CAPÍTULO 1

1786 Palavras
Estava na academia. Eu trabalhava na lanchonete do lado e como eles tem convenio com essa academia, eu pegava sempre umas aulas aqui. Fora que minha amiga April também fazia seus exercícios. April e eu nos conhecemos na faculdade. Ela cursa publicidade e eu administração. Nos ajudamos muito, mesmo April não precisando de ajudá, porque ela é de família rica, mas nada disso importou para nossa amizade crescer nesses dois anos. Eu a amo como se fosse minha irmã. Vou onde os aparelhos de musculação estão e encontro minha amiga. - Como você está amiga? April indaga se levantando para me abraçar. - Estou bem e você? Peço depois de nos abraçarmos. - Estou ótima. Fui em uma balada ontem e conheci um gatinho. Sorrio para ela. - E como foi? Peço me alongando. Eu tenho meia hora para fazer alguns exercícios. - Foi maravilhoso, pena que não pude esticar a noite. - E como ele é? - Bonito, sarado, muito e muito gentil. Ele é o homem dos meus sonhos. - Hiii, acho que tem alguém apaixonada aqui. Falo sentando na barra para levantar peso. - Nem me fale, e olha que nem fomos para os finalmente. Trocamos nossos números e ficamos de nos conhecer mais no final de semana. - Fico feliz por você amiga e tomara que dê certo. - Eu também Caroline. Desde que Fillipi me deixou no altar, eu não sou feliz. Já tinha desistido do amor, mas parece que o amor está voltando para mim. Ela fala triste. - Eu sinto muito. Sei que isso em você ainda dói, mas você vai conseguir um novo amor e tudo dará certo. Digo sabendo de tudo que ela viveu quando seu namorado Fillipi deixou a mesma no altar. Tudo estava certo para ambos se casarem, mas do nada ele desapareceu. Nem a família dele soube o que houve com o mesmo. Sabe que ele está vivo, porque ele manda notícias. E também ele deixou uma carta para April pedindo desculpas. Eu não o conheci, isso aconteceu antes de conhecer minha amiga loira, mas sei que ela ainda sofre por não saber o porque ele a deixou. - Dói mesmo, mas eu quero seguir em frente, eu preciso seguir em frente. Ela fala olhando para o nada. Vamos deixar essa tristeza de lado, me fale como está sua mãe? Respiro fundo. - Está na mesma. Eu estava pensando em largar a faculdade para poder me dedicar a dois empregos. - Eu posso te ajudar. - Não, April. Te agradeço, mas essa responsabilidade é minha. Você me ajuda agora e depois? - Te ajudo de novo. Sorrio e pego na mão dela. - Muito obrigada, amiga! Eu não posso fazer isso com você. Eu preciso lutar minhas próprias batalhas. Minha mãe e meu irmão são minhas responsabilidades. Eu vou dar um jeito. Digo sabendo que terei que procurar outro trabalho. Minha vida não está fácil. Meu salário da lanchonete não dar para suprir tudo que temos que pagar e ainda os remédios da minha mãe. Eu não posso deixar nada acontecer com minha mãe e meu irmão. Eles são tudo para mim. Papai morreu e eu não quero perder minha mãe e nem meu irmão também. - Olha, eu estou aqui para o que você precisar. Sorrio. - Eu sei amiga e te agradeço. Mas eu vou dar um jeito. Nem que eu tenha que trancar a faculdade por alguns meses, mas eu vou dar um jeito. - Tudo bem. Só quero que você saiba que eu estou aqui para o que você precisar. Assinto sorrindo. Olho no relógio em meu pulso. - Droga, passei dois minutos. Tenho que ir, amanhã nos vemos na faculdade. Digo me levantando e colocando a blusa da lanchonete. Vejo uma mulher me olhando e me sinto incomodada pelo olhar dela. Desvio meus olhos do dela e sigo para a lanchonete. Mulher estranha. - Atrasada de novo, Caroline. Sr Malhos fala com uma cara fechada para mim. - Desculpe Sr, não vai mais acontecer. Digo entrando atrás do balcão. - Você já faltou duas vezes semana passada, chegou atrasada na segunda feira e agora chega atrasada do seu lanche. Ele suspira. Sei que não estou sendo a melhor funcionaria, mas minha vida fora daqui não está sendo fácil. Eu estou fazendo de tudo para manter a minha casa e também minha família. Olha, eu não queria te dizer, mas abrir essa academia aqui do lado não fez bem para os negócios. Quem vem para essa academia, não querem salgados, gordices, querem algo mais saudável. - O Sr está pensando em mudar os negócios? Pedir e ele balançou a cabeça em negação. - Eu não pretendo mudar nada Caroline. Essa lanchonete está aqui a anos, meu pai deixou para mim, e eu não pretendo mudar o ramo. Burrice da parte dele, porque quando temos um negócio como esses devemos nos moldar a cada momento. - Mas eu acredito que o Sr deva fazer uma renovação. Uma academia aqui do lado pode te trazer muitas vantagens, mudando seu cardápio para saudável. Digo e ele balança a cabeça em negação. - Não farei isso. Como disse, meu negócio não sofrerá mudanças por causa dessa merda de academia, e eu já quero te deixar em alerta, porque nosso faturamento tem sofrido muito desde que essa academia abriu. Respiro