Cap. 5 - A noite da cachoeira

1047 Palavras
Como combinado, Charlotte e Tom estavam na cachoeira de encontro às oito horas. - Lottie. - Disse animado e analisou a garrafa na mão dela. - Seus tios não notaram? Ela abriu um sorriso m*****o e balançou a cabeça em negação. - Fazemos isso a anos, e nenhum deles nunca notou, ou pelo menos fingem que não. Os dois riram ao mesmo tempo antes de se sentarem em uma pedra grande. Logo ali perto ficava o mesmo lago que costumavam jogar pedrinhas quando era pequenos, Sorna não era uma ilha grande mas tinha muitos lugares para se fugir quando necessário e depois de descobrirem aquele lugar, haviam feito dele um refúgio. - Hoje sem a companhia da terceira integrante. - Murmurou Tom de maneira relaxada. - Mas não podemos deixar de aproveitar por isso. Tom levantou em um salto, ele começou a abrir a calça e Charlotte prendeu a respiração ao ver a peça cair no chão. Os lábios dela chegaram a tremer quando ele tirou a camisa e lhe proporcionou uma bela visão. Tom como o homem da casa aonde morava ficava responsável por toda e qualquer atividade fisíca da propriedade o que lhe fornecera belos e fortes músculos ao longo dos anos. - Vai ficar olhando Lottie? Não está frio. - Disse dentro da água e ela sequer havia se dado conta de que Tom pulara. Charlotte riu deixando a tensão se esvair do seu corpo por um momento e tirou com rapidez o vestido ficando somente com as roupas de baixo. Ela não pensou muito e nem se deu a opção de desistir, pulou de uma só vez na água gelada e sentiu todos os seus músculos se retrairem. - Como tem coragem de dizer que não está frio? .- Perguntou batendo o queixo, como resposta Tom iniciou uma guerrinha de água e Charlotte não deixaria por isso mesmo, ela retribuiu as jatadas na mesma intensidade e os dois ficaram uma longa hora nadando, implicando e brincando um com o outro. Depois de sairem eles vestiram as roupas secas no corpo molhado e sentaram-se ao redor da fogueira. - Aguardente para esquentar? .- Perguntou Charlotte levando a garrafa até a boca e deu um longo gole. Tom a observou de esguelha, a amiga era de longe a garota mais bonita de Sorna. Com os cabelos negros, pele e alva e olhos incrivelmente verdes. - Certamente. - Disse tentando dispersar os pensamentos, era o que fazia sempre que eles o atormentavam : fugia. - Beberei disso todos os dias quando morar em Londres. Charlotte revirou os olhos, detestava quando o amigo iniciava esse assunto. Ele parecia infeliz com a própria vida e sempre reclamava que tinha que ir atrás de mais, mesmo que tentasse entender o lado dele, não era capaz porquê isso significaria que ele a deixaria. - Não comece com bobagens. - Não ficarei rico em Sorna Lottie. - Falou dando mais um gole na bebida que desceu ardendo. - Vou para Londres na primeira oportunidade que tiver, anota ai. Ela tomou a garrafa da mão dele e deu um longo gole. - Pensei que tínhamos uma promessa, uma promessa de nunca deixar um ao outro. - A voz dela saiu mais aguda do que desejava e no mesmo instante, os olhos negros e esperançosos de Tom encontraram os dela. Tom estava do lado oposto a Charlotte, mas deu um salto em sua direção. Ele emoldurou o rosto dela com as mãos e a olhou no fundo dos olhos. Algo estava diferente naquela noite, algo que nenhum dos dois poderia dizer o que, talvez fosse a atmosfera, o ar, o tempo ... Bom, não saberiam dizer, mas algo o fez inclinar-se um pouco mais para frente e algo a impediu de se afastar. Charlotte levou as mãos trêmulas até a nuca de Tom e segurou ali para não cair. Os lábios dele roçaram nos dela antes de toma-los por completo. Nenhum dos dois sabia ao certo o que estavam fazendo, Tom nunca beijara uma garota e Charlotte nunca fora beijada, mas deixaram o instindo falar por si e antes que se dessem conta ele estava deitado sobre ela com a boca colada na dela e suas mãos fortes passeavam pela cintura de Charlotte. O beijo tornou-se exigente e a língua dos dois dançava em sintonia perfeita, era como se tivessem nascido para aquele momento, como se aquele momento fosse a definição de toda uma vida. Nas nuvens mais escondidas da mente de Tom ele sabia que devia se afastar, afinal, aquele era Lottie, sua fiel e companheira amiga. A garota que crescera com ele e que brincara com ele como se fosse um garoto, mas ela simplesmente não era ... As curvas perfeitas dela o atormentavam desde que começara a entender o que existia entre um homem e uma mulher, a pele macia de Lottie o instigava e ele ansiava por toca-la, por beija-la e senti-la. Reunindo o pouco de juízo que ainda lhe restava ela se afastou quando Tom levou a mão até a pequena cordinha que mantinha seus s***s guardados. - T-Tom ... - Sussurrou com os lábios inchados e rosados, uma expressão assustada no rosto dela o atingiu como um golpe. Como se acordasse de um transe ele se jogou para longe dela, olhando-a com os olhos arregalados e respirando fundo, não sabia o que dizer ou o que fazer, nunca beijara uma garota, mas beijara sua melhor amiga e por pouco não a arruinara pelo resto da vida. Tom não tinha planos de continuar em Sorna, portanto, não seria ele a se casar com Lottie e por Deus, se ela não o tivesse impedido teria acabado com todas as chances dela de encontrar um bom marido um dia. - Lottie ... Me perdoe eu ... Eu não queria, bom ... Somos amigos. - Ele se levantou confuso e deu alguns passos para longe dela. - Certamente foi a bebida e ... Eu ... Preciso ir. Ele não deu a ela uma chance de contestar e ela sentiu-se devastada com a forma na qual ele saira correndo para longe dela. Charlotte abraçou as próprias pernas e deixou uma lágrima salgada escorregar pelo seu rosto. Naquela noite, ela foi para casa confusa e dormiu entre lágrimas que pareciam nunca ter fim.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR