Após terminar meu banho sigo para fora do box parando em frente ao espelho pendurado acima da pia, observo meu bem meu reflexo e por um momento eu posso ver aquela garota me olhar de volta com seus olhos azuis brilhando de maneira acusativa, como se eu tivesse feito algo. Fecho os olhos e respiro fundo sabendo que se trata de uma alucinação ou talvez faça parte do que aquela bruxa falou, reviro os olhos e então abro a porta do banheiro e a primeira coisa que vejo é Mikhaela deitada em minha cama brincando com um dos vários travesseiros ali.
- Seus travesseiros estão com o cheiro dela, aposto que gosta disso. - diz me olhando e eu arqueio uma sobrancelha.
- Talvez eu goste mesmo. - digo seguindo para o closet sabendo que ela está aqui porque quer falar sobre algo, afinal ela só vem diretamente ao meu quarto quando precisa conversar sobre algo importante.
- Ela precisa iniciar o treinamento e acho que você pode ajudá-la. - diz e isso me deixa desconfiada.
- Qual é o problema de você treina-la da mesma maneira que me treinou ? - questiono enquanto me visto.
- Não tem problema nenhum e eu pretendo treina-la da mesma maneira que te treinei, porém acho que seria bem motivador se você também participasse. - responde e isso só me deixa ainda mais desconfiada.
- Posso dar apoio moral aos seus aprendizes com uma bela surra se é o que quer. - digo divertida terminando de me vestir e ela ri.
- Não foi isso que eu quis dizer. - diz e eu sorrio seguindo para fora do closet e então a olho.
- Então agora chegamos no ponto principal da sua vinda até aqui mamãe, por isso me diga logo o que pretende e o que está omitindo. - digo e ela sorrir suspirando derrotada em seguida.
Entro no banheiro para pegar a escova de cabelo, assim dando alguns segundos para ela pensar em como ser direta, pois ela sabe que eu odeio enrolação e então quando volto para o quarto já penteando o cabelo, sua atenção se volta totalmente para mim e seus olhos azuis expressivos chamam minha atenção.
- A sua ligação com Luna foi obra da mãe dela. - diz e eu junto as sobrancelhas em confusão. - Já havia uma ligação adormecida entre vocês segundo o que Alina disse e então eu deduzi que a mãe de Luna teve consciência dessa ligação após dar a luz e então logo em seguida lançou um feitiço para ampliar essa ligação a fazendo despertar antes do esperado. - completa e por alguma razão isso não me surpreende, mas me causa uma sensação estranha.
- Como ela poderia saber algo assim ? - pergunto confusa com uma enxurrada de suposições se formando em minha mente.
- Se ela for filha da bruxa que estou pensando, então ela era tão poderosa quanto eu. - responde e eu a encaro impaciente com essa enrolação e em resposta ela revira os olhos. - Lembra da nossa breve passagem pela Itália após o ocorrido em Chicago ? - pergunta e eu assinto.
- Sim, ficamos escondidas lá por uma semana após eu ter brincando demais naquele lugar. - respondo divertida largando a escova encima da cômoda.
- Lembra que eu mencionei um antigo clã de bruxas brancas chamado " pink lady's slippers " ? - questiona e ouvi-la mencionar o nome da orquídea me faz lembrar da bruxa que me deu o anel de Luna e também de Selene.
- Não, eu não me lembro, mas não é a primeira vez que essa orquídea aparece no meu caminho. - respondo e sinto seu olhar sobre mim. - O anel que dei a Luna tem o desenho dessa orquídea, ela está entre os dentes do lobo e quem me deu esse anel foi a bruxa mestra de Kimora. - digo tudo de uma vez sem me importar se foi informação demais, pois nesse momento o que eu havia pensado se confirmou.
Aquela bruxa sabe sobre Luna.
E após saber da existência de um clã com esse nome, eu tenho certeza de que ela faz parte dele e que a maldita enviou Kimora aqui para ficar de olho na minha lobinha.
Aquela desgraçada !
Eu quero esmagar o cérebro dela com as minhas mãos.
- Agora faz sentido. - diz Mikhaela e eu a olho sabendo que ela já ligou os fatos.
