Nunca pensei que conversar com um vampiro de mil anos minutos antes de máta-lo não me deixaria feliz.
Pandora McCracken não está feliz após m***r.
Isso não é normal.
Não para mim.
A verdade é que desde que sai daquela casa após colocar fogo em tudo, eu não consegui mais parar de repassar mentalmente tudo o que aquele vampiro b****a me disse, pensei que conseguiria esquecer ao entrar no avião com destino a Filadélfia, mas agora estou em meu carro com James em plena as sete da manhã a caminho de Mount Holly e enquanto ele dorme tranquilamente, eu só consigo pensar que de certa forma fracassei.
Sim, eu fracassei.
Fracassei quando deixei a raiva me consumir e matei aquele vampiro i****a incapaz de notar que desde o princípio era aquilo que ele queria, ele queria me ver e queria ser visto, queria que eu soubesse da sua existência desprezível e que tirasse sua vida, então a usou como maneira de chegar até mim e mesmo que eu ainda não entenda o porquê disso, eu posso entender que sobre algo ele estava certo.
" A garota é uma fraqueza. "
Sim, ela é.
Eu sei disso desde o momento em que a vi pessoalmente pela primeira vez após voltar para Mount Holly, eu ainda me lembro perfeitamente de como ela estava vestida, de como sorria sentada em uma pedra escutando música e seus olhos verdes curiosos voltados para a floresta despertaram em mim sensações que pensei não ser capaz de sentir, me aproximar dela mais e mais me faz ir por um caminho que eu não conheço e eu odeio não ter o controle das coisas, eu sou perfeccionista em tudo o que faço, mas quando se trata dela os detalhes parecem embaralhar minha mente me fazendo simplesmente a querer e somente isso.
Não tem pontos, vírgulas ou exclamações.
Eu simplesmente quero estar com ela e nada mais.
E como se ela não fosse problema suficiente para mim, eu ainda ganhei mais quatro problemas para proteger, sim eu tenho pensando constantemente no quarteto e na importância que cada um tem, eu não sei bem como me sinto em relação a todos, mas eu gosto de estar na presença deles, gosto de como são comuns e bobos, isso me faz sentir algo estranhamente bom. Por isso andei me preparando para momentos extremos e sinto que eles estão chegando, a prova disso foi um dos vampiros da tríade irem atrás de Calvin, por sorte ele estava com o livro, também não posso me esquecer do quão espero ele é, mas se as coisas ficarem complicadas só isso não será o bastante, então tenho que cuidar de todos, Mikhaela recentemente disse que todos são um problema meu e que eu tenho que cuidar da sobrevivência daqueles que me fazem sentir viva.
Sim, viva.
Segundo Mikhaela eu pareço menos morta e desalmada na presença deles.
Respiro fundo vendo James se remexer e olho para ele rapidamente o vendo fazer uma careta, suas bochechas estão ainda mais coradas e seu cabelo está totalmente despenteado.
- Que horas são ? - pergunta com um olho aberto e outro fechado apoiando a cabeça na mão.
- Sete e alguma coisa. - respondo e ele boceja me olhando.
- Você não dormiu em momento nenhum, não quer descansar um pouco e eu dirijo ? - pergunta preocupado e eu sorrio de canto.
- Não é necessário, eu estou bem e gosto de dirigir. - respondo e ele suspira. - Além do mais, você só poderia dirigir meu carro se eu tivesse com as mãos decepadas ou ossos dos braços quebrados, apesar que eu ainda tentaria dirigir assim mesmo. - digo divertida e ele rir.
- Claro que tentaria e eu não iria me surpreender se você conseguisse dirigir nessas condições. - diz no mesmo tom e eu sorrio assentindo.
- Eu comprei algumas coisas pra gente comer enquanto não chegamos, estão no banco de trás. - digo e ele solta o cinto de segurança e em seguida se estica para pegar as sacolas.
- Não vou nem perguntar em que momento você parou pra comprar isso, vou me contentar apenas em perguntar quanto tempo falta para chegarmos em Mount Holly. - diz pegando uma rosquinha de chocolate, ele morde um pedaço e em seguida estende para mim levando a minha boca para que eu coma também.
- Faltam vinte minutos para comermos algo decente na minha casa, minha mãe está preparando um café reforçado com uma certa ajuda. - digo e em seguida mordo um pedaço da rosquinha.
- Então vou finalmente ir a sua casa e conhecer a sua mãe ? - pergunta em tom de diversão e eu assinto o vendo sorrir. - m***a, eu não tô apresentável. - diz e eu faço uma careta.
- Eu posso passar um pouco de cuspe no seu cabelo e depois colocá-lo para trás. - digo divertida e ele faz uma careta negando rapidamente.
- Nojenta. - diz rindo e eu o sorrio.
