CAPÍTULO 3

2411 Palavras
Depois de tomarmos café, eu ainda arrumei as coisas em casa com ajuda do meu irmão. E também fiz o almoço. Eu não comi com eles, pois tinha que sair para procurar um novo emprego. Não podia mais deixar as coisas ficar do jeito que estão. Mesmo porque agora eu tenho mais uma dívida. Fora as dívidas de casa. Eu precisava correr atrás de algo que me proporcionasse um ganho maior para manter os gastos de casa e também de Will. Ele precisava voltar para a escola. Eu não posso adiar mais isso. Rodei quase Paris toda entregando currículo, desde padarias, até empresas grandes. Ninguém me deu certeza de nada, mas eu estava confiante. Nem que eu tivesse que largar minha faculdade para dar conta de dois empregos. Cheguei cedo na lanchonete. Dez minutos mais cedo. Sr Malhos estava atrás do balcão com seus ocúlos de grau gigante em seu rosto. Ele não me diz nada. Só olha em seu relógio e não diz nada. Assumo meu posto, depois de colocar minha bolsa no armário perto da cozinha. Tania já está também atrás do balcão. - Como foram as coisas hoje cedo? Indaguei olhando a lanchonete que um dia a essa hora estava lotada. - Nada bem. Vendemos um suco hoje mais cedo e nada mais. Suspiro triste. As coisas já não estavam bem para meu lado e agora tende a piorar.  - Ele podia renovar isso daqui. Fazer algo para chamar atenção. Inovar com alguns sucos light, comidas mais saudáveis. Tania me olha triste. - Eu já disse isso a ele Carol, mas o homem é turrão. Prefere perder seu negócio a ter que inovar. Prefere culpar a academia do lado, do que ele mesmo com a sua cabeça dura. - Enquanto isso vamos perder nossos empregos. E ele já me disse que talvez não terá como pagar a gente no final do mês. Tania me olha mais triste ainda. - Eu vou ser sincera com você. Eu não tenho nada. Nem dinheiro e nem nada. Tenho uma filha de dois anos, e m*l tenho para mantê-la. Se ele me mandar embora eu serei obrigada a deixar minha filha com a avó dela. Franzo a testa. - Porque? Pedir preocupada. - Porque não tenho como sustentá-la. Ela suspira forte. Minha ex sogra era, e é doida para pegar minha filha de mim. Eu não quero Carol. Minha filha é minha. E se eu perder esse emprego, como provarei na justiça que tenho condição de cuidar dela. De suprir as necessidades dela. Ela fala limpando as lágrimas em seu rosto. Eu sinto muito por ela. Sabia que ela tem uma filha, mas não sabia que ela tinha esse problema com a ex sogra. Me dói saber que ela passa por isso. E vejo que ela está com mais problemas do que eu. Meus pais passaram tudo, e nunca nos abandonou, e agora Tânia, terá que abrir mão da filha por não poder sustentá-la. Eu não posso deixar isso acontecer. Eu ainda tenho dinheiro que April me emprestou. Sei que posso precisar mais para frente, porém não quero que ela perca a guarda da filha nunca. Eu queria ir embora daqui com ela. Mas nem isso eu posso fazer, já que não tenho dinheiro para sair da cidade. - De quanto você precisa? Indago decidida a ajudá-la. - Iria para casa da minha irmã no interior do país. Lá eu sei que a vida é mais barata, e posso cuidar da minha menina com ajuda da minha irmã e do marido dela. Eles já me ofereceram ir para lá, porém, eles também não tem como me ajudar a ir. Ela não responde a minha pergunta. - De quanto você precisa? Indago de novo. - De duzentos e cinquenta dólares. Esse é o valor da passagem mais a comida que comeria e daria para minha menina no caminho. Eu darei esse dinheiro a ela. Depois eu me viro se algo faltar na minha casa e para minha mãe. - Você vai esperar ele te mandar embora, para ir? Ela me olha sem entender. - Eu iria conversar com ele para ver se o mesmo iria me pagar, mas já tenho a certeza que ele não fará. Mas eu preciso do dinheiro Carol. Eu tenho que pagar a escolinha que deixo minha filha. Tenho o aluguel do apto. Tenho contas de água, luz. São tantas coisas. Eu a entendo. - Consiga com ele o valor para liquidar suas dívidas, que consigo para você o valor de duzentos e cinquenta reais. Ela me olha em dúvida. - Carol, não, você já tem os gastos com sua mãe. Sei o que você passa com ela. Sei que sua situação não está boa, assim como a minha, então não posso aceitar. - Não