente, conduzindo-a com facilidade, como se já soubesse cada passo que ela daria. Cada toque parecia uma promessa silenciosa. Cada olhar, um pecado prestes a ser cometido. E, no fundo, Ana sabia. Não era apenas ela que jogava. Victor também queria testá-la. Medir seus limites. Saber o quanto ela resistiria antes de ceder. Quando a música terminou, ele não a soltou de imediato. Apenas deslizou a ponta dos dedos por sua cintura, demoradamente, antes de soltar um aviso sussurrado contra sua pele. — Cedo ou tarde, Ana… você será minha. Ela se afastou, mantendo a expressão firme, mesmo com o coração disparado. — Vamos ver quem vence primeiro, Moretti. E então, ela desapareceu na multidão, deixando para trás apenas o perfume doce e a certeza de que o jogo entre eles estava apenas começando.
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