Hugo Lennox
Estava no meu escritório trabalhando quando recebi uma ligação vinda dos meus seguranças que ficam cuidando da segurança da casa, temos uma sala de monitoramento, deixo tudo ativado quando não estou em casa e provavelmente esqueci de desativar ontem quando cheguei.
— Bom dia, Sr. Lennox.
Um dos meus homens me saudou e eu logo respondi.
— Bom dia, O que houve?
Ele então coçou a garganta e respondeu.
— Hoje é meu dia de folga, recebi uma ligação que dizia que o senhor deixou ativado as câmeras.
Eu revirei os olhos e neguei com a cabeça, pois já estava ciente disso e quando iria responder, o Nick respondeu.
— Tem uma moça num dos quartos, e está se despindo.
Nesse momento arregalei os olhos em pânico.
— O que?
Me levantei da cadeira de repente e uma onda de raiva se apossou de mim, e ativei o sistema de câmeras, e quando vi Athena apenas de sutiã, prestes a abrir o zíper de sua saia, meu coração acelerou de um jeito estranho.
— Mas que c*****o.
Murmurei em voz alta, sentindo coisas estranhas atravessarem meu corpo, e rapidamente, desativei todas as câmeras, o sistema desativa automaticamente para os outros equipamentos e deixava somente o meu em funcionamento, de repente, saber que só eu estava tendo a visão de Athena, me fez se sentir especial pela primeira vez na vida.
— Acho bom ninguém ter espionado ela.
Falei num rosnado, e Nick coçou a garganta e disse.
— Eu já havia dito a eles para desligarem os monitores até segunda ordem, senhor.
Confirmei em um gesto e murmurei.
— Obrigado.
E encerrei a ligação, apenas direcionando minha total atenção para a tela à minha frente.
Deus.
Eu sei que é errado.
Não sou uma pessoa que quebra a privacidade de outras pessoas, mas é impossível não olhar o que Athena está fazendo com as mãos. Ela está me fazendo invejar cada movimento que suas mãos fazem em seu corpo. Agora deitada na cama, ela fechou os olhos e….
Ah p***a.
Estremeci quando vi que ela chegou ao orgasmo. Um orgasmo que entrou para a história, nunca vou esquecer dos gemidos e expressões em seu belo rosto. A mordida nos lábios, a cor avermelhada em suas bochechas.
Estremeci de raiva por não ser eu no lugar da sua mão.
Caralho, como esquecer uma cena como está?
Sacudi a cabeça, e fechei os olhos para recuperar o fôlego. Athena está mexendo com a minha cabeça mesmo sem saber e isso não me agrada. Ninguém nunca fez isso, e não vai ser agora que irei permitir.
Levantei da minha poltrona e baixei a tela do notebook, fui até o meu frigobar e peguei uma garrafa d'água, bebi quase tudo, parece que acabei de treinar, me sinto eufórico, meu coração acelerado e adrenalina correndo pelas minhas veias.
Isso não parece bom.
Saindo do escritório, decido ir até a cozinha quando me deparo com Athena andando cautelosamente até a escadaria, acredito que esteja tentando descobrir se tem alguém na casa mas quando ela se assusta e dá um passo à frente, de imediato, meu corpo reage e a puxa pelo braço, trazendo-a diretamente para meu peito, e nesse instante, minha memória traz à tona o momento em que ela estremecia pelo seu orgasmo a minutos atrás e engolindo o bolo que se formou na minha garganta, me pergunto qual seria a sensação de fazê-la gozar com minhas próprias mãos. Como será o cheiro do seu corpo? A textura da sua pele? O gosto daqueles lábios? O gosto do seu corpo…
Acabo sorrindo com os pensamentos e acabei deixando-a envergonhada pois gaguejou ao responder que estava corada pelo susto.
Péssima mentirosa.
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Agora estou aqui, olhando a expressão em seu rosto. Certamente ela não imaginava o que poderia estar acontecendo bem embaixo do seu nariz.
Seu próprio pai estava fazendo ou acobertando um desvio de verbas tão grande que acabou falindo a empresa.
— Eu não tenho nem o que dizer, Hugo. Eu…
Ela aperta suas mãos de um jeito nervoso e passa a língua pelos lábios de modo que deixasse claro que estava pensando e muito na nossa conversa, e era isso que eu queria. Era nisso que eu deveria me concentrar.
— Eu vou aceitar a fusão, Sr. Lennox.
Ela murmurou olhando em meus olhos, e eu confirmei em um gesto positivo e ela continuou.
— A AD Cosmetics e eu precisamos de você.
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Depois que levei Athena para sua casa, eu fui direto para a empresa, no caminho, liguei para Marcos, e pedi a ele que fizesse as entradas de todo documento assinado para que iniciássemos o processo de fusão com a AD Cosmetics, e assim que adentrei a empresa, vejo que todos estão trabalhando a todo vapor.
Indo diretamente a minha mesa, sento-me em minha poltrona e abro meu notebook, quando sinto meu celular vibrar no meu bolso e assim que olho o identificador de chamadas, vejo que é meu pai.
— Sim…
Murmurei ao atender a chamada e ele responde com um tom de voz receoso.
— Oi filho. Tudo bem?
Franzi a testa e dúvidas e respondo, enquanto termino de abrir meu e-mail.
— Sim, e com você?
Ele coça a garganta e murmura.
— Estou bem, só fiquei preocupado. Você não apareceu em casa ontem.
Fechei os olhos ao constatar que não o avisei. Sacudi a cabeça e apertei minhas têmporas, e pela primeira vez, me sinto culpado por algo.
— Desculpe, pai. Ontem fui dormir na minha casa. Precisei levar uma pessoa.
E de repente sou interrompido por uma risada eufórica e em seguida ouço.
— Finalmente transou. Ela deve ser doce porque hoje você está um amor.
Eu revirei os olhos ao ouvir aquilo e respondi.
— Não foi nada disso. A moça é uma cliente e acabou passando m*l e desmaiou, por sorte eu estava no mesmo local que ela.
Meu pai ficou em silêncio por alguns segundos e depois respondeu.
— Entendi. Bom, eu preciso ir me consultar. Só queria saber se estava tudo bem.
Eu confirmei e me despedi, desligando logo a seguir.
Sacudindo a cabeça, eu penso em como seria se eu realmente estivesse transado com a Athena, possuir aquele corpo, que aos poucos está me tirando do sério. Me fazendo perder o juízo e até mesmo parecer um pervertido, sem falar nos sentimentos estranhos que estão me consumindo toda vez que a vejo.
Afastei aqueles pensamentos e então me concentrei nos e-mail que estavam aparecendo em minha caixa de entrada.
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Estava concentrado redigindo um novo e-mail, quando algumas batidas surgem e direcionando minha atenção para a porta, vejo Marcos surgindo com uma pasta em mãos.
— Sr. Lennox, o auditor contábil chegou.
Eu fiz um gesto com a cabeça e levantei da cadeira e respondi pegando a pasta que Marcos estendeu para mim.
— Peça para ele entrar.
Olhei os documentos e assinei as linhas pontilhadas, ciente que este documento foi analisado minuciosamente por Marcos. Ele é um homem da minha inteira confiança, e já trabalha a muito tempo comigo, sem falar que foi o único que suportou meu péssimo temperamento e m*l humor até hoje.
— Bom dia, Sr Lennox.
Vejo Ander Sanchez se aproximar em seu terno caro, depositando a pasta em cima da poltrona e estender sua mão para mim em um comprimento e rapidamente o fiz o mesmo e respondi.
— Bom dia, Sr. Sanchez.
Vejo surpresa atravessar seus olhos mas rapidamente ele se recupera e diz.
— Estarei pronto para começar o trabalho assim que desejar.
Eu confirmei com um gesto e murmurei, olhando em meu Rolex.
— Podemos ir agora mesmo.
Eu vi que era pouco mais das 13:10 da tarde, e provavelmente estariam chegando na empresa depois do horário de almoço, e meu plano iria funcionar pois quero pegar todos de surpresa, e então Sanchez pegou sua pasta novamente e eu baixei a tela do notebook, e vesti meu paletó novamente e peguei os documentos necessários para iniciar a auditoria e minha pasta e saímos rumo a saída do meu escritório.
— Marcos, preciso que você venha conosco, por favor.
Meu assistente fez um gesto com a cabeça e confirmou mas franziu um pouco a testa e pensando bem, acredito que ele tenha estranhado meu pedido, ou melhor, o uso da palavra “por favor”.
Revirei os olhos e continuei andando rumo a saída do meu prédio.
Realmente, estou muito estranho.