se preocupe, eu não tenho muito, mas o pouco que tenho, eu vou dividir com você. Meus pais com pouco criaram a mim e meu irmão. Eles com toda dificuldade do mundo, não nos abandonaram. E não quero que você tenha que deixar sua filha para sua ex sogra, ou qualquer pessoa. Ela é sua. Lute por ela. Digo pegando a mão dela. Ela deixa mais lágrimas banharem seu rosto. - Carol, eu não posso aceitar isso. - Pode e vai. Como disse, lute pela única pessoa que vale a pena na sua vida. Recomece do zero, mas não a deixe com ninguém. Ela é muito mais preciosa do que você pode imaginar, e independente de todas as dificuldades que vocês duas passaram ou vão passar, porque a vida é incerta, ela vai se orgulhar de você no futuro. Ela vai ver que a mãe dela não desistiu da mesma apesar de tudo. Ela me abraça forte. - Obrigada por fazer isso por mim. Eu darei um jeito de arrumar para pagar a minha dívida e assim que eu conseguir, eu te falo. Eu vou embora e recomeçar com a minha filha. - Não precisa a me agradecer. Tudo vai dar certo. Só garanta para si mesmo que sua filha vai está com você sempre. - Eu farei. Você é uma pessoa boa. Não merece e nem merecia passar por tudo que está passando. - Eu tenho aqui dentro. Aponto para meu coração. Que eu vou conseguir vencer essa batalha. Minha mãe vai ficar boa, e tudo vai ficar bem com a nossa família. - Você é mais forte do que você imagina. Não desista nunca dos seus sonhos. - Não irei. Eu vou ver minha mãe fora de perigo, vou ver meu irmão feliz na escola dele e eu estarei formada. Eu não desistirei dos meus sonhos. - Faz muito bem, e com seu coração nobre, você vai vencer na vida. Ela diz e eu sorrio. - Obrigada! Olhamos para a porta e tinha dois clientes entrando. Nos separamos para atender. Era já seis horas da tarde. E a lanchonete estava mais parada do que tudo. Tânia e eu não atendemos mais ninguém depois dos dois cliente de mais cedo. Fui para meu lanche encontrar com April dentro da academia. Ela já estava na esteira. - Oi amiga, tudo bem? Ela pede sorrindo assim que me ver. - Agora está. Graças a Você. Falo e ela parar e vem para meu lado. - Eu sei que você faria o mesmo por mim se fosse ao contrário. Ela tem razão. - Isso você pode ter certeza. Respiro fundo. Hoje andei por Paris para poder entregar meu currículo. - Você deveria voltar para o estágio. - Não dá April. Neste momento é impossível. Eu preciso de um salário bom e os estágios não pagam bem. - Nisso você tem razão. Olha Carol, se eu pudesse te ajudar,eu te ajudaria. - Você já me ajudou muito. - Não, eu não fiz nada ainda por você. Eu estou dizendo que se a empresa do meu pai estivesse em um momento bom, eu pediria a ele para te contratar. Mas neste momento devido a crise do país, não está fácil. - Não está fácil para ninguém. Digo triste. - Mas não fique assim, tudo vai se resolver. Sua mãe vai ficar bem e consequentemente você e seu irmão também. - Assim será. Ela se senta no chão e eu a acompanho. Vejo a Sra que já está a dois dias me olhando. Eu não estou gostando disso. Será que essa mulher é lésbica? Indago a April. Ela olha para trás sem cerimônia nenhuma. - Já reparei que ela está de olho em você mesmo. April fala e pisca para mim. - Parar April. Ela tem me deixado incomodada com esse olhar dela em cima de mim. E você sabe que eu não gosto de mulher. - Nem de homem né amiga, porque quanto tempo não namora e nem nada? Nem um rolo você tem. - Não tenho tempo para isso, April. Meu foco nesse momento é fazer que minha mãe fique bem. Ela pega na minha mão. - Eu sei disso. Estou te zoando. - O Sr Malhos disse que é capaz de não ter dinheiro para pagar todos os funcionários no final do mês. Eu estou apavorada com isso. - Não se apavore, se precisar de dinheiro me diz. - Não posso fazer isso, April. Você mesmo acabou de dizer que os negócios do seu pai não andam bem, então você também tem que economizar. - Carol, meus pais tem uma fortuna considerável. Se a empresa do meu pai falir ou algo assim, ainda continuaremos bem. Não se preocupe. Portanto, se precisar de algo me fale, eu vou te ajudar. - Às vezes a gente achar que nossos problemas são os únicos, mas Tania está com um maior problema. - Do que você