Anna


Pov's Mary Jane
Interior/ Fazenda.
Contei a notícia a minha irmã mais nova, ela não parecia feliz.
Anna: Eu não quero me casar com aquele caipira. Ele é obcecado por mim. Tenho nojo dele!
Ela dizia, andando de um lado pro outro no quarto. Sua reação me deixava intrigada.
Mary Jane: Será mesmo, Anna? —insinuei, fazendo-a parar. — Ele tem chama de Anjinha, vive mandando aqueles desenhos e colocando na nossa janela. Você não corresponde mesmo os sentimentos do homem?
Anna: Eu o uso, para poder sair de casa.
A minha irmã admitiu e arregalei os olhos.
Mary Jane: Isso é pecado! Você não pode fazer isso. Deus não aprova atitudes assim.
A repreendi.
Anna: Nosso pai é muito rígido, ele confia naquele caipira. O que eu posso fazer? O jeito é usá-lo.
Fiquei descrente, quando enxerguei no seu semblante, que se comportava como uma adolescente do mundo, e não uma garota cristã .
Mary Jane: Papai vai casar nós duas, temos que começar a costurar os nossos vestidos de casamento. Você não pode ir contra a vontade do papai.
Anna: Eu prefiro morrer, do que me casar com aquele caipira burro!
Minha irmã gritou, esbravejando.
Mamãe entrou no quarto, flagrando tudo, e tivemos que nos recompor.
Apenas Anna e eu nos entreolhando, em silêncio.
Lauren: Peraí, eu ouvi direito?
Ela ficou de frente a minha irmã, a intimidando.
Mamãe a forçou a olhar, quando Anna abaixou a cabeça.
Lauren: Repete o que você disse? Anda, eu tô esperando.
Com a voz bem autoritária, a nossa mãe mandou.
Anna se encolheu, amedrontada, deixando as lágrimas caírem pelo seu rosto.
Mary Jane: Mãe...
Lauren: Não se intrometa, Mary Jane.
Voltei os meus passos para trás. Nos sentíamos o tempo todo assim encurraladas pelos nossos pais.
Olhei para Anna, implorando que não a respondesse.
Fechei os olhos, pela tensão que sentia, quando ouvi saindo da sua boca:
Anna: Eu não quero me casar com aquele jumento, eu prefiro que Jesus me leve.
Nossa mãe lhe enfiou um t**a tão forte na cara, que minha irmã caiu no chão, com a mão no rosto.
Eu fiquei imóvel, pois éramos proibidas de sairmos do canto quando aquilo acontecia.
Sentia muita pena da Anna, pois ela não controlava a língua, era muito atrevida.
Anna: Eu quero estudar, eu quero ser alguém na vida! Eu não quero viver a vida inteira servindo os outros.
Os sonhos da minha irmã era bem distante da nossa realidade. Ela sonhava em frequentar uma escola e fazer uma faculdade um dia.
Mas não tínhamos condições, passávamos fome às vezes. Tinha vez que comíamos só uma refeição durante o dia.
Nossa mãe se retirou do quarto e corri para ajudá-la, ao vê-lá caída no chão.
Mary Jane: Por que fez isso?
A questionei.
Anna: Eu quero fugir desse inferno, irmã! Eu não aguento mais.
Ela me abraçou, aos prantos. Eu sentia muito pena quando a via chorar.
Éramos criadas num lar muito rígido, dentro dos costumes da igreja.
Nossos pais nos batiam o tempo todo.
Mamãe era a pior, ela chegava a nos espancar com o pedaço de madeira com pregos.
Mary Jane: O casamento é nossa única esperança de sair daqui.
Tentei convencê-la, enquanto enxugava as suas lágrimas. Anna olhou para mim, com tom de choro:
Anna: Você não entende, irmã... Eu não posso me casar. Eu não sou mais virgem.