Oportunidade

1528 Palavras
Eu não estava planejando t*****r com ninguém esta noite. Apenas fui ao bar para evitar cair no sono no meu apartamento. Saí de Londres ao meio-dia e, se conseguisse ficar acordado até a meianoite, na Costa Leste, não seria atormentado pelo jet lag. No entanto, jet lag era a última coisa que passava na minha cabeça agora. Mesmo que não a levasse para casa e a fodesse até quase amanhecer, a belíssima mulher que estava à minha frente me deixaria acordado a noite toda. A lembrança de seu cabelo escuro e a maneira como tentava conter os sorrisos me deixaria entretido, alerta e duro. — Você mora aqui em Manhattan? — perguntei. Ela assentiu. — Tenho um apartamento pequeno no SoHo. Me mudei de Connecticut há menos de dois anos. — Connecticut? — Sim. Eu cresci lá. Me casei lá. Fiquei até o meu divórcio... — Fez uma pausa no final, como se não quisesse que eu ouvisse o resto. Interessante. Ela não parecia ser muito mais velha. — Foram casados muito tempo? Deslizando o guardanapo que estava sob seu copo para a esquerda, respondeu: — Tempo suficiente. Não revelou muita coisa. Ela era gostosa. E durona. Além de ter um quê de Scarlett O’Hara. Só que eu não tinha a paciência do Rhett. Sexo era uma válvula de escape. Não tinha nada a ver com sentimentos ou estar aberto a qualquer merda que as mulheres acreditavam que deveria haver. Era mais como uma libertação – um esquecimento sem sentido. Tomei um gole da minha bebida. — Você já foi casado? — perguntou. Quase me engasguei com o líquido. Até parece. Esmurrei meu peito, tentando não parecer um completo babaca. Casado? Bem, aquilo não faria as coisas muito mais simples? Dei um jeito de afastar tudo da minha mente por algumas horas, mas lá estava: um flashback – o pensamento de perder o Grupo Westbury para Frederick, ou FredPica, como costumávamos chamá-lo quando crianças. — Não, nunca fui casado. — Já foi noivo? — insistiu. Ela não tinha se tocado ainda? Não estávamos em um encontro. Estávamos apenas passando um tempo até que fosse aceitável sair dali e t*****r. Eu queria ir tão a fundo? Dentro dela, com certeza. Emocionalmente? p***a, de jeito nenhum. — Conheci um monte de mulheres incríveis. Ela tocou a borda de seu copo com o dedo. Não dava para dizer se por nervosismo ou desaprovação. — Imagino que tenha conhecido mesmo. Inclinei-me e sussurrei: — Você parece incrível... Ela tentou disfarçar um meio sorriso quando balançou a cabeça. — Você é um bajulador. — Só porque a elogiei? — perguntei, um pouco confuso. As mulheres normalmente achavam que sou charmoso, ou assim pensava. — Não, porque você não tem como saber se sou ou não incrível. Mas entendi... Você está tentando me levar pra cama. Era quase como se estivesse ouvindo exatamente o que se passava em sua mente. E isso foi estimulante, mas um pouco desconfortável. — Bom, você acertou sobre o fato de estar tentando seduzi-la, mas de jeito nenhum admito essa coisa de bajulador. Ela sorriu com prazer e meu estômago deu um nó. Aquilo era praticamente uma arma de distração em massa. — E o que acontece se você for bem-sucedido, eu for para a sua casa, e acabar sendo um verdadeiro desastre? — Ergueu a mão para me impedir de interromper. Ao que fui grato, pois não fazia a mínima ideia do que responder. — Não importa — disse. — Vamos embora. — Embora? — Pra sua casa. Acredito que você more pela vizinhança, não? Não estava esperando que fosse tão fácil assim. Achei que ela me faria esperar mais tempo, que teria de dispender um pouco mais de atenção. Bem, quem era eu para discutir...? — Mas você mora no SoHo. Erguendo as sobrancelhas, respondeu: — Mas não o convidei para ir ao meu apartamento. A maioria das mulheres gostava de voltar para suas próprias casas. Se elas morassem fora da cidade, eu as levaria até um hotel. Normalmente as levava para o Regent, que ficava a dois quarteirões do meu apartamento, de forma que não teria uma distância tão grande para voltar quando tudo estivesse acabado. — Mudou de ideia? — indagou suavemente, como se aquilo não a incomodasse nem um pouco. — Perdão. Eu estava pensando. — Sobre o lugar onde mora? Você esqueceu? Comecei a rir. Essa garota gostava de um sarcasmo. Não era comum encontrar isso nas mulheres de Nova York. — Você se acha engraçadinha? — perguntei, enquanto