- Eu tenho visto coisas. - digo decidida a contar a ela sobre ver Kora, Selene e aquela garota que parece uma versão minha mais nova.
- Que tipo de coisas ? - pergunta e a falta de surpresa em seu tom de voz me faz entender que mesmo sem dizer nada, ela já sabia que havia algo errado comigo.
- Começou quando encontrei a segunda caixa, ao abri-la eu vi o demônio de Jersey e desde então fui atormentada com a sua face horrenda em meus sonhos e até mesmo quando estou acordada. - respondo e ela permanece em silêncio esperando que eu continue enquanto me olha com total atenção. - Pelo menos eu achava que era o demônio de Jersey, mas na verdade se trata de alguém ou uma criatura chamada Kora e que parece me odiar muito e então fica me infernizando, foi ela quem entalhou a minha marca em Luna como maneira de me punir. - completo e ela sorrir de canto.
- Ou a marca já estava ali e essa tal Kora apenas fez algo parecido com o que a mãe de Luna fez em relação a ligação. - sugere e eu sei que não posso descartar essa hipótese também, pensando bem acho que faz até mais sentido, afinal Kora precisou de Luna para chegar até mim outra vez e pode ser que marca já estivesse ali adormecida como a ligação e aquela desgraçada apenas deu um empurrãozinho.
- d***a, estou tão envolvida que não consegui pensar direito sobre tudo isso e levantar hipóteses mais possíveis do que só achar que estava sendo infernizada por uma vaca psicótica pior do que eu. - digo e Mikhaela ri negando com a cabeça.
- Você está apaixonada, faz sentido você não está raciocinando bem e é por isso que não quero você longe daqui por muito tempo. - diz ainda rindo, porém seu tom de voz é sério e preocupado.
- Está com medo de que eu refaça o m******e de Chicago aqui ? - questiono olhando em seus olhos e ela assente.
- Estar apaixonada pode ser algo bom, mas também pode se tornar algo r**m. - diz não respondendo meu questionamento. - Pode não parecer e você pode não ter noção do que está em seu coração, mas você é intensa Pandora, quando se trata de você tudo se torna oito ou oitenta, contigo não há meio termo, por isso eu tenho que ser chata agora e te dizer o que não queria, mas como sua mãe tenho que fazer o que for melhor para você. - completa e eu reviro os olhos.
- Você tem razão, comigo não há meio termo e eu sou mesmo radical, mas eu sei o meu papel nessa história mamãe e não pretendo ultrapassar certos limites. - digo séria para que ela entenda que eu tenho noção da situação. - Não posso apagar o que fiz em Chicago e mesmo que pudesse, eu não o faria, pois não me arrependo de ter acabado com aqueles clãs de vermes. - faço uma pausa sorrindo ao me lembrar dos rostos dos líderes dos clãs que eu aniquilei. - Enfim, a lobinha é importante para mim e eu faria qualquer coisa para a manter segura, porém não posso me meter na guerra dela com o pai, afinal o limite que eu citei não poder ultrapassar se trata do fato de que ela mesma deve acabar com ele e o fato dele ainda respirar nesse exato momento, só prova que eu estou sendo sincera quando digo que não irei me envolver. - completo e ela suspira se levantando.
- Você tem razão, você poderia ter matado ele a qualquer momento, mas não o fez. - diz sorrindo de canto me olhando de maneira acusativa. - Mais não foi somente por essa ser uma guerra que somente ela deve lutar com as armas que escolher, na verdade você quer ver se ela é capaz de mata-lo, quer saber até onde ela pode ir com essa sede de justiça que ela tem. - completa e eu sorrio.
- Você está certa, eu quero mesmo ver até onde ela pode ir e espero ansiosamente pelo momento em que ela estará pronta para enfrenta-lo. - digo animada só de pensar nesse embate. - Porém, eu devo dizer que omiti uma coisa, eu não vou me envolver nisso, mas isso não quer dizer que se eu achar necessário colocar lenha nessa fogueira, eu não vá colocar. - completo divertida e ela revira os olhos.
- Não dá pra falar sério com você. - reclama me fazendo rir enquanto a observo caminhar em direção a porta.
