Eu tenho que fazer algo para mudar o ambiente. Ela não precisa disto agora. O que aconteceu abalou-a, eu sei. E a culpa foi minha. — Sabe que o bebê já é do tamanho de uma cenoura? — Digo de repente, sem tirar os olhos da estrada. É uma distração, eu sei, mas funciona. Aprendi isso ao longo do tempo. Quando Helena está presa em pensamentos sombrios, a melhor coisa que posso fazer é falar com ela sobre algo positivo, algo que a faça se concentrar no presente. Algo real e tangível. — Uma cenoura? — Ela responde, voltando a sua atenção para mim. Há um pequeno sorriso em seus lábios, mas ela continua fraca. Ainda sem olhar para ela, focado na condução. Dirigir me acalma. Gosto da rotina. Sempre me saí bem porque segue um padrão claro. — Isso é o que li — eu adiciono — É do tamanho de uma

