As semanas passavam lentamente para Charlotte, mas a garotinha estava se acostumando muito bem com a nova vida, nova casa e novas pessoas. Ela havia criado um laço forte com sua tia Mary e Ana, Cleves geralmente era um pouco mais reservado, mas também se via derretido pelos encantos da pequena. Ele ria de toda e qualquer gracinha que ela fazia e devia admitir, era mesmo um doce de menina.
- Meu anjinho, hoje a tia Ana irá trazer crianças da sua idade para que brinque um pouquinho, o que me diz? .- A tia Mary estava abaixada na altura da garota e viu os olhinhos verdes reluzindo de animação.
- Oh titia, a sra. é incrível. Nem me lembro a última vez que conheci alguém da minha idade ou que brinquei com alguma criança. - Ela riu mostrando seus perfeitos dentes - e uma janelinha -
Mary a puxou para um abraço terno e acariciou seu cabelo. Nos poucos dias havia adquirido um carinho imenso e inexplicável por Charlotte.
- É uma garota muito boazinha e por isso, merece coisas boas, as melhores na verdade. Venha, eles chegaram vamos abrir a porta. - Disse ao ouvir a campaninha e guiou Charlotte com ela até a porta.
Ana fora avistada com duas belas crianças ao lado.
Judith tinha a mesma idade que Charlotte, a menina tinha os cabelos cor de mel e estava presos em uma trança fina, os olhos eram de um castanho escuro, o formato do rosto dela era bem reconchudo, tinha os lábios finos e pele bronzeada.
Tom por outro lado era o oposto, tinha dois anos a mais do que a irmã, os cabelos do menino eram muito negros e caiam levemente na testa de tão lisos, os olhos erão tão pretos quanto o cabelo, senão mais, e tinha a pele muito alva com bochechas levemente rosadas.
- Tia Ana. - Charlotte falou animada abraçando as pernas de sua aia. - Esses são seus filhos? Eu sou Charlotte. - Ela alternou o olhar entre a pequena garota bronzeada e o menino branco de cabelos negros com um sorriso grande nos lábios.
- É um prazer Charlotte, sou Judith. - Disse a menor com um sorriso receptivo.
- Seja bem-vinda Charlotte, sou Tom. - O menino abriu um sorriso com os dentes brancos e alinhados.
- Tomas, Tompson ... ? .- Perguntou Charlotte e como resposta ganhou um olhar divertido de Tom.
- Só Tom.
- Que legal, parece muito um apelido, é um nome encantador. - Falou animada. - Vamos brincar?
- Eu gosto de bonecas. - Judith disse animada e Tom torceu o nariz, sempre era obrigado a brincar de boneca com a irmã e suas amigas.
- Eu prefiro pique-esconde, podemos ficar com as bonecas depois Judh?
O rosto de Tom iluminou-se e Judith mesmo não gostando muito de pique-esconde assentiu, simplesmente porque amara Charlotte.
- Podemos mamãe? .- Tom perguntou com os olhos brilhando. Haviam poucas crianças em Sorna, e as poucas que tinha m*l podiam sair de casa, portanto, não tinham muitos amigos.
- Claro querido, divirtam-se.
Ana e Mary observaram maravilhadas quando as crianças se afastaram e começaram a correr de um lado para o outro.
- Charlotte está se saindo melhor do que esperavámos. - Disse a tia orgulhosa.
- É uma garota tão encantadora. E é tão bom que Judith e Tom se divirtam, bem ... Depois de perderem o pai ficaram um pouco chateados demais, não queriam brincar, mas parecem tê-la amado.
- Estou certa de que uma grande amizade sairá disso.
As duas trocaram um olhar amigável antes de entrarem para tomar chá.
~
Charlotte escondeu-se dentro de uma caixa vazia, ela estava fazendo todo o esforço possível para prender a própria respiração. Amava brincadeiras como essa, mas não gostava de perder e levava muito a sério.
- AHHHH, ai está você. - Tom falou convencido.
- A Tom, seu m*****o. Pensei que fosse o esconderijo perfeito.
O garoto a olhou com um olhar superior.
- E seria se sua trança não tivesse ficado para fora. - Ele pegou a trança grossa de cabelos pretos de Charlotte e balançou. - Lottie, deve fazer um coque da próxima, só por precaução.
A pequena o olhou com os olhos brilhando, de repente, tinha uma família, amigos e agora também tinha um apelido.
- Levarei em consideração. - Falou tentando disfarçar a emoção que sentia diante de tantas novidades boas.
- Agora temos que achar a Judh.
Charlotte apontou o dedo para o lado esquerdo do chiqueiro, havia uma pequena casinha ao lado e Judith só podia estar lá.
Os dois foram em passos lentos enquanto sussurravam '' shiiii '' e deram um pulo para dentro da casinha na expectativa de assustar a menina, mas Judith gritou do lado oposto e bateu no pique.
- Peguei vocês. - Ela riu tanto que teve que levar a mão até a barriga.
- Sua atrevida. - Disse Tom em meio a uma gargalhada antes de ele e Charlotte começarem a correr atrás da irmã.
- Vamos pega-la Judh, não adianta correr. E quando a pegarmos, lhe faremos muita cócegas. - Charlotte gritou quando parou de correr para respirar.
- Podem tentar. - Foi a resposta ousada de Judith.
A menina colocou os dois dedões na bochecha e mostrou língua para o irmão e sua nova amiga.
- Nunca irão me pegar. - Falou convencida antes de sentir as mãos de Tom puxando-a.
Judith, Tom e Charlotte caíram na gargalhada, mas Judith riu mais diante das quatro mãos que alojavam-se embaixo de seu braço e em sua barriga, fazendo-a ter um terrível ataque de riso.
- Isso não vale, seus péssimos perdedores.
Charlotte se recompôs.
- Pode ter ganho a batalha, mas ainda não ganhou a guerra. Eu os desafio a uma revanche.
Os dois irmãos concordaram no mesmo instante. As crianças voltaram para o lugar em que estavam e dessa vez, Charlotte seria a responsável por encontra-los. Ela contou até vinte antes de ir atrás deles.
- Prontos ou não, lá vou eu.