solidão

998 Palavras
Assim que saí da empresa, ou melhor do elevador com a Bárbara, mais uma vez tentando me seduzir, isso já está se tornando demasiadamente cansativo. O Lucca vive ocupado brigando com a Maya que esqueceu da maluca da irmã dele. Ouvi meu celular tocar, e é a Malina, e imediatamente eu o atendo. __alô?__ falo em tom baixo e espero ela falar. __ olá toy store, você não vai demorar muito né?__ questiona e suspiro. __ não bebelôzinha...eu já estou indo! __ ótimo, pode trazer vinho? __ e você pode tomar vinho criatura?__ pergunto e ela sorri, percebi pela gargalhada que ela deu, do outro lado da linha. __ uma taça, mas, não é para mim, e sim para minha visita, não demore por favor.__ diz e eu escuto a risada do Ethan, e novamente solto um longo suspiro. __ tudo bem. Desligo o celular e entro no meu carro, e sigo para algum local onde venda vinho, em plena dez da noite. Por sorte encontrei um supermercado vinte e quatro horas aberto, e comprei o vinho. Segui para o meu apartamento, e quando as portas do elevador se abriram, eu pude ouvir um barulho, seja lá quem for que está fazendo esse barulho, a festa deve estar muito boa. Fui me aproximando do meu apê, e me dei conta que a música estava vindo de lá. Rapidamente abri as portas, Mali estava sentada no colo do Ethan, Aurora e Sara rebolando no colo de Pietro e Miguel. E a estressadinha aos beijos com o namorado dela, isso, uma estranha e um estranho e o pior os meus amigos fazendo da minha casa um puteiro. Pronto, só o que me faltava, eu de vela na minha casa. Desliguei o som e todos me olharam surpresos. Minha casa estava igual a boate que eu gerenciava com Pietro. __ o que, caralhos! Está acontecendo aqui?__ questiono irritado e acho que eles se deram conta do que estavam fazendo. __ uma festinha?__ Sara diz passando a mão no cabelo que estava bem desarrumado. __ estava mais para um surubão...Então não querendo ser chato, mas já sendo, acho isso uma tremenda falta de respeito com a minha pessoa, eu nunca fiz isso com nenhum de vocês, sempre respeitei a privacidade de cada um, e vocês estavam fazendo da minha casa um cabaré, não me comunicaram nada, trouxeram dois estranhos para cá, e eu espero sinceramente que isso não se repita, mas eu vou sair e deixa-los a vontade para concluir a "festinha " de vocês.__ falei e deixei as garrafas de vinho sobre o meu sofá, só escutei eles me chamando, mas eu não quero saber de nada, f**a-se se isso for drama eu estou extremamente chateado. Eu vi esses três saindo do zero para um casamento digno, mas sempre respeitei a privacidade deles, eu só não queria que ninguém ficasse trepando na minha frente. Eu fiquei feliz ao vê-los, mas, não desse jeito. Peguei estrada para espairecer, até achar um parque arborizado, mas não tinha ninguém, desci do carro, e me sentei no balanço, olhando para o horizonte eu fiquei lembrando de como me excluíam das coisas quando aquilo tudo aconteceu, e indiretamente, os meus amigos fizeram isso comigo. Flash back on Eu sempre vinha com Marcel para escola, mas antes que papai me mandasse para a máfia mamãe quiz que eu continuasse lá, o que não foi bom para mim, porém eu não quero decepciona-la. Marcel nunca mais falou comigo, arrumou outras companhias, ninguém falava comigo a não ser os professores. __ dizem que ele estava tendo um caso com o professor. __ ouvi Eliot, um menino da sexta série sussurrar para Marcel e ele sorriu de mim, e doeu de uma forma que não sei expressar. Eu sempre me sentava sozinho para o lanche, sempre estou sujeito a ouvir isso. __ eu soube que o pai dele sumiu, com o professor, sendo que o culpado de tudo isso é ele.__ ouvi Marcel, que me conhece a tanto tempo, proferi tamanha ofensa em relação a minha pessoa, me fez sentir um bolo, em minha garganta, não aguentei, e gritei com todas as minhas forças, e saí correndo para o banheiro. Me tranquei na cabine e chorei, até que as lágrimas cessassem, e restarem apenas o som alto do meu soluço. Respirei fundo, e saí de lá, mas eu sempre escutava. __ viadinho...oh tadinho da bichinha, foge seu marica. Eu abria meu armário e tinha vários bilhetes dizendo tudo isso, e questionando o meu caráter, eu quis eu juro, que quis, fazer com eles a mesma coisa que fiz com o professor. Mas, não sou assim, eu cheguei ao meu limite. Era uma manhã muito bonita para deixar de sofrer eu pensei, assim que cheguei em casa, e caminhei para dentro do escritório do meu pai. Peguei um bisturi nas coisas do papai, e em meio aos meu choro, deslizei a lâmina sobre os meus pulsos, e enquanto sangrava eu encarava a luz do sol, que iluminava a pequena janela do escritório dele, e imaginei para onde vão as pessoas que morrem, talvez para um lugar bom, e quem sabe lá eu serja feliz. Lembrei do inverno que eu e Marcel fizemos um boneco de neve, perto da árvore que temos em frente à nossa casa, e antes que o inverno acabasse um galho caiu e estragou o boneco, eu e ele, sorrimos e montamos de novo. Eu olhei mais uma vez para a árvore, antes que eu sentisse minha visão pesar, mas não adormeci antes de escutar o grito da minha mãe ressoar no fundo. __ Matteo nãoooooooooo!__ disse encarando seus pulsos, eu olhei para ela, e suspirei, cansado demais para lutar por mim, já não via mais sentido. __ desculpe mamma.__ falo e fecho os olhos. Flashback off Bom parece que eu falhei naquilo, e não sei se valeu a pena ter sobrevivido aos cortes, mas como? Como olhar para as minhas cicatrizes e não sentir mais a dor?
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