— De acordo. Mas eu ainda não estou certo sobre você e esse vestido. Meus olhos se puxaram para baixo.
— Qual o problema com esse vestido?
— Fora o fato de que ele te faz parecer um petisco ambulante? d***a. Qualquer roupa te faz parecer um petisco...
Vacilei um passo quando seu braço se apertou ao meu redor.
— Eu possivelmente ainda não entendi o real problema.
— Eu sou incrivelmente doente sobre petiscos.
Segurei o riso na garganta, seguindo seus passos a tempo de descobrir que Eron era um ótimo dançarino. Aliás, ele era bom em tudo. Maldito perfeccionismo.
— Seu manto é dourado. — eu afirmei, um pouco tonta sobre o problema da sua proximidade. Pelos bebês de toda a terra, por que ele tinha de estar sempre tão perto?
— Ele realmente é.
— Porque ele é o único?
Seus olhos caíram sobre mim como os raios do sol aquecendo minha pele.
— É a minha cor preferida.
Maldição. Arbo provavelmente saberia disso. E isso provavelmente explicaria muito sobre a história toda do petisco.
— Eu não sabia sobre isso.
Seus olhos navegaram mais uma vez por todo a extensão de meu corpo, parecendo avaliar mais uma vez o encaixe da peça em curvas que eu nem sabia que existiam. Ele sorriu, o ar malicioso subindo a seu olhar.
— Voltando a questão do vestido...
Eu corei.
— O que tem ele?
— É realmente maravilhoso... — ele disse, baixando o rosto até que sua boca estivesse próxima ao meu ouvido e sua respiração quente fizesse cócegas na pele de meu rosto, sussurrando mais alto que a música — ...mas tenho certeza de que ele ficaria ainda mais maravilhoso no chão do meu quarto.
Eu totalmente me afoguei, e um segundo depois, seu braço já não estava mais em minha cintura quando ele me rodopiou, me atraindo novamente para si no momento seguinte. O ar havia escapado de meus pulmões quando caí contra seu peito, e minhas mãos encontraram seus ombros.
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As mãos de Eron subiram por minhas costas, encontrando outro decote e lhe permitindo contato direto com minhas costas.
Oh, Santa m***a.
Era o efeito Eron. Eu sentia minhas bochechas ferverem enquanto perseguia o oxigênio para dentro novamente.
Seu peito poderoso estremeceu com o riso, que atraiu para trás algumas mechas de meu cabelo.
— Eu sei que você está com as pernas bambas, Ev, mas se você permanecer caída em cima de mim por muito mais tempo sua tia pode acabar dando uma de ninja no meu traseiro antes que a música acabe.
Ele tinha um ponto.
Me recompus, pigarreando de forma pitoresca enquanto esticava a coluna, e voltava á dança.
— Não que eu não goste do fato de você estar completamente caída por mim... — ele voltou a piscar, incitando as engrenagens de meus pulmões a não funcionarem da forma correta.
— Eu apreciaria se você calasse sua boca suja.
— Você gosta dessa boca suja. O calor subiu por minhas pernas.
— Sem essa, não vai acontecer. Você não vai conseguir me tirar de órbita hoje.
Ele voltou á sorrir.
— Você está apostando isso comigo?
O riso floresceu antes mesmo que eu conseguisse segurá -lo.
— Ás vezes eu meio que te odeio. Ele me atraiu para perto.
— Eu sei que sim.
Logo, meus olhos detectaram tia Peg num outro canto do salão. Ele estava sentada ao redor de uma mesa redonda com outras Falanges de cabelos brancos. Estava muito concentrada na conversa, mas eu tinha uma noção maluca de que minha tia sempre teria um olho disponível para focá-lo em mim.
Arbo não estava a vista, mas logo detectei outras pessoas que não esperava ver. Pelo menos, não dividindo o mesmo espaço e o mesmo copo de
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bebida. Dublemore estava enfiada um inacreditável vestido branco gelo, com os cabelos geralmente lisos e soltos presos num coque cintilante no alto da cabeça. Eu não me lembrava que ela fosse tão bonita. Á sua frente, Edra, mais parecendo-se com uma criança enfiada nos vestidos da mãe, segurava o copo que ambas dividiam. Edra era bonita a seu modo infantil, mas a forma como as duas mantinham os braços entrelaçados meio que não se parecia com algo que eu estivesse acostumada a ver vindo da garota de gelo. Dublemore não era exatamente o tipo de garota que deixava as pessoas se aproximarem de mais, e sua aproximação repentina á Edra estava começando a abrir meus olhos.
— O quanto você sabe sobre aquelas duas? — eu perguntei, apontando meu queixo na direção onde elas estavam.
Eron estreitou os olhos contornados pelos cílios hiper escuros enquanto dava de ombros.
— Tanto quanto você. Elas devem estar em algum encontro sexy ou algo assim.
Mirei seus olhos novamente.
— Você realmente não disse isso.
— Como assim? Não é nada demais. — ele nos atraiu para outro lado da pista — Afinal, o amor é lindo.
Estreitei meus olhos em sua direção.
— Sério? Você acha que elas estão se vendo dessa forma?
— Que outra forma você acha que a Abominável Garota das Neves consentiria que alguém se aproximasse?
Rolei os olhos.
— Você é terrível.
— E você está obcecada por mim. Quando você vai finalmente admitir?
— Isso não tem muito a ver com o assunto.
Ele me apertou mais contra si. Mais do que seria seguro á um nível Tia
Peg.
— Você está fugindo do assunto.
Eu ri mais uma vez. Esse Eron era completamente diferente do Eron que conheci antes. Do Eron sombrio que havia chegado sem mais nem menos na Academia George Lemaître, explodindo todo o meu mundo de alguma forma irreparável. Ele ainda era obscuro de algumas formas, mas eu diria que aqueles eram dias melhores. Não havia muita coisa que eu sabia sobre ele,
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mas sabia que ele havia ficado adormecido por muitos anos de sua vida, e que eu havia sido a pessoa que ele permitira ver em sua forma verdadeira como ele era de verdade.
Foi pensando nisso, que meu coração se esmagou contra as costelas, e as próximas palavras saíram meio de supetão.
— Como foi... estar adormecido?
Por um momento, seus olhos se apertaram, e seu aperto também se tornou mais firme ao seu redor. Sua mandíbula travou, e por um momento, me perguntei se eu não havia feito a pergunta errada no momento errado. Eron era meio que como uma bomba ativada. Nunca havia como saber o momento no qual ele explodiria. Simplesmente acontecia e ... bum!
— Era como estar num sonho sem sonhos. — ele finalmente disse, como se analisasse bem as palavras pela primeira vez na noite. — Não haviam...
sentimentos. Ou pensamentos. Ou a noção de tempo. Era meio como... não existir. É. Eu acho que se assemelha a isso. Eu não existi por um tempo. E quando acordei, tive completa consciência de tudo. De tudo que não vivi.
Por um momento, suas palavras me afetaram de maneira pessoal.
— Isso soa h******l.
Ele sorriu torto novamente, seus olhos verde-dourados piscando brilhantes. Eles haviam adquirido aquela cor ao longo do tempo. Eu lembro que quando o conheci, seus olhos eram apenas verdes. Agora, um anel dourado circundava suas íris, e machas da mesma cor se expandiam de suas pupilas, se misturando ao verde e criando uma cor única.