Pov's Bryan.
Estávamos no consultório, Anjinha estava sendo examinada. Me mantinha sério, encostado no canto.
Tratava tanto o meu irmão, como Anjinha como se não existissem. Os dois haviam me decepcionado: um fugiu, a outra me enganou.
Mary Jane: Doutor, ela passou a noite com dores.
Davis: E quando começou o sangramento?
Anna: Hoje pela manhã. Acordei sangrando.
Anjinha informou, deitada na maca, fazendo uma careta. Estava me segurando para manter distância, mas era difícil vê-la m*l.
Virei a cabeça pro outro lado, meu irmão percebeu.
Davis: Vamos checar se está tudo bem com o bebê. Sabe de quantas semanas está?
Anna: Como assim semanas?
Mary Jane: O que é isso, doutor?
Davis: Semanas de gravidez.
Ele soou firme, e nenhuma das duas souberam responder. Daí a pergunta foi direcionada para mim:
Davis: Tem ideia de quando engravidou a sua esposa, Bryan?
Fechei a mão em punho, irritado. Pedi a Deus paciência, para não explodir. Me sentia provocado.
Bryan: Não sei.— o olhei com desgosto.
Davis: Vamos descobrir na ultrassom.
Após sai do consultório, eu não tinha estômago para permanecer ali.
(....)
CONSULTÓRIO.
Povs Anna.
Enquanto o médico ajeitava, sussurrei baixinho para minha irmã.
Anna: O caipira me odeia.
Senti as lágrimas jorrando pela minha face. Estava me arrebentando por dentro, ser tão maltratada.
Mary Jane: Não fala isso, Anna.
Anna: Mary Jane eu não tive culpa.— choraminguei.— Acredita em mim.
A implorei, e as lágrimas voltaram a se encher em meus olhos.
Mary Jane: Eu acredito em você.
Ela apertou a minha mão, me dando forças. Me sentia tão envergonhada por tudo que estava acontecendo.
Eu havia decepcionado a pessoa que me deu só amor. Apesar do jumento ser tão grudento e obcecado por mim, ele me considerava.
Davis: Vamos checar o bebê.
O médico retornou e começou a passar a aparelinho em minha barriga. Pedia a Deus que estivesse tudo bem.
Minha irmã permanecia ao meu lado, o tempo todo. Nos seus olhos haviam tanta esperança.
Davis: Não foi nada demais.
Mary Jane: Como não doutor, ela sangrou?
Inocentemente a minha irmã rebateu confusa.
Davis: Nesses primeiros períodos é normal, o saco gestacional deslocou do útero, causando um pequeno sangramento. É ela só precisa permanecer de repouso.
Anna: Mas eu ainda tô grávida?
Perguntei nervosa, com medo de ouvir a resposta.
Davis: Tá sim.
Mary Jane: Graças a Deus!
Minha irmã comemorou e eu abri um sorriso fraco, pousando a mão na minha barriga.
Davis: A consulta é de graça, avise a Bryan que não precisa pagar nada.
Mary Jane: Você o conhece, doutor?
Davis: Ele é um velho amigo meu. Um homem bom e honesto.
O médico saiu do consultório, nos deixando a sós. E eu e ela nos abraçamos.
Mary Jane: Deus é muito fiel, toca até no coração dos ímpios. Eles cobraram 4 mil dólares, Anna, e agora não vamos precisar pagar nada.
(.....)
Pov's Mary Jane.
Deixei Anna terminando de tomar soro. E fui até ao nosso marido que estava na carroça, cabisbaixo, no meio do sol quente.
Mary Jane: Está tudo bem com o bebê.
Lhe informei, fazendo-o levantar o rosto pra cima.
Bryan: Ótimo.
Mary Jane: A Anna queria que você fosse lá dentro vê-la. — dei o recado.
Bryan: Não vou.— seu tom soou hostil.
Mary Jane: Sobre ontem Bryan... você também bateu nela?
Bryan: Claro que não, de onde tirou isso?— seus olhos me reprovaram.— Eu jamais encostaria um dedo numa mulher. Fui criado para ser homem, e não um covarde.
Mary Jane: Por que a Anna tá assim daquele jeito?
Bryan: Pergunta pro pai de vocês, o pastor vai saber responder melhor.
Ele soou ignorante, e me calei.
Mary Jane: Ela levou uma surra, até o olho dela está inchado.— minha voz soou triste.
Notei ele fechar a mão em punho, quando contei detalhes da agressão.
Bryan: Minha vontade é ir lá tirar satisfação com o pastor Austin, mas eu não quero mais briga. Sua irmã causou problema demais na minha vida. Irei apenas devolvê-la a eles.
Mary Jane: Não, você não pode fazer isso.— o implorei, com os olhos desesperados— Se Anna voltar para casa, nossos pais vão matá-la.
Seus olhos esmoreceram, recuando.
Bryan: Então me conta....— engoli em seco, ao ouvir seu tom duro.— Quem foi o sujeito que tocou nela?
Mary Jane: Eu não sei.
Me encolhi, temerosa, quando o vi se aproximar de mim, me intimidando.
Bryan: Não minta para mim. Vocês duas são próximas.
O encarei de canto de olho, tremendo.
Mary Jane: Minha irmã nunca teve um namorado, ela só tinha você.
Bryan: Eu nunca toquei um dedo nela!
Ele gritou. E encolhi os meus ombros.
A discussão só parou quando o carro da polícia estacionou perto de onde estávamos. Dois policiais desceram.
Policial: Recebemos uma denúncia de violência contra a mulher.
O médico que atendeu Anna apareceu do lado de fora, assistindo tudo. Era como se ele tivesse feito a denúncia.
Bryan: Pra onde estão me levando?
Um deles, o algemou.
Mary Jane: O que irão fazer com ele?
Polical: Iremos leva-lo até a delegacia.
Bryan foi jogado no porta-malas da viatura. Comecei a chorar e me desesperar. Corri para dentro, para ir chamar Anna.
Mary Jane: Doutor, é uma injustiça o que estão fazendo com ele.
Davis: Não se pode agredir uma mulher grávida, há lei nesse país.
Mary Jane: Ele não bateu na minha irmã.
Davis: Isso quem vai dizer é ela.