Unhas Roxas

3282 Palavras
- Não senhor. Porque? Deveria?  LeBlanc deu uma gargalhada, que chamou a atenção de todos no local.  - Oh me desculpem. - Falou com tom suave na voz, arrepiando Rebeca até a o couro cabeludo. - Se não estou preso, temo que tenho que ir, ou me atrasarei para meu próximo compromisso. - Virou as costas e saiu. Fernando e Rebeca ficaram perplexos, se encararam.  - Ele é suspeito pra mim. - Rebeca falava.  - Eu também acho. Vamos descobrir quem ele é. Vamos voltar para a delegacia. Já eram quase 21hs, ainda estavam na delegacia.  Dr. LeBlanc era médico pediatra, tinha 35 anos e morava num bairro rico da cidade. Sem antecedentes criminais.  - Mas uma testemunha disse que o suspeito tinha olhos azuis e uma cicatriz... - Poderíamos conversar com a testemunha novamente, quem sabe um retrato falado. Assim poderíamos ver se eles se parecem, mesmo sem cicatriz ou olhos azuis. - Fernando falava enquanto buscava nas pastas os nomes das testemunhas. Rebeca ajudou-o a buscar nas pastas os nomes das testemunhas, para achar qual falou da aparência do suspeito. De repente Rebeca xinga. - m***a! m***a! m***a! - O que foi? - Fernando a encara assustado. - Dr. Alexandre LeBlanc, testemunha número três, passava pelo local quando viu um homem correndo do local em que a vítima foi encontrada. Estava em uma parte bem iluminada da rua e pôde ver o rosto do suspeito. - Rebeca leu o que estava na ficha. Fernando socou a mesa com força! - Desgraçado! Ele zombou da nossa cara!  Telefone de Rebeca toca e ela atende - Detetive Lorone. Rebeca ouve com atenção. Desliga o telefone e encara Fernando com lágrimas nos olhos.  - Encontraram mais uma vítima.  Fernando empalideceu. Abriu a boca mas nenhum som saiu. - Ele se apressou. Era só amanhã o sétimo dia. - Por fim falou em um fio de voz. - Ele deve ter percebido que desconfiamos dele, e se descontrolou. - Rebeca estava com os olhos marejados. Rebeca se levantou. - Vamos para a unidade de vítimas especiais. Precisamos de mais ajuda. Vamos encontrar esse homem. - Ok, mas antes vamos no local do crime, pegar evidências, ele é esperto, mas ele está desesperado.  - É a hora que ele comete um erro. - Rebeca falou pegando a bolsa e se encaminhando para a saída. *** Fernando e Rebeca chegam na cena do crime, as mesmas evidências, mulher, baixa, pele branca, olhos e cabelos castanhos, tiro na cabeça e... unhas pintadas de roxo.  Rebeca sente um calafrio percorrer seu corpo. Fernando percebe e franze o cenho. - Está com frio ? - Ele pergunta, mesmo sabendo que não está. - Nã... não... é só essa situação toda. Que crueldade, que loucura. - Rebeca responde e Fernando assente. Ambos verificam a vítima, colhem alguns dados de pessoas que passavam pelo local e como a encontraram.  Depois vão para a unidade de vítimas especiais.  A delegacia está um alvoroço. Todos em choque porque não acreditam que deixaram mais um crime acontecer.  Rebeca toma a frente. - Já temos um suspeito. - Ela respira fundo enquanto todos a encaram. - Alexandre LeBlanc, médico pediatra. - Todos se surpreendem, um pediatra? alguém questiona. - Sim... - Fernando responde. - Precisamos saber onde ele trabalha, e onde estava na hora dos crimes. Isso pra começar.  - Também precisamos de um mandado de busca na casa dele. Urgente!  *** Policiais por toda a parte, entrando na casa de Dr. LeBlanc, revirando sofás, armários, tudo que veem pela frente. Fernando e Rebeca estão de luvas, ajudando na busca. Dois outros detetives foram no hospital perguntar por LeBlanc.  "Vruuum Vruuum" o celular de Rebeca vibra. Ela não olha.  "Vrummmm Vruuuummm Vrummm" uma ligação, Rebeca olha o identificador de chamadas e é sua Mãe.  Afasta-se um pouco de Fernando e atende. - Oi mãe. Estou trabalhando.  