POV Aurora O mar já estava calmo, mas dentro de mim o mundo ainda balançava. O barco seguia em linha reta, cortando as ondas como se tivesse pressa de fugir de algo — ou de alguém. Leo estava na parte de trás, mexendo em uma pequena maleta de couro. Nenhuma palavra desde que o sol nasceu. Nenhuma explicação também. Apenas aquele silêncio denso que parecia dizer: “Espere.” Esperei. E quando ele se virou, as mãos traziam duas coisas — uma caixa preta e algo embrulhado em tecido. — O que é isso? — perguntei. — Lições de sobrevivência. — respondeu, simples. Ele colocou a caixa sobre a mesa de madeira, o som seco ecoando na cabine. O olhar dele era sério, o tipo de olhar que não admite recusa. — Abre. Obedeci. Dentro da caixa, um anel. Mas não era só um anel — era um império em

