Starbucks 2.

3350 Palavras
Após fazer nossos pedidos e ter alguns minutos de silêncio constrangedor meu primo decide quebrar o gelo. - Então Pandora, onde você morava antes de se mudar para cá ? - pergunta Kai e eu olho para Calvin que tinha uma expressão de diversão estampada em seu rosto. - Não é nenhum lugar legal ou importante para ser mencionado. - diz a loira batendo constantemente os dedos na mesa e eu sorrio olhando para Kai que parece sem jeito. - Me lembro de ter ouvido algumas pessoas comentarem que você nasceu aqui, mas se mudou quando ainda era bebê. - diz Calvin e então a atenção da loira se volta totalmente para ele. Olhar intimidador. Me pergunto se ela faz de propósito mesmo que pareça ser de maneira inconsciente. Algo natural. - É verdade. - diz com seus olhos azuis fixos nos azuis de Calvin. - Mais sempre foi só a minha mãe e eu. - completa e Kai me olha esperando que eu diga algo para fazer o assunto render. - O que aconteceu com seu pai ? - pergunto me sentindo i****a por perguntar algo assim, mas seu sorriso contido ao me olhar me faz relaxar um pouco. - Digamos que ele é um o****o que se deu m*l e que eu tive a sorte de não conhecê-lo. - responde com um tom de diversão que me deixa curiosa. - Ele simplesmente me largou em uma caixa na casa da minha mãe adotiva, por isso ela me deu esse nome. - diz olhando para Kai e Calvin antes de voltar a focar seu olhar no meu. - Ela adora mitos, contos, histórias entre outras coisas sobrenaturais e o mito da caixa de Pandora é o seu favorito, então daí saiu o meu nome, pois segundo ela eu sou a sua caixa de Pandora. - completa e eu sorrio. - Mais segundo as histórias contadas a caixa de Pandora não era algo bom. - diz Kai e ela o olha. - Depende do ponto de vista, afinal sempre existiu coisas ruins no mundo a caixa no mito talvez só sirva para justificar a maldade dos homens e o egoísmo dos Deuses. - diz séria sem desviar seu olhar do dele. - É os males não eram a única coisa que a caixa de Pandora portava, dentro dela também havia esperança e há por aí quem diga que ela é a última que morre, então para minha mãe eu sou a esperança dela em meio á todas as adversidades da vida . - completa com um sorriso de canto e eu sorrio achando única essa maneira dela de pensar e expressar seu ponto de vista. - Isso é bem maneiro. - diz Calvin sorrindo enquanto ajeita seus óculos e Pandora sorrir para ele. - Acho que vou ter que te procurar sempre que eu estiver vendo apenas o lado negativo da situação. - brinca meu primo e Pandora o olha. - Acho que vou ter que cobrar, afinal seria meio que uma terapia. - devolve a brincadeira e meu primo sorrir. - Acho justo. - diz Kai assentindo. - Agora faz sentido você gostar tanto de livros de terror. - diz Calvin pensativo. - Eu tenho alguns sobre lendas de lobos caso você curta. - completa o loiro e todos os olhares se voltam para ele. - Tem alguns sobre lobisomens também ? - pergunta Pandora e ele assente enquanto eu olho para Kai que tinha uma expressão de confusão misturada com curiosidade. - Ótimo, adoraria ler e posso te emprestar alguns também, eu tenho uma coleção bem grande em casa. - completa sorrindo e o garoto retribui assentindo. Nesse momento Kai deve estar morrendo de curiosidade por dentro enquanto eu estou achando engraçado a maneira natural como Calvin conseguiu introduzir o assunto que eu indiquei para chamar a atenção do meu primo sem levantar suspeitas. Eu nunca iria conseguir agir tão naturalmente. Esse garoto merece o Oscar de melhor ator. - Você gosta de lobos ? - pergunta Kai olhando para Calvin com uma expressão que eu conheço muito bem. - Claro, eles são fofos. - responde e meu primo sorrir confirmado que eu estou certa em pensar que fiz uma ótima sugestão para Calvin. - Ouvi dizer que podem ser bem agressivos apesar de serem fofos. - diz Kai e Calvin sorrir. - Depende do ponto de vista e da situação, afinal geralmente eles são ótimos companheiros e leais. - diz o loiro e eu olho para Pandora que observava a interação dos dois em silêncio com uma expressão de diversão. - Se me dão licença, eu vou até o meu carro, esqueci meu celular e preciso mandar uma mensagem para a minha mãe. - diz Pandora se levantando e em seguida caminha em direção a porta de entrada. - Eu vou ao banheiro. - digo me levantando com a intenção de deixá-los a sós por um momento para que possam conversar melhor. Os dois assentem enquanto eu me levanto e então voltam a conversar enquanto eu me afasto da mesa indo em direção ao banheiro ficar lá até que Pandora volte, assim que entro no banheiro noto que havia sido limpo a pouco tempo pelo cheiro bom de desinfetante de lavanda pairando no ar. Caminho até a pia e então passo um pouco de sabão líquido nas mãos e em seguida as esfrego lentamente, não tenho pressa para voltar para a mesa, posso aproveitar esse momento a sós para absorver todas essas situações fora da minha habitual rotina de ir a escola com Kai e evitar a todo custo uma conversa com James por mais de cinco minutos o que daria tempo e motivação para ele me chamar para sair. Não que ele não seja bonito e atraente, afinal ele é o típico capitão do time de basquete pelo qual as garotas se derretem, mas eu não busco esse tipo de relação. E se buscasse seria com alguém diferente, talvez eu esteja levando ao pé da letra o seu status e o fato dele ser aquele típico galã de filmes adolescentes. Talvez seja por isso que eu não permita que ele se aproxime muito e talvez eu até esteja errada em fazer isso, pode ser que ele seja bem mais do que aparenta. Suspiro enquanto lavo as mãos pensando que posso realmente estar errada sobre ele, afinal ele conseguiu fazer meio que uma amizade com Pandora e ela me parece ser o tipo de pessoa que não faria amizade com o típico galã de filme adolescente. Sorrio fazendo uma careta ao notar que estou introduzindo demais a garota em meus pensamentos mesmo que de maneira não intencional e que isso significa que estou de certa forma me aproximando dela de uma maneira que não me aproximei de ninguém antes. - Seus pensamentos devem ser um mar de diversão para você sorrir tanto assim para o nada. - pulo de susto ao ouvir a voz de Pandora e então vejo seu reflexo no espelho parado atrás de mim, respiro fundo fechando a torneira enquanto encaro seu reflexo. - Você quase me fez ter um ataque cardíaco. - digo e vejo um pequeno sorriso se formar em seus lábios. - Não tenho culpa se você é uma lobinha assustada. - diz dando um passo a frente e em seguida se estica por trás de mim, mas sem encostar ou esbarrar em meu corpo e pega um pouco de papel toalha e em seguida estende para mim enquanto eu sinto meu coração bater ainda mais rápido do que quando me assustei segundos atrás devido a essa aproximação que me faz ter pensamento nada puros. - O-obrigada. - digo nervosa me virando para a olhar enquanto seco as mãos e ela se afasta ainda sorrindo. - Porque você fica me chamando assim ? - pergunto confusa. - Assim como ? - questiona cruzando os braços enquanto eu jogo o papel na lixeira. - De lobinha. - respondo e ela sorrir de canto. - Seu jeito me lembra um lobo solitário, então. - diz dando de ombros e eu faço uma careta. - Vem lobinha solitária, nossos pedidos já estão na mesa e eu acho que demos tempo o suficiente para o seu primo desenvolver no mínimo um interesse no Calvin. - completa tocando minha mão me puxando lentamente e então toda aquela sensação de ontem vem a tona enquanto ouço sua voz na minha cabeça. " Luna. " " Luna. " " Luna. " Em segundos tudo a minha volta vai sumindo junto a imagem da loira dando lugar a uma floresta coberta por uma névoa, mas não é qualquer floresta e a floresta proibida, caminho em direção a ela ouvindo Pandora me chamar. O vento gelado contra minha pele não me incomoda como de costume, sinto minhas mãos soarem e quando vou as enxugar em minha roupa sinto algo em meu bolso, enfio a mão dentro do bolso e pego o que parece ser um colar, mas não é qualquer colar e o colar de Pandora e então ela surge em minha frente e coloca sua mão sobre a minha que segurava o colar e em seguida me olha nos olhos sorrindo, tento tocar seu rosto, mas então sua imagem vai sumindo aos poucos enquanto volto a ouvir sua voz na minha cabeça. " Luna. " " Luna. " " Luna Blackwood. " - Luna ? - ouço a voz de Pandora mais perto seguida de seu toque em meus ombros me chacoalhando e então pisco os olhos a vendo me encarar com uma expressão engraçada. - Você tá bem ? - pergunta preocupada e eu assinto olhando em volta registrando mentalmente os detalhes do banheiro para ter certeza de que estou de volta a realidade. - Tem certeza, você parou no tempo do nada e está quente. - diz e eu faço uma careta. - Desculpa, eu acho que estou sonhando acordada por não ter dormido bem a noite. - minto e ela sorrir. - Ou você fuma maconha e está tendo alucinações. - diz divertida e eu soco seu ombro a fazendo rir e