Capítulo 05

1956 Palavras
O sábado chegou, e com ele o encontro com Ingrid. Fernando não havia acordado muito bem, mas já sabia que tudo era parte de estar morrendo, e lutando contra isso. Também sabia que estava ficando sem tempo, sentia que os remédios começavam a perder o efeito contra as dores. De frente para o espelho percebeu que as olheiras estavam maiores, mais escuras, logo o cabelo começaria a cair, talvez perdesse peso primeiro. - Que merda. - Ele se encarou. - Gosta tanto de viver e vai morrer. Nando voltou para o quarto e com o celular na mão enviou uma mensagem. "Bom dia" Viu que havia algumas de Ingrid e até chegou a entrar na conversa, contudo Luiza respondeu. Fernando já não tinha mais concentração em outros assuntos. "Bom dia Nando." Ele escreveu algo, apagou e voltou a escrever. "Hoje tem sorvete?" - Sorriu ao lembrar dela atrapalhada. "Hoje tem cinema. Topa?" Queria desesperadamente enviar um sim, acabou desconversando, mentindo sobre um jantar importante. A conversa se estendeu pela tarde. Fernando almoçou rindo das palhaçada de Luiza. E quando deu por si, já estava em cima da hora de sair. Era um encontro com Ingrid, então resolveu testa-la. Escolheu uma roupa casual, o carro também nao foi um dos luxuosos. Mesmo assim, pensou ele. Se fosse a Lu, poderiam ir a pé. - Seu amigo disse que vem dormir aqui hoje. - Nice ajeitou o colarinho da camisa dele. - Prepara o quarto dele Nice, por favor. E diga que não pretendo demorar. Nice, bem a contragosto se dirigiu ao andar de cima. Era hora de ir. Ingrid mandou a localização, e de fato não era tão longe assim. Vinte minutos depois Fernando estava frente a casa dela. - Bela casa. - Ele pensou alto. Ingrid apareceu no portão dois minutos depois, usava um belo.vestido preto colado ao corpo bonito. Saltos agulha, o cabelo loiro soltou. Ela estaba cheirosa. Nando notou que ela vacilou o andar quando viu o carro, contudo manteve o sorriso largo e se aproximou. Entrou calada, com as duas mãos na bolsa. - Está muito bonita. - Fernando beijou-lhe a mão. - Obrigada Doutor. - Aqui somos Nando e Ingrid, por favor. - Claro. - Ela o respondeu com cautela. Fernando dirigiu por um tempo até encontrar uma sorveteria, parou o carro sem olhar para a companheira da noite e como uma cavaleiro foi até ela. - Aqui? - Ingrid indagou. - Aqui. Algum problema? - Não. É que se eu soubesse, viria mais a vontade. Não era bem isso, e Nando sabia. Entraram e pediram cada um uma taça de sorvete. - Quanto tempo trabalha no hospital? - Ele se acomodou na cadeira. - Quatro anos, desde que acabei a faculdade. - Ingrid respondeu. - Gosta de lá? - Claro. É um bom lugar. Ela estaba escolhendo as palavras, queria outro assunto, em outro lugar. - Está desimpedida? Ela sorriu, olhou para os lados e voltou a encara-lo. - Solteira, sim. Sozinha não. Não gosto muito dessa coisa de ter um alguém mandando em mim. Acho que curto essa coisa de liberdade entende? - Sim. - Nando recebeu a taça de sorvete e aguardou Ingrid receber a dela. Ingrid era uma bela mulher, mas era rasa, nao entrava nos assuntos de fato. Nando já tinha acabado o sorvete e notou que ela não havia tocado no seu. - Não gosta? - Perguntou, apontando. - Muitas calorias. Ela começava a se soltar, o jeito doce, se transformava em algo sínico. Tinha também aquela leve insatisfação com o lugar. Parecia que Ingrid não era a mãe perfeita. A noite já ser longa... Luiza acabou por escolher um filme de Heróis, e não se arrependeu. Faltava pouco para o shopping fechar, então ela aproveitou um lanche enquanto pensava