PRISCILA NARRANDO Gente, que raiva! Eu passo com a família do Galvão. Quando a gente morava na Rocinha, ele ia no barraco da mãe dele todo dia. Beleza, ele sempre ajudou com dinheiro, bancando as coisas. Os outros nunca ajudaram em nada. O cunhado do Galvão ganha bem, a irmã dele não dá um pedaço de pão à mãe deles. Tem um irmão ladrãozinho que está na pior agora, depois que tomou uns pipocos da polícia, e tem o outro que só estuda, mas devia arrumar um serviço também para ajudar em casa. Meu marido está aí esse tempo sem fazer os corre dele por causa do tiro que ele levou no lugar do Raposo. A gente avisou a família dele, só os pais dele vieram e ainda pediram dinheiro. Pode me chamar de faladeira, porque eu falo mesmo. Eu botei a boca no mundo, com a veia, o velho e o Galvão também.

