POV Aurora Os dias na mansão tinham um ritmo próprio. Não era rotina — era controle. Tudo ali tinha propósito: o silêncio, os passos contados, o olhar dos empregados evitando encarar muito tempo. Era como viver dentro de uma máquina onde cada engrenagem sabia seu lugar. E eu estava aprendendo o meu. Chiara dizia que ali ninguém vivia. Apenas servia. Mas eu não estava aprendendo para servir. Aprendi rápido. Os relatórios, os nomes, as rotas, os acordos. Sabia quais empresas eram fachada, quais negócios lavavam dinheiro, quais eram intocáveis. Mas o mais importante não estava nos papéis. Estava nas pausas, nas palavras que Nero não dizia. Passei a semana imersa em papéis, números e instruções que pareciam infinitas. Aprendia o básico sobre os negócios — o que podia ser dito e o qu

