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1198 Palavras
Os dias foram passando rápido demais para alguns… e lentos demais para outros. Polly tentava manter a rotina normal, atendendo suas clientes no pequeno salão dentro de casa, organizando horários, escolhendo roupa para o show com Leda por mensagem. Mas toda vez que o celular vibrava, era como se o nome deles estivesse ali, mesmo quando não estava. Na base militar, Adam estava cada vez mais quieto. Ytan já tinha percebido. — Você tá insuportável — ele comentou um dia, encostado na mesa. — Tô normal. — Não, você tá em modo “Polly vai aparecer em 3 dias e o mundo precisa ser controlado”. Adam não respondeu. Só fechou o armário com força a mais. Do outro lado da cidade, Mazon estava fechando um evento VIP com uma calma que ninguém acreditava ser real. — Área privada, segurança reforçada, sem imprensa — ele dizia ao telefone. — E se alguém tentar invadir… você resolve. Simon, entre uma cirurgia e outra, revisava mentalmente horários do show como se fosse uma escala médica. Leda era a única tentando parecer normal. Tentando. Porque até ela já tinha começado a checar o celular mais vezes do que devia. E então… chegou o dia. No fim da tarde, Polly estava na frente do espelho. Vestido simples, mas marcante. Cabelo solto, maquiagem leve, mas perfeita. Ela girou de leve, olhando o próprio reflexo. Aquela versão dela… era a que o mundo via. A versão forte, linda, confiante. Mas por dentro… tinha algo estranho. Uma ansiedade leve no peito. Ela pegou o celular. Polly: tô saindo daqui a pouco Leda respondeu em segundos. Leda: já tô indo pro local. te encontro lá. e sim… eles já chegaram. Polly soltou um riso baixo. Polly: claro que já chegaram. No local do show, a área VIP parecia outra realidade. Mazon já estava lá, de óculos escuros, observando tudo como se fosse dono do evento inteiro. Ytan chegou logo depois, analisando saídas, movimentação, segurança. Simon veio em seguida, calmo demais para quem claramente estava atento a cada detalhe. E então… Adam. Quando ele entrou, o ar mudou. Não era exagero. Era presença. Ele olhou ao redor primeiro. Não falou com ninguém. Só confirmou com o olhar que tudo estava sob controle. — Ela ainda não chegou? — Simon perguntou. — Ainda não — Ytan respondeu. Adam ficou em silêncio. Mas a mão dele já estava fechada no bolso da calça. Do lado de fora, Polly desceu do carro. O som distante do evento já dava pra ouvir. Leda estava ali esperando, e quando viu Polly, abriu um sorriso grande e correu até ela. — Finalmente! As duas se abraçaram forte. — Você tá linda — Leda falou. — Você também — Polly respondeu, sorrindo. Mas quando começaram a andar juntas em direção à entrada… Polly sentiu. Aquela sensação antiga. De estar sendo observada antes mesmo de chegar. Ela parou por meio segundo. Leda percebeu. — Que foi? Polly piscou e voltou a andar. — Nada… achei que tinha visto alguém conhecido. Mas era mais do que isso. Era como se o ar já estivesse diferente. Como se eles já estivessem ali… esperando. E estavam. Porque no exato momento em que Polly entrou na área VIP… O mundo inteiro pareceu travar por um segundo. Adam foi o primeiro a olhar. E não desviou. Ytan soltou um riso baixo, incrédulo. Mazon abriu um sorriso lento. Simon apenas respirou fundo. E Leda sussurrou: — Pronto… começou. Polly ainda não tinha percebido. Mas aquele reencontro… não ia ser só alegria. Ia ser intenso. Do tipo que muda tudo sem pedir permissão. O som do evento ficou distante por um instante, como se o mundo tivesse sido abafado quando Polly entrou. Ela ainda estava sorrindo, meio confusa com o silêncio estranho que tomou conta da área VIP. Até que o primeiro movimento veio. Ytan. Ele foi o primeiro a sair do lugar. Sem pressa, mas com aquela intensidade controlada que ele sempre teve. — Você demorou — ele disse baixo. Polly riu. — Eu vim no horário… Ele não deixou ela terminar. Só puxou ela para um abraço forte. Firme. Longo. Como se estivesse segurando algo que o tempo quase tirou dele. Polly deu um pequeno “ai” rindo. — Ytan, você tá me esmagando… — Eu sei — ele respondeu, sem soltar de imediato. Quando finalmente afastou, ele segurou os ombros dela por um segundo, olhando como se conferisse se ela ainda estava inteira. E então saiu um meio sorriso. — Continua teimosa. Antes que ela pudesse responder, uma sombra maior se aproximou. Mazon. Ele nem tentou disfarçar o sorriso. — Finalmente a princesa resolveu aparecer. — Eu sempre apareço — Polly respondeu, cruzando os braços. — Demora demais pra minha paciência — ele disse. E então ele a puxou também. O abraço dele era diferente. Quente, protetor, quase exagerado, como se ele quisesse compensar todo o tempo que não viu ela. — Tá cheirosa… — ele murmurou, soltando uma risada leve. — Mazon! — Só observação. Ele afastou devagar, mas ainda manteve uma mão no ombro dela, como se não quisesse perder contato. Simon foi o próximo. Mais calmo… mas o olhar dele entregava tudo. Ele chegou mais perto e só disse: — Você sumiu de novo. Polly sorriu menor dessa vez. — Eu trabalho, Simon… Ele não discutiu. Só a puxou para si. O abraço dele foi forte, mas diferente dos outros. Mais contido… mais cuidadoso. Como alguém que quer proteger sem sufocar. — Você tá mais leve — ele comentou baixo, ainda com ela perto. — Eu tô normal — ela respondeu. Ele soltou um riso curto. — Você nunca é normal. --- Polly m*l teve tempo de respirar direito quando o ar mudou de novo. Adam. Ele não veio rápido. Ele veio direto. Sem desviar o olhar nem por um segundo. Quando parou na frente dela, o silêncio ficou pesado. — Você demorou — ele repetiu, igual ao Ytan… mas com outra energia. Polly revirou os olhos. — Vocês combinaram essa frase hoje? Adam não respondeu. Só puxou ela. Mas esse abraço foi diferente de todos. Mais forte. Mais firme. Quase como se ele estivesse segurando o mundo inteiro dentro daquele gesto. Polly arregalou um pouco os olhos pela força, depois soltou uma risada abafada. — Adam… tá sufocando! — Não tá — ele respondeu no ouvido dela. Mas não soltou na hora. Ficou mais um segundo. Dois. Como se estivesse confirmando que ela realmente estava ali. --- Quando finalmente a soltou, ele não se afastou. Só ficou perto demais. E então, Leda riu baixinho, emocionada, e entrou na roda também. — Minha vez! Ela puxou Polly com força, rindo e quase chorando ao mesmo tempo. — Eu senti sua falta, sua maluca! Polly a abraçou de volta na mesma intensidade. — Eu também senti você! Os dois riram, o clima ficando mais leve por um instante. Mas ainda havia algo no ar. O tipo de tensão silenciosa que nunca sumia quando eles estavam todos juntos. E Polly, no meio deles… ainda não sabia que aquele reencontro não era só saudade. Era o começo de algo que nenhum deles estava realmente preparado pra lidar.
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