Capítulo 20: O Triângulo de Fogo

559 Palavras
POV: Lorena (A Conexão) Eu não esperei o sol baixar. Com o rádio que a Yasmin me passou e o cartão do Turco na mão, eu fui direto ao ponto. No camarote de um clube de elite, longe dos ouvidos curiosos, eu joguei a informação na mesa dele. — Rio Verde. Fazenda dos Ipês — eu disse, observando a reação dele. — Quem é o peixe grande que está dando abrigo para os ratos que mataram o meu primo? O Turco tragou o charuto, o olhar ficando sombrio. — Essa fazenda pertence ao "Velho". Um coronel aposentado que financia o tráfico na fronteira. Se os assassinos estão lá, eles estão protegidos por um exército de jagunços e por uma barreira de silêncio que o dinheiro compra. — Pois avise ao Velho que o dinheiro dele não compra o aço da minha irmã — respondi, sentindo o Lucca chutar. — Eu quero o mapa da fazenda e a rotina dos seguranças. turco, se você me der isso, o Benjamin vai ser seu maior aliado quando o portão daquela tranca abrir. POV: Yasmin (A Mente) O rádio que o "Sobrinho" me deu começou a chiar na madrugada. Eu passei horas ajustando a frequência até que, finalmente, ouvi. Uma voz rouca, rindo, falando sobre como "o serviço foi limpo" e como a fazenda em Rio Verde era o esconderijo perfeito até a poeira baixar. O ódio subiu pela minha garganta, mas minha mão não tremeu. Eu gravei tudo. Cada risada deles era um prego no caixão que eu estava construindo. Liguei para o Benjamin através do canal seguro. — Eu ouvi a voz deles, Ben. Eles acham que estão seguros sob a asa do Velho. Mas eu já plantei a dúvida na cabeça dos informantes da cidade. O isolamento deles vai começar por dentro. Vou asfixiar os suprimentos daquela fazenda até que eles não tenham mais para onde correr. A Lorena já conseguiu o mapa. A gente só está esperando o seu sinal. POV: Benjamin (O Verdugo) Eu ouvi a Yasmin e fechei os punhos até as juntas ficarem brancas. O mapa, o rádio, a proteção do coronel... nada disso importa diante da promessa que fiz ao Guel. — Escutem bem, as duas — minha voz saiu como um rosnado vindo do fundo de uma cova. — Vocês estão fazendo o que ninguém teve coragem de fazer. Estão cercando os lobos. Mas eu estou dando a ordem agora: ninguém encosta no líder deles. Eu recebi a notícia de que o "Velho" tem um contato aqui dentro do presídio. Eu vou usar esse contato para mandar um recado de volta. Respirei fundo, sentindo o cheiro de mofo da cela se transformar no cheiro de pólvora que eu tanto desejava. — Eu vou sair daqui. Não importa se é pelo alvará ou pela marreta. Mas a cabeça de quem puxou o gatilho contra o nosso sangue é MINHA. Eu quero olhar nos olhos dele quando a vida for embora. Quero que ele saiba que a "irmãzinha triste" e a "grávida expulsa" foram quem cavaram a cova dele, mas que fui EU quem o empurrou para dentro. POV: Lorena — O mapa está na mão, Ben. POV: Yasmin — O cerco está fechando, irmão. POV: Benjamin — Então preparem o aço. A caça em Rio Verde não vai ser uma briga. Vai ser um m******e.
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