Motivos.
Quais são os seus motivos para seguir em frente ?
O que te torna mais forte em meio as coisas ruins ?
Coragem ?
Sofrimento ?
Empatia ?
Pandora fazia essa pergunta a si mesma enquanto girava o copo cheio de whisky encima do balcão pensando se ela deveria mesmo estar sentada em um banco de um barzinho de beira estrada sujo e fedorento cheio de homens barbudos, carecas, tatuados da cabeça aos pés e prostitutas. Das mulheres presentes naquele local, somente ela não vendia seu corpo por dinheiro, não que ela achasse que esta não é uma profissão como qualquer outra ou tivesse algum problema com isso, mas para ela aquilo não era um estilo de vida digno, aquelas mulheres deveriam querer mais que isso, elas mereciam mais, toda mulher merece.
- Quer um pouco de gelo ? - pergunta o barman e a garota n**a.
- Não, eu gosto da sensação de queimação que esse líquido causa em minha garganta. - responde olhando para o líquido dentro do copo sem parar de gira-lo.
- Posso ver sua carteira de identidade de novo ? - pergunta sério e a garota sorrir e em seguida desvia sua atenção do copo para o homem.
- Não, você não pode. - diz olhando no fundo dos olhos do homem que fica paralisado olhando em seus olhos. - Você não pode olhar a minha identidade e não vai mais perguntar sobre ela. - completa e em seguida desvia seu olhar e pelo canto do olho pode ver o homem piscar seus olhos várias vezes.
- Vai querer outra bebida senhorita ? - pergunta o barman agora sorrindo incapaz de notar o que havia acontecido ou de entender suas próprias ações.
- Acho que vou aceitar. - responde a garota levando o copo aos lábios e em seguida vira o copo tomando todo o líquido de uma vez.
O barman sorrir pegando a garrafa de whisky e em seguida enche o copo da garota que sorrir e embora o barman de aparentemente vinte e poucos anos pensasse que ela estaria retribuindo o seu gesto, na verdade a garota estava sorrindo por sentir a presença do grupo que ela esperava. A loira volta a girar o copo sorrindo internamente enquanto uma expressão de diversão se formava em seu rosto e seus olhos azuis pareciam vibrar diante da imagens cruéis que ela criava em sua mente envolvendo aquele grupo e então quando o sino tocou indicando que havia entrado alguém ali ela fechou os olhos por alguns segundos fazendo uma contagem mental do número de pessoas no grupo e em seguida os abriu sabendo exatamente que um deles, provavelmente o líder se sentaria ao seu lado.
- Está perdida garotinha ? - a voz grossa do homem não a fez parar de girar o copo e nem ao menos olhar para o lado enquanto o homem se sentava no banco.
- Está perdido homenzinho ? - a loira devolve a pergunta deixando o homem alto de olhos castanhos, cabelos um pouco grande e barba recém feita surpreso.
- Eu perguntei primeiro. - diz o homem sorrindo enquanto ela toma um gole de sua bebida.
- E eu estava aqui primeiro, então. - diz Pandora deixando uma brecha em sua resposta para que ele entenda como quiser.
- Se estiver perdida ou precisando de carona, meus amigos e eu podemos te levar para casa. - diz o homem e a garota sorrir de canto sem mostrar os dentes.
- Eu aposto que podem mesmo, mas eu acho que o cemitério não será minha casa tão cedo, afinal eu tenho muito amor a vida. - diz finalmente olhando para o homem. - Sabe, não sei a sua mãe, mas a minha sempre diz que não devemos confiar em estranhos. - completa com um falso tom inocente e o homem sorrir largo.
- Eu acho que você vai gostar muito de ir com a gente. - diz olhando nos olhos da garota que sorrir ao notar que o homem tentava usar a habilidade de hipnose com ela.
- Eu vou gostar muito de ir com vocês. - diz a loira com um tom mecânico.
- Ótimo, vamos logo princesa. - diz se levantando e em seguida se aproxima e coloca sua mão na coxa da garota. - Estou ansioso para provar o seu sabor. - sussurra no ouvido da garota que sorrir enquanto sua mão direita de maneira discreta alcança o canivete escondido na lateral de sua perna entre os rasgões da calça jeans e então o olha.
