06 - SARA

870 Palavras
Carlos pensou rápido em cada detalhe a sua mente fervilhava com sensação de ter finalmente recebido uma oportunidade ao lado de Sara. Ele colocou o paletó sobre os ombros da advogada, caminhou ao lado dela por todo o caminho até o estacionamento, abriu a porta do passageiro e tentou ajudar com o cinto de segurança, mas ela recusou. A proximidade do corpo de Carlos era estranha, quase repulsiva, e Sara queria guardar a sensação de ter estado nos braços de Ivan, o cheiro, o sabor do beijo e até mesmo os pensamentos impuros que o calor daquele corpo havia feito brotar na sua mente. Carlos quebrou o silêncio assim que ligou o carro. - Podemos ir a um restaurante ou a um barzinho. O que acha? Eu preciso ir para casa, estou cansada, não tenho fome, desculpe. Carlos pensou que não era um bom momento para insistir, a menina que costumava ser forte como uma rocha, parecia estar prestes a desmoronar. Isso poderia ser bom, afinal, quem sabe ele não seria o porto seguro que ela escolheria para desabar e assim ele ganharia a moça e a fortuna na mesma jogada. Assentiu ao pedido de Sara, mas estacionou em frente a uma padaria que ele sabia ser a preferida da advogada. Saiu do carro sozinho e sem dizer absolutamente nada. Sara nem sequer notou a ausência de Carlos, a sua mente só tinha espaço para Ivan, para aquele sentimento que teimava em não ir embora apesar do ocorrido humilhante. Quem é aquele homem que conseguiu levá-la ao delírio com apenas um beijo? Carlos voltou com um ‘croissant’ de chocolate e um chocolate quente com canela, a menina era viciada em chocolate e canela, não havia como falhar. No entanto, ao entrar no carro, Sara não estava mais lá, apenas o perfume que ela deixava no ar testemunhava que ela havia sentado naquele carro. Carlos olhou em volta, pegou o celular e discou para o número da garota, mas apenas a caixa de mensagens foi sua resposta. Ele ainda dirigiu pelos quarteirões próximos, mas sem sucesso, nenhum vestígio da filha do diretor, apenas a sensação amarga do fracasso e o cheiro do perfume misturado ao vapor de chocolate quente faziam companhia ao cirurgião. Carlos aparentava ser perfeito, o profissional premiado, gentil e prestativo com todos os colegas do hospital, bom amigo e sempre estava à disposição do senhor Lakesi e a sua filha. Mas a verdadeira identidade de Carlos era suja e podre como o excremento de ratazanas urbanas. O verdadeiro nome nunca foi descoberto, mas na máfia americana era conhecido como Ceifador. Ele fazia pequenos serviços de limpeza quando alguém resolvia falar demais. Então, não importava onde a pessoa se escondesse, o CRM e o crachá do cirurgião abriam as portas e ele podia limpar a sujeira do chefe da máfia americana aqui no Brasil. E justamente por ter se escondido como cirurgião, por ser óbvio, ele não havia sido descoberto e pode realizar a cirurgia de Ivan. O homem havia sofrido muitos danos em diversas vértebras, mas nenhum irreversível, o que Carlos fez durante a cirurgia foi garantir que esses danos deixassem o homem sem andar. Carlos não perderia Sara para um desconhecido, ela era preciosa demais, não era apenas a filha adotiva do Diretor Lakesi, era também a filha perdida de um dos chefes da máfia. Hermes conhecido como príncipe das operações da máfia americana se caso com apenas 19 anos após um acordo com a Yakuza, mas a esposa Adrya de apenas 15 anos havia sido sequestrada logo após a noite de núpcias. Adrya foi trazida para o Brasil e havia sofrido todo tipo de torturas, mas quando descobriram que ela carregava em seu ventre um filho que uniria a máfia japonesa a máfia americana, as torturas pararam. Adrya conseguiu fugir com a ajuda de uma das enfermeiras que cuidava da gestação, a ideia era usar a criança para conseguir vantagens, mas a garota fugiu com um tesouro precioso no ventre. Deu à luz no hospital Central e Sara nasceu com 41 cm e 3 quilos pelas mãos do homem que chamaria de pai. Adrya sabia que o futuro da filha seria nebuloso se a levasse com ela, então abandonou a menina com a certeza de que o cirurgião cuidaria bem do seu precioso tesouro. A adolescente foi capturada e assassinada 2 dias após sair do hospital, tentaram de todas as formas obrigar a garota a falar onde estava o bebê, mas como único presente a filha, daria o seu silêncio e a sua vida para que Sara pudesse ter uma escolha. O Ceifador deveria silenciar os sequestradores, quando descobriu sobre a existência de Sara e optou por mudar os planos, não deu mais nenhuma notícia para os chefes americanos, mudou de nome, refez os documentos e começou a trabalhar com o pai de Sara. Claro que ele achava Sara uma mulher bonita, ela tinha a face e corpo perfeitos, era inteligente e espirituosa, mas ele nunca havia se apaixonado de verdade, o amor do Ceifador era pela fortuna que Sara poderia garantir-lhe, não apenas a família adotiva era multimilionária, como as famílias genéticas da menina eram as famílias mais poderosas dos Estados Unidos e Japão.
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