Eu vi isso em um filme.
Foi bem estranho e nojento.
Observo James comer outra rosquinha se preocupando em dividir comigo, ele morde um pedaço e em seguida leva até a minha boca para que eu também coma, esse jeito dele é interessante e eu gosto disso, gosto de ter um melhor amigo. Sem dizer nada me estico para até o porta luvas e em seguida o abro e pego a caixinha que guardei ali uns dois dias depois daquela noite no boliche onde James e eu meio que selamos nossa amizade.
- Eu quero te dar isso. - digo entregando a caixinha para ele que sorrir arqueando uma sobrancelha.
- Está me pedindo em casamento ? - questiona divertido e eu reviro os olhos.
- Não, estou apenas te dando um presente para que você se lembre sempre que tem uma melhor amiga e que pode me chamar a qualquer momento e eu estarei lá por você. - respondo séria e ele sorrir abrindo a caixinha e ao ver o anel n**a com a cabeça sorrindo ainda mais.
- Por favor me diz que você não pagou uma fortuna nisso pra mim. - diz e eu dou de ombros.
- Não foi uma fortuna, mas eu poderia te comprar umas vinte casas com o dinheiro que paguei para conseguir essa belezinha. - digo apontando para o anel e ele n**a com a cabeça.
- Não posso aceitar. - diz e eu reviro os olhos.
- Se não aceitar eu vou fazer você engolir esse anel, então é melhor você parar de frescura e ficar com a p***a do anel. - digo divertida e ele ri.
- Você é tão carinhosa e compreensiva que as vezes me assusta ter uma pessoa tão amorosa como melhor amiga. - diz sarcástico e eu sorrio.
- Sou muito mais do que você possa imaginar. - digo divertida e ele sorrir.
- Obrigada, um anel de campeão da NBA, eu achei que ganharia o meu primeiro quando jogasse pelo Brooklyn Nets e fôssemos campeões, mas olha só você aqui me surpreendendo. - diz e eu o olho de canto analisando o anel de ouro com detalhes feitos com diamante n***o.
- Pra mim você já é um campeão, então nada mais justo do que adiantar o seu prêmio. - digo dando de ombros.
- Para esse carro, porque eu vou te abraçar e te encher de beijos, também vou saciar a minha vontade de apertar suas bochechas. - diz rindo e eu faço uma careta.
- Não fode, um passo em falso e eu te faço atravessar o parabrisas, Alexander. - digo divertida e ele ri ainda mais enquanto eu o olho de canto.
Quem diria que eu teria um melhor amigo, ainda mais um cara tão legal e inocente como o James, não que isso seja um problema, mas isso o torna vulnerável e um alvo fácil, muitos vão tentar usá-lo para chegar até mim, eu estou totalmente ciente disso, essa viagem até Chicago me fez entender que não sou tão imune a sentimentos quanto eu pensava, há uma parte r**m dentro de mim que me domina, mas também há uma parte que me torna um pouco humana em alguns momentos, que me torna apta a sentir coisas que geralmente são comum para a maioria, mas para mim é algo novo e estranho, até mesmo a criatura mais c***l pode sentir algo que não seja prazer por m***r e causar dor, agora eu sei disso, então terei que aprender a lidar com essas coisas, terei que ter mais cuidado e seguir a risca a primeira regra de Mikhaela.
Nunca deixe de terminar o que começou, pois assuntos inacabados costumam te fazer levar o m*l para casa.
Isso nunca fez tanto sentido para mim como está fazendo agora.
Terei que ser mil vezes ainda mais c***l e imparável para que nenhum deles se machuquem, não será um sacrifício afinal já é da minha natureza, até me arrisco a dizer que nasci para ser uma máquina de m***r. Eu sou poderosa, eu sei disso desde os meus cinco anos, também sei que já fiz muitas coisas ruins e cruéis, mas não me arrependo de nenhuma delas, na verdade eu faria tudo outra vez se tivesse a oportunidade, alguns eu até faria algo pior.
Pois eu sou o que sou não importa o que eu sinta.
Não importa se há um pouco de humanidade em mim, no fim eu sempre serei um demônio a ser temido.
____________________________________________
Estaciono o carro na frente de casa vendo o carro de Petra ali, James me olha curioso e eu apenas saio do carro o vendo fazer o mesmo em seguida.
- Porque a Petra tá aqui ? - pergunta curioso enquanto seguimos em direção a porta.
- Calvin e Luna também estão. - respondo me aproximando da porta.
- Agora fiquei surpreso. - diz divertido e eu sorrio abrindo a porta devagar, não vejo ninguém de imediato enquanto entro seguida por James.
Olho em volta vendo a sala vazia e seguida da sala de jantar também vazia, fecho a porta e então puxo James até a cozinha e basta nos aproximar de lá para ouvir a voz da minha mãe seguida de risadas.