então foco minha atenção em seu colar. - Onde comprou esse colar ? - pergunto tocando o objeto e ela desce seu olhar de meu rosto para minha mão. - Foi um presente da minha mãe. - responde e em seguida me olha e eu a olho de volta. Sua expressão avaliativa não me deixa curiosa ou desconfortável, mas a sensação de déjàvu quando ela coloca sua mão sobre a minha me deixa um pouco nervosa enquanto meu coração bate mais rápido do que deveria. - Acho que errei em te chamar de lobinha solitária, você tá mais pra uma lobinha curiosa. - diz divertida sorrindo de uma maneira diferente das outras. Não há sarcasmo, brincadeira ou deboche, ela apenas está fazendo um comentário comum como se tivesse se dado conta de que me definiu da maneira errada ou que há mais sobre mim além do que ela pode ter em mente. - Vamos, eu não gosto de café frio. - diz se afastando e em seguida caminha em direção a porta enquanto eu permaneço ali parada com uma expressão provavelmente de i****a estampada em minha face. Suspiro tentando entender toda essa bagunça se formando na minha cabeça nesse exato momento, ela me causa essas sensações estranhas e ainda tem as alucinações, elas começaram desde que ela se aproximou de mim naquela festa, tem algo errado comigo em relação a ela e eu preciso descobrir o que é. Acho que preciso conversar com meu tio em relação a isso. Ele deve saber de algo. Respiro fundo e em seguida saio do banheiro, ao passar pela porta olho em direção a nossa mesa e fico confusa ao ver James sentado ao lado de Pandora, mas não no lugar onde eu estava sentada antes, caminho até lá curiosa com essa aparição repentina do garoto. - Olá, Luna. - diz James rapidamente ao notar minha presença e eu sorrio de maneira contida para ele. - James, que surpresa te ver aqui. - digo me sentando com os olhares de Calvin e Kai focados no meu breve diálogo com o garoto enquanto Pandora comia tranquilamente parecendo ignorar tudo a sua volta. - Eu vim para uma entrevista de emprego, mas acho que não fui muito bem, porque terminou tão rápido. - diz James pensativo juntando as sobrancelhas em confusão enquanto me olha e eu acho isso fofo. - Enfim, vi os meninos e a Pandora aqui então vim cumprimentá-los e eles me convidaram para ficar, espero que não se importe. - completa fazendo uma careta e eu sorrio. - Porque eu me incomodaria ? - pergunto divertida e ele sorrir. - Porque você foge de mim igual o d***o foge da cruz. - responde com o mesmo tom e eu mordo o lábio inferior para tentar conter o riso. Vejo Pandora sorrir de canto de maneira discreta enquanto toma um pouco do seu capuccino e não posso deixar de notar a maneira como ela segura a xícara de porcelana. Acho que ela deve ter tido aulas de etiqueta. Tenho que certeza disso. - Acho que tá na hora de ser um pouco mais sociável com você. - digo e a expressão de surpresa em seu rosto me faz mexer as sobrancelhas freneticamente e isso o faz sorrir. - Ótimo, porque eu sou um cara legal, pelo menos eu acho. - diz James empolgado e em seguida olha as outras três figuras em silêncio na mesa. - Eu sou né ? - questiona com uma expressão de diversão. - Muito legal. - diz Calvin dando de ombros. - Mais que legal. - diz Kai rindo e então James olha para Pandora esperando uma resposta dela que permanece mastigando como se nada tivesse acontecendo. - Então Pandorinha ? - questiona James tentando chamar a atenção da loira apertando a bochecha dela que o olha. Ela termina de mastigar e em seguida arqueia uma sobrancelha limpando a boca com um guardanapo enquanto ele a observa cheio de expectativa. - Muito... - começa a responde-lo mais logo em seguida faz uma pausa dramática e sorrir de canto. - Muito irritante e bobão demais. - diz e ele revira os olhos. - Mais não acho que seja no sentido r**m, além do mais ele é um bom ouvinte e está aberto para novas possibilidades, então é um i****a do bem. - completa e James sorrir largo sabendo que isso foi um elogio no fim das contas e ele não poderia esperar mais do que isso vindo dela. - Eu adoro essa sua maneira carinhosa de se expressar. - diz James rindo e Pandora sorrir. - Eu sou demais, eu sei disso, mas não precisa declarar seu amor por mim em voz alta. - a loira debocha e eu fico confusa com o quanto eles parecem se conhecer a mais tempo do que o imaginado. - A quanto tempo se conhecessem exatamente ? - pergunto incapaz de conter minha curiosidade. - Desde que ela se mudou. - responde James imediatamente. - Ela