Seus olhos se arregalam quando ela ouve a voz do outro lado, seu coração começa a bater rápido demais, suas pernas amolecem e seu estomago se embrulha. "Ai meu Deus, é ele. É aquela maldita voz." Rebeca amolece e desmaia.  Fernando vê Rebeca se afastar, percebe que ela fala com alguém em voz baixa, de repente ela desmaia. Fernando corre até ela, pede que tragam água. Outro detetive corre e se aproxima com a água.  - Rebeca, Rebeca... - Fernando dá batidinhas em seu rosto, e joga um pouco de água. - Rebeca... Rebeca dá um salto: - Minha mãe, cadê meu celular... - procura pelo chão, Fernando o entrega sem entender, ela disca o número e cai na caixa postal. - m***a!  Fernando a olha com ar interrogativo, ainda preocupado.  - Era ele, LeBlanc, ligou do celular da minha mãe. - Rebeca deixou lágrimas escorrerem, mas seu olhar não era de medo, era de raiva, determinação.  Fernando endureceu o semblante. - Vamos encontrá-la. Eu juro. - Segura as mãos dela. Era sua parceira, se não fosse por ela não teriam nem desconfiado de LeBlanc, ela merecia prioridade. Rebeca assente. - Podemos ir na minha casa agora ? Preciso ver se minha irmã está lá, ou ... - Balança a cabeça.  - Claro, vamos para lá agora. Pedirei reforços. - Fernando faz uma ligação e se afasta. Volta encarando Rebeca bem nos olhos. Por um momento ele enxerga o medo nos olhos dela, mas é breve. Ela o encara e diz: - Vamos? - Vamos.  Ao chegarem na casa de Rebeca, Fernando toma a frente, Rebeca vai pelo lado direito da casa, abaixada para não ser vista por quem esteja dentro da casa, em sua cola vem outro policial armado.  - Nada. - Rebeca faz movimento com os lábios para o policial a seu lado. Ambos entram pela janela lateral, enquanto ouvem a porta sendo arrombada. - d***a! - Rebeca pensa. Devia ter dado a chave, assim não teria feito tanto barulho. Correm pela casa procurando por alguém. Nada. A casa está vazia.  A cada passo que dá, Rebeca sente que vai vomitar. A cada passo perde um fio de esperança. - Aquele verme! - Ela grita, enquanto todos se encontram na entrada sem encontrarem ninguém na casa. Sai a passos largos para fora. Sente-se sufocando, sua garganta se fechando, as lágrimas começam a escorrer, ela começa a correr. Corre, corre, corre.  Rebeca não sabe pra onde está indo, apenas corre, tentando desesperadamente controlar as lágrimas. Que m***a Rebeca! Ela pensa. Porque você não podia ser uma professora, ou uma dentista... porque ser policial e arriscar a vida dos que mais ama? Rebeca sentia que não podia mais correr, sua garganta ardia, com o ar que entrava por sua boca, o suor escorria por seu rosto e pescoço.  Fernando corria alucinado atrás de Rebeca. "Mas que mulher que corre rápido" Pensava enquanto corria. - REBECA, REBECA PARE, POR FAVOR! - Ele gritava atrás dela. Quando percebeu que estava sem folego e parou, ele correu mais rápido e a alcançou.  Rebeca sentiu um par de mãos fortes a virarem, ela fechou os olhos e começou a lutar com ele. Ela nem mesmo sabia com quem lutava, mas não podia deixá-lo vencer.  De repente uma boca colou-se na sua. Rebeca abriu os olhos. Encontrou Fernando com aqueles incríveis olhos azuis a encarando com desespero no olhar. Seus lábios estavam colados nos dela. Ela fechou os olhos. Fernando aprofundou o beijo, sentindo-a relaxar. Foi um beijo calmo, um beijo terno e acalentador.  Fernando se afastou e a abraçou. Neste momento Rebeca se deixou cair. Chorou até não ter mais lágrimas. Sentou no chão. - O que vamos fazer ?  Fernando estava a vendo tão vulnerável, quase não acreditava que era a mesma mulher forte e determinada de antes. Sentiu-se compelido a abraça-la, mas não queria exagerar. Ela poderia entender m*l.  Suspirou. - Estão tentando localizar o celular de sua mãe. - Pensou por um momento. - Não o encontraram no hospital também.  