- Me tira uma dúvida. - diz com um tom de voz arrastado e o homem assente. - Vampiros podem mesmo regenerar somente membros pequenos como ouvi por aí ? - pergunta e a expressão sorridente do homem muda rapidamente para uma de confusão, mas antes que ele possa raciocinar direito a garota crava o canivete na mão do homem que repousava em sua coxa e ele grita de dor sentindo sua pele queimar enquanto ela sorrir sem sentir nenhum pouco de dor com o objeto cravado também em sua coxa.
Em seguida pega o copo ainda com whisky toma um gole e em seguida o joga em um dos amigos do homem que tenta ajudá-lo, e então ela puxa o canivete e em seguida o crava dentro do ouvido de outro vampiro que se aproxima e volta sua atenção para o outro que olhava o buraco em sua mão assustado por ele não está se curando. As pessoas em volta parecem não ligar para o que está acontecendo em volta deles e isso faz o grupo de vampiros acreditar que a garota é alguma vampira da elite, possivelmente um m****o da tríade de sangue e com esse pensamento eles tentam fugir do bar, mas uma barreira invisível os impedem de sair.
- Que diabos está acontecendo ? - questiona uma vampira de cabelo azul socando o escudo invisível.
- Uma pegadinha de internet, estou filmando todos, então sorriam. - responde Pandora de maneira sarcástica e em seguida retira o canivete do ouvido do vampiro que se debatia no chão.
- O que tem nesse canivete ? - pergunta o vampiro com a mão furada se afastando da loira.
- Apenas um ingrediente especial. - responde Pandora sorrindo e em seguida parte para cima do vampiro que desvia do seu golpe e joga a loira para trás acertando a adega de parede derrubando e quebrando várias garrafas de bebidas.
O vampiro achou que isso seria o suficiente para que eles pudessem fugir, mas em segundos a loira estava surgindo em sua frente agarrando sua mão e em seguida arrancando todos os dedo do vampiro para logo depois quebrar seu pescoço, com isso ela partiu para cima dos quatros membros restantes matando um por um de maneira brutal e c***l estraçalhando seus corpos da mesma maneira que eles fizeram com suas vítimas. No fim ela se sentou de volta em seu lugar esperando que o vampiro de pescoço quebrado retornasse a vida enquanto pedia outra bebida.
- Acho que esse lugar tá precisando de uma faxina. - brinca para o barman que sorrir assentindo.
- Tem razão, acho que iremos fechar mais cedo essa noite para cuidar da bagunça. - diz tranquilo olhando em volta ignorando totalmente os corpos mutilados.
- Vou fazer uma contribuição generosa para que você deixe esse lugar mais elegante. - brinca a loira e o barman sorrir.
- Obrigada. - agradece confuso servindo a garota que em seguida joga um pouco da bebida no rosto do vampiro apagado e em seguida pega um esqueiro no bolso de sua jaqueta e ao acende o jogando contra o rosto do vampiro em seguida.
- Acordou a bela adormecida. - diz Pandora olhando o vampiro por cima do ombro vendo o mesmo se debater tentando apagar o fogo. - Se tentar qualquer coisa esse canivete vai atravessar seu coração também, seus amigos tirando um cochilo podem te provar isso. - completa tomando um gole do whisky enquanto o vampiro olha em volta vendo seus companheiros mortos.
- Maldita, eu vou acabar com você. - diz e a loira revira os olhos batendo no banco ao seu lado.
- Senta aqui, vamos conversar civilizadamente, mas antes me devolve meu esqueiro. - diz olhando o vampiro por cima do ombro que corre até a porta e tenta sair, mas não consegue. - Faz o que tô pedindo ou vou arrancar todos os seus membros, quero ver se você consegue regenerar partes grandes do seu corpo. - continua e o vampiro faz o que ela pediu. - Serve o meu amigo aqui barman. - pede a loira enquanto o vampiro a encara pensando em uma maneira de escapar se abaixando para pegar o esqueiro para a garota. - Não tem rota de fuga pra você a menos que eu queira te deixar ir, então nem perca seu tempo pensando em uma maneira de fugir. - completa entediada enquanto o vampiro lhe entrega o esqueiro.