está falando? Tania? - A menina que trabalha comigo no balcão. Ela está preste a perder o emprego sem nenhum centavo e ainda perder a filha para a ex sogra, já que não tem como sustentá-la. - Que triste Carol. Mas eu posso ajudar ela, se a mesma quiser. - Como assim? - Minha madrinha está precisando de uma pessoa na fazenda dela em Ohio. Ela teria que mudar para lá. Eu posso agora mesmo dizer para minha madrinha que achei uma pessoa de confiança para ela. - Você tem um coração de ouro. - Que nada amiga. Não quero nunca ver alguém passando dificuldade, ainda mais com uma criança. - Eu também não, por isso me ofereci para pagar a viagem dela para casa da irmã, para ela não perder a filha e poder conseguir algo melhor para ela fora daqui. - Não precisa. Vamos lá conversar com ela. Se ela aceitar, vou ligar para minha madrinha agora. April já se coloca de pé. Me levanto também. Vamos saindo. Na lanchonete, Tânia estava sentada atrás do balcão. - Isso aqui só está as moscas, hein. April diz ao adentrar o lugar e não ver clientes. - Infelizmente amiga. O dono é cabeça dura e não quer reformular o lugar. - Burro, porque não ver o tanto que ele pode ganhar. Ele está perdendo muito aqui. - Sim. Tânia. Chamo Tânia e ela me olha. Essa aqui é minha amiga April. Eu comentei com ela sobre você e ela tem uma oportunidade de emprego para você. Tania me olha com os olhos brilhando. - É aqui? Ela pede com certo receio na voz. - Não. É em Ohio. Minha madrinha tem uma fazenda lá, e está precisando de alguém. Se você aceitar, vou mandar para ela agora falando que conseguir uma pessoa para ela. - Tânia, espero que você não fique chateada por eu ter comentado sobre você. - Claro que não, Carol. Porém, eu tenho aquele problema aqui. Tânia diz sem graça. - Que problema? Minha amiga indaga. Tânia suspira. - Eu tenho que pagar as despesas que tenho aqui, antes de ir embora. - Tudo bem. Posso ligar para minha madrinha? - Calma. Deixa eu conseguir o dinheiro para pagar minha divida aqui, e falo para você confirmar com sua madrinha. - Você já conseguiu esse dinheiro. Vou ligar para minha madrinha. April fala já com o telefone nas mãos. Sorrio para Tânia que está sem entender nada. - Ela é assim mesmo. Agora dar um pé nisso aqui e vá viver sua vida com sua filha. - Muito obrigada! Tânia diz toda feliz. - Pronto, minha madrinha vai te esperar na fazenda dela daqui dois dias. Isso quer dizer que você tem dois dias para se organizar. O avião vai está esperando você e sua filha. Vocês têm passaportes? April indaga. - Não. Tânia diz sem jeito. - Tudo bem. Não precisa ficar sem jeito. Eu vou te ajudar com isso. Meu pai tem uns contatos que arrumar isso rapidinho. Agora, você só precisa dar um jeito aqui, e amanhã nos vemos para poder pagar as suas dívidas. - Outro anjo. Você tem uma amiga e tanto Carol. - Eu sei disso. Ela é uma irmã. Falo abraçando April. - Agora deixa eu ir pegar as minhas coisas, porque tenho que ir para casa jantar com meus pais. - Obrigada por tudo Srta. - Me chame de April. E não é nada. Espero que tudo dê certo. - E vai dar. April se despede de Tânia e nós duas saímos para a academia. - Obrigada por isso, amiga. Peço e April sorrir. - Não tem o que agradecer. Vou ali pegar as minhas coisas. Ela fala indo para o vestiário. Fico na recepção esperando ela voltar para me despedir. Ainda tenho quinze minutos de lanche. - Olá. A Sra que vem me espiando a todo momento que estou aqui aparece na minha frente. - O que a Sra deseja? Pede firme. - Estava reparando você... - Percebi isso, e já digo não me interesso por mulher. Falo e ela sorrir. - Não é isso. Eu sou casada, e muito bem casada, porém estava te observando, e você é muito bonita, muito cativante. Tenho uma proposta de trabalho para você. Ela fala e eu a olho sem entender que tipo de trabalho ela tem para mim. - Do que se trata? Indaguei e ela me olhou sorrindo. Tirou um cartão da sua bolsa e me deu. - Compareça nesse endereço amanhã, que tenho mais informação. Ela diz simplesmente e sai sem me deixar falar mais nada. Olho seu cartão, e não tem nada demais, que não seja seu nome, telefone, e endereço. Nada mais que isso.
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