Rebeca soluçou. Fernando não aguentou mais e a abraçou. Estava sentado ao lado dela, meio de lado, a abraçou sentindo o seu perfume misturado com suor. Aquilo o excitou. m***a! O que estava havendo com ele!?  Se afastou, se levantou. - Vamos Rebeca. Precisamos encontrá-las.  Rebeca se levantou, respirou o ar da noite e foram em direção a sua casa. Ela nem percebera que tinha corrido tanto, estavam a várias quadras de distância.  Quando chegaram encontraram todos esperando-os. Assentiram para Rebeca e foram fazer uma revista na casa. Quando telefone de Rebeca toca novamente. Ela congela. - É o número da minha mãe.  - Quer que eu atenda? - Fernando se oferece.  - Não. - Então ela mesmo atende o celular. Apertando tanto o aparelho que os dedos ficam esbranquiçados.  - Alô. - Diz com voz firme.  - Olá, querida Beca. - Ele fala com a voz aveludada que tanto anoja Rebeca.  - O que você quer LeBlanc?  - Quero você!  - Se soltar minha mãe e minha irmã.  - Ótimo! Venha buscá-las então. Mas venha sozinha. Ou você já sabe o que acontecerá a elas.  Rebeca engole o nó que se forma em sua garganta. - Quero ouvi-las antes. Passe o telefone.  Um silêncio se ouve, Rebeca pensa que ele irá recusar, quando ouve a voz de sua mãe. - Beca.  Sua voz está embargada, percebe-se que chorou. - Mãe, vou tirar vocês daí. - Sua mãe interrompe. - A Lari... - sua voz falha. O telefone é tirado dela. A voz de LeBlanc surge novamente no telefone. - Meia hora. Você tem meia hora ou eu as mato! - E desligou.  Rebeca não sabe o que fazer, se for sozinha é capaz de ele m***r as três, caso não vá sozinha ele mata elas.  Fernando olha naqueles olhos que são como esmeraldas, e vê dúvida, medo, indecisão... Mas que d***a! - O que ele disse Rebeca? - Fernando fala sério, já imaginando o que o homem na ligação pediu. Ela não responde. - Você não irá sozinha a lugar algum ouviu bem? - Fernando a sacudia pelos braços.  - Eu preciso, ou ele vai matá-las.  - Não mesmo! Esse caso é de todos nós e vamos salvar sua família! - Fernando falava com convicção, quase acreditou nele mesmo, mas seu coração batia descompassado. Não se perdoaria se algo acontecesse a Rebeca. Apesar do pouco tempo juntos, ele sentia-se conectado a ela.  A equipe foi redirecionada para o endereço que LeBlanc passou, todos com cuidado e escondidos para não serem descobertos antes da hora certa.  Rebeca entrou no prédio abandonado em que dava o endereço passado, seus passos eram lentos, não querendo fazer qualquer barulho. Parecia se tudo ao seu redor estava suspenso, não havia ar para respirar. Rebeca deu mais alguns passos, pegou sua arma devagar, e com passos lentos continuou no escuro. Seus olhos já estavam se acostumando com a escuridão e se adaptando.  Fernando estava do lado de fora. Cada segundo parecia uma eternidade, como concordou com aquele plano? Tudo que fizera em sua vida foi ser um bom policial, ótimo detetive e se manter seguro. E manter os seus seguros também. De repente se deu conta que estava considerando Rebeca como uma das suas. Sorriu por dentro. Esperava poder dizer isso a ela.  - Já passaram 5 minutos. - Fernando olhava para o sargento, pedindo que fizesse algo.  O sargento o olhou e ergueu a mão, o mandando esperar mais um pouco. Fernando sentia o suor escorrer na face, as suas mãos formigavam enquanto segurava a arma. Sentia seus pés gelados na botina, o colete a prova de balas o incomodava embaixo dos braços, o lembrando de que poderia levar um tiro a qualquer momento. Pensar nisso o deixava mais tenso, pois se fosse assim, Rebeca já estaria também baleada.  