📓 Narrado por Lobo O silêncio entre a gente ainda era pesado, daqueles que gritam mais do que qualquer palavra. Ela respirava perto demais, a pele quente, o olhar cravado em mim e eu já tava quase esquecendo que lá fora existia mundo. Até que o chiado cortou o ar. Um estalo, depois outro, e logo a voz estourou no alto-falante, alta, rouca e debochada: — Atenção, Morro da Serpente! O homem agora tem dona! Repito: o Lobo arrumou patroa! O som ecoou nos becos, nas vielas, nos telhados. O morro inteiro ouviu. Ela arregalou os olhos. Eu fiquei estático por um segundo, tentando entender se tinha escutado certo. E escutei de novo: — A patroa do morro atende pelo nome de Lara Monteiro, viu? A princesa do Lobo! O som da voz ecoava no morro todo, debochada, rascante, como se cuspisse ri