me ajudou com meu carro quando ele enguiçou no meio da estrada quando eu voltava da casa do meu pai alguns dias antes das aulas começarem. - completa e eu olho para a loira que assente confirmando a história do garoto. - Então você também entende de carros ? - pergunta Calvin e Pandora assente o olhando. - p***a, já não basta ser linda, ter um olhar matador, entender de coisas nerds e esportes, você também tinha que saber concertar carros. - diz tudo em um fôlego só e a loira sorrir. - O mundo é um lugar muito injusto mesmo. - completa divertido e Pandora ri assentindo. - Eu também faço mágica. - diz a loira ainda rindo enquanto eu a observo em silêncio notando James me olhando de canto. - Faz um truque pra gente então. - pede Kai curioso e então Pandora olha para James que retribue o olhar confuso. - O que foi ? - pergunta e a loira continua o encarando por mais alguns segundos. - Você devia conferir onde estão suas chaves. - diz Pandora pegando a xícara com a sua bebida e em seguida a leva até os lábios enquanto eu me dou conta de que ainda nem toquei no meu frappuccino de chocolate. Graças a Deus é uma bebida gelada, porque se fosse o contrário teria perdido a graça de tomar depois de todo esse tempo. - m***a, não me diga que estão com você. - diz James sorrindo olhando para Pandora que sorrir e em seguida se vira para mim. - Qual é a sua flor favorita ? - pergunta para mim e eu fico confusa. - Não sei, eu nunca pensei sobre isso. - respondo confusa e ela sorrir enquanto pega algo no bolso da calça. - Me dê a sua mão. - pede e eu o faço. - Tudo é uma questão de percepção. - diz colocando uma semente na minha mão. - Essa é uma semente de gardênia, ela tem vários significados, mas tem uma espécie de conto sobre ela que eu gosto bastante e talvez um dia eu conte. - completa com uma expressão de diversão enquanto fecha minha mão. - Eu não tô entendendo nada. - ouço Kai dizer rindo, mas não consigo desviar meu olhar do dela, não quando ela parece está se divertindo internamente com algo que eu adoraria saber. - Pronta para ver minhas habilidades mágicas ? - questiona divertida e eu assinto. Ela afasta sua mão da minha me permitindo abrir a mão e quando o faço fico surpresa ao ver uma rosa, olho para Pandora enquanto ouço os meninos murmurarem algo surpresos e antes que eu possa dizer algo Pandora fecha minha mão e alguns segundos depois a abre e a rosa já não está mais ali, agora havia um lírio, a loira volta a fechar minha mão enquanto eu me sinto surpresa demais para falar qualquer coisa agora e ao ver um girassol em minha mão dessa vez, eu simplesmente sorrio admirada. - Essa é a última. - diz Pandora fechando minha mão novamente e em seguida eu sinto um cheiro bom. - Estão sentindo isso ? - pergunta Kai e Calvin assente. - Parece o cheiro da flor de jasmim. - respondole James parecendo confuso e então Pandora abre minha mão revelando uma flor que eu ainda não havia visto por aqui, mas que me lembra curiosamente outra flor. - Essa é a flor de gardênia, também conhecida como jasmim do cabo. - diz a loira e eu sorrio. - É aqui está as suas chaves i****a do bem. - completa Pandora pegando algo atrás da minha orelha e eu reviro os olhos ao ver as chaves. - Essa parte de pegar as chaves atrás da orelha dela foi digna de um mágico de quinta. - diz Calvin rindo e eu não seguro o riso, James e Kai também nos acompanha enquanto Pandora sorrir fechando minha mão e quando eu a abro apenas a semente está ali. - Fica pra você. - diz Pandora e eu a olho. - Pode ser útil pra você em algum momento e minha mãe diz que dá sorte andar com a semente no bolso ou planta-la no jardim. - completa e eu sorrio assentindo. - Obrigada. - digo e ela assente antes de voltar a tomar seu capuccino. Olho a semente enquanto Kai, Calvin e James conversam animados diferente de Pandora que toma sua bebida em silêncio com uma expressão neutra, suspiro guardando a semente em meu bolso enquanto penso se seria possível planta-la no jardim da minha casa, acho que vou precisar da ajuda de Petrova para fazer isso. Volto minha atenção para as quatro pessoas sentadas na mesa comigo e sorrio ao notar o quanto cada um ali é diferente do outro, mas todos parecem estar confortáveis em dividir a mesma mesa e disfrutar da companhia um do outro. Acho que talvez possamos ser todos amigos. Talvez até um Squad. _______________ Continua __________________
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