- Porque não me matou logo v***a ? - pergunta e ela o encara guardando o esqueiro.
- Olha o linguajar mocinho, ou serei obrigada a te castigar. - responde com uma expressão assassina.
- Vai se f***r sua pu... - antes que ele possa terminar a loira agarra seu pescoço com uma mão e em seguida olha nos olhos do vampiro.
- Abre a boca e mostra suas presas pra mamãe. - ordena e ele o faz e então com o canivete ela arranca as presas do vampiro que se debate gritando de dor após ela cortar o contato visual e voltar ao seu lugar.
- Minhas presas. - choraminga o vampiro enquanto a garota sorrir.
- Relaxa, são só dentinhos de leite, logo cresce outros no lugar. - debocha colocando as presas do vampiro encima do balcão.
- Eu vou te m***r. - diz cuspindo sangue no chão.
- Você não deve contar com a sorte, então não diga que vai fazer algo que você não é capaz de cumprir. - diz a loira com um sorriso perverso. - Agora me diz porque vocês estavam a caminho de Mount Holly. - pede e o vampiro fica em silêncio. - Quer que eu arranque seu coração ? - pergunta e o vampiro n**a rapidamente.
- A gente ia em busca da garota. - responde e a loira arqueia uma sobrancelha pensando se eles poderiam ter a seguido de Chicago até a pequena cidade sede do Condado de Burlington em New Jersey onde ela nasceu ou se essa garota mencionada seria Luna.
- Que garota ? - pergunta irritada com as duas possibilidades.
- A garota amaldiçoada. - responde e a loira agarra a gola da camisa dele o deixando apavorado enquanto olha em seus olhos.
- De qual maldição está falando ? - questiona e o vampiro paralisa por um momento perdido na imensidão azul vibrante que a garota chama de olhos enquanto ela vasculhava tudo em sua mente em busca de respostas e quando as conseguiu enfiou sua mão no peito do homem sentindo seus ossos quebrarem enquanto sem piedade alguma ela agarrava seu coração.
Ela aperta o coração do vampiro ameaçando esmaga-lo ainda dentro do peito enquanto sua mão livre alcança o canivete encima do balcão.
- Vamos brincar de roda roda gavião ? - pergunta Pandora sorrindo de canto enquanto gira o coração do vampiro de um lado para o outro tomando cuidado para não arranca-lo antes do tempo.
- Me solta. - diz o vampiro socando o rosto da garota que nem sequer se movia ou resmungava parecendo não sentir os golpes dados pelo vampiro o deixando ainda mais desesperado.
E sem aviso prévio ela crava o canivete no pescoço do dele e em seguida o tira lentamente adorando ouvir os gritos do vampiro, ela começa uma brincadeira de cravar e tira sem parar o canivete do pescoço do homem rindo enquanto faz isso ao ver a cara de desespero dele enquanto seus gritos ecoam pelo ambiente.
- Quem é você ? - pergunta tentando segurar a mão da garota e ela revira os olhos.
- Eu sou alguém que você não deveria ter conhecido. - responde e em seguida arranca o coração do vampiro.
Ela observa o coração em sua mão e sorrir limpando o sangue do canivete na roupa do vampiro morto e em seguida o guarda, ela olha em volta e respira fundo fechando os olhos se sentindo animada, quando os abre ela olha para o barman que limpava o balcão com uma expressão confusa em seu rosto.
- Algum problema ? - pergunta a loira chamando a atenção dele enquanto alcança seu copo de whisky com sua mão livre.
- Eu pensei que tivesse limpado o balcão, mas olha só, está tudo sujo. - responde e a loira suspira.