retirava uma porção de notas de vinte dólares do bolso. — Às vezes... — respondeu com uma risada. — Então vamos ver se será tão engraçadinha assim quando eu estiver fodendo você. Sem nem ao menos conferir sua reação, deixei o dinheiro na mesa e a puxei para fora do bar. Assim que pisei o pé do lado de fora, fui brindado com o ar gélido da cidade. Inspirei profundamente e apoiei a mão na parte inferior da coluna de Aziza, guiando-a em direção ao meu prédio. E daí se a levasse para lá? Ela não se parecia de modo algum com o tipo de mulher perseguidora, e isso significava que eu poderia simplesmente me virar para o lado e dormir, ao invés de rastejar para fora e me enfiar nas minhas roupas após t*****r. — Não é muito longe — informei. — Fica logo ali, no próximo quarteirão. Aziza não havia olhado para mim ou trocado uma palavra desde que saímos do bar. Suas mãos estavam enfiadas nos bolsos, enquanto ela analisava a calçada em frente. — Você prefere pegar um táxi? — perguntei. Normalmente não tentava preencher o silêncio quando estava com uma mulher, mas ela parecia um pouco nervosa. Não havia razão para isso, por outro lado, afirmar que eu não a cortaria em pedacinhos não ajudaria em nada. Em breve, ela poderia relaxar sob o efeito da minha língua. — Não, eu gosto de caminhar. É até um hábito, só que normalmente faço isso de sapatilhas. — Bem, acho que esses seus saltos não foram feitos para caminhadas. — Dei uma olhada nos sapatos vermelhos sexy pra c*****o que ela usava. Ela riu antes de dizer: — Com certeza, não são nem um pouco. No entanto, ela se adiantou à minha frente assim que o sinal abriu, atravessando a rua. Consegui alcançá-la com dois passos. — Que pena. Estava louco para você continuar usando os saltos assim que chegarmos. — Deslizei a mão por sua coluna. Ela olhou para mim e apenas assentiu. Estava esperando por algo mais... encorajador. Inclinei a cabeça e sussurrei em seu ouvido: — Vamos ver se consigo convencê-la a conservá-los. Aziza deu um suspiro, como se estivesse prestes a dizer alguma coisa, mas não disse nada. — Chegamos — informei, grato por morar tão perto. Ela pegou seu celular e disse: — Tudo bem, fique bem aí. — Empurrou meu ombro até que me recostasse contra a parede do prédio. Até pensei que ela fosse me beijar, mas seu toque não tinha nada a ver com desejo. Antes que tivesse a chance de falar qualquer coisa, ela tirou uma foto minha. — Qual é o número do seu apartamento? — perguntou. — É a cobertura. Por quê? Ergueu o olhar do telefone e estreitou as pálpebras como se estivesse debatendo se dizia a verdade ou não. — Estou enviando isso para Violet. — Violet? Assentiu, enquanto digitava em seu aparelho. — Minha irmã. Você a conheceu agorinha. — Poxa, se soubesse que estava enviando isso para alguém da sua família, teria caprichado na pose — falei. Aziza riu. — Awww, você teria mesmo? Se ajeite aí — disse e ergueu o celular outra vez. Fiz uma careta e coloquei a língua para fora. — Pensei que você faria uma pose do tipo Zoolander — comentou ela, rindo. — Eu teria meio que mudado de ideia sobre vir ao seu apartamento agora, se tivesse me dado um vislumbre do seu visual assim que acorda. Balancei a cabeça e coloquei um braço sobre seus ombros. — Bom, então é melhor levá-la logo para dentro. Ela continuou concentrada no que fazia enquanto seguíamos até o elevador. — Pronto. Ela recebeu a mensagem. — Você diz Violet, a sua irmã? — perguntei. — Sim, então está tranquilo. Se eu morrer esta noite, este será o primeiro lugar onde virão atrás de você. Comecei a rir quando a olhei. Era óbvio que ela era uma pessoa prática. — Estou só um pouquinho nervosa — murmurou. — Isso não é muito a minha praia. Digo, não em relação ao sexo. Sexo é a minha praia. Totalmente. Adoro... Sabe... É só que... com você, não sei bem como isso funciona. — Fez uma careta e suspirou. — Vou fechar a boca agora. Estou sendo ridícula. — Okay — respondi, sem saber ao certo como reagir. Nova York era lotada de mulheres ultrassofisticadas. Aziza se parecia a uma delas, mas de alguma forma ainda nova e imaculada. Ela só disse o que se passava em sua cabeça, sem segundas intenções. Eu gostava disso. — Está tudo bem. Não se cale por minha causa.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR