Bruno.
Eu não queria sair, mas tive que sair da sala porque falar sobre o que a aflige é algo que ela deveria fazer sozinha. Por mais possessiva e egoísta que eu me sinta em relação a ela, eu a quero saudável e ela só pode ser se completar as terapias. Reparei no seu olhar de medo quando disse que ia embora, ela está aterrorizada por eu a deixar em paz e não voltar —algo que não vai acontecer — mas ela não se atreve a dizer em voz alta.
Ao sair do hospital, vejo o homem que contratei encostado ao meu carro, ele parece relaxado, mas sei que está alerta para a aparência em todos os lugares.
— Sr. —Cumprimenta-me quando estou à frente dele.
— Vou sair para tratar de alguma coisa, quero que entre e fique em frente à porta do quarto dela, está bem?
— Sim, Sr. Bruno.
Ele começa a caminhar em direção ao hospital, mas o som da minha voz o impede.
— Volte? Se algo acontecer com ela, você pagará as consequências.
— Ela estará segura, Sr. Bruno.
Entro no meu carro, ligo o motor e dirijo como uma alma que leva o d***o para parar na frente da casa daquele lixo. Levei um tempo para identificar o atacante e, uma vez que eu sabia quem ele era, eu comecei a traçar o meu plano. Gostava de tirar de casa e livrar-me dele. Infelizmente, ele não é apenas qualquer homem e seu desaparecimento levantaria suspeitas desnecessárias, então devo proceder com cautela.
Leonardo Salvatore não é apenas o herdeiro de uma multinacional farmacêutica, mas também o marido de Viviane, uma princesa alemã cuja família é muito poderosa. Terminá-los exigirá paciência e fazer um trabalho interno com o qual eu não me relaciono.
No entanto, pensar nisso é mais fácil do que fazê-lo, já que tenho que segurar a roda para não sair do veículo, bater à porta e bater até a morte. Por enquanto, me contento em saber que todos os seus movimentos estão sendo observados, graças às câmeras que instalei em sua casa. Não poderão fazer nada sem que eu saiba, entretanto, vou reunir provas para os condenar. Eu sei que Leonardo foi quem atropelou a Helena, não foi sensato da parte dele usar o carro, mesmo que ele se tenha livrado dele e tenha comprado um igual em nome de outra pessoa. Ele quer esconder as pistas que podem aproximá-lo, mas não há nada que passe despercebido. A mulher não está longe de ser igual ou mais perigosa do que ele, eu descobri sobre a humilhação que ela fez minha esposa passar.
— Não pense que vão fugir com isso, que vão pagar por tudo, juro. — com o desejo de que as minhas palavras os alcancem.
Volto a entrar no carro e desta vez vou para casa, vou até o apartamento da Helena e faço uma mala com roupas confortáveis. Então eu vou para o meu e faço o mesmo, converso com o diretor da clínica, ofereço-lhe um novo programa de segurança gratuito e ele me deixará ficar mesmo fora do horário de visita.
Ele pode não ser um homem tão rico como os bastardos que magoaram a Helena, mas tenho contatos e isso significa ter poder. Um que eu não hesitarei em usar por e para ela.
— Alguma coisa nova? — Pergunto a Noel Braga, a soldado russa que cuidará da Helena.
— A psiquiatra saiu, uma enfermeira veio colocar outra dose de medicação.
— Você pode ir ao apartamento voltar de manhã, vou pernoitar com ela.
— Sim, Senhor. — Concorda como uma despedida.
Helena se vira assim que ouve o som da porta se abrindo, seu olhar está cheio de emoções que eu não posso decifrar completamente, você está feliz em me ver? Aliviada ou grata? Seja o que for, eu gosto de ser o único a provocá-la.
— Como foi a sessão? — Eu questiono após deixar as malas no canto.
Helena olha para mim enquanto espera que eu me acomode ao lado dela na cama. Pedi uma maca espaçosa para o quarto dela, porque senti que isso aconteceria. Ela se deita no meu peito e deixa todo o ar sair de seus pulmões, seu corpo fica solto e ela começa a falar quando se sente pronta.
— Melhor do que eu esperava, embora tenha sido avassalador. Ela me perguntou sobre a minha infância, nós conversamos sobre a morte do meu irmão mais velho. Ela enfatizou que não era minha culpa e que era mais fácil para minha família se eles jogassem isso em mim. Sei que ela tem razão, mas não é fácil tirar uma ideia da cabeça quando pensas assim há tanto tempo. — Ela ri, mas não há humor — Nem sequer vieram ver-me.
Pontos para o médico, ela está certa.
— O teu pai e o teu irmão apareceram aqui no dia do acidente, expulsei-o. Eu fiz errado? Quer os ver? — Pressiono-os mais contra o peito porque a própria ideia de que estão perto disso desagrada-me.
Eu gostaria de levá-la para casa e trancá-la para evitar ser ferida, no entanto, isso só a tornaria mais insegura e não o que eu quero. É uma flor delicada que deve ser cuidada e livre ao mesmo tempo.
— Não sei. As coisas deram errado com eles da última vez, eu não me sinto pronto para enfrentar ou lidar com suas reprovações.
— E você não precisa. Tem a mim, Helena.
— Eu tenho você, Bruno?
Meu coração salta para o apelido amoroso, nunca me foi dado um e vou valorizar isso no fundo da minha alma. Enquanto Helena dorme em meus braços, penso na primeira fase do meu plano, vou gradualmente cortar as conexões de ambas as famílias até que não haja mais ninguém para salvá-las.
"Eu sinto coceira nas rachaduras da minha alma quebrada, isso significa que começou a cura?"
Helena.
Eu aperto meus lábios firmemente para evitar rir de Bruno e o olhar furioso que ele lança para a enfermeira. A razão? Ela está explicando que os moldes não podem ser tirados de mim prematuramente porque meus ossos não vão curar bem, mas meu vizinho m*l-humorado não quer não como resposta.
— Mas incomoda — diz ele.
— E vai deixá-lo mais desconfortável, os elencos não são confortáveis, Sr. Bruno. No entanto, eles têm uma função.
— Vou falar com os seus superiores. — Você pode falar com minha mãe, ela também dirá não.
— Você não é profissional.
— Sim, seja o que for. Estou velho demais para esta discussão. — Diz e vai embora.
Bruno se vira para olhar para mim e seus olhos se suavizam, embora sua expressão ainda seja dura. Ele pode parecer intimidante para os outros, mas para mim ele não é nada mais do que um urso gigante que eu quero abraçar o tempo todo. Como se estivesse ouvindo meus pensamentos, ele se aproxima da maca e eu imediatamente abro espaço para ele.
— Desculpe, não consegui convencê-la a tirá-los de você.
— Ok, não é assim tão mau.
É irritante porque eu quero me coçar e não posso, mas me recuso a adicionar mais peso à carga que ele sente por mim, então não vou dizer mais nada. A segunda semana está chegando ao fim e, embora meu corpo não dói mais como antes, eu não vou ter alta.
— Hoje você tem outra sessão de terapia —comente em voz suave.
— Eu sei.