fundo. Então se continuarmos assim, teremos que fechar. Droga, isso não pode está acontecendo. - Espero que o Sr não tenha que fechar. Eu preciso muito desse emprego, e do jeito que as coisas andam aí fora, eu não vou conseguir um emprego tão cedo. Não posso me dar ao luxo de ficar sem emprego. Digo já nervosa com isso. - Então trate de ficar mais atenta aos seus horários. Eu não posso perder mais clientes do que estou perdendo e também não posso ficar te pagando para você faltar ou chegar atrasada quando quer. Ele fala firme comigo e eu engulo seco. - Não vai mais acontecer. Falo e ele sai. Respiro fundo. Eu já tentei achar algo na minha área, já tinha até começado a fazer meu estágio, porém com minha mãe doente, eu não pude continuar. Ela precisava e precisa muito de mim e tentar arrumar um emprego, onde eu tenha algumas horas livres para ir em casa e vê-la será difícil. Temo que meus dias aqui estejam contados. Sr Malhos tinha razão em dizer que estamos perdendo clientela. Hoje se entrou quatro pessoas aqui foi muito. Éramos três atendentes, fora Britney que ficava no caixa e a salgadeira que ficava nos fundos. Eu não sei o que o Sr Malhos iria fazer, mas que ele precisava inovar, ele precisava. Não tinha como manter uma lanchonete aberta dessa forma. Ele não precisava renovar todo seu cardápio, poderia acrescentar, fazendo alguns alimentos saudáveis, sucos naturais, algo a mais para chamar atenção das pessoas que vinham aqui e também na academia. Só Deus para abrir a cabeça desse velho ranzinza. Minha tarde foi embora, e quando foi as nove eu fui para casa. Fechamos no mesmo horário sem ter ninguém. Nós estávamos perdidos. Tanto eu quanto as outras meninas que trabalhavam ali, estavam com medo de perder o emprego. Suspiro, porque se o Sr Malhos não fizer nada, ele fechará e mandará todos embora. Isso não pode acontecer comigo. Não agora. Chego em casa e já entro. Will está na sala fazendo algo em seu caderno. - Oi lindão! Digo me abaixando e dando um beijo na cabeça dele. - Tudo bem, Carol? Ele pede me olhando. - Sim amor, e você? Como está indo na escola? Cadê mamãe? Peço indo para o corredor que dar para os quartos. - Ela está dormindo desde cedo. Ela m*l conversou comigo. Will diz triste. Entro no quarto da minha mãe e vejo ela dormindo. Passo a mão em seu rosto. Checo sua respiração e também seu pulso. Ela está bem? - Está amor, não se preocupe. O médico disse que os remédios eram fortes e teria dias que ela ficaria assim mesmo. Vamos deixar ela descansar. Indago saindo do quarto. Ele vem atrás . Eu fecho a porta. - Ela não vai nos deixar igual papai né? Will pede me olhando. Vejo nos seus olhos medo. Eu sinto tanto por ele passar por isso sendo tão novo. - Não vai meu amor. Eu farei de tudo para ela ficar boa. Você vai ver que ela vai voltar a ser como era antes. Ele fica com o olhar perdido. Hei, não fica assim. Tudo vai se ajeitar. O abraço tentando passar segurança para ele. Você já comeu? Ele me solta. - Não tem nada para comer Caroline. Respiro fundo. - Vem, eu trouxe os salgados que jogariam fora da lanchonete. Você pode comer. Ele assentiu. Fomos para sala e eu coloquei os salgados no prato e dei para ele comer. Eu não podia deixar eles sem comer. Amanhã terei que pedir um adiantamento ao Sr Malhos, porque senão ficaremos sem comida até meu próximo pagamento. Mamãe e Will, não podem ficar sem comer. Eu tenho que dar um jeito nessa situação. Se eu parar a faculdade posso trabalhar em dois lugares, mas em contrapartida, posso encontrar algo que não vai me permitir ter tempo para minha mãezinha. Eu preciso está atenta a ela. Mesmo que não cem por cento, mas eu preciso está aqui por ela e por Wil também. Ele só tem nove anos. Não quero que continue passando o pior. Ele não merece. - Você não vai comer? Will me tira dos meus pensamentos. Sorrio para ele. - Não. Pode comer. Eu já comi na lanchonete. Vou tomar um banho. Tem dever de casa? Peço e ele balança a cabeça em negação. - Não. Mas tem bilhete. Ele fala pegando sua mochila. - Deixa. Continue comendo que vou ver do que se trata. Falo e levo a mochila dele para meu quarto. Pego sua agenda e vejo que tem um bilhete. Suspiro pesado antes de ler. a escola está pedindo a presença da minha mãe na escola. Eu sei do que se trata. a prestação da escola está atrasada uns quatro meses. Da ultima vez eu fui lá pedir mais tempo, porém o dinheiro que tinha foi para comprar remédios para minha mãe. Eu sabia que dessa vez Will poderia ser expulso da escola. Passo as mãos em meus cabelos. O que farei? Eu não quero que ele saia desse escola. Meu pai colocou ele lá e disse que podia acontecer o que acontecer, ele estudaria ali. Eu queria muito honrar o que meu pai queria, mas neste momento, isso não será possível. Eu não tenho dinheiro nem para pagar um mês, dirá quatro meses.
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