EM CHAMAS

1847 Palavras
Lizzy Os dias se passaram da mesma forma, eu saía para trabalhar, acenava para o meu vizinho gostoso e acelerava para fora dali como se minha vida dependesse disso e dessa forma, duas semanas se passaram e eu não cheguei a trocar nenhuma palavra com aquele belo homem. Eu ainda me sentia mortificada quando o observava e a maior diversão que eu tive nesses dias foi ficar secando ele na janela do meu quarto, quase que compulsivamente, eu juro que eu acho que sei até a hora que ele geralmente costuma tomar banho e se vestir. Eu não sei dizer se ele tem algum complexo de exibicionista ou eu sou uma voyeur descarada, porque eu não perco nenhuma chance de ver aquele peitoral magnífico. Passaram-se duas semanas e eu me encontro nesse momento, jogada do lado da minha cama, borboletas no meu estômago, bochechas coradas e respiração entrecortada porque acabei de ser pega espiando o pacote de seis dele como se quisesse comê-lo de sobremesa. Eu estava babando e agora posso adicionar mais uma coisa constrangedora no meu histórico de interações com esse homem. Onde está o buraco mais próximo para que eu possa me jogar dentro e lá permanecer? Eu preciso superar toda aquela cena deplorável no bar e tomar coragem para falar com ele, ou eu sinto que nunca vou evoluir em nada com relação a ele. E eu realmente quero ver mais de perto aquele corpo e se eu tiver sorte e for um pouco mais encantadora e menos constrangedora, tenho certeza que posso tocar também. Eu quase salivo novamente com o pensamento das minhas mãos nele. Eu estive com Lara recentemente e ela me contou que o encontrou no bar que eu estava com ela poucos minutos depois que eu saí porque tinha esquecido um documento importante no escritório e tive que voltar para buscar, ela queria conversar sobre a mais recente façanha de Jason, o odioso e que estava pensando seriamente em romper com ele. Eu, é claro, a aconselhei a fazer exatamente isso. Ele é um i****a e não merece a minha irmã. Na minha opinião, ela ainda demorou demais para perceber que ele é um b****a e que ela devia ter chutado a b***a dele a séculos atrás. Mas, voltando ao que interessa, o vizinho gostoso achou que ela era eu e perguntou a ela e quando ela respondeu que era minha irmã, ele pareceu um pouco desapontado por não ser eu e depois insinuou que gostaria de me ver, de preferência quando eu estiver sóbria. E o ponto alto dessa conversa rápida entre os dois, foi quando ele deu um conselho maravilhoso a minha irmã, que a fez pensar com mais cuidado ainda sobre a relação dela com aquele b****a do Jason. Agora Lara tem ponderado cuidadosamente se vale a pena ou não continuar essa relação ou é melhor acabar agora. Depois que ela me contou isso pela ligação que ela fez assim que ele saiu, eu meio que fiquei apaixonada por ele. Parece o homem perfeito para mim. Entende de relacionamentos e dá maravilhosos conselhos a minha irmã, é bonito, inteligente e bem, deixe-me ver o que mais… Bem, eu não sei. Para falar a verdade, eu não o conheço e só posso opinar sobre o que eu vejo nele, mas eu não posso falar absolutamente nada sobre a personalidade dele. Eu não o conheço. Ainda. Mas eu pretendo mudar isso logo. Eu não quero demorar mais do que o necessário para me aproximar dele. Eu vou sondar o terreno, descobrir se ele está remotamente interessado por mim e fazer a minha jogada. Eu não vejo a hora de deixar essa imagem de timidez excessiva pontilhada com um pouco de loucura que eu aposto que ele tem de mim. Eu pretendo agir como uma mulher segura de si e confiante, já chega de correr quando o vejo, de acenos silenciosos e espiadas furtivas pela janela, considerando que ele me pegou no flagra, é melhor mesmo parar de fazer isso e tratar como apenas um caso isolado, onde eu supostamente ia passando quando fui seduzida pela imagem na minha frente. Eu nunca vou admitir que eu o observava fielmente todos os dias na janela pelas últimas duas semanas. Eu até mesmo estive chegando mais cedo apenas para não correr o risco de perder aquela festa do peitoral. Mas eu nunca admitirei isso para ele. Não mesmo. Também não pretendo me desculpar por olhar para ele de maneira tão desejosa. Ele que começou mostrando toda aquela pele maravilhosamente musculosa e imaculada. E eu já estou começando a divagar outra vez. Se eu continuar assim, não vou chegar a lugar nenhum. Eu estava descendo para procurar algo para aliviar a minha fome que não fosse o meu vizinho, pois o meu estômago parecia estar produzindo o seu próprio e pequeno terremoto de tanto que se mexia dentro de mim. Eu estava pegando uma taça de vinho enquanto a comida esquentava no forno quando meu celular tocou ao meu lado. Era Lara e eu estranhei por ela estar me ligando a essa hora, a não ser que fosse para avisar que estava vindo para casa e finalmente resolveu deixar aquele i****a para trás. – Lara. – atendo. – Nós brigamos f**o e eu rompi o compromisso. Eu estou indo para casa. – avisa com voz chorosa. Acertei em cheio. – Finalmente você resolveu deixar aquele b****a. Você fez muito bem. Não se preocupe, eu tenho sorvete na