- Espera, ainda tenho algo para dizer. - digo e ela para próximo a porta e em seguida se vira e me olha cruzando os braços logo em seguida. - Selene Blackwood. - digo vendo seus olhos azuis expressarem confusão ao ouvir o nome dito por mim. - O que esse nome te lembra ? - pergunto vendo seus músculos tensionarem de uma maneira que ao mover os braços, os descruzandos eu posso ouvir um estalo de seus olhos.
- Kasper Blackwood, aquele maldito. - diz cerrando os punhos.
- Eu a vi. - digo e ela n**a com a cabeça. - E ela o mencionou. - completo e ela n**a ainda mais.
- Isso é impossível, ela tá morta há mais de mil anos. - diz séria parecendo estar mergulhando no ódio que sente pelo homem e eu suspiro ao ver seus olhos escurecendo aos poucos.
- Eu nunca disse que ela está viva, mas sim que a vi. - digo me aproximando dela, sabendo que nesse momento ela está imersa em seu lado obscuro. - Eu não sei bem como dizer isso, mas aparentemente eu estava lá a mais de mil anos atrás com Selene Blackwood e ela era alguém com quem eu me envolvia romanticamente, pelo menos foi isso que a mestra de Kimora confirmou sobre minha visão de mim com Selene. - completo e isso a faz voltar a sí e me olhar de maneira incrédula e eu sorrio.
Isso mesmo, seu cérebro vai ferver agora com essa informação, assim como o meu ainda ferve com toda essa loucura.
Só espero que ela encontre alguma hipótese sobre isso também.
Uma hipótese menos insana do que a que tenho pensado.
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Observo Luna pular de um galho para o outro após se balançar e sorrio me perguntando se estou diante de uma criança de sete anos ao invés da minha alfa e melhor amiga.
- Eu não fazia idéia de que ter os genes de lobo ativo poderia ser bem legal. - diz se jogando o corpo para a frente e depois para trás se balançando e em seguida ri.
- Você tá parecendo uma criança do jardim de infância toda animadinha com o brinquedinho novo. - digo e ela ri ainda mais.
- Eu estou bem animada mesmo. - diz me olhando e em seguida encerra a brincadeira. - Mais você não me parece muito bem, apesar de estar sorrindo. - completa e eu suspiro.
- Não se preocupe comigo, eu estou bem. - digo e ela me olha com desdém claramente não acreditando em nada do que eu disse. - Temos coisas maiores para nos preocupar agora, então isso fica pra depois. - completo e ela n**a rapidamente.
- Seus sentimentos são importantes. - diz séria e preocupada. - O que sente por James e como está triste por ele ter ido embora também é importante e você não deve dizer nunca mais que há coisas maiores que a maneira como se sente, não pra mim. - completa e eu respiro fundo.
- Eu não quero falar sobre isso agora. - digo e ela assente indicando entender. - Mais você está certa, não irei mais fazer isso e por isso eu te digo, não estou bem, mas também não irei morrer. - faço uma pausa e sorrio para tranquiliza-la. - Eu vou sobreviver abelhinha, porque ainda temos muitas coisas que precisamos fazer juntas e eu m*l posso esperar pra te ver no seu melhor momento. - completo e ela sorrir.
- Eu tô aqui quando se sentir pronta para falar sobre seus sentimentos. - diz e eu assinto indicando saber disso. - E você tem razão, temos muitas coisas para fazer juntas, então vem logo aqui se balançar nos galhos comigo. - completa divertida e eu n**o.
- Não tô afim de voltar para os meus sete anos. - digo no mesmo tom e ela me olha de uma maneira engraçada.
- Eu estou ordenando que venha brincar com a sua alfa mocinha. - diz fazendo uma imitação de voz bizarra de filme de terror tão r**m que eu só consigo rir em resposta.
- Me obrigue, queen bee. - digo de maneira desafiadora e sua expressão incrédula após me ouvir me faz rir ainda mais.
Se a intenção dela era me fazer se sentir um pouco melhor, então conseguiu.
Mais ela não precisava reforçar que está aqui sempre que eu precisar, pois eu sempre soube disso e mesmo quando estavamos afastadas, eu sabia que quando eu precisasse ela viria até mim.
Eu sei disso porquê eu faria o mesmo por ela.
