Ally pareceu ficar petrificada e Julia que era a mais corajosa das três chegou perto de mim.
- Pet, você precisa ficar calmo.
- Ficar calma é o c*****o, Hansen. Você ouviu o que aquele bastardo disse ? "Vítor deveria ser meu filho." - Disse imitando a voz dele. - A p***a que meu filho iria ser filho dele, esse cara ta pedindo para levar um chute entre a merda que ele carrega no meio das pernas para aprender a não brincar comigo, parece que a primeira surra não foi o suficiente.
Eu disse caminhando de um lado para outro da lanchonete, naquele momento não tinha muitas pessoas e os que tinham ali nos olhavam assustados. Josh viu que um enfermeiro estava com o celular em mãos filmando e foi até ele puxando o celular para si, jogando no chão e pisando em cima.
- Se isso acontecer novamente, eu faço todos os responsáveis irem parar no olho da rua e nunca mais irão conseguir emprego nos Estados Unidos inteiro, vocês entenderam? - Ele disse apontando para todos.
- Você não é ninguém para fazer isso, vou aproveitar aqueles repórteres lá fora e irei contar o que aconteceu aqui dentro. - O enfermeiro disse para ela e eu tive que me envolver na merda toda.
- Ele pode até não ser, mas eu sou dono disso aqui também. - Eu não estava mentindo, havia comprado algumas ações e por direito isso também era meu. - Você pode ir até lá e contar, mas eu realmente espero que você tenha boas condições para trabalhar na rua, porque é o único emprego que você vai conseguir depois disso...
- O que está acontecendo aqui ? - Sebastian que era o diretor daquilo surgiu ali.
- Esse louco está dizendo que é dono do hospital e esse homem ao lado dele quebrou meu celular. - O garoto de olhos claros disse.
- Qual o seu nome? - Perguntei ignorando Ally que tentava me tirar dali.
- Júlio Humpert.
- Okay, Júlio. Você está demitido! E Josh quebrou sim, ele estava filmando coisas íntimas e pelo o que eu sei ele deveria está em horário de trabalho já que sua hora de descanso acabou a quase trinta minutos, eu não o quero aqui dentro. Mande os documentos dele para minha empresa o mais rápido possível, espero que ele saiba falar outros idiomas. — Disse encarando o rosto - agora - medroso na minha frente do rapaz. Julia foi até ele e disse baixinho.
- Se fudeo! — Me fazendo sorrir com suas palavras e sair da lanchonete.
- Eu amo sair com vocês, cada dia é uma animação só. - Julia disse e acabou levado um tapa de Ally. - Ouch mulher, isso machuca.
- É pra machucar mesmo, isso foi pelo palavrão. Enquanto isso... - Ela acertou outro tapa no braço esquerdo de Josh. - Foi por ter quebrado o celular do rapaz, e isso.. - ela acertou um mais forte no meu que me fez gemer baixinho, Ally tinha uma mão pesada. - Foi para você parar de ser explosiva. Você acha que só porque possui dinheiro pode destruir o que quiser? Não é bem assim que as coisas funcionam, mocinho!
- Se aquilo caísse nas mãos dos abutres lá fora seria o caos. - Tentei dizer, mas ela me fitou séria.
- Esqueça isso, estamos com problemas demais no momento. - Ela respondeu ainda séria, eu sabia que naquele momento ali, Allyson estava incorporando a responsável pela imagem da nossa família. Allyson sempre foi a responsável pela carreira artística de Sofia, e que havia ajudado bastante em nosso relacionamento quando começou, mas de acordo que o tempo foi passando e nós crescendo, a vida profissional de Sofia cresceu de forma tão assustadora que haviam muitas agências que não queria apenas ela nos holofotes, como a mim também. Eu queria ficar por perto e foi assim que acabei me tornando uma pessoa tão pública quanto ela.
- O que vamos fazer? - Josh perguntou se apoiando ao meu lado. Meu amigo era um homem pacífico, mas quando necessário, ele também sabia sair no braço.
- Ellen fez o convite para Peter ir até o próximo programa para um entrevista. - Olhei confusa para Ally. - O que foi? Se você tivesse assistido a entrevista toda saberia, mas não... Achou que era uma ótima saída quebrar meu tablet ...
- Sinto muito, Allycat. - eu disse um pouco envergonhado.
- Não tem problema, não é como se eu nunca tivesse outro por aí. - Ela disse abrindo sua bolsa, pegando um fone bluetooth estéreo e colocando no ouvido direito e pegando um ipad da Apple e o ligando.
- Isso me assustou um pouco. - Julia disse.
- A mim também. - Josh concordou e eu rir, Ally sempre seria Ally. Eu ia abrir a boca para falar algo quando Sebastian ficou de frente para mim com um sorriso nos lábios.
- Você está bem? - ele perguntou e eu concordei com a cabeça. - Sinto muito por aquilo ali dentro, sei o quanto sua vida está conturbada agora e te entendo, to aqui para avisar que Sofia está instável e de acordo com a melhora do parto iremos tentar tirar os sedativos dela aos poucos, Vítor está no quarto com os avós e as tias, espero que não tenha problemas para você, achei que era o certo ele ficar por perto nesse momento.
Sebastian dizia e eu sentia o amor crescendo mais e mais dentro de mim, eu sabia que em breve Sofia iria parar de ser sedada e isso era excelente, principalmente agora que Vítor não estava mais dentro dela e que ao menos ele não corria riscos, então eu apenas concordei. Mas tinha que fazer um pedido antes.
- Posso ver ela antes? - perguntei suplicando, havia algumas horas em que eu não há via, e isso sempre me matava aos poucos.
- Você sabe que dessa vez vocês não poderão ficar no mesmo quarto, Peter. Ela ainda está sensível devido ao nascimento do bebê e todo cuidado é pouco, ela ficará nos próximos dias na UTI sob observação, mas eu sei o quanto você está apreensivo e ansioso para vê-la, você só tem dez minutos ali dentro e nada mais, depois você vai ir para o quarto e ficar lá até amanhã de manhã que é quando o bebê terá alta, qualquer coisa entraremos em contato com você.
- Ele já vai poder ir para casa? - Eu perguntei com um sorriso largo no rosto. Então lembrei de algo. - Vocês podem ir para o quarto se quiserem, eu realmente preciso ver Sofia.
Olhei para as meninas que estavam com lágrimas nos olhos e apenas concordaram com a cabeça e seguiram caminhando pelo corredor entre murmúrios.
- Pode, Kate só irá ajudar você a cuidar dele por essa noite e ficará auxiliando no que você precisar. - Eu concordei.
- Enquanto à Sofia? - Começamos a caminhar pelo corredor na direção do elevador.
- Como disse, ela ficará na UTI por uns dias e lá não pode ter visitas. Mas como eu conheço você, posso fazer alguma coisa para você ver ela ao menos uma vez. Apenas se você se comportar. - Sebastian era um senhor de uns sessenta anos com os cabelos brancos e um pouquinho rechonchudo, mas era bastante simpático. Ele também era um dos donos do hospital.
Agradeci durante o caminho todo até a UTI, para ser sincero, aquele lugar me causava arrepios, era como se a morte sempre estivesse ali, um lugar frio e com um silêncio assustador.
Caminhamos até a porta de número 23 e quando ele abriu a porta eu senti o ar gelado atingir meu corpo e ele paralisar por alguns segundos.
- Porque diabos você está tocando nos s***s da minha mulher? - Perguntei a garota morena com meio metro de altura, vulgo Sandra.
- Oh, senhor Gates. São procedimentos médicos, Vítor precisa se alimentar daqui à pouco.
Olhei séria para a garota, minha vontade mesmo era de jogar ela dali de cima até lá em baixo na pista só para ter certeza de que se ela não morresse com a queda - o que eu acho improvável - morreria sendo atropelada por um carro. Fui até ela em passos lentos e a fitei por alguns instantes, vi a coisa que ela usava em suas mãos para drenar o leite dos s***s de Sofia tremer por uns segundos e respirei pesado, ela estava apenas fazendo seu trabalho.
- Ok, Sandra. Continue, eu espero você terminar. - Disse indo para a cadeira ao lado da cama dela.
Sebastian e ela me olharam assustados, eu tinha o gênio um pouco forte quando se tratava da Sofi, mas aquilo não dependia mais de mim, existia Vítor e eu tinha que pensar no seu bem estar e de como as coisas seriam daqui para frente.
- Ele vai ter que se alimentar do leite dela sempre? - Quebrei o silêncio que havia ficado no quarto.
