POV Aurora O silêncio do carro foi pior que o som da chuva batendo no teto. Meu pai dirigia sem olhar pra ninguém, o maxilar travado, o suor brilhando no canto do rosto. Minha mãe chorava baixinho, as mãos torcendo o lenço no colo como se ele pudesse consertar o que foi destruído. Helena... estava muda. Até chegarmos em casa. Assim que a porta da frente se fechou, ela explodiu. — NÃO! — gritou, atirando os sapatos pelo corredor. — ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM! ELE NÃO PODE FAZER ISSO COMIGO! O som da voz dela ecoou pelas paredes, fazendo os quadros tremerem. Minha mãe correu atrás, tentando acalmá-la. — Helena, por favor, pare. Mas ela não parou. — ELE ME HUMILHOU! — ela gritava, os olhos marejados de raiva. — AQUELE VELHO DESGRAÇADO ESCOLHEU ELA! Apontou pra mim como se eu fosse