Suspiro enquanto ela ainda me encara incrédula e em seguida sigo até uma das árvores com galhos, salto agarrando a madeira com as mãos e em seguida impulsiono meu corpo para frente e para trás, me balançando da mesma maneira que ela fazia minutos atrás. Luna sorrir e em seguida faz o mesmo que eu e então ficamos assim nos balançando em silêncio por um breve momento, pois o cheiro daquelas duas acompanhadas dos outros chama nossa atenção nos fazendo parar.
- Estão tentando malhar ? - pergunta Kai fazendo uma careta, porém sorrir em seguida nos olhando.
- Estamos brincando de cada macaco no seu galho. - responde Luna e eu assinto concordando com ela.
- Acho que vou entrar nessa também. - diz Kai animado, mas antes que pudesse se juntar a nós, Mikhaela aparece ao lado de Pandora e Calvin com uma expressão clara de quem vai acabar com a brincadeira.
- Deixemos as brincadeiras para depois, pois nesse momento temos assuntos que necessitam da nossa total atenção. - diz Mikhaela e então Luna e eu largamos as galhas caindo de pé.
- Que assuntos ? - pergunta Luna assim que deus pés tocam o chão claramente ansiosa para m***r sua curiosidade.
- Você se transformou, porém isso não é o suficiente para que alcance o que deseja. - responde Mikhaela enquanto Pandora se senta embaixo de uma das árvores da floresta com um sorriso contido enfeitando seus lábios e uma expressão de quem está se divertindo. - Sua transformação foi apenas o primeiro passo para a longa jornada que temos pela frente. - completa e Luna suspira.
- Eu sei que não estou pronta para enfrenta-lo, por isso me diga o que tenho que fazer para ficar forte o suficiente para isso. - pede Luna entusiasmada e eu noto Pandora sorrir de canto a olhando com uma expressão que me deixa curiosa.
Sinto que tem algo por trás desse sorriso.
Algo além do fato dela ser trouxa pela minha melhor amiga.
Continuo observando Pandora mesmo sabendo que ela tem consciência de que estou a analisando agora e mesmo assim esteja fingindo que não notou, essa é uma das habilidades naturais dela, fingir muito bem que algo não chama sua atenção quando na verdade chama, quando se trata de ignorar ou ser indiferente ela se torna a rainha disso.
- Hoje se inicia um novo ciclo e com isso eu pensei nas melhores maneiras para treinar cada um de vocês. - diz Mikhaela e eu faço uma careta voltando minha atenção para ela.
- Ei, eu já passei por isso e não estou nem um pouco afim de lidar com a brinquedo assassino ali de novo. - digo divertida apontando para Pandora que acena para mim piscando um olho e em seguida manda um beijo com uma expressão de puro deboche.
- Eu não fazia idéia de que você me amava tanto ao ponto de não conseguir ficar no mesmo lugar que eu. - diz de maneira sarcástica com seus olhos azuis demoniacos focados em mim.
- Você será a instrutora de batalha de Kai e Calvin, enquanto eu lidarei com a alfa irracional. - diz Mikhaela e Luna faz uma careta.
- Não vou aprender a lutar ? - questiona e Mikhaela n**a com a cabeça.
- O tio Ben não mentiu quando disse que " com grandes poderes vem grandes responsabilidades ". - responde Pandora com um tom tranquilo e Luna a olha. - Se bem que seria mais interessante a citação do tio Ben do libélula " com grandes poderes vem uma p*****a de mulheres ". - brinca e Luna arqueia uma sobrancelha a encarando e em resposta Pandora apenas sorrir negando com a cabeça.
- De que adianta saber lutar, se não consegue conter seus instintos e lidar com suas transformações. - diz Mikhaela trazendo a atenção de Luna de volta para ela. - Você se mostrou mais irracional do que esperávamos que você ficasse durante sua primeira transformação. - faz uma pausa parecendo pensar em algo. - Porém, você merece um desconto por ser dona de um genes único e é por isso que você vai trabalhar em dobro e vamos começar com as suas transformações. - completa sorrindo para minha melhor amiga.
- Sinto que isso será doloroso. - diz Luna e eu não posso conter o riso.
