Emunah

858 Palavras
Eron tinha o poder supremo de me decifrar por completo, e aquilo só me deixava ainda mais assustada. Saber que ele entendia partes de mim que nem eu mesma sabia existir me deixava em estado platônico de desespero. Por que era bom demais. E eu temia que algum dia, isso pudesse acabar. — Eu... eu só... —gaguejei por alguns instantes, mas simplesmente não havia o que ser dito além do óbvio: que ele estava certo. Seus dedos roçaram meu rosto, e ele colocou uma mecha de cabelo cor café caída à frente de meu rosto para trás da orelha. — Eu não menti quando disso que posso sentir você, Eve. — ele disse. — Então porque não me conta o que te perturba tanto? Desisti de tentar manter qualquer escudo contra ele. Ele já havia provado ser á prova deles. — Evangeline. Não canso de pensar que estou atada á ela de uma maneira que não consigo evitar. Quase como se... eu pertences se á ela e a tragédia que marcou a geração de minha família. Os olhos de Eron se deteram um tempo nos meus, em silêncio, para então, ele me trazer para mais junto de si, curvando p pescoço e sussurrando próximo á meu ouvido. — Você pertence a mim, Eveline Gringer. A ninguém mais... sinto como se pertencesse antes mesmo de eu te conhecer. A onda elétrica de calor que percorreu minhas veias se fundiu com minha necessidade dele, vazando por meus lábios de forma sôfrega quando ele voltou seus olhos novamente para os meus, selando sua afirmação enquanto encarava meus lábios entreabertos. — ... sua... Não sei dizer exatamente como aconteceu, mas quando dei por mim, meu corpo já estava preso numa das paredes mais próximas, tendo o corpo de Eron como barragem. — É incrível como você tem uma habilidade nata de sempre me prender contra as coisas... sobre tudo, contra as paredes... — minha voz saiu ofegante, descompassada pelo brilho faminto pairando nos olhos de Eron e pela palma quente de sua mão deslizando provocadoramente por meus quadris tensos. — Gosto de tê-la contra a parede. Gosto da ideia de saber que você não tem nenhum lugar para correr. Que sua única alternativa é sucumbir a mim. 18 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. Minha pulsação se acelerou num ritmo exorbitante quando ele me apertou contra a matéria fria. — O que inevitavelmente sempre acontece. É culpa da adrenalina, sabe... — engoli em seco, tentando desviar o assunto e atribuir nosso descontrole á sua recente atividade física. Mordi o lábio quando seus dedos apertaram a pele de minha coxa por cima da calça jeans. Eron arfou. — Não faz ideia do que minha adrenalina está me impelindo á fazer agora... Seus dedos voltaram á subir, se insinuando pelas bordas de minha camiseta folgada. — Ahn.. então deve ser algo mais que apenas pura e simples... adrenalina... Ele inclinou a cabeça em minha direção, e um formigamento familiar subiu por minhas pernas. — Algo me diz que você está diabolicamente correta. Dias e mais dias de tensão estavam prestes a serem liberados. Já fazia muito tempo desde que ficáramos sozinhos, e a presença constante de tia Peg sempre nos impedia de nos esquecermos do resto do mundo e sucumbir um ao outro, como agora. Minhas mãos deslizaram por seu peito nu, o fazendo sibilar, e fechei meus olhos, esperando ansiosa pelo turbilhão de sensação que eu sabia que viriam a seguir. Pouco antes de alguém irromper nas portas. — Ah, vocês estão aí.. é claro que estão. E juntos. E terrivelmente próximos, devo dizer. Surpresa, afastei Eron rapidamente, que rosnou em direção a entrada, onde Arbo nos encarava com os braços cruzados e uma expressão divertida no semblante. Os cabelos ruivos no tom familiar e selvagem de sempre, e os enormes olhos azuis que recriavam as facetas de uma tempestade escura semicerrados com escárnio enquanto os cantos de sua boca se erguiam num meio sorriso de deboche. — Você já ouviu falar numa coisinha chamada “privacidade”? — Eron murmurou de forma ácida, girando uma adaga afiada entre dedos. Arbo se limitou a dar de ombros. 19 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. — E você já ouviu falar numa coisinha chamada “uma-garota-levando-horas-para-se-preparar-para-uma-festa”? Pois é. Esta é Eve. Arfei surpresa. — Céus... já está na hora? — Sim. — Arbo se desvencilhou do batente da porta, levando ás mãos a cintura num gesto gracioso — E você precisa vir comigo. Tenho ordens claras para prepará-la para a Grande Cerimônia. O que quer dizer que você deve se desgrudar do Sr. Fogueira Humana e vir comigo. — ela sorriu. — Agora. Eron rolou os olhos. — Você tem muita sorte de estar na mesma Elite que eu, Srta. Irritação Ambulante Cheia de Nós Nos Cabelos. — Eu tenho que ir... — avisei, rumando em direção á porta e a Arbo antes que os dois começassem a se cutucar de verdade. — Nos vemos lá.... — ele piscou em minha direção, enviando arrepios ao longo de minha espinha ao terminar a frase em meus pensamentos. ... Emunah.
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