"Estou me sentindo um canalha, e minha mente estava fervilhando de ódio de mim mesmo. No momento da raiva, a gente acaba fazendo coisas que pensa ser o certo, quando na verdade é o oposto do certo.
Estou aqui em frente à piscina de casa, tomando um uísque, enquanto fumo meu cigarro predileto. A noite já havia caído, e eu ainda continuava no mesmo lugar, tomando mais algumas doses de uísque.
Sara estava certa, eu pensei que tirando aquele canalha do caminho, tudo ficaria bem, e Sara voltaria pra mim, mas não foi bem da forma que pensei. Mas há uma coisa que eu nunca soube sobre Vinícius, é que ele tinha contato comigo.
Vinícius era meu amigo, amigo próximo, e teve um dia que conversamos sobre ela, e fizemos um acordo. Vinícius se aproximaria de Sara, a conquistaria somente na amizade e falaria de mim a ela, e o cretino acabou se apaixonando por ela, e se desviou totalmente do que havíamos combinado. Porém, não falarei nada pra ela, sobre isso, não quero magoá-la.
Tomei mais um pouco de uísque, e depois joguei o copo no chão, que quebrou-se em pedaços pequenos. Tudo ali estava escuro, a energia havia faltado e eu não percebi.
Entrei pra dentro de casa, estava visivelmente bêbado, tudo ao meu redor girava, e não enxergava completamente nada. Caminhei até a lareira, e com as mãos desajeitadas, ainda liguei a lareira, que clareou a sala.
Caminhei até o quarto de Sara, e abri, clareando com a lanterna do meu celular. Eu a vi chorando, encolhida na cama, e me senti um merda.
— Sara, por favor, vamos conversar. — pedi me sentando ao seu lado, as palavras saíam emboladas.
— Por que fez isso, Kaio? Por que destruiu minha vida? Por que você se tornou esse monstro que você é? Quando se tornou assim? — chorou.
— Não fala assim, eu te amo, Sara, te amo mais do que a minha própria vida, caramba. — falei, estava nem dando conta do que estava falando, nem fazendo.
Me aproximei de Sara, fiquei perto o suficiente, a ponto de sentir a respiração dela próxima a mim, meus lábios tocaram os dela. Senti uma adrenalina em meu corpo, até pensei que era um sonho aquele beijo, mas me certifiquei que não, era mais real do que eu imaginei.
— Não, Kaio, por favor, você está bêbado.
— Eu quero você, Sara, fica comigo, preciso te sentir. — alisei seu rosto com meu dedo polegar.
Sara nada disse, apenas me deixou beijá-la. Me sentei sobre a cama, e a puxei para o meu colo, ela sentou e eu pude sentir cada parte de seu corpo com as mãos, massageei o bico de seus s***s, apertei de leve, e escutei ela gemer baixinho. Ela pareceu cair na real, e em um gesto brusco, conseguiu se afastar de mim.
— Saia do meu quarto, Kaio Lancaster.
— Sara...
— Saia."
Saí do quarto de Sara, deixando-a sozinha com suas emoções. Eu me sentia um completo i****a, envergonhado por minhas ações impensadas. A consciência pesada me acompanhava enquanto eu caminhava de volta para a sala iluminada pela lareira.
Percebi o estrago que fiz na sala ao jogar o copo de uísque. Os cacos brilhavam no chão, refletindo a luz das chamas dançantes. Tentei juntar alguns pedaços, mas minha coordenação estava comprometida pela embriaguez.
A culpa e a vergonha me dominavam. Não podia acreditar no que tinha feito, na forma como magoei Sara. Ela merecia muito mais do que as atitudes impulsivas e egoístas que eu havia tomado.
A energia ainda não havia retornado, e a escuridão ao redor parecia refletir minha própria confusão e desespero. Percebi que precisava me recompor e enfrentar as consequências das minhas ações.
Decidi que no dia seguinte, quando estivesse sóbrio e com a mente clara, teria uma conversa séria com Sara. Precisávamos esclarecer tudo e encontrar uma maneira de lidar com essa situação complicada que nos envolvia.
Subi as escadas com passos incertos, me dirigindo ao meu quarto. Precisava descansar e recobrar a sobriedade para encarar o que viria a seguir.
Acomodei-me na cama, fitando o teto, perdido em pensamentos sobre o que havia acontecido. Sabia que não podia simplesmente voltar atrás e desfazer minhas ações impensadas, mas precisava encontrar uma maneira de consertar o estrago que eu havia feito.
A noite passou devagar, e ao raiar do dia, a luz começou a entrar timidamente pelo quarto. Levantei-me, decidido a enfrentar as consequências e tentar fazer as coisas certas a partir dali.
Desci as escadas, encontrando a casa ainda em silêncio. Procurei por Sara, na esperança de que pudesse encontrar uma oportunidade para falar com ela e tentar explicar meus sentimentos confusos e impulsivos.
Ao encontrá-la, esperava que pudéssemos ter uma conversa franca e, quem sabe, encontrar uma maneira de seguir em frente juntos, apesar de todos os erros e mágoas que haviam sido causados.
Sara estava na cozinha, parecia absorta em seus próprios pensamentos. Ao me ver, seus olhos se ergueram, revelando uma mistura de emoções: tristeza, raiva e uma ponta de surpresa.
— Kaio... — ela começou, mas parecia hesitante, as palavras travando em sua garganta.
Respirei fundo, tentando encontrar as palavras certas para explicar o inexplicável. Sabia que não havia desculpa para o que aconteceu, mas precisava tentar.
— Sara, eu... — comecei, mas minhas palavras pareciam falhar diante da gravidade da situação. — Precisamos conversar, de verdade. Eu sei que nada do que eu disser pode justificar o que fiz, mas quero que saiba que estou arrependido.
Sara me observou por um momento, seus olhos ainda carregando uma mistura de emoções. Parecia estar avaliando se podia ou não confiar em minhas palavras.
— Kaio, o que aconteceu ontem foi inaceitável. Você precisa entender que não posso simplesmente esquecer... — ela começou, mas a interrompi.
— Eu sei, Sara. Eu entendo que as minhas ações foram imperdoáveis. Eu não quero pedir desculpas, porque sei que não é suficiente. Mas quero que saiba que estou disposto a fazer o que for preciso para tentar consertar isso.
Sara olhou para mim por mais um momento, e então assentiu lentamente.
— Eu preciso de um tempo, Kaio. Preciso processar tudo isso.
Eu entendi. Não podia esperar que ela simplesmente aceitasse minhas palavras e voltasse ao normal. As feridas eram profundas e levariam tempo para cicatrizar, se é que alguma vez cicatrizariam.
— Eu entendo, Sara. Vou dar a você o tempo que precisar. E vou fazer o que for possível para provar que estou disposto a mudar.
E assim, nos afastamos, cada um absorto em seus próprios pensamentos e emoções. Sabia que o caminho à frente seria árduo e incerto, mas estava determinado a fazer o que fosse preciso para merecer o perdão de Sara, mesmo que isso significasse mudar quem eu era.