Depois que Lucius foi embora Carlos chamou Ethan, ele havia ouvido a bronca que Lucius deu em Charles. Lucius disse que a menina estava entre família que ninguém a olharia com m@us olhos ali, mas Charles argumentou que o afilhado dele Ethan seria o primeiro a desrespeitá-la se tivesse a oportunidade.
— Desrespeitou a Dahlia? — Carlos perguntou.
— Claro que não, nem falei com ela direito.
— Ethan, você sabe o que houve com ela no Brasil? Sabe por que ela veio?
— Não, pensei que era apenas para estudar.
— Pois não é! A Dahlia precisa do apoio e proteção de vocês, não pode desrespeitá-la. Mas eu te chamei por outra coisa. Tem trabalho para fazer hoje, o Ítalo vai acertar um pagamento e você vai com ele, a caixa está no carro, é só entregar, receber e sair, me entendeu?
— Sim, senhor!
— Sem gracinhas, se fizer besteira a vida de vocês estará em risco.
Carlos confiava em Ítalo, ele era sério e astuto nos negócios, as vezes mandava Ethan ir junto, assim ele aprendia e ganhava além do próprio dinheiro, responsabilidade.
Ítalo e Ethan partiram, o local de encontro era um galpão abandonado, eles deveriam ser rápidos, mas as coisas não saíram como planejado, o grupo que se passava por sócios eram traidores e queriam dar fim a Ítalo, ele já era reconhecido na organização, alguns diziam que se Lucius não casasse as filhas com alguém que fosse realmente bom tudo passaria para as mãos dele.
— Vai Ethan! Acelera! — Ítalo gritava no banco do passageiro segurando o ferimento no braço.
— Desculpa mano! Me desculpa!
Eles chegaram em casa e Ethan ajudou Ítalo a descer do carro.
— Mas que merda é essa? — Carlos gritou. — Violet liga para o médico agora!
Ethan era um homem, mas nesse momento tinha os olhos marejados, se sentia culpado pelas coisas terem dado errado e Ítalo ter sido atingido.
— Ethan, o que aconteceu? — Carlos perguntou.
— Pai, eu estou bem... Não fique bravo com ele! — Ítalo disse na cama, ele tinha a esposa Violet ao lado com panos limpos, ela segurava a ferida para parar o sangramento.
— Eu dificilmente mando você junto, porque é um irresponsável! O Ítalo faz essas negociações sozinho desde os 17 anos, mando o Oliver que é mais novo, mas não você! — Carlos gritou furioso com ele, nem ao menos deixou ele explicar o que ocorreu.
Ethan saiu do quarto do irmão e foi para o próprio quarto, ele se jogou na cama e fechou os olhos por um minuto.
Logo depois Oliver entrou, ele se encostou na porta e esperou Ethan falar.
— É difícil sabia... Eu não sou o homem com super raciocínio que o Ítalo é e nem o mais habilidoso como a Megan, eu não me encaixo nessa família. Sou o pior dos meus irmãos!
— Cara, o que aconteceu? — Oliver perguntou.
Ethan se sentou na cama chateado, ele se corroía de culpa e nem sabia porquê.
— Não sei Oli, foi tudo tão rápido que eu não consigo explicar, pergunte para o seu pai, ele com certeza tem a resposta, afinal, o que ele não sabe?
— Ele disse que você salvou a vida dele, disse que se estivesse sozinho teria sido morto, que era uma emboscada e você foi rápido quando precisou.
Ethan realmente não sabia em que momento agiu, ele se lembrava de atirar em alguns homens, mas a adrenalina o manteve alerta apenas naquele momento, depois que ele viu Ítalo sangrando ele entrou em desespero, mas naquele momento eles já estavam fora de perigo, ele pedia perdão a Ítalo enquanto dirigia, mas Ítalo não entendia o porquê.
Quase a noite Ethan subiu para o quarto do irmão, a porta estava entre aberta, Ítalo estava deitado e tinha o braço baleado apoiado em um travesseiro, estava com um curativo e enfaixado.
Ele tinha a esposa Violet do outro lado, ela o beijava e acariciava o rosto dele, Ethan achava a relação do irmão e da cunhada invejável, eram um casal apaixonado e tinham o filho Oliver que era pouca coisa mais novo que ele, Oliver nem o chamava de tio, ele era tratado como um dos primos.
— Ítalo, posso entrar? — Ethan perguntou.
Ítalo se sentou na cama, Violet deu um beijo no marido e depois saiu, antes ela abraçou Ethan na porta e agradeceu.
— Senta aí, do que precisa? — Ítalo perguntou.
— Eu não consigo entender o que houve... Parece que a minha mente nublou e eu não sei o que fiz.
— Você age diferente sob pressão, eu já havia percebido isso, você é focado e rápido. Pois bem, nós fomos fazer aquela entrega, quando entramos você olhou em volta e pelo posicionamento dos homens e a quantidade você deduziu que era uma emboscada, você foi rápido em me tirar dali, mas na fuga eu fui atingido, a bala veio por trás, você estava a minha frente abrindo caminho, você foi excelente nisso, eu deveria ter prestado atenção no que acontecia atrás. Você percebeu o sangue apenas quando entramos no carro, nesse momento você começou a me pedir desculpas e quase esqueceu de dar partida, me ver ferido tirou o seu foco...
— Me desculpa... — Ethan disse e abaixou a cabeça.
— Pelo o que? Por salvar a minha vida?
— Ítalo, eu não sou como você e nem como a Megan, sei que nosso pai tem vergonha de mim.
— Não é bem assim, você só é um moleque na maior parte do tempo, mas eu sei que é alguém leal e isso é o que importa.