- Vejo que a coisa aqui tá animada. - digo chamando a atenção de todos estranhando o fato de Luna não estar presente.
- Finalmente chegaram, eu estava ansiosa para conhecer um dos últimos membros da gangue de vocês. - diz Mikhaela e eu faço uma careta enquanto ela se aproxima de James. - Você deve ser o menino de ouro, eu estava ansiosa para te conhecer, sou Mikhaela McCracken, mãe dessa praga assassina. - diz em tom de diversão e eu arqueio uma sobrancelha a olhando de canto a vendo sorrir.
- Eu sou James White, melhor amigo da praga assassina. - diz no mesmo tom e eu piso em seu pé e sorrio ao vê-lo fazer uma careta de dor.
- Pandora, que modos são esses querida ? - questiona Mikhaela com uma expressão de diversão e eu reviro os olhos voltando minha atenção para Calvin e Petra que nos observavam em silêncio.
- Espero que a minha adorável mãe não tenha feito as orelhas de vocês sangrarem com esse jeito tagarela dela. - digo e agora Mikhaela revira os olhos enquanto James vai cumprimentar Calvin e Petra.
- Sua mãe é demais, eu a pediria em casamento se eu não chupasse até o caroço da mesma fruta que ela gosta. - diz Calvin em tom de diversão e eu faço uma careta.
- Eu te mataria antes mesmo de ter a oportunidade de fazer o pedido de casamento. - digo séria e Petra e James riem enquanto o loiro fica chocado com minha resposta pois provavelmente notou a sinceridade em minhas palavras.
- Ela é muito ciumenta, não gosta de dividir, acho que vou ter que pagar uma terapia para ela. - diz Mikhaela se aproximando de Calvin passando a mão em seus cabelos enquanto ele ainda me olha e eu retribuo o olhar de maneira assassina só para assusta-lo.
- Seria uma perda de dinheiro, pois depois você teria que pagar uma terapia para o terapeuta dela, porque ela iria enlouquece-lo. - diz James em tom de diversão fazendo todos rirem enquanto eu apenas observo cada um deles me perguntando onde está Luna.
Eu sinto seu cheiro e sua presença, posso até sentir seu coração se focar minha audição em tudo a minha volta, mas estou tão cansada que vou apenas fazer o óbvio.
- Onde está Luna ? - pergunto e vejo Mikhaela sorrir de maneira presunçosa.
- Dê uma olhadinha lá encima, aposto que vai encontrá-la lá. - responde me olhando de maneira sugestiva e eu respiro fundo entendendo tudo.
Sem dizer uma palavra apenas me viro e sigo para o andar de cima rapidamente vendo a garota na sacada olhando para a floresta, por um momento pensei que Mikhaela teria a levado até meu quarto e que ela estaria lá xeretando tudo como a boa curiosa que é, mas não, ali está ela totalmente distraída olhando a floresta da mesma maneira como na primeira vez que a vi. Caminho lentamente até ela tomando cuidado para não chamar sua atenção, mas quando abro a porta de vidro ela se vira rapidamente e ao me ver sorrir, antes que eu possa dizer algo ela praticamente se joga em meus braços me apertando como se a qualquer momento eu fosse fugir e isso me faz sorrir enquanto rodeio sua cintura com meus braços retribuindo o abraço.
- Achei que iria embora sem te ver. - sussurra encostando a cabeça em meu ombro e em seguida suspira.
- Então eu teria que ir até sua casa te ver, afinal não posso te privar de ter uma prévia do mar de Tenerife lembra ? - sussurro divertida e ouço ela rir.
- Seria muita crueldade da sua parte. - diz no mesmo tom e eu sorrio.
- Ei, ser c***l é o meu charme lobinha. - brinco e ela ri novamente.
- Seu charme não tem nada haver com crueldade. - diz e eu arqueio uma sobrancelha.
- Então me acha charmosa ? - pergunto divertida.
- Quem não acharia ? - questiona no mesmo tom me fazendo rir enquanto ela se afasta mínimamente apenas me permitindo ver seus olhos verdes brilhantes.
- É uma boa pergunta. - respondo de maneira convencida e ela revira os olhos enquanto eu analiso cada centímetro do seu rosto notando o quanto ela parece cansada. - Não dormiu um pouco ? - pergunto e ela n**a.
- Sua mãe até nos disse para descansar, mas aparentemente ninguém estava com cabeça para dormir. - responde sorrindo e eu toco seu rosto fazendo um carinho em sua bochecha com meu polegar a vendo fechar os olhos por um momento.
- Aposto que ela te ofereceu meu quarto. - digo divertida e ela abre os olhos rapidamente e sua expressão entrega que realmente isso aconteceu. - Ela fez isso né ? - questiono e ela morde o lábio inferior fazendo uma careta e em seguida dá um passo para trás.