Engoliu seco. Fechou os olhos e tentou se acalmar. Precisava se concentrar. Agora entendia porque evitavam deixar as pessoas que trabalham juntas namorarem, ou ter envolvimento em caso de família envolvida. Mas Rebeca não era nada sua, porque estava tão desesperado?! PÁ! PÁ! Um tiro, dois tiros. Ouviu o sargento gritando, mandando todos entrarem. Fernando corria como se sua vida dependesse disso, e talvez dependesse mesmo. ___________________________***__________________________________ Dr. Alexandre LeBlanc, já foi uma criança um dia. Uma criança arteira e curiosa. Sempre queria saber o porque das coisas e amava fazer experiências. Principalmente com animais. Seus pais se preocupavam e o explicavam que aquilo era errado que não devia agir assim.  Com o passar dos anos perceberam que ele tentava manipular todos a sua volta e por muitas vezes conseguia. Fazendo com que brigassem um com o outro e não com ele. Levaram-no ao um psicólogo e psiquiatra, os médicos ainda diziam precisar de mais entrevistas com o garoto de apenas 6 anos, mas que ao que tudo indicava era um caso de psicopatia.  Os pais de Alexandre temiam pelo seu filho, mas quando descobriram que teriam outro bebê se preocuparam mais ainda. Explicaram para Alexandre que teria uma irmãzinha, que seria legal ter alguém para brincar. Ele parecia ter gostado da ideia.  Continuaram o levando ao psicólogo, fazendo tratamentos com várias atividades recreativas na tentativa de suprimir essa psicopatia. Tentando fazê-lo optar por agir da maneira correta.  Quando Alexandre estava com 10 anos, sua irmãzinha fazia 4 anos. No dia de seu aniversário, ele pegou-a no colo e a levou para a garagem. Os pais dele estavam sempre atentos, não os perdiam de vista. Mas estavam contentes com o fato de que Alexandre tratava bem a irmã e demonstrava amá-la. "Quem sabe os médicos estavam enganados" Eles pensavam.  Neste dia, estavam preparando as coisas para a festinha de 4 anos de Amélia, irmã de Alexandre. Não perceberam o seu afastamento logo de cara.  Passados uns 10 minutos a mãe olhou para o lado e não viu os filhos na sala, sentiu seu coração apertar. Um m*l pressentimento a afetou. Saiu correndo e gritando para que o pai viesse ajuda-la. Correram por todos os cômodos da casa. Quando iam sair para procurar ouviram um barulho na garagem.  Ao chegarem lá o que viram os apavoraram. Alexandre estava com sua irmãzinha nua em cima de uma mesa de madeira, com uma faca estava lhe cortando a barriga. Nesse momento correram e salvaram Amélia. Desde então resolveram que precisavam se livrar de Alexandre ou ele mataria todos eles.  O levaram para outro estado do país e o colocaram em um orfanato. Explicaram para as freiras do local. E elas disseram que dariam um jeito. Qual o jeito, eles não sabiam, mas não tinham outra opção.  Saíram sem olhar para trás. Alexandre via sua pequena mãe sair e deixá-lo lá, seus cabelos ondulados até os ombros, de um castanho vibrante voavam ao vento enquanto ela se afastava, ele não queria ficar lá, mas ele sabia que sua mãe o amava e estava fazendo aquilo para o seu bem. Lembrava-se que ela amava pintar as unhas de roxo, era sua cor favorita. O tempo foi passando e Alexandre sempre esperava sua mãe. Até que um dia ele aceitou que não voltariam para buscá-lo e isso o enfureceu. Ele jurou vingar-se quando saísse dali.  Ao completar 18 anos se viu livre daquele orfanato. Ele odiava aquele lugar, odiava aquelas mulheres que o faziam se ajoelhar e o castigavam por qualquer coisa.  Junto com ele uma moça saiu também com 18 anos. Ela foi sua primeira vítima.  Ele dormiu com ela. Ela o lembrava de sua mãe. Era branca, olhos castanhos, boca vermelha, unhas compridas sem esmalte, olhos grandes e castanhos. Ele pensou que ela ficaria bonita com as unhas roxas. Ela era tão boazinha, o deixou pintar suas unhas. Ela se olhava no espelho e estendia a mão brincando. No orfanato não podiam pintar as unhas ou usar maquiagem, dessa forma, era a primeira vez que pintava as unhas. E ela se sentia segura com Alexandre, afinal eles haviam crescido juntos.  