- Doloroso para você e instigante para nós, então se esforce para conseguir manter o controle. - digo e ela suspira.
- Eu preparei um ambiente especial para você com a ajuda de Pandora, lá você irá poder treinar sem se preocupar com a possibilidade de machucar alguém. - diz Mikhaela esfregando suas têmporas parecendo cansada. - Mais saiba que não será tão simples, pois eu coloquei um selo de regresso no lugar. - completa sorrindo de canto.
- O que ? - questiona Luna confusa.
- Um selo de regresso é um selo refinado usado para treinar bruxas com grande quantidade de magia e que não contém o total controle dela. - responde Calvin finalmente se pronunciando mostrando a marca do selo em seu pulso. - Esse selo te faz voltar ao ponto inicial sempre que a sua magia fica fora de controle, mas no seu caso eu acho que quer dizer que se você se transformar e não conseguir ficar consciente, terá que refazer todo o processo de transformação mesmo que não queira. - completa olhando para Mikhaela para saber se está certo.
- É exatamente isso que o Calvin disso e sei que parece c***l, porém eu faço isso pelo seu bem, já que seu pai é um homem c***l e mentalmente instável. - diz Mikhaela olhando para Luna com seriedade. - Ele pode decidir atacar assim que souber que a maldição foi ativada e não podemos contar com a sorte, temos que te preparar para a batalha, mesmo que tenhamos que ser um pouco c***l no processo. - completa e Luna respira fundo.
- Se ele já não estiver sabendo, afinal alfas podem sentir a presença de outro, ainda mais quando se trata de uma ameaça evidente. - diz Pandora chamando a atenção de todos.
- Então vamos lá, eu não tenho medo da dor e nem de me machucar, porque eu quero ficar forte para enfrenta-lo. - diz Luna e agora a atenção de todos está sobre ela. - Não, eu não vou enfrenta-lo, eu irei derrota-lo e assim acabar com o reinado dele. - completa com um tom de voz firme e eu sorrio de sua determinação evidente.
Isso !
Com essa determinação você ficará forte rápido e assim vai conseguir conquistar seu objetivo.
Com a sua ascenção o reinado de Cerberus terá um fim e todas as pessoas que sofreram por causa dele terão justiça.
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O dia havia começado agitado na pequena cidade de Mount Holly, pois a moeda do destino havia sido jogada para cima e quando ela caísse a vida de todos ali mudaria, o embate entre pai e filha marcará o início de uma nova era para os lobos da cidade. E enquanto Luna se dedica aos treinos sobre a p******o de Pandora e cuidados de Mikhaela, do outro lado da cidade Cerberus havia convocado o conselho e todos os membros da alcatéia.
Os cochichos dos membros diante do conselho e seu alfa estava começando a ficar irritante, então Cerberus toma a frente com um sorriso no rosto e uma expressão confiante, afinal para ele o que vale são números e ele tem mais números que Luna, então em sua mente essa batalha terminaria favorável para ele.
- Meu querido povo, eu os convoquei aqui para dizer que o momento que tentamos evitar finalmente e infelizmente chegou. - diz olhando em volta. - Minha repugnante e amaldiçoada filha se tornou uma aberração da natureza. - faz uma pausa para observar a reação de todos e sorrir ainda mais ao notar o espanto de todos ali presente. - A lenda da primeira alfa se tornou realidade e cabe a mim como herdeiro do legado Blackwood por um fim nessa patifaria para manter a honra dessa alcatéia intacta, por isso peço a todos que se preparem para a batalha que está por vir. - completa e os cochichos aumentam ainda mais.
- Ela é a herdeira da família Blackwood e o posto de alfa pertence a ela por direito como sua única e legítima filha. - diz Conan e Cerberus revira os olhos.
- Para ser herdeiro você tem que ser reconhecido pelo alfa e ela nunca foi reconhecida por mim, então cale-se ou irei prende-lo e condená-lo por traição. - diz encarando o irmão que sorrir.
- Fazer isso não vai mudar os fatos, então fique a vontade para me prender e até mesmo me m***r irmão. - diz Conan e Cerberus com um aceno de cabeça aciona seus homens que rapidamente dentem seu irmão mais novo.