- Na verdade não. - responde e eu fico confusa por um momento, mas então algo se passa pela minha mente e sua expressão culpada ao notar a minha expressão acusativa confirma isso.
A curiosa entrou no meu quarto.
Essa lobinha atrevida merecia um castigo.
Merecia, mas não vai ter, afinal isso está me cheirando a falcatrua da bruxa velha.
- Me desculpa, eu estava procurando o banheiro e acabei abrindo a porta do seu quarto e a curiosidade falou mais alto, ainda mais ao ver aquelas pinturas maravilhosas. - diz e eu cruzo os braços a encarando séria. - Não fica brava comigo, por favor. - pede e eu permaneço da mesma maneira apenas a encarando vendo sua expressão aflita.
- Você se arrepende de ter entrado no meu quarto sem minha permissão ? - questiono e ela n**a.
- Sem a sua permissão sim, mas não me arrependo de ter entrado. - responde sincera e eu dou um passo a frente vendo ela dar um passo para trás com uma expressão atrevida que eu aprecio muito.
- Você é muito atrevida lobinha, não merece ser desculpada, ainda mais depois de admitir não se arrepender de entrar no meu quarto na minha ausência. - digo dando mais um passo a frente e ela dá outro para trás esbarrando no parapeito e eu sorrio adorando o fato dela está sem saída.
- Então não me desculpe. - diz cruzando os braços me olhando de maneira desafiadora. - Eu não ligo e se quer saber eu vi seus quadros, toquei seu piano mesmo sem entender nada do que tava fazendo e não posso me esquecer da bela pintura que você fez de mim, inclusive eu adorei a maneira como destacou meus olhos. - completa e eu dou mais um passo a frente ficando cara a cara com ela a vendo engolir em seco.
- Eu devia te jogar daqui de cima por isso. - brinco voltando a tocar seu rosto e ela sorrir.
- Mais não vai, porque você gosta de mim o suficiente para me perdoar por invadir seu espaço pessoal. - diz divertida e eu olho em seus olhos.
- Toda ação tem uma reação, qualquer ato por mais bem intencionado que seja gera uma consequência. - digo vendo seu olhar descer para minha boca.
- Isso me parece familiar. - diz ainda focada em meus lábios.
- O que exatamente ? - pergunto focando a minha atenção em seus lábios a vendo engolir seco.
- Eu te vejo em meus sonhos. - responde buscando meu olhar e eu retribuo.
- E você acha isso bom ? - pergunto e ela assente.
- Eu gosto que você esteja lá, mas gosto mais ainda de estarmos aqui agora. - responde e eu sorrio colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha sentindo sua respiração pesada.
- Eu também gosto e que bom que não foi embora, porque eu odiaria chegar aqui e não te ver. - digo aproximando meu rosto do seu incapaz de conter a vontade de beija-la nesse momento.
Eu preciso fazer isso.
Preciso sentir os seus lábios.
Ela não recua e isso aumenta ainda mais minha vontade de beija-la, estou sentindo que isso é quase uma necessidade, que preciso disso mais do que qualquer outra coisa.
- Luna ? - a voz de Petra faz Luna se afastar rapidamente e eu mordo o lábio inferior com força respirando fundo para conter a vontade de m***r a garota provavelmente se aproximando de nós.
- Estou aqui. - diz Luna e eu não a olho, mas sinto que ela está me olhando nesse momento.
- Atrapalhei algo ? - pergunta Petra e eu me viro a encarando.
- Não, só estávamos conversando sobre acreditar ou não em fadas. - respondo sarcástica e a garota revira os olhos.
- Mais bruta que uma mula irritada. - diz Petra e eu arqueio uma sobrancelha a encarando de maneira ameaçadora e ela revira os olhos outra vez e então olha para Luna. - Temos que ir, Kai me mandou uma mensagem. - diz séria trocando olhares com Luna que me olha alguns segundos depois.
- Eu tenho que ir. - diz e eu assinto.
- Tudo bem, conversamos sobre fadas depois. - digo divertida e ela sorrir com uma expressão indecisa, provavelmente sobre ir ou não.
- Eu te ligo mais tarde. - diz se aproximando e eu assinto sorrindo de maneira contida. - Até mais tarde. - completa beijando minha bochecha antes de ir com Petra.
Suspiro me perguntando se isso foi uma chance e um aviso para não ir com sede demais ao pote, eu iria beija-la, eu queria muito isso, mas talvez tenha sido melhor assim, eu ainda tenho coisas para resolver com Calvin e um vampiro da tríade para caçar antes de poder encostar a cabeça no travesseiro, tenho que focar nisso agora, somente nisso.
_________________ Continua ________________