Cap. 8 - Até mais, Severin

1106 Palavras
- T-tom. - Murmurou e sua voz saiu tão baixa que m*l pôde ser ouvida. - Quanto tempo ... - Retrucou com certo desdém enquanto se afastava do corpo imóvel no chão, o homem certamente havia desmaiado. - Posso saber o que está fazendo aqui? .- Ela perguntou cruzando os braços abaixo do peito. - Eu teria me virado muito bem sem a sua ajuda, não preciso de você. Tom a olhou nos olhos e Charlotte constatou que muita coisa havia mudado ali, os olhos antes alegres agora possuiam um certo ar sombrio e fechado, o sorriso sempre aberto transformara-se em uma carranta terrível e como se fosse possível, estava ainda mais bonito. Os ombros de Tom eram largos e definidos o que evidenciava um pouco de sua força, o rosto antes jovenial ganhara uma masculinidade única e incrível, era como um Deus grego, ou uma estatua esculpida a mão com todos os detalhes perfeitamente maravilhosos. - Eu poderia te fazer a mesma pergunta. Diabos Charlotte, não sabe quão perigosa é essa parte da cidade? Vem todos os dias saltitante pela rua, perdeu de vez o juízo? Ele semicerrou os olhos para ele, ergueu o queixo e o fitou com fúria, ele era bem mais alto que ela o que a fez estender bastante o pescoço. - Seu doente ... - Esbravejou. - Então é você quem tem me seguido desde quando comecei a trabalhar aqui. Tom não mudou a expressão, ele continuou a olha-la como se ela fosse a maior i****a do mundo. - Alguém precisava zelar por sua segurança. - Falou confiante de si. Não passara despercebido a Charlotte que ele usava roupas finas e aparentemente caras, certamente havia conseguido atingir o objetivo de sua vida. - Não se parece muito com o tipo de homem que anda por esses lados, milorde, como me encontrou aqui? - Isso não importa. - Respondeu com pouca paciência. - O que importa é que não pode continuar andando aqui como se nada estivesse acontecendo a sua volta. Estamos entendidos? Não quero vê-la aqui novamente ... E se ... E se eu não estivesse aqui? O que teria acontecido com você? Aqueles homem teriam abusado de você facilmente. Charlotte engoliu em seco, tinha tantas coisas para jogar na cara dele, tanta mágoa guardada por tantos anos, tanto sentimento reprimido e preso. Como alguém como ele podia desejar ter algum poder sobre ela? - Milorde, perdoe-me a grosseria, mas devo lembra-lo que abandonou a mim e sua família a anos atrás? .- O primeiro vestígio de incômodo passou pelo rosto dele, mas não durou muito e ele logo se recompôs. - O senhor não está em posição de me sugerir nada e tampouco me dar uma orgem, sou uma mulher adulta, dona do meu próprio nariz e não farei nada do que o senhor está '' mandando ''. - Ela fez aspas com a mão. Tom passou a mão pelo cabelo bagunçando tudo, era estranho notar que ela não havia mudado nada, pelo menos não interiormente, era a mesma garota de língua afiada que conhecera. Mas por fora, Deus, era a mulher mais linda que já tinha visto. Ela tinha aquele ar de quem sabe tudo e quem pode tudo que a deixava ainda mais encantadora, mesmo possuindo quase metade de sua altura ela não diminuira a voz para ele em momento nenhum e tampouco havia se intimidado com os bandidos que a tinham abordado. - Posso ao menos leva-la em casa? Estou certo de que a polícia cuidará desses homens. - Ele indicou com a cabeça para a direção do guarda que vinha. Charlotte queria dizer que não, garantir a ele que sabia o caminho da própria casa, mas se viu assentindo. Tom demorou apenas alguns minutos enquanto explicava ao policial o que tinha ocorrido e logo juntou-se a Charlotte. - Como estão todos? .- Perguntou em um sussurro. - Sempre mando uma boa quantia de dinheiro para minha mãe e Judith, mas não temos nenhum contato, eu nem mesmo sei se estão bem ... Ela o olhou de soslaio. - Estão bem, as vi no mês passado. Não moro em Sorna a oito anos, mas sempre que posso vou vê-las. Tom a olhou espantado. - A tanto tempo assim? Mora aqui com a tia Mary e o tio Cleves? Ou ... Bom, casou-se? Charlotte balançou a cabeça em negação e chutou uma pequena pedra no chão. - Tia Mary faleceu dois anos após sua partida. Moro aqui com meu tio, ele tem desenvolvido uma doença complexa e aqui é mais fácil para eu poder cuidar dele. - Eu ... Eu não sabia. - Sussurrou sentindo o coração se partir no peito. - Sinto muito. - Claro que não, como saberia? .- Ela abriu um sorriso irônico e ele não a julgou por aquilo, não podia julga-la por toda a mágoa que certamente guardava dele, era merecedor de tudo aquilo e um pouco mais talvez. - Sinto muito não ter estado ao seu lado ... Imagino que deva ter sido muito difícil. - Falou ignorando o sarcasmo dela. - Certamente, eu a amava. - Respondeu sentindo os olhos queimarem. - Mas foi um impulso, parti para a Inglaterra com meu tio e depois de muita tentativa, me formei em medicina. Tom a olhou maravilhado, vira a maleta em sua mão, tinha observado que ela sempre ia até o hospital, mas não poderia imaginar que ela era uma médica formada, tinha pensado até que ela ajudava os feridos mesmo sem um diploma. - Uma dra. - Ele riu satisfeito. - Parabéns Lottie. Ela sentiu um bolo se formar em sua garganta, a dez anos ninguém a chamava assim e todos sabiam bem o risco de fazê-lo. Charlotte agradeceu por estar em frente a sua casa e não ter mais que suportar a presença marcante de Tom. Ela apontou para a pequena casa da esquina. - É aqui. - Eu poderia ver o tio Cleves um pouco antes de ir? Só fizer um oi. - Em outro momento... talvez. - Disse e saiu andando. - Mas... - Até mais, Severin. - Murmurou. Ela fechou a porta sem dar a ele a oportunidade de dizer mais nada e deixou o corpo escorregar pela madeira até se ver sentada diante da porta, abraçou as próprias pernas e sentiu uma lágrima quente rolar por sua bochecha. Como depois de tantos anos ele ainda tinha tanto efeito sobre ela? Como seu coração podia ser bobo o suficiente para ainda bater em descompasso na presença de Tom? Por Deus ... Sofrera tanto quando ele se fora, será que não tinha aprendido nada com a dor?
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