- Tirem esse i****a da minha frente. - diz e então seu irmão é retirado a força dali. - Que fique claro essa noite que qualquer um que se opor a mim será condenado a morte imediatamente, mas aqueles que lutarem ao meu lado serão recompensados, então pensem bem no que fazer de agora em diante. - completa e então a aproximação de seu mensageiro chama sua atenção.
- Já está tudo pronto senhor, deseja ir agora ? - questiona o jovem de dezessete anos evitando olhar nos olhos do alfa.
- Claro, m*l posso esperar para me divertir essa noite. - responde animado. - Todos estão dispensados. - diz alto liberando a todos e em seguida acompanha o garoto sorrindo confiante de que essa noite será marcada como o dia em que ele caminhou rumo a vitória de mais uma batalha.
Enquanto ele dá o primeiro passo do outro lado da cidade Luna também fazia o mesmo, tentando à todo custo se manter consciente após a transformação, porém nada seria fácil para ela, principalmente em seu primeiro dia e ao fracassar pela décima quinta vez ela grita irritada após voltar a sua forma humana, molhada de suor e com o corpo tremendo de cansaço por estar repetindo o processo de transformação sem parar e antese mesmo que ela possa ao menos respirar fundo o selo em seu pulso brilha e então seus olhos de alfa surgem outra vez e o processo doloroso de transformação se inicia novamente. No cômodo acima através da brecha no chão Pandora a observa em silêncio ao lado de Mikhaela que vez ou outra olha para a filha em busca de uma reação contrária ao método usado, buscando algum vestígio de emoção, porém a garota mantém uma expressão neutra desde o início daquela tortura em forma de treino.
- Não se sente desconfortável ao vê-la sofrer ? - questiona Mikhaela incapaz de conter sua curiosidade.
- Ela aceitou passar por isso. - responde, mas não da maneira que Mikhaela gostaria.
- Então tá tudo bem se eu tornar a coisa ainda mais dolorosa para ela ? - questiona e Pandora a olha.
- Se ela aceitar. - responde dando de ombros e então se vira para sua mãe. - Eu não vou me intrometer nos seus métodos, afinal você me tornou forte, sem contar que ela está ali por vontade própria, você não a obrigou, ela está ali porque quer se tornar forte também, então quem sou eu para intervir ? - questiona olhando nos olhos azuis de sua mãe. - Vê-la passar por isso não me incomoda, porque eu sei que não vai máta-la e nem machuca-la. - completa e em seguida se vira e sai andando para longe sob o olhar atento da mulher.
- Estou feliz que apesar de não gostar de vê-la sofrer, você não a impeça de crescer por conta própria. - diz e então Pandora para de andar.
- Eu sei o porquê está preocupada comigo, mas isso não significa que deva agir dessa maneira tola comigo. - diz e em seguida a olha por cima do ombro. - Também sei o que quer ouvir de mim, mas não ouvirá, porque eu ainda não sou capaz de proferir tais palavras, ainda mais quando estou apenas começando a entender melhor as coisas. - faz uma pausa e Mikhaela sorrir sabendo que de certa forma, ela acabou de dizer o que ela queria ouvir, mesmo que para quem pudesse ouvir a conversa, o que a garota acabou de dizer não faça sentido. - Cuide da minha lobinha enquanto eu vou fazer uma visita a velhos amigos. - completa acenando para a mulher e então se vai.
Mikhaela a observa se afastar negando com a cabeça sabendo que sua filha continua impaciente para algumas coisas como sempre, principalmente quando se trata de algo que é de seu interesse pessoal, com esse pensamento ela volta sua atenção para Luna sabendo que a garota iria conseguir passar desta fase, pois ela é forte de espirito, porém em meio a isso tem algo que a incomoda, uma sensação de que algo está para acontecer, algo grande e que pode mudar tudo à sua volta, essa sensação lhe causa um calafrio intenso a fazendo gravar essa sensação em sua memória e então sob o olhar da alfa abaixo de si agora em sua forma de lobo ela pergunta a sí mesma o que o destino reserva para todos, mas principalmente para ela.
Então... Cara ou coroa ?
Cerberus ou Luna ?
Quem a moeda do destino irá favorecer ?
_________________ Continua ________________