Ele ficou com ela quase um ano. Então um dia ao vê-la dormir, pegou a arma que comprou clandestinamente e atirou. Viu seu cérebro estourar pela parede. - Hummmm... - Ele achava que estava se vingando naquele momento.  Mas alguns meses depois, encontrou outra moça, para seduzir ... Agora ali estava ele, parado na frente de duas belas mulheres loiras, de olhos verdes. Uma mais velha e uma mais moça. E ele não sentia a menor vontade de mantê-las vivas. Talvez esperasse Rebeca chegar para ver sua reação, talvez as matasse antes...  Rebeca se aproximou muito quieta. Olhou no relógio, ainda tinha 10 minutos. Quando ela conseguiu visualizar sua mãe e sua irmã, parou, trancou a respiração e tentou enxergar LeBlanc. Não o via em nenhum lugar próximo a elas.  Larissa estava desmaiada, amarrada de costas para sua mãe, que chorava silenciosamente. Rebeca deixou escapar um suspiro. Então uma mão pegou-a pelo pescoço e a virou.  Era ele. Bem de perto ela pode ver os olhos castanhos mais perturbadores que já vira na vida. Tinha finas linhas ao redor dos olhos, suas mãos eram geladas e duras. O sorriso maligno em seu rosto a fez arrepiar. Ele sorria cada vez mais enquanto ela tentava se soltar. Lágrimas começaram a escorrer por seu rosto, quando ela usou toda sua foça e atirou. PÁ.  Sua mãe começara a gritar a algum tempo enquanto o via sufocá-la.  PÁ. Atirou de novo.  Não sabia se tinha acertado nele ou não. Mas o aperto em seu pescoço havia diminuído.  Ouviu passos e gritos por todos os lados, enquanto sentia Alexandre caindo lentamente, fixando seus olhos nos dela.  Rebeca o empurrou e correu para sua irmã e mãe.  Uma confusão por toda parte Rebeca não entendia mais o que acontecia ao seu redor, só pensava em desamarrar sua mãe e sua irmã.  Sua mãe gritava que ele tinha machucado Larissa. Rebeca as soltou e foi até Lari, sua respiração estava fraca.  Ela não conseguia a erguer do chão, tamanho eram seu desespero e as lágrimas embaçando a visão.  Fernando chegou com o restante da equipe. Seus olhos pararam no corpo caído no chão. Era um homem, não era ela. Só então soltou a respiração, que nem mesmo tinha percebido que estava segurando.  Correu na direção dos gritos e viu Rebeca tentando erguer sua irmã do chão. Correu até elas e pegou-a nos braços.  - Está viva. Vamos.  Corriam alucinados pelo prédio abandonado, cada segundo contava para salvar Larissa, de algo que nem sabiam o que ainda. *** Fazia dois dias desde que o inferno tinha tomado conta de sua vida.  Havia matado Alexandre LeBlanc. Ela nunca tinha matado ninguém na vida toda. Apesar de ser policial, esperava nunca precisar m***r ninguém.  Sua irmã estava em coma. Aquele canalha tinha dado uma pancada muito forte em sua cabeça, e pelas marcas em seu corpo ela tentou lutar com ele quando a sequestrou.  Rebeca olhava para a irmã deitada na cama, seus olhos estavam inchados de tanto chorar. Sua mãe não saía dali também.  Fernando fora duas vezes até lá, para ver como iam as coisas. Não queria invadir a privacidade delas, mas não conseguia deixar de se preocupar. Principalmente com Rebeca. Ela parecia ter emagrecido mais nesses dois dias.  Tudo estava se normalizando nas delegacias, casos simples e corriqueiros, sem psicopatas amedrontado a cidade. Mas Fernando não conseguia voltar ao seu normal, não enquanto sabia que Rebeca sofria naquele hospital com sua irmã lutando pela vida.  Bruuuf... Suspirou. - Vou ter que ir lá de novo. - Nesse momento seu telefone vibrou. Era Rebeca. Seu coração disparou. Abriu a mensagem.  "Minha irmã acabou de abrir os olhos. Estou muito feliz! Pode vir aqui ?" Fernando correu com o coração disparado para fora da delegacia, até o dia parecia estar de bom humor hoje, o calor havia diminuído e o sol raiava no céu azul e limpo.
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