na vida. Faltavam menos de dois dias para Edson voltar a procurá-la. Só esperava ter tempo disso. Depois de comer pediu um carro por aplicativo e sozinha em frente ao shopping, esperou. Quando o carro chegou, não era o esperado. - Entra. - p**a merda Edson. Não. Não vou entrar. - ela lhe respondeu. - Você não tem vida ? - Claro que tenho. - ele disse, impaciente. - Vim resolver umas coisas aqui e te vi. - Ah sim. - Ela virou o rosto. - Boa noite Edson. - Eu te levo em casa. - Ele continuou. - Eu fiz Proerd. E mesmo que não tivesse feito, te conheço muito bem. Aliás, ainda estou tem tempo de pagar. Edson desceu do carro, estava sem os dois seguranças. Pegou Luiza pelo braço e praticamente a enfiou no banco do passageiro. Pelo retrovisor ela viu que o motorista acabara de chegar e flagrou tudo. O homem desceu do carro e se aproximou. - Luiza? - Perguntou. - Sim. - Edson quem respondeu. - Ela pediu uma corrida amigo. - Sim, mas minha namorada vai comigo. O homem levou a mão a cintura, analisou o carro, e voltou a olhar para ele. - Namorada de um homem casado... Bom, ou ela vem comigo, ou posso passar um rádio agora mesmo. O que acha? Sem dizer nada, Luiza destravou a porta e desceu do carro. Acompanhou o motorista e deixou Edson parado. Quando o carro ganhou movimento ela notou que o homem fazia outro caminho. - Você é amante dele? - Não. - Luiza se encolheu mais ainda. - Mas ele pensa que sou. Como sabe que ele ia me fazer m*l? - Já fui chamado para muitas ocorrências assim. Algumas delas não acabam bem. Ele era policial. - Me chamo Thomaz. - Obrigada Thomaz. Ele parou na frente da casa escura, deu uma olhada para os lados e soltou o cinto. - Me dá seu celular. Ela estendeu a mão, derrotada e com vergonha. Thomaz anotou o próprio número ali, fez uma chamada e a devolveu. - Em situação de extrema urgência, me liga. - Mais uma vez, obrigada. Ele deu partida e saiu com o carro. Luiza fechou o portão e atravessou, ou tentou atravessar o pátio, contudo sentiu um puxão forte, que a fez desequilibrar e cair. Edson havia deixado a porta do carro dela aberta. Estava ali a espreita como um bicho r**m. O celular na queda, ficou onde estava. - Fica calada. Sabe que te quero, não? Ele a jogou para dentro do carro e entrou em seguida. Luiza estava só, não queria que a mãe visse aquilo, ou soubesse da safadeza dela para manter o irmão a salvo. Sentou indefesa no banco e com lágrimas nos olhos viu Edson fechar a porta com cuidado. Quando ele voltou a devorou em um beijo dolorido. Enfiou a mão entre as pernas dela. Luiza naquele momento sentiu-se molhada. Edson era charmoso, e mesmo que ela não quisesse, se sentia atraída por ele. Fechou os olhos e mordeu os lábios quando sentiu prazer. Ele sabia disso e gostava. Gostava de tê-la em seus braços. Edson tirou a calça com dificuldade, já Luiza de vestido sentiu os dedos ágeis dele afastar sua calcinha para o lado. - Coloca camisinha. - Ela tentou se afastar. - Qual é Luiza, já fizemos sem. - Coloca camisinha ou eu saio daqui. - Luiza segurou a mão dele, que se movia entre suas pernas. Nervoso, Edson pegou uma camisinha da carteira e a colocou. - Pronta agora? - Sim.. Ele pegou Luiza no colo e a sentou de frente. Não tinha prazer na penetração, para ela era como uma forma de pagamento. Se pelo menos Walter ficasse em segurança, aguentaria t*****r com Edson. Ele gemeu um pouco alto e logo a sentou de lado. Vestiu a calça e lhe entregou a camisinha suja. - Não te obriguei a nada. - Edson respirava rápido. - Eu sei. - Ela ajeitou a calcinha. - Falo isso, porque