Kalil
Após o dia clarear eu saia do hotel. Cidade pacata, pequena e pouco movimentada. As ruas vazias dão um ar de cidade de faroeste, mas isso não era o mais interessante. As padarias estavam abrindo, o cheio de pão e bolo estavam no ar e, embora eu tenha fome, não pude degustar nada que tomasse meu tempo.
Ao me verem andando, as crianças correram para perto dos seus pais, os senhores me olhavam como se eu fosse uma ameaça aquele lugar naquele momento. Ignorei os olhares e segui a diante, eu só queria um único endereço!
Havia muitas barracas com bugigangas penduradas e expostas para a venda. Todas elas ocupadas por moças ou pessoas ainda jovens, de certo, herança de pais.
— Bom dia, Sra. Pode me dizer para que lado fica a igreja? — A senhora de cabelos loiros e pele flácida me olhou de cima abaixo, procurando algum motivo pelo qual deveria me ajudar ou não...
— Para esquerda, lhe aconselho a escolher o lado que mais lhe traga amor, suas vestes e seu tom de voz, não diz que tenhas isso contigo. — Ela sorriu e entrou em sua renda. Continuei andando até chegar na pequena igreja, onde as freiras estavam brincando de ciranda com algumas crianças que estavam na rua, mas ao me verem, as crianças daqui também se esconderam atrás delas.
— Com licença, vocês conhecem essa moça? — Mostrei a foto de Luiza e ela se entre olharam e mantiveram silêncio, o que era uma resposta positiva ali. — Vocês a conhece ou não?
Luiza
Havia acabado de voltar para a igreja, quando lembrei que haveria um casamento e eu precisa também ajudar nos afazeres. Irmã Maria estava ordenando as demais o que tinha que fazer. Entrei sem que me viessem e quando estava indo até o meu quarto, ouvir a Madri cochichando com alguém próximo a ela.
— Ele está aqui! Ele veio atrás dela, Madri. O que iremos fazer agora? O demônio veio buscá-la. — Uma das freiras falava muito baixo e por eu estar em uma parte reservada demais, não era fácil de me ver, mas eu as via muito bem.
— Acalme-se. Ele não vai encostar um dedo em Luiza. Vá e avise as demais que continue fazendo seus trabalhos. Afinal, você viu Luiza hoje? — Engoli em seco por ouvir meu nome e saber que eu era o pivô de toda a merda.
Meu corpo automaticamente paralisou por alguns segundos, mas alguma coisa dentro de mim me dizia para correr, pois o perigo estava próximo. Peguei o rodo que estava em minha frente e fui sair dali, passando pano para que não vissem passos meu ali. Quando cheguei em meu quarto, havia acabado de me vestir quando Madri começou a bater na porta, chamando meu nome..
— Pode entrar, Madri! — Disse engolindo em seco, pois nunca fecho a porta e desta vez ela sabe que eu estou sentindo algo, maldita hora que eu fui falar do que eu sentia a ela..
— Filha, eu te peço que me ouça. Preciso que siga com Maria. Você está correndo perigo, mas não deixaremos acontecer nada com você. Não se preocupe.
— Madri, eu já sou uma mulher, já sou adulta e agora chegou a hora de encarar minha realidade e meus problemas. A senhora sabe que jamais quis ser freira, eu amo vocês e tudo que fizeram por mim. Há mais alguma coisa que minha mãe tenha feito e que a senhora me esconde? Eu nunca fui tola, Madri. Ouvir a senhora conversando com alguma outra sobre mim e decidi ir dormir na casa da Bella. — Vi ela ficar pasmem e sem reação. Estalei os dedos e ela piscou vagarosamente até voltar ao normal. — Está me ouvindo? Eu não sou um fantoche, muito menos uma criança.
— Mas… mas como assim não é inocente? Te fizeram algo? — Então essa era a preocupação dela? Que ridículo.
— Não foi isso que eu quis dizer, a senhora entendi muito bem. Ninguém passa anos em um convento por nada, se estou aqui é porque alguma coisa aconteceu no dia em que eu nasci.
— Tudo bem! Prometo lhe contar tudo depois. Agora faça tudo que eu lhe disse. Eu vou... — Antes dela completar a frase, o barulho do vidro da janela sendo quebrado e os estilhaços se espalhando pelo chão, quase acertando a Madri.