- Por hoje sim, Gates. Como será a primeira refeição dele, ele precisa se alimentar do leite materno... - Sebastian explicou. - Ajuda no desenvolvimento dele, entre outras coisas. Ele é um garotinho sortudo. Você tem que agradecer muito à Deus por ele ter nascido.
- Agradecerei pelos restos dos meus dias, agradeceria mais se ela acordasse também. - Disse dando um sorriso amarelo, meu corpo estava cansado.
- Vamos com calma, ok? Ela está sem os sedativos, Sandra?
- Sim. Tivemos que tirar já que precisaremos do seu leite e como é um recém nascido, não pode existir outros tipos de substâncias por mais que ele já esteja acostumado devido as medicações que Sofia teve que receber durante à gravidez. — Sorri ao ouvir suas palavras, mas meu sorriso aumentou quando eu vi ela terminar de coletar a quantidade necessária do leite e por na mamadeira azul que Vítor havia ganhado de Clara quando descobrimos que ele seria um menino.
- Vou ficar aqui fora esperando por você. - Sandra disse e saiu junto à Sebastian, eu apenas concordei com a cabeça me levantando do lugar onde estava sentado.
Olhei para o rosto da minha menina vendo o quanto ela parecia está abatida, mesmo com os lábios ressecados, seus lindos cabelos um pouco seco e sem brilho ela continuava sendo o ser mais perfeito que eu havia visto em toda a minha vida. Peguei em suas mãos e brinquei com as pontas de seus dedos da mesma maneira que sempre fazia quando eu me sentia com medo. Haviam certas coisas que nunca mudaria, como olhar para seu rosto e os batimentos do meu coração acelerar, minhas pernas fraquejarem e o alvoroço das borboletas dentro do meu estômago... Naquele momento eu me apaixonei mais uma vez por ela.
- Oi meu amor, você deve está cansada... Mas é por um bom motivo. - Disse acariciando seu rosto de leve. - Eu sinto sua falta, sinto muito sua falta.. - Eu me aproximei mais do rosto dela. - Você deve estar cansada de saber sobre isso, mas eu não paro de pensar no dia em que eu vou voltar a ver seus olhos e olhar seu lindo sorriso. Eu esperaria a eternidade e um dia mais se possível for, porque eu sei que no final disso tudo, iria valer a pena porque você ainda seria minha, como sempre foi... Sei que em algum momento você vai acordar e eu estarei aqui para te abraçar quando isso acontecer e eu finalmente vou sentir todos os pedaços do meu coração se reconstruir. - As lágrimas já desciam dos meus olhos, mas eu nem me incomodava com elas.
Joguei o cabelo dela ao lado e tirei uns fios soltos que ousavam a cair no seu rosto, quando ela saísse dali precisaria de um corte novo, já que sua franja estava grande demais como todo o resto. E mesmo assim, eu não conseguía deixar de amá-la.
- Vítor é lindo, como você. - Eu funguei um pouco. Tava difícil de respirar. - Eu não tive muito tempo com ele e o pouco tempo em que fiquei nos braços a única coisa que conseguia pensar é que ele era um pedaço de você. E que Deus havia tido pena do meu sofrimento e mandou ele para fazer a diferença. - Limpei mais uma vez as lágrimas e sorri baixinho. - Acredita que todas as noites eu estou orando para que tudo dê certo para nós três? Ally me ensinou a orar e diz que quando a gente é sincero e uma boa pessoa, Deus nos ouve e atende nossas preces, aqui no hospital tem uma pequena igrejinha e as vezes eu vou lá implorar para que você acorde.
Então, lembrar de tudo aquilo foi como o fim para mim, eu me perdi dentro de mim e comecei a chorar alto sem me importar se tinha alguém me ouvindo ou não, deixei todas as lágrimas saírem como das outras vezes... Talvez essa crise foi uma das piores, porque a saudade realmente estava me sufocando à um ponto desesperador.
- Acho que minha fé não é suficiente para fazer Deus acreditar que eu preciso de você, eu estou desesperado, meu amor, por favor, por tudo que é mais sagrado abra seus olhos, Sofi. Por favor meu amor, abra seus olhos e me faça feliz?
Eu só preciso ver seu sorriso mais uma vez, eu faria qualquer coisa para estar no seu lugar e não te ver assim...
Eu sentia o ar sumir dos meus pulmões, não havia remédio suficiente para me fazer apagar e acordar no dia em que ela também acordaria, não existia remédio que fizesse aquela dor horripilante sumir de dentro do peito, eu só sabia que ia passar quando ela acordasse.
