Depois desse final de semana incrível minhas energias foram renovadas, estou novinha em folha.
Deu meu horário de almoço então decido ir ao restaurante de meus pais. Peço uma de minhas comidas preferidas e eles me acompanham. Com a fama do restaurante ele está sempre cheio mas todas as vezes que eu venho aqui meus pais fazem questão de sentarem e comerem comigo.
Meu pai fica responsável por toda a "parte chata" como diz minha mãe, que são papeladas e essas coisas, já minha mãe prefere ir uma vez na semana nos restaurantes para ver se está tudo bem e nos outros dias ela fica na cozinha preparando os pratos com outras cozinheiras.
Depois de uma hora que é o tempo do meu horário de almoço, volto ao trabalho, hoje está um pouco menos movimentado do que de costume, aqui sempre está cheio.
- Lily: tenha uma boa leitura - digo a moça que acabou de comprar um livro.
Ela pega a sacola e sai. Sinto uma mão em meus ombros, e viro para ver quem é.
- Lily: Dona Maria, está tudo bem?
- Maria: sim querida, eu só queria que você arrumasse alguns livros na parte infantil, as crianças deixaram uma bagunça - diz com um sorriso gentil - e pode deixar que eu fico aqui.
Assento e vou ao penúltimo corredor, o infantil.
As crianças realmente deixaram uma bagunça, tem livros espalhados por boa parte das mesas. Pego meu celular, coloco os fones e começo a recolher os livros. Até que a música começa, é a mesma que eu e Vittor cantamos juntos. Aquela cena não sai da minha cabeça, nois dois dançando na beira da praia, aquela vista linda, aquele barulho do mar, meus melhores amigos. Esse com certeza foi um dos melhores dias da minha vida.
Mesmo depois de tantos anos Vittor continua me fazendo sentir as mesmas sensações, o mesmo frio na barriga, o mesmo suor na mão, a boca seca, até o seu sorriso continua acabando comigo... não isso não pode acontecer, onde eu estava com a cabeça?
Eu tenho que esquece-lo é isso. E também tem o "Smith" que é super interessante, divertido e mesmo sem saber como ele é, me faz um bem danado só de conversar.
Uma voz interrompe meus pensamentos.
- Lily, que bom te ver.
Coloco a piolha de livros em cima da mesa, tiro o fone e guardo o celular no bolso.
- Lily: Luan, tudo bem?
- Luan: sim, eu te mandei mensagem mas você não respondeu - diz com um sorriso tímido.
- Lily: ah me desculpe, esse final de semana eu fiquei bem ocupada nem peguei no celular direito - retribuo seu sorriso tímido.
- Luan: ah claro, tudo bem.
Ficamos um tempo em silêncio, bem desconfortável. Resolvo corta- lo.
- Lily: Luan não me leve a mal, você é um amor de pessoa, mas acho que não vai rolar nada além da amizade entre a gente.
- Luan: que bom que você disse isso eu estava pensando a melhor forma de te falar isso - ele sorri aliviado assim como eu - eu gostei muito de você mas acho que nós não daríamos certo.
- Lily: então podemos ser amigos? - estendo a mão com um sorriso.
- Luan: amigos - ele sorri e pega em minha mão.
A voz alegre de Maria surgi, nos separamos nossa mão.
- Maria: querido você está aqui - Ela o cumprimenta - então como foi o encontro? - ela olha para mim e depois desvia para ele.
- Lily: foi legal, não é?
- Luan: é vó foi bem legal - diz com o mesmo sorriso tímido.
Ela continua o encarando e depois desvia para mim e depois olha para ele denovo, é assim fica por um tempo.
- Maria: ah.. querido chegou um livro que você vai gostar, vem cá - Ela pega na mão dele e eles saem.
Merda, será que ficou tão na cara de que o encontro foi um desastre? Não me levem a mal mas é que não rolou sabe. Por sorte ele também percebeu isso.
Guardo os livros na estante, e volto a recolher os outros até que dona Maria volta, dessa vez sozinha.
- Maria: querida vem aqui um estante por favor - diz sentando em uma das cadeiras, vou até ela e me sento ao seu lado - bem eu percebi que o encontro não deu muito certo né? Não fique receosa de me falar, eu sei separar as coisas e mais que sua chefe eu quero ser sua amiga.
Respiro fundo.
- Lily: eu vou ser sincera, seu neto é uma gracinha mas a gente não combina, nossos gostos são diferentes, mas ele parece ser um ótimo amigo.
- Maria: entendo e você está certa, você foi sincera, isso é uma das coisas que eu mais gosto em você sabia, esse cuidado - Ela sorri.
- Lily: muito obrigada - sorrio - é sempre bom resolver as coisas,conversar e ser sincero assim ninguém se machuca, uma senhora muito parecida com a vó da moana me ensinou a sempre dizer a verdade, por um acaso a senhora conhece ela?- sorrio. Pela cada dela ela percebeu a quem estou me referindo. A ela.
- Maria: sabe que você falando assim eu até me lembro de alguém - Ela diz sorrindo- ah eu esqueci de te falar alguns dias atrás um moço também me disse que eu pareço a avó da moana, acredita?
- Lily: tá vendo só, eu te disse - digo rindo.
- Maria: tô achando que vou mudar meu nome para Tala.
- Lily: pois eu super apoio - sorrio.
Ela ri.
- Maria: não é por nada não mas o moço era muito bonito, ele já veio aqui mais vezes.
- Lily: a senhora está me deixando curiosa, quem será esse tal homem?
- Maria: você já deve ter visto ele aqui. Ele é alto, loiro, tem o olho parecido com o seu, um sorriso muito bonito e é super gentil.
- Lily: minha nossa, a senhora acabou de descrever um príncipe encantado - digo rindo - falando nisso eu ainda não terminei de arrumar os livros - levanto apressada da cadeira.
Dona Maria pega os livros e vai me dando, e eu vou guardando nas prateleiras certas. Até que ela abre um e me chama.
- Maria: aqui, olha no carimbo está o nome dele, provavelmente ele que alugou.
Vou até ela e leio, está somente o sobrenome.... Smith? Leio denovo para ter certeza, e sim é isso mesmo.
Será que é o.. não, não pode ser, seria muita coincidência se fosse o mesmo homem que eu estou conversando no aplicativo.
Pelo resto do dia aquilo não saiu da minha cabeça. Mas seria muita coincidência o tal moço da livraria e o do aplicativo serem os mesmos.
Assim que cheguei em casa tomei um banho bem quentinho, e coloquei uma roupa confortável.
Desço, pego uma maçã e ligo meu notebook, vou ajudar Emma a montar a playlist do casamento, então coloco no YouTube e pesquiso algumas músicas que nós gostamos e faço uma lista.
Minha curiosidade não se aguenta então pego o celular entro no aplicativo e mando mensagem para o Smith.
eu aceito.
Em poucos minutos ele responde.
Sabia que não resistiria ?
Bom minha curiosidade falou mais alto kkkkkkk.
Me lembre de agradece-la.
Ficamos conversando por um bom tempo e eu nem ao menos percebi ele passar, sempre que conversamos é assim, o tempo voa. Marcamos um encontro para amanhã, as oito da noite, em um restaurante que eu nunca fui mas pelo nome parece ser um lugar bem chique.
- me lembre de nunca mais pegar uma carona com você.
- aquele poste apareceu do nada não foi culpa minha.
As meninas chegam falando.
- Lily: gente oque aconteceu?
- Angel: a Emma quase me matou- ela se joga no sofá.
- Emma: exagerada, eu só quase bati o carro no poste, só isso - diz emburrada com os braços cruzados.
- Angel: foi bem por pouco.
- Lily: eu vou tirar minha carta e nossos problemas vão acabar.
- Angel: por favor.
- Emma: a Angel é uma ingrata, eu vou lá buscar ela com todo amor sabe - diz ainda emburrada.
Vou até ela e a abraço por trás.
- Lily: o meu Deus, fica assim não meu bem, Angel vem pedir desculpas.
- Angel: desculpa amiga.
- Emma: eu desculpo.
- Lily: agora se abraçam - elas se abraçam - a Lívia ficaria orgulhosa de mim- digo rindo.
- Emma: você é uma ótima mãe substituta -fala rindo.
- Angel: sabe quem seria um ótimo pai sunistituo também?
- Lily: eu não quero nem saber - volto para o sofá.
Elas me seguem e sentam no tapete de frente para mim.
- Emma: vocês cantando ontem foi a coisa mais linda amiga.
- Angel: o jeitinho que os olhos de vocês brilhavam enquanto se olhavam foi tão lindo.
- Lily: vocês estão vendo coisas onde não tem - dou de ombros.
- Emma: então me diz porque vocês dançaram juntos? Isso não foi só eu que vi.
- Lily: porque... - tento pensar em alguma desculpa mas não vem nenhuma em minha mente.
- Emma: tá vendo só, você nem consegue mentir.
- Angel: e aquela jaqueta que você estava usando aquele dia, é do Vittor não é?
Ela ainda lembra disso. Eu não consigo mentir para elas então fico em silêncio.
- Emma: é uma que tem umas coisas escritas atrás? - Angel assente - é dele mesmo, peraí vocês saíram?
- Lily: isso é uma longa história.
- Angel: temos todo tempo do mundo.
Conto tudo que aconteceu aquele dia, desde o encontro com Luan até eu e Vittor no lago. Conto do dia em que ele foi lá na biblioteca/livraria também.
- Emma: amiga você não percebe? Sempre acontece alguma coisa para vocês se cruzarem.
- Lily: isso não passa de uma coincidência.
- Angel: ou o destino juntando vocês novamente.
Será que elas estão certas? Não, eu tenho que parar de pensar nisso.
- Lily: eu tenho um encontro amanhã, com o cara do aplicativo - mudo de assunto.
- Emma: mentiraaa, você aceitou?
- Lily: sim.
- Angel: amiga como é o nome dele mesmo?
- Lily: Smith, não sei se é o nome dele mesmo ou o sobrenome - Ela e Emma se olham como se estivesse resolvendo um mistério, eu não entendo o porquê - porque?
- Angel: nada não só curiosidade, nossa acabei de lembrar que esqueci uma coisa na casa dos meninos, já volto - levanta e vai quase correndo.
- Lily: você sabe oque deu nela? - Emma nega - estranho, bom eu vou fazer cachorro quente.
Levanto e vou para a cozinha. Emma me segue e fica no balcão.
- Emma: nosso ketchup acabou né? - ela nem espera eu responder e já continua - vou ver se os meninos tem, já volto - Ela sai correndo.
Oque deu nelas? Eu não entendi absolutamente nada.
Vittor
Faz uns vinte minutos que minha irmã e a Angel chegaram aqui, pegaram os meninos e se trancaram no quarto.
Eu não entendi nada.
Enfim esse final de semana foi maravilhoso, eu estava precisando disso. Não vou mentir a minha parte preferida foi ontem a noite, aquela cena não sai da minha cabeça. Foi como se voltassemos no tempo que tínhamos dezessete anos, na época em que fingiamos um namoro, que eu não tinha noção do que aquilo se tornaria.
No dia em que eu dei o anel para ela, se eu não tivesse ficado tão nervoso naquele dia talvez tudo tivesse sido diferente, porque eu tinha que ficar tão nervoso ao ponto de desistir de última hora e inventar que era tudo falso. Mas enfim não podemos mudar o passado.
Estou prestes a desistir do encontro amanhã, não me levem a mal, eu realmente queria conhecer a "Clark" mas depois de ontem não me resta dúvidas de que eu continuo apaixonado por Lily. Não é certo enganar ela por isso eu pego o celular e quando vou digitar os quatro aparecem, deixo o celular de lado minha curiosidade fala mais alto.
- Vittor: posso saber oque está acontecendo?
- Emma: não é nada maninho, boa noite.
- Angel: boa noite gente.
Elas duas saem.
- Vittor: vocês vão ter que me falar - digo aos dois que estão com uma cara bem estranha.
- Bryan: não é nada cara, vamos continuar o filme?
- Vittor: vocês acham que eu sou idiota? Eu sei que tem, falem logo.
- Lucas: tá a gente fala.
- Bryan: que? Endoidou foi?
- Lucas: oque tem ele saber, é só um negócio do casamento.
- Bryan: é isso, uma coisa do casamento.
- Vittor: ah sei - finjo que essa desculpa esfarrapada me convence - eu vou desmarcar o encontro.
- Lucas: que? Porque?
- Bryan: você não pode fazer isso.
Eles dizem juntos.
- Vittor: calma gente, é que não é justo eu continuar fazendo isso se eu estou apaixonado por outra mulher.
- Lucas: mas você não quer conhecer ela?
- Bryan: vocês podem só serem amigos.
- Vittor: é mas sei lá.
- Lucas: pensa bem cara, não é porque é um encontro que vocês têm que "ficar", podem só se conhecer, você falou que ela é bem interessante, ela pode ser uma ótima amiga também.
- Bryan: é o Lucas tem razão.
- Vittor: é pode ser.
No fim das contas eles estão certos, eu vou sim.
Hoje a dona Maria me liberou mais cedo, oque é muito bom.
Estou muitíssimo nervosa com esse encontro, estou doida para conhecer o tal Smith. Nós conversamos a semana inteira, ele é super interessante, tivemos muitas conversas boas, e temos várias coisas em comum. Sinto que vamos nos dar muito bem.
Me despeço de dona Maria e corro para casa. Assim que abro a porta escuto a cantoria de Angel. Vou para a cozinha tomar um copo de água e vejo um bilhete de Emma. Ela foi resolver algumas coisas do casamento. Tadinha ela e Lucas estão doidinhos com essas coisas.
Um tempo depois...
Já faz uns quarenta minutos que estou revirando meu guarda- roupa e jogando tudo em cima da cama. Decido pegar uma camiseta e um short de pijama e depois do banho eu procuro a roupa se não vou me atrasar.
- Angel: amiga você já chegou? - ela pergunta saindo do banheiro.
- Lily: hoje a dona Maria me liberou mais cedo, graças a Deus, eu estou tão nervosa amiga.
- Angel: aí meu Deus o encontro é hoje? - Assinto - pode tomar banho que eu te ajudo, mas corre que a gente só tem duas horas - diz encarando a tela do celular.
- Lily: muito obrigada mesmo, te amoo - digo gritando por já estar correndo.
Ligo o chuveiro no mais quente, lavo meu cabelo, passo um óleo corporal, faço uma hidratação em meu cabelo, enfim como diz minha mãe, um banho caprichado.
Visto a roupa que tinha pegado, penteio meu cabelo, escovo os dentes e vou para o quarto.
Encontro Angel revirando meu guarda- roupa, meu quarto está uma verdadeira bagunça.
- Angel: achei o vestido perfeito - diz empolgada - mas antes vamos cuidar desse pele.
Ela pega um pote daquelas máscaras faciais um pincel e sentamos na minha penteadeira.
- Lily: aí amiga não sei se levo jeito pra isso mais.
- Angel: claro que leva amiga, só seja você mesma e vai dar tudo certo - diz passando o pincel em meu rosto.
- Lily: tá mas e se eu fizer alguma besteira?
- Angel: você não vai mulher, relaxa - Ela ri - você é maravilhosa, tenho certeza que ele vai ficar caidinho por você.
- Lily: tá vai vou confiar em você - sorrio - agora deixa eu passar em você também.
Ela assente e me dá o pincel. Pego um pouco do produto e passo em seu rosto.
- Angel: mas se ele fizer ou falar qualquer coisa estranha você me liga em, vou ficar com o celular na mão.
- Lily: tabom amiga, se ele falar que não gosta de chocolate eu te ligo na hora.
- Angel: por favor, e corre o mais rápido possível.
Rimos. Colocamos uma playlist bem animada e ficamos cantando e dançando enquanto a máscara secava, tiramos algumas fotos também.
Depois tiramos a máscara e ela começa a me maquiar, depois faço umas ondas no cabelo no cabelo e visto o vestido, ponho um brinco pequeno, uma pulseira, por fim calço um salto e passo perfume.
Angel sai do quarto, eu fico me encarando no espelho por alguns minutos. A quanto tempo eu não me visto assim, mas até que gostei. Pego uma bolsa na prateleira e desço.
A encontro deitada no sofá com o pote de pipoca.
- Lily: acho que já está na hora, minhas mãos estão suando.
- Angel: fica tranquila amiga, você é incrível e meu amor você está o puro luxo viu - diz rindo.
Encho a mão de pipoca, ela fica rindo.
- Lily: me deseja boa sorte - falo com a boca cheia de pipoca. Desculpa eu não resisto.
- Angel: como se você precisasse - Ela ri - eu já pedi uber pra você.
Dou um abraço na minha amiga maluca, pego meu celular, coloco na bolsa e saio.
Ele chega em cinco minutos, é oque diz o celular porque para mim foi uma eternidade. Depois de cinquenta minutos nós chegamos. Fico maravilhada com o lugar, se é bonito assim por fora imgina lá dentro, ainda bem que caprichei na roupa.
Vittor
Acabei de chegar no restaurante onde marquei de encontrar a tal Clark. Ela foi a primeira que me chamou atenção no aplicativo, por sua descrição. E olha que ela foi bem modesta em se descrever, essa semana que nós ficamos conversando ela se mostrou ser bem mais interessante do que tinha falado ser.
Conversamos sobre vários assuntos e em todos tivemos opiniões parecidissimas. Ela é engraçada então nem um assunto foi pesado, por mais sério que fosse. Confesso que ela me encantou, em toda minha vida só a Lily tinha me causado isso, e por falar nela o jeito de falar das duas são bem parecidos, ou isso é coisa da minha cabeça.
Estou ancioso, curioso para conhece- lá. Marcamos o encontro em um restaurante bem elegante, então coloquei uma roupa mais formal digamos assim, e meu perfume preferido claro, para mim esse é um dos pontos mais importantes.
Deixo meu carro no estacionamento, entro e me sento na mesa reservada, por sorte consegui uma de última hora. Por ser no terceiro andar as paredes de vidro dá uma linda visão da cidade, e por estar de noite a deixa ainda mais linda.