Me joguei no chão e Madri suplicou para que eu fugisse, mas não deu tempo nem mesmo de cruzar a porta. Esbarrei em uma pilha de músculos, até que bonito, mas ele segurava uma arma e estava com uma foto na mão. Uma foto minha em sua mão. A forma como nossos olhares se cruzaram foi estranho e amedrontador, meu corpo sentiu um arrepio no meus instante. Senti uma sensação de culpa sobre mim e não queria que ninguém ali se machucasse por minha causa. Se é a mim que ele quer, é a mim que ele terá! Abaixei molhar, enquanto via outras pessoas mascaradas rendendo as freiras, as pondo de joelhos enquanto mantinham armas mirando em suas cabeças. Parecia cena de filme, mas não era nada fictício.
— Só irei perguntar mais uma vez! Quem é Luiza Hansel? — Seus olhos miravam os meus, quase sem fôlego eu o encarei de volta, buscando forças para responder.
— Sou eu. Por favor, não as machuque. Eu sou Luiza Hansel. — Para se certificar, ele olhou para foto por alguns segundos depois me olhou de volta.
— Podem soltá-las, o que eu quero já está aqui.
Madri ajoelhou-se no momento seguinte e teve que ser socorrida pelas demais. Ela não parecia nada bem e eu não pude fazer nada.
Estava sendo escoltada por dois homens, que seguravam meus braços com força, como se eu fosse resistir e como se eu tivesse força para enfrentá-los.
Fui colocada dentro de um carro branco, com bancos de couro e ar-condicionado. O homem que ditava as regras não era velho e era confiante em suas palavras. Apesar de não saber sobre nada do que está acontecendo, eu sinto que tudo isso é por causa do meu passado, que eu não faço a menor ideia do que aconteceu. Todos esses anos eu fui engana e feita de i****a por todo mundo naquele convento. Até mesmo o padre Amaro escondeu isso de mim.
Kalil
Uma das coisas que eu detestava era mexer como pessoal da fé.
Diferentes das outras, ela é estranha. Não faz alarde, nem grita e muito menos fala. Ela se matinha calada todo o caminho, nem parecia que tinha alguém ali além de mim. Ela olhava a paisagem através da janela, com um vestido longo branco, com mangas longas, os cabelos presos em um r**o de cabelo.
— Está tudo bem? — Perguntei olhando através do retrovisor.
— Sim, está! — Sua resposta foi fria assim como seu olhar direcionado a mim.
Meu pai estava no mesmo hotel que eu, por algum motivo ele não me disse o porquê de tanto interesse nela, nem a mesma parecia raciocinar as coisas muito bem no momento. Chegamos no hotel e meu pai já estava nos esperando em seu quarto, quando fui avisado pelo seu motorista que deveria entrar sozinha com Luiza.
Will Ferrari
Sem alardes meu filho chegou com a garota, seu rosto muito parecido com o da sua mãe e se não tivesse acontecido tantas coisas, poderia jurar que ambas seriam a mesma pessoa. As semelhanças eram inúmeras, por alguns segundos me vi confuso.
— Luiza Hansel? — Seus olhos negros era idênticos ao da sua mãe. Senti o nervosismo tomar conta de mim, como se eu estivesse revivendo o momento em que conhecido a mãe dela. — Não sei se já te disseram, mas você é idêntica a ela e… — O silêncio se fez presente e Kalil também, como se estivessem ansiosos para que eu dissesse algo.
— Meu filho, mais uma vez fez um trabalho impecável, agora preciso que se retire e nos deixe a sós. Isso é problema meu, não precisa se preocupar daqui por diante. Irei tranferir o dinheiro paga você agora mesmo. — Kalil se retirou e a noviça se manteve de pé, me olhando como quem estivesse me desafiando, ela é o retrato vivo de Margô. Sinto que terei boas noites de prazer com ela ao meu lado, ela é silenciosa do jeito que eu gosto! Espero que não seja traíra igual sua mãe ou terá o mesmo destino trágico que o seu, pois não será nada útil para mim, a não ser para que seja vendida no mercado n***o, daria um ótimo lucro.