- Olha pra mim. - pede e o barman o faz. - Você vai juntar suas coisas e sair daqui, vai pegar o dinheiro que eu vou colocar encima do balcão e nunca mais vai abrir um bar em qualquer outro lugar. - diz e ele assente perdido em seus olhos azuis. - Faça as malas e vá para bem longe. - completa e então desvia seu olhar do dele permitindo que o homem volte um pouco a sí.
- Eu vou embora, eu tenho que ir pra bem longe daqui. - diz o homem sorrindo enquanto a loira coloca um maço de dinheiro encima do balcão para que ele o pegue como ela disse.
Ele pega o dinheiro e em seguida se retira em direção aos fundos, não demora muito para que ele volte com uma mochila nas costas e um capacete na mão, o homem para por um instante e olha para a loira que acena com a cabeça levando o copo de whisky a boca tomando todo o líquido de uma vez enquanto o homem sorrir e logo depois segue para fora. Com isso a loira joga o copo no chão e em seguida larga o coração do vampiro pisando nele com vontade e então olha para as pessoas restantes no local.
- Todos vocês peguem suas coisas e vão embora. - diz e então todos começam a pegar suas coisas e saírem correndo para fora enquanto ela sentia uma sensação desconfortável se formar em seu peito ao se lembrar do que viu na mente do vampiro.
Eles estavam indo até Mount Holly por Luna.
Eles a queriam.
Eles sabiam da maldição e queriam tirar a história a limpo.
Eles até sabiam do que somente ela e sua mãe deveriam saber e isso foi o suficiente para enfurecer a loira.
Com esse pensamento ela se perguntou como eles sabiam para onde ir e o que fazer, ela buscou respostas na mente do vampiro, mas em sua mente não havia nenhuma pista do que instigou o grupo de vampiros a seguirem por esse caminho e ter Luna como alvo. Ela olha seu medalhão pensando que poderia retirá-lo e descobrir fácilmente, mas com isso ela ficaria detectável para aqueles que a procuram desde o seu nascimento, então irritada ela se vê obrigada a voltar para trás e pegar o corpo do vampiro e o seu coração esmagado o enfiando dentro do buraco em seu peito de qualquer jeito e então segue para fora carregando o corpo enquanto dá seguimento a seu plano inicial de causar uma bela explosão no local e assim que ela joga o corpo no porta malas e o fecha, ela entra em seu carro e quando se afasta o suficiente faz questão de olhar o espetáculo causado pela explosão pelo retrovisor sorrindo satisfeita consigo mesma.
Motivos.
Motivos.
Motivos.
Quais são os seus motivos ?
Enquanto dirigia de volta para casa com o corpo de um vampiro morto em seu porta malas a garota se pergunta qual é o seu verdadeiro motivo para ter feito o que fez e para se manter perto da herdeira dos Blackwood quando seu dever era apenas a observar de longe e garantir que a maldição fosse ativa e mantê-la segura até seu décimo sétimo aniversário, e ela cumpriu seu dever, mas ao invés de ficar longe ela estava se aproximando mais e mais da garota. Pandora não contava com o fato de que acabaria gostando da companhia da garota mesmo que ela ainda não tenha notado isso, ela também não contava com o fato de que ela seria alguém tão agradável e fácil de lidar, ela não contava com o fato da garota ser um poço de curiosidade que iria longe para descobrir o que queria, e a loira sabia exatamente o que a garota queria no momento, ela estava investigando sobre a maldição jogada em sua família e sobre a morte de sua vó, a loira soube disso antes mesmo da garota chegar aquele cemitério e por isso ela estava lá, ela poderia lhe dar todas as respostas facilmente, mas ela não o faria, porque ela não poderia ousar se esquecer do seu verdadeiro propósito, ela não estava de volta a cidade que nasceu somente pela garota de olhos verdes e cabelos escuros com cachos adoráveis, ela tinha uma missão para cumprir e faria isso.
E para conseguir alcançar seus objetivos, ela não pode deixar haver espaço para a dúvida.
Não pode haver espaço para a confusão e sentimentos.
Ela veio para essa cidade com um propósito e ela iria cumpri-lo de qualquer maneira, custe o que custar.
_______________ Continua __________________