Eros O vento frio do norte não apenas varria o refúgio naquela noite; ele uivava por entre as frestas das rochas como o lamento de um lobo solitário. O inverno parecia ter criado raízes no solo e na alma de Eros. Cada rajada de ar gélido trazia o cheiro de pinheiros e neve do Alasca, uma lembrança sensorial da terra que ele um dia chamou de lar, antes que o sangue manchasse a brancura da tundra. O Alfa caminhava sozinho pelos corredores de pedra bruta. Suas mãos, calejadas por décadas de batalhas e punhos cerrados, tremiam levemente. O peito pesava, uma pressão constante, como se um bloco de gelo tivesse sido esculpido dentro de sua caixa torácica. Ao redor dele, o refúgio pulsava: o som metálico de lâminas sendo afiadas, o cheiro de ensopado de caça, o riso cristalino de crianças híbrid