geladeira e chocolate no armário. Vamos assistir algo, falar m*l dele e se entupir de porcarias. – digo. – Eu te amo. – Funga. – Claro que ama. – sorrio. Eu estava prestes a dizer algo, mas a porta de casa foi chutada com tanta força que bateu com tudo. Jason estava do outro lado e parecia furioso. – Você ficou louco, p***a? – grito. – O que está acontecendo? – Lara pergunta assustada. – É Jason. Ele parece louco. – respondi rapidamente. – Eu vou m***r você, sua p**a. – Jason vem pra cima de mim ensandecido. Percebo que ele está fora de si e me afasto de suas mãos, mas ele continua me seguindo. Tirei o celular da orelha e comecei a correr, colocando qualquer móvel da casa na minha frente como forma de me proteger dele. – O que você está fazendo? Vá embora daqui! – grito. – Eu vou destruir tudo que ela ama! – grita. Deus, ele não está pensando. – Vá embora! – jogo coisas nele. Um vaso acerta um lado da cabeça dele, mas ele parece tão fara de si que nem parece perceber que foi atingido e continua vindo para mim. – A culpa é sua. E por isso, eu vou m***r você e depois destruir tudo que ela ama. – agarra meu casaco. Eu tinha um vaso na mão e quando ele me segurou, acertei seu rosto com o vaso que se estilhaçou, cortando minha mão e o rosto dele. O sangue escorria profusamente, mas ele nem se importava. Jason acertou um soco forte no meu rosto e eu vi estrelas imediatamente. A dor era tremenda e eu estava assustada com aquilo. Eu sabia algo sobre autodefesa, mas consistia mais em chute o saco de alguém e fuja, mas isso não estava acontecendo aqui porque eu não conseguia pensar em nada. Depois de mais um soco, Jason me jogou no chão com força e a minha cabeça acertou um lado de uma mesinha onde colocávamos a correspondência. Ele me chutava e murmurava sem parar que destruiria tudo que ela amava, suponho que ele falava da minha irmã. Os pontos pretos dançavam na minha visão e estava ficando difícil de respirar, eu não conseguia falar e as forças pareciam ter me deixado. Eu estava jogada no chão totalmente indefesa e parecia que eu não tinha como escapar dali, fechei meus olhos esperando que aquele gesto levasse a dor embora, pareceu se passar um século, mas os chutes pararam, mas eu percebi algo imediatamente quando abri os olhos. Jason descia do andar de cima com um galão de gasolina, ainda murmurava como um maldito lunático e derramava combustível por todo lugar. Então eu percebi o que ele ia fazer. O desgraçado ia queimar a casa comigo dentro. Oh não, eu ainda não morri, p***a. Apenas com a pura força de vontade e com o pensamento de não morrer ali, levantei devagar e sem fazer barulho, os dentes cerrados de dor e agarrei um abridor de cartas que tinha na mesinha, agradecida por ele estar lá e mais ainda por ter caído em lugar onde ele não poderia me ver da cozinha onde ele estava agora. Me arrastei até um lugar encoberto pela porta e esperei a minha oportunidade. O miserável estava tão fora de si que nem percebeu quando parou bem ao meu lado, isqueiro na mão, murmurando sem parar, os olhos selvagens, parecia totalmente louco mesmo, insano. Não pensei no que eu estava fazendo. Agarrei o abridor de cartas com força e o apunhalei no pescoço. O abridor entrou até o cabo, perfurando a carne do pescoço dele como se fosse manteiga. A surpresa em seus olhos foi evidente, mas eu havia demorado demais a agir. O isqueiro já estava aceso e ele o derrubou no chão muito antes de cair em um poça de sangue. O fogo subiu imediatamente e selvagem. Eu estava suja de combustível e corri para fora, mas já era tarde demais. Eu estava em chamas e não de um jeito bom. Eu me joguei por uma janela e caí na grama, me debatendo desesperada, gritando com desespero e abandono, eu sentia mil mortes naquelas chamas que me consumiam, minha pele se esticava e se partia, borbulhava e contraia. Eu não conseguia mexer meus membros e quando eu pensei que eu fosse morrer, senti um breve alívio quando uma lufada de ar e espuma esfriou a minha pele ardente por alguns momentos. – Eu já chamei uma ambulância! – o vizinho aparece ao meu lado fazendo uma rápida inspeção no meu corpo, aposto que não é nada bom. Como se fosse enviado por deus, os irrigadores automáticos na grama começam a funcionar e derramam água no meu corpo fervente, é um alívio e uma agonia ao mesmo tempo. A água é refrescante, mas arde tanto. Gemo de dor e conto por alto e de maneira sofrida o que aconteceu. O vizinho me observa preocupado. – Qual o seu nome? – pergunto grogue, sentindo o rosto rígido e estranho. – Trevor. Meu nome é Trevor. Não fale mais, por favor, guarde suas forças. – aconselha. – Bonito. – sussurro sentindo uma letargia estranha tomar conta de mim, como se eu não sentisse mais nenhuma dor, nem tivesse corpo. As manchas pretas dançam na minha visão e eu vejo impossível resistir àquela sensação estranha, mas tão reconfortante naquele momento de dor. Os sons vão diminuindo e eu não sinto mais nada, nem sei mais se respiro, eu danço com o esquecimento e por fim, o abraço em um abraço que parece não ter fim.
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