📓 Narrado por Camila Ele cheirou de novo. Uma, duas vezes. O barulho do canudo raspando no prato parecia faca arranhando vidro dentro da minha cabeça. Os olhos dele já estavam virados, o corpo trêmulo, o peito subindo e descendo como se o ar tivesse fugindo. — Já chega de conversa — ele disse, a voz rouca, embriagada de droga. — Hoje tu vai me dar o que eu quero. — Não... — minha voz saiu num fiapo. — Por favor, não faz isso... Tentei me afastar, arrastando o corpo pelo chão, mas ele veio rápido, tropeçando, babando ódio. Me agarrou pelo braço, me puxou de volta com força, o cheiro da cachaça queimando o ar entre nós. — Deixa de frescura! — gritou. — Tu acha que manda alguma coisa aqui? Eu chorava, mas o choro vinha seco. O corpo inteiro tremia, o coração batendo no pescoço. — Me