- ABRE OS OLHOS SOFIA, POR FAVOR???
Eu gritei e me deixei desabar sobre seu corpo frio sobre a cama, ouvi alguns bips soar do aparelho de seus batimentos que estavam sendo monitorados, eu não sabia dizer o porque daquilo, eu só me peguei no resto de fé que eu ainda tinha quando alguém entrou na sala e me tirou a força dali, eu não sei o que estava acontecendo e nem o porque da garota de meio metro está me levando para longe da minha Sofia, ela é minha, ninguém tem o direito de me levar para longe dela.
Eu me sentia dopado e essa foi como das outras vezes em que eu sabia que drogas, álcool e nenhuma substância seria o suficiente para me manter ciente das minhas ações, Sofia precisava acordar ou eu acabaria ficando louco e meu filho talvez, sem a mãe. Ela tinha que acordar, nem que para isso eu tivesse que ficar ao seu lugar sobre aquela cama. Ela me prometeu que sempre ficaria do meu lado, porque ela não estava cumprindo sua promessa agora?
- Tome isso. - Sandra me entregou um comprimido com um copo plástico com um pouco de água.
- Eu não preciso disso! - Dei um tapa na sua mão arremessando o remédio para longe.
- Olha, Peter. Você precisa ficar calmo, eu sei que é difícil e que você está sensível devido as coisas que estão acontecendo, mas você não pode perder o controle, eu sei que a mãe da Sofia quer o Vítor para ela e isso é errado, você precisa tomar esse remédio e voltar para aquela sala antes que ela leve seu filho sem você saber, mas para isso você precisa ficar calmo... Eu não estou falando isso para o seu m*l, estou aqui como as inúmeras pessoas lá fora que só estão ali para te dar força e dizer que você é forte o suficiente para vencer isso de cabeça erguida como sempre foi. - Ela disse sentando à cadeira do meu lado, e nesse momento eu me senti envergonhado por ter lhe tratado m*l. - Nós acreditamos em você, sabemos do quão sempre foi turbulento o relacionamento de vocês, sabemos que para vocês viverem esse amor tivesse que passar por anos de especulações, críticas até que finalmente pudessem serem aceitas sem se importar com o que os outros iriam dizer, acredite vocês foram inspirações para muitas pessoas, como você acha que Sofia iria reagir se soubesse que a Peter Gates, terror no campo de advocacia abandonou sua vida para perambular em um hospital e viver a base de remédios e outras drogas? Eu supervisiono seus exames, faço o máximo que posso para não vazar nada, eu só quero que você entre naquela sala e seja a pessoa pela qual Sofia se apaixonou e que enchia seu coração de orgulho.
Ela terminou passando as mãos na minha costa e ia saindo quando eu fui mais rápido, fiquei em pé e a puxei pela mão trazendo seu corpo em um abraço desajeitado. Ela ficou assustada com meu ato, mas depois correspondeu.
- Obrigada, eu precisava disso! - Respondi limpando as lágrimas.
- Eu sei que sim, agora vamos.. Seu bebê precisa se alimentar. — Ela estendeu a mamadeira para mim e eu respirei fundo quando chegamos na porta onde ficava meu quarto. Eu sabia que todos estavam ali fazendo várias especulações sobre onde eu estava e o motivo para minha demora, eu deveria está horrível e meus olhos inchados, nesse momento eu não me importava, eu só queria pegar meu filho e passar o resto da noite com ele no meu colo para sentir um pouco dele presente entre minhas mãos novamente, eu esperei nove longos e infernais meses para ter isso.. E nada e nem ninguém iria tirar meu filho de mim, nem que para isso eu tivesse que matar. Eu mataria sem pensar duas vezes.
Sandra colocou a mão na porta e fez um gesto com a cabeça e eu concordei dando aprovação, então ela abriu a porta mostrando o pequeno alvoroço em torno da minha mãe que tinha um embrulho entre seus braços, rapidamente os olhares de todos foram direcionados para mim, alguns rostos foram franzidos aos verem meu estado e eu não liguei, outros foram por me verem ao lado da pequena, eu também dei de ombros e segui os passos da Sandra que foi até minha mãe pedindo permissão para ter Vítor em seus braços e a mesma entregou para ela. Sandra veio até mim e com um sorriso nos seus lábios disse;
- Gates? Conheça Vítor, seu filho!