depois sai por aí dizendo que eu abusei de você. - Edson, fica tranquilo. Eu sei o que faço. Ainda se lembrava quando tudo começou, ele a chamou na sala da diretoria, estavam devendo. E então, Edson fez a proposta, dizia que sentia algo por ela. Depois de alguns encontros e mensalidades abonadas, ele se casou com a dona do lugar. Quase trinta anos mais velha. - No próximo final de semana tem visita. - Ele disse quando saiu do carro. - O garoto sente falta de vocês. - Claro. Já nem aguentava responder, e quando Edson finalmente se esquivou para a rua ela rumou diretamente para dentro de casa com lágrimas pesadas correndo pelo rosto. Ao entrar deu de cara com a mãe. Dona Marli tremia até o queixo, furiosa. - Que pouca vergonha... - Ela cuspiu no rosto da filha. - Sua vagabunda! Pega as suas coisas e some daqui.. - Mãe.. - Luiza tentou se defender. - Faz da minha casa uma zona, transando feito um bicho no carro. - Ela disparou contra a filha. - Criei uma vagabunda... - Mãe, por favor. Eu precisei fazer aquilo pelo Walter. - Luiza se defendia dos tapas. - Fez isso porque é safada. - A mãe, esbaforida falou. - Você deveria ter morrido junto do safado do seu pai! Luiza apanhava e já não se defendia. No fundo era verdade. Era uma safada como o pai, que morreu em um acidente com a amante. - Pega as tuas coisas Luiza. - Dona Marli agarrou-lhe pelos cabelos e a levou até o quarto. - Pega as tuas coisas e some. Prefiro passar fome mais a tua avó, do que olhar na sua cara outra vez. De canto de olho, Luiza viu a avó chorando, os olhos assustados, tremendo. - Deixa ela Marli. - Dona Amelita falava. - Deixa a menina em casa.. - Não mãe! - Ela gritou. - Vai embora Luiza. Se depender de mim. Não tenho mais filha .. Luiza pegou um punhado de roupas, enfiou em uma bolsa velha e sem dizer uma palavra sequer, deixou a casa. Entrou no carro e só parou quando viu os letreiros do hospital. **** Fernando estacionou o carro em frente a casa de Ingrid. O assunto acabou na mesa, então a volta foi em completo silêncio. - Boa noite Ingrid. - Ele disse. Ingrid soltou o cinto e de surpresa o beijou. Nando retribuiu, de longe um beijo caloroso. Ingrid que já estava sem cinto rapidamente sentou no colo dele. - Aqui na rua? - Ele se afastou. - Quer entrar? Nando a seguiu para dentro. A casa era bonita, bem organizada. Ela tinha uma gatinha, que chamava de Pandora. No andar de cima ficavam os quartos. O de Ingrid era uma completa bagunça. Mas ele estava ali para uma coisa. E pegou pela cintura e a beijou, Ingrid rápida tirou o vestido. Ela era uma bela mulher, e sabia disso. Naquele momento, enquanto tirava a roupa. Fernando pensou que poderia entrar nela sem preservativo, mas havia o fato das doenças sexuais. E pensando bem, Ingrid não seria a mãe do seu filho, mas eles podiam aproveitar a noite. Ela era quente, gostosa. m*l colocou a camisinha quando Ingrid o jogou na cama. O que seria bom, se tornou um verdadeiro inferno. Ao jogar Nando na cama, Ingrid não calculou direito. Ele caiu de m*l jeito, batendo a coluna na mesinha ao lado da cama. A dor foi tanta que ele desmaiou. - Nando. Nando! - Ela se abaixou. - Por favor. Nando! Apressada, Ingrid pegou o vestido do chão e ligou para a única pessoa que poderia ajuda-la. - Ingrid, pra me ligar uma hora dessas, imagino que seja algo importante. - Doutor José Carlos, o Nando está desmaiado. - Onde ele está? Ela escutou a correria do outro lado da linha. - Na minha casa... ele bateu a coluna